sábado, 28 de outubro de 2017

Quatro Princípios Divinos Estabelecidos na Palavra de Deus

Uma vez foi observado que há, entre outros, quatro princípios divinos estabelecidos na Palavra de Deus...

DOUTRINA, EXPERIÊNCIA, PRÁTICA, DISCIPLINA.

Enfatizar somente a doutrina, faria você um antinomiano; enfatizar somente a experiência, faria de você um fanático; enfatizar somente a prática, faria de você um fariseu; enfatizar todos os três – doutrina, experiência e prática – deixando de fora a disciplina, é como um homem que planta uma vinha sem proteção, expondo-a ao ataque de todo javali da floresta.


DOUTRINA


Ter a cabeça cheia de doutrina sem ter um efeito correspondente sobre o coração e a vida é terrível e causa somente estragos. Ser um gramofone sem alma, falando pelos cotovelos a doutrina correta, mas declarações que não sejam comunicações do coração é algo desastroso na vida cristã.

Essa condição possível é vista pela pergunta da Bíblia: "Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante?" (Romanos 6:1). Evidentemente, o apóstolo Paulo estava combatendo um erro real. Veja sua resposta firme: "De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?" Novamente, temos a pergunta: "Pois quê? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça?" (Romanos 6:15).

Esse estado de espírito certamente produzirá antinomianos - isto é, aqueles que envergonham a livre graça de Deus por vidas descuidadas, que dizem: uma vez salvo, salvo para sempre, podemos fazer o que gostamos sem colocar em risco a nossa salvação. A palavra antinomiano vem de duas palavras gregas: anti - contra; e nomos – lei.

Por outro lado, o apóstolo Paulo poderia dizer: "Tu, porém, tens seguido a minha doutrina, modo de viver” (2 Timóteo 3:10). Os primeiros convertidos ao cristianismo "perseveravam na doutrina dos apóstolos" (Atos 2:42). Doutrina e prática andam juntas.

EXPERIÊNCIA


Há alguns que vão para o outro extremo dizendo: Não importa o que o homem acredita, sua conduta é tudo. Mas isso nunca funciona. Ainda que uma pessoa diga o contrário, ela é governada pelo que acredita. Se suas crenças estão erradas, sua conduta é errada.

Aqueles que seguem esse modo de agir, ficam muito egocêntricos, tornam-se uma lei para si mesmos – algo muito perigoso - e se consideram pessoas maravilhosas, adquirem ideias estranhas e muitas vezes se tornam fanáticos perigosos. Curvados sobre a experiência, separados da sã doutrina, eles se tornam uma presa de ideias estranhas e tolas. Quão verdade é a ordem das Escrituras: "doutrina e modo de vida", "doutrina e comunhão dos apóstolos".


PRÁTICA


Se a ênfase é colocada na prática, e as doutrinas e ensinamentos das Escrituras não são dadas para guiar essa prática, você terá pessoas, por assim dizer, procurando fazer uma casa sem fundação, são pessoas como motores sem força motriz ou navios sem um leme.

A pessoa, que não possui a força motriz e o ensino, é como uma câmera que não registra suas fotos.

Deve haver ocupação com o que está acima e além de toda a experiência humana.

Resumindo, um cristão deve ter Cristo antes dele seguir na prática cristã. Mas se ele é deixado para produzir um alto nível de vida cristã sem o conhecimento e a ocupação do coração com Cristo, e o ensino das Escrituras, ele tentará encobrir seus defeitos e colocar algo que ele não tem no coração; ou seja, se tornará um fariseu. Isso nos levaria para o perigoso caminho de achar que nossas atitudes seriam as melhores e mais santas, que ninguém faz como nós fazemos.


DISCIPLINA


Se um cristão não disciplina a si mesmo, isto é, andar em autojulgamento diante de Deus;ou se uma assembleia cristã falhar em disciplinar seus membros, onde e quando a disciplina é necessária, deixa a porta aberta para que o mal entre, crie raízes e se estenda.

Devemos lembrar que Deus é um Deus santo, e aqueles que caminham com Ele devem ser santos.

É um princípio, se julgarmos a nós mesmos, não seremos julgados (1 Coríntios 11:31). Na nossa experiência, os cristãos, que são duros com os seus irmãos em Cristo, são aqueles que não praticam o autojulgamento em suas próprias vidas; os que são ternos e graciosos, e ainda fiéis, são aqueles que verdadeiramente julgam a si mesmos na presença de Deus.

Quanto à assembleia, o capítulo 5 de 1 Coríntios nos fornece as instruções sobre disciplina. Deve haver "dentro" e "fora" - deve haver uma proteção para impedir que qualquer javali da floresta cause destruição.

Que o Senhor nos guie para equilibrarmos esses quatro princípios divinos em nossas vidas e associações.

A. J. Pollock.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Um Resumo da Fé Cristã

Há coisas na Bíblia que só podem ser entendidas se você tiver entendido alguns aspectos fundamentais da fé cristã, apresentadas no Novo Testamento. Tentarei resumir (com referências bíblicas, sugerindo que as leia com sinceridade e em oração pedindo a Deus entendimento):

O homem natural é uma criatura caída, corrompido pelo pecado herdado de Adão (Rm 5:15-19); o pecado é aquilo que nos separa de Deus e nos faz querer viver independentes dEle; a carne está contaminada pelo pecado, portanto somos por natureza inimigos de Deus (Rm 8:7): prova disso foi a eleição/escolha democrática (do povo) que clamou: "Crucifica-o... não queremos que este reine sobre nós" (Lc 23:21, 19:14); assim o homem natural não é justo, e não busca a Deus, todos pecaram e "toda a imaginação dos pensamentos de seu coração é só má continuamente" (Rm 3:10-23, Gn 6:5). O pecado traz o juízo de Deus (Jo 16:8, Ap 20:12-13, etc.), que é Santo e Justo, portanto "todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rm 3:23). No entanto, Deus nos ama e não quer que sejamos condenados, assim "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (Jo 3:16). Jesus, o Filho de Deus, veio ao mundo para salvar os pecadores. Como? Indo até a cruz e levando sobre Si o juízo que merecíamos por nossos pecados (1 Pe 3:18, 1Co 15:3-4, 1 Pe 2:24, Is 53:6-11), e para condenar de vez a carne corrompida pelo pecado (Rm 6:4-6, 8:3). Ele foi condenado em nosso lugar e depois ressuscitou, deste modo satisfazendo totalmente a justiça de Deus. Assim podemos ser salvos simplesmente ao crer nEle como Salvador, e no fato de que Ele morreu por nós (Jo 1:11, 3:16, 5:24, At 16:31, Ef 2:8,9, Ap 22:17), sendo assim "justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus." (Rm 3:24-28). Quando somos salvos, nascemos de novo, "somos de novo gerados da semente incorruptível", recebemos uma nova natureza nascida de Deus (Jo 3:3, 1 Pe 1:23, Tg 1:18, Ef: 4:24, Cl 3:10). No entanto, enquanto o Senhor Jesus não vem para nos levar ao lar celestial (Jo 14:1-3, Fp 3:20, 1Ts 4:13-18), continuamos com nossa velha natureza, a carne (Rm 7:18-25, 1Co 15:42-56). Assim o cristão nascido de novo possui duas naturezas em conflito entre si (Gl 5:17). E é no andar na nova, e se despojar da velha (conforme Cl 2 e 3, Rm 6 e Gl 5), andando conforme as boas obras que Deus preparou para que andássemos nelas (Ef 2:10), que podemos obedecer a Deus e andar conforme Lhe agrada.

Espero ter ajudado de alguma forma, desejando muito que, se você ainda não recebeu a Cristo como seu Salvador, o faça logo, pois "eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação" (2 Coríntios 6:2).

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Devemos restaurar a igreja?

O que ele diz sobre o evangelho nos vídeos que enviou está correto. Ele era pastor de uma denominação e aparentemente tem seu próprio trabalho que, queira ou não, é também uma denominação apenas com um nome e uma estrutura diferente. Mas dá para entender que ele é o líder. O fato de ter empunhado a bandeira do “contra as denominações tradicionais” ou fale de regeneração ou restauração da igreja não muda muita coisa.

Tem bastante gente empunhando essa bandeira e saindo das denominações para se reunirem em grupos familiares ou mesmo criarem uma denominação sem denominação. Mas não é essa a vontade de Deus: sair para criar mais grupos independentes. Quando percebemos a confusão existente na cristandade devemos sair a Cristo, e não a nós mesmos, a um líder ou a alguma nova forma de reunir.

Heb 13:13 "Portanto, saiamos até ele [CRISTO], fora do acampamento, suportando a desonra que ele suportou".

A pergunta que devemos fazer não é tanto "como devo me reunir", mas "onde devo me reunir", e a resposta é onde Cristo está no meio (e esse no meio significa o centro da reunião, o imã, o elemento aglutinador).

Quando escrevo sobre "a forma" das reuniões muitos chegam até a se interessar, mas quando falo do fundamento sobre o qual o cristão deve se reunir, isso já elimina alguns candidatos. Um irmão entrou em contato para dizer que concordava com "a forma" de reunir que eu explicava e era isso que ele procurava fazer com as pessoas com as quais se reunia. Entrei no blog dele e lá estava uma foto dele com colarinho eclesiástico e o título "Reverendo" antes do nome. Obviamente ele não entendeu que estar congregado ao nome do Senhor somente é tirar de cena o homem, o clero, e até o "Reverendo".

Voltando aos vídeos que você enviou, embora às vezes seja necessário apontar os descalabros que vemos ao redor como o autor dos vídeos faz, a bandeira do cristão não é denunciar os erros da cristandade, mas promover o conhecimento da Pessoa de Cristo.

O que chama a atenção no segundo vídeo é que o discurso fica muito centrado nele. Tem muito "eu", "eu", "eu"; você não achou que ele fala muito de si mesmo, como se dissesse "eu vou fazer assim, quem quiser que venha comigo"? Tenho aprendido que algo difícil é um clérigo perder a pose de clérigo. Ele foi criado assim e as pessoas o tratam assim. Uma vez clérigo, custa para tirar aquele colarinho duro, seja ele católico ou protestante. Obviamente para Deus nada é impossível.

Não existe na Palavra de Deus nenhuma indicação de que devamos restaurar a Igreja, porque ela é perfeita aos olhos de Deus. Quanto ao testemunho deixado aos homens, esse irá de mal a pior até depois do arrebatamento, quando ficarão na terra apenas os cristãos da boca para fora que seguirão o anticristo. Essa cristandade que fica para a tribulação é a prostituta de Apocalipse, a mulher que aparece montada sobre a besta (e depois é derrubada por ela).

Ainda sobre o que ele diz no vídeo, existe uma diferença entre a Igreja, que é o corpo de Cristo, e a cristandade, que é o testemunho que os homens dão desse corpo. A igreja, o corpo de Cristo, é e sempre será perfeita e sem mácula, porque Deus a fez assim. O testemunho dos homens é que está arruinado e não tem conserto. Não somos exortados a consertar coisa alguma, mas a guardar "a unidade do Espírito pelo vínculo da paz: há um só corpo e um só Espírito" Ef 4:3, 4. Essa unidade é indestrutível e é obra de Deus, não de homens.

Muitos hoje pregam a regeneração ou restauração da igreja (falando da cristandade ou do testemunho), mas essa regeneração não ocorrerá. Como aconteceu em todas as eras e dispensações (maneiras de Deus tratar os homens), tudo começa bem e acaba mal, porque os homens sempre destroem o que é de Deus.

Vivemos hoje o momento Laodicéia (entenda as 7 igrejas de Apocalipse também como 7 épocas da igreja no mundo), quando o valor é dado ao que é exterior (rica e abastada), mas Cristo está do lado de fora, batendo e buscando a comunhão individual. Não haverá restauração.

São poucos os que saem dos sistemas para voltar ao centro, que é Jesus. Isso sem alarde ou sem sentimentos revolucionários de quem está tentando consertar a cristandade. É importante fazer uma distinção clara disso para não cair no erro de criar mais uma denominação sem nome, que se propõe tão somente a reparar alguns erros do modus operandi das denominações, quando o grande erro está no fundamento que adotam.

Uma boa coisa a fazer quando escutar irmãos pregando contra denominações ou convidando as pessoas a saírem do sistema é perguntar: Acaso ele é um líder procurando por seguidores? A pergunta é muito importante, pois antes mesmo de existirem denominações o apóstolo Paulo alertou os anciãos de Éfeso dos perigos que viriam após sua partida: homens procurando atrair discípulos após si.

Ats 20:29, 30 "Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis [vindos de fora, incrédulos], que não perdoarão o rebanho. E que, dentre vós mesmos [crentes], se levantarão homens que falarão coisas perversas [ou pervertidas, distorcidas], para atraírem os discípulos após si".

Portanto, quando escutar alguém falando mal do atual estado da cristandade, das denominações, da maneira como os cristãos se afastaram da verdade etc e tal, veja se não é alguém querendo começar algo novo em torno de sua própria pessoa, ou seja, um ex-líder ou neo-líder em busca de seguidores. 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

A Terceira e Quarta Objeção de Faraó

(Comentário Êxodo 10)

A terceira objeção de Faraó requer atenção especial de nossa parte. "Então, Moisés e Arão foram levados outra vez a Faraó, e ele disse-lhes: Ide, servi ao SENHOR, vosso Deus. Quais são os que hão-de ir? E Moisés disse: Havemos de ir com os nossos meninos e com os nossos velhos; com os nossos filhos, e com as nossas filhas, e com as nossas ovelhas, e com os nossos bois havemos de ir; porque festa ao SENHOR temos. Então ele lhes disse: Seja o SENHOR assim convosco, como eu vos deixarei ir a vós e a vossos filhos; olhai que há mal diante da vossa face. Não será assim; andai agora vós, varões, e servi ao SENHOR; pois isso é o que pedistes. E os lançaram da face de Faraó" (capítulo 10:8 a 11).

De novo vemos como o inimigo procura dar um golpe de morte no testemunho dado ao Deus de Israel. Os pais no deserto e os filhos no Egito! Que terrível anomalia! Isto teria sido apenas libertação parcial, ao mesmo tempo inútil para Israel e desonrosa para o Deus de Israel. Isto não era possível. Se os filhos fossem deixados no Egito, não se podia dizer que os pais os tivessem deixado. Tudo quanto podia dizer-se, em tal caso, era que em parte eles serviam ao Senhor e em parte a Faraó. Porém, o Senhor não podia ter parte com Faraó. Era necessário que possuísse tudo ou nada. Eis aqui um princípio importante para os pais cristãos. Possamos nós tê-lo no íntimo dos nossos corações! É nosso privilégio contar com Deus quanto aos nossos filhos, e criá-los "na doutrina e admoestação do Senhor" (Ef 6:4). Nenhuma outra parte deve satisfazer-nos quanto aos nossos "pequeninos" senão aquela mesma que nós próprios desfrutamos. 

A quarta e última objeção de Faraó relacionava-se com os rebanhos e as manadas. "Então, Faraó chamou a Moisés e disse: Ide, servi ao SENHOR: somente fiquem vossas ovelhas e vossas vacas; vão também convosco as vossas crianças" (capítulo 10:24). Com que perseverança disputou Satanás cada palmo do caminho de Israel para fora do Egito! Em primeiro lugar procurou mantê-los no país; então diligenciou tê-los perto do país; depois esforçou-se por reter parte do povo; e por fim, depois de haver falhado nestas três tentativas, esforçou-se por fazê-los partir sem meios alguns para servir ao Senhor. Já que não podia reter os servidores procurava ficar com os meios que eles tinham para servir, pensando obter o mesmo resultado por um meio diferente. Já que não podia induzi-los a oferecerem sacrifícios no país, queria enviá-los fora do país sem vítimas para os sacrifícios.

C. H. Mackintosh

terça-feira, 5 de julho de 2016

O Tribunal de Cristo

O Senhor guiará os Seus santos à casa do Pai nas alturas. Jo 14.2,3; Hb 2.13.

Após haver levado o Seu povo para a casa do Pai nas alturas, o Senhor os assentará à Sua mesa e os servirá de alegria celestial. Lc 12.37.

O tribunal de Cristo será estabelecido no céu, onde o Senhor se assentará como juiz.*  Existem três razões principais para haver um julgamento. Primeiro, para magnificar a graça de Deus em atender às nossas necessidades como pecadores. Isso mostrará quão grande foi na realidade a nossa dívida em razão do pecado, quando os pecados e falhas de nossa vida forem manifestados. Iremos aprender quão imensa é Sua graça em passar por cima de tudo isso. A segunda razão é para que, em todas as coisas, seja revelada a perfeita sabedoria de Deus. Ele Se identificou com Seu povo. Naquela ocasião Ele responderá a todas as perguntas difíceis que tivemos acerca de nossa vida. Ele mostrará a razão porque as incômodas dificuldades foram necessárias para nossa formação. A terceira razão é para que sejam determinadas quais as recompensas (galardões) dos santos e o lugar que ocuparão no Reino. O resultado disso estimulará o eterno louvor dos santos de Deus. O caráter da sessão não será judicial. Não serão os pecados do crente que estarão em questão. Isto já foi resolvido de uma vez para sempre pela obra completa de Cristo na cruz. O conhecimento disto dá ao crente grande ousadia, uma vez que lhe assegura que não será surpreendido pelo dia do juízo (1 Jo 4.17). O crente pode descansar em perfeita confiança na Palavra de Deus, que é fiel e lhe diz que "não entrará em condenação" (Jo 5.24; Rm 8.1). Mas as ações do crente (2 Co 5.10), sua obra servil executada para o Senhor (1 Co 3.9-15), seus motivos (1 Co 4.4-5; Rm 2.15,16), suas palavras (Mt 12.36,37), e seu exercício pessoal (Rm 14.1-12), será tudo repassado diante do santo olho do Senhor Jesus Cristo. Tudo na vida do crente será manifestado naquele dia, tanto o que praticou antes, como depois de sua conversão**. Isso revelará o que foi o ilimitado amor e a paciente graça do Senhor durante a vida do crente. Os crentes bendirão a mão que os guiou e o coração que planejou tudo enquanto aprendiam que "Seu caminho é perfeito." Sl 18.30.

{*Nota: Existem dois tipos de juiz. Cristo executará juízo no caráter de ambos. Um tipo de juiz é aquele que está no caráter de alguém investido de autoridade para decretar a sentença em juízo sobre um réu culpado, por exemplo, um juiz que atua nas cortes judiciais de um país. O cristão nunca se encontrará perante Cristo neste caráter de Juiz (Jo 5.24; Rm 8.1). O outro tipo é o juiz que atua como um árbitro, tendo conhecimento suficiente para decidir o mérito de um determinado assunto, por exemplo, um juiz de algum concurso ou exposição de arte. Este tipo de juiz avalia a qualidade e beleza de uma determinada obra em exposição. É neste segundo caráter que Cristo é visto como Juiz para com os crentes.}

{**Nota: Alguns poderão discordar disto, mas as Escrituras (2 Co 5.10) declaram claramente que trata-se das ações efetuadas por meio do corpo, e não das ações praticadas após a conversão. Todos nós estávamos no corpo antes de sermos convertidos. Será necessário ter tudo manifestado na vida do crente, para mostrar que a inigualável graça do Senhor é tão grande que a tudo sobrepuja. Onde abundou o pecado a graça abundou ainda muito mais (Rm 5.20). Deve ser também lembrado que os santos estarão glorificados nessa ocasião e não serão manchados pelo conhecimento de tais coisas reveladas. Naquele dia aprenderemos de uma vez para sempre quão má é a carne, e isso tão somente magnificará a graça que nos buscou e nos encontrou. Ninguém estará apontando seu dedo a outrem. Todos terão sido levados para lá com base numa só coisa: graça, e tão somente graça. E então, ao descobrirmos, em meio a tudo isso, que Ele encontrará um motivo para nos galardoar, seremos vencidos por uma compreensão do Seu amor e graça de uma forma muito mais profunda do que jamais poderia ser alcançada se não fosse tudo revelado a nós. Isso irá gerar as mais altas e vibrantes notas de louvor "Àquele que nos ama e em Seu sangue nos lavou dos nossos pecados" (Ap 1.5). }

Quando eu estiver diante do trono presente,
Coberto de adornos que não conquistei;
Então ao Senhor conhecerei plenamente,
Então saberei o quanto tenho e não sei.
Todos receberão uma recompensa. Cada um receberá o louvor vindo de Deus (1 Co 4.5; Mt 25.21-23). Talvez existam sete coroas que serão dadas como recompensa. A coroa incorruptível (1 Co 9.25), a coroa de gozo (1 Ts 2.19), a coroa de justiça (2 Tm 4.8), a coroa da vida (Tg 1.12; Ap 2.10), a coroa da glória (1 Pd 5.4), a coroa de ouro (Ap 4.4) e a coroa dada aos que vencerem (Ap 3.11).

Todos os santos celestiais (representados nos 24 anciãos) tomarão os seus lugares em tronos ao redor do Senhor no céu e, enquanto olham para o Senhor em toda a Sua glória como Criador e Redentor, lançarão suas coroas e a si próprios aos Seus pés em adoração e louvor. Ap 4-5.

B. Anstey

domingo, 3 de julho de 2016

Êxodo 10

A cruz foi, primeiro, Redenção... então a morte da carne.
O Mar Vermelho... a morte de Cristo por nós; o Jordão... nossa morte com Cristo.

ÊXODO 10

Êx 10:1-11 A metade do versículo 3 é o que muitos crentes hoje não estão querendo fazer! Mas é a única "estrada" para a bênção de Deus na vida - veja Tg 4:9-10. Os servos de Faraó argumentam com ele que o Egito estava sofrendo. Eles não se importavam com Deus. Faraó estava querendo deixar os homens de Israel saírem de um modo que tivessem que voltar para seus lares e suas famílias. Faraó não queria a separação total do povo de Deus. Satanás é assim hoje.

Êx 10:12-15 O oitavo castigo. Não resta comida.

Êx 10:16-20 Faraó agora está com pressa, e sua confissão vai além da anterior. Mas ele está interessado somente em se livrar dos problemas (veja a palavra "somente" duas vezes no versículo 17).

Êx 10:21-29 O nono castigo. Há novamente uma grande diferença entre os Egípcios e os Israelitas. Será que existe diferença entre nosso lar e um lar mundano? Moisés não faria concessões de espécie alguma (maravilhoso exemplo para nós), e Faraó sela seu próprio destino ao recusar se submeter a Deus. 

N. Berry. Fonte: http://www.stories.org.br/ex_p.html

segunda-feira, 27 de junho de 2016

O Apostolado de Paulo

A lei e os profetas foram até João; após João o próprio Senhor, em Sua própria Pessoa, oferece o reino a Israel, mas "os Seus não O receberam". Eles crucificaram o Príncipe da vida, mas Deus O ressuscitou dentre os mortos, fazendo-O sentar à Sua direita nos lugares celestiais. Temos então os doze apóstolos. Eles são dotados com o Espírito Santo, e levam o testemunho da ressurreição de Cristo. Mas o testemunho dos doze é desprezado, o Espírito Santo é resistido, Estêvão é martirizado, a oferta final de misericórdia é rejeitada, e agora o tratamento de Deus com Israel como um povo é encerrado por um tempo. As cenas de Siló são encenadas novamente, Icabode é escrito em Jerusalém, e uma nova testemunha é convocada, como nos dias de Samuel. (Leia 1 Samuel 4)

Chegamos agora ao grande apóstolo dos gentios. Ele é como um nascido fora do tempo e fora de seu devido lugar. Seu apostolado não tinha nada a ver com Jerusalém ou com os doze. Era fora de ambos. Seu chamado era extraordinário e vindo direto do Senhor no Céu. Ele tem o privilégio de trazer a novidade: o caráter celestial da igreja - que Cristo e a igreja são um, e que o Céu é seu lar em comum (Efésios 1,2). Enquanto Deus estava tratando com Israel, essas benditas verdades estavam guardadas em segredo em Sua própria mente. "A mim,", diz Paulo, "o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo, e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo." (Efésios 3:8-9)

Não podia haver dúvidas sobre o caráter do chamado do apóstolo quanto à sua autoridade divina. "Não da parte dos homens, nem por homem algum", como diz ele em sua Epístola aos Gálatas, "mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos" (Gálatas 1:1). Isto é,  não era "da parte dos homens", quanto à sua fonte, nem de qualquer Sínodo* de homens oficiais. "Nem por homem algum", foi como veio sua comissão. Ele não era apenas um santo, mas um apóstolo por chamado: e esse chamado era por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que O ressuscitou dentre os mortos. Em alguns aspectos, seu apostolado foi ainda de mais alta ordem do que o dos doze. Estes tinham sido chamados por Jesus quando na Terra; aquele tinha sido chamado pelo Cristo ressuscitado e glorificado no Céu. E, sendo seu chamado vindo do Céu, não necessitava nem da sanção nem do reconhecimento dos outros apóstolos. "Mas, quando aprouve a Deus ... revelar seu Filho em mim, para que o pregasse entre os gentios, não consultei a carne nem o sangue, nem tornei a Jerusalém, a ter com os que já antes de mim eram apóstolos, mas parti para a Arábia, e voltei outra vez a Damasco." (Gálatas 1:15-17)

A forma como Saulo foi chamado para apóstolo é digna de nota especial, pois bate de frente com a raiz do orgulho judaico, e pode também ser vista como o golpe mortal à vã noção de sucessão apostólica. Os apóstolos, a quem o Senhor tinha escolhido e nomeado quando estava na Terra, não eram nem a fonte nem o canal, de maneira alguma, da nomeação de Paulo. Eles não lançaram sortes para ele, como fizeram no caso de Matias (Atos 1). Ali eles estavam apenas em terreno judeu, o que pode explicar sua decisão por sorteio. Era um antigo costume, em Israel, descobrir a vontade divina por esses modos. Mas estas enfáticas palavras: "Paulo, apóstolo, não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo", excluem completamente a intervenção do homem sob qualquer forma. A sucessão apostólica é descartada. Somos santos por chamado e servos por chamado. E tal chamado deve vir do Céu. Paulo está diante de nós como um verdadeiro padrão para todos os pregadores do evangelho, e para todos os ministros da Palavra. Nada pode ser mais simples que o terreno que ele toma como pregador, sendo o grande apóstolo que era. "E temos, portanto, o mesmo espírito de fé, como está escrito: Cri, por isso falei; nós cremos também, por isso também falamos." (2 Coríntios 4:13)

Imediatamente após ser batizado e fortalecido, ele começou a confessar sua fé no Senhor Jesus e a pregar nas sinagogas de que Ele era o Filho de Deus. Isto é algo novo. Pedro pregava que Ele tinha sido exaltado à destra de Deus - que Ele tinha sido feito tanto Senhor quanto Cristo, mas Paulo prega uma doutrina mais elevada sobre Sua glória pessoal - "que Ele é o Filho de Deus". Em Mateus 16, Cristo é revelado pelo Pai aos discípulos como "o Filho do Deus vivo". Mas agora Ele é revelado, não apenas a Paulo, mas em Paulo. "Aprouve a Deus ... revelar seu Filho em mim" (Gálatas 1:15-16), disse ele. Mas quem é suficiente para falar dos privilégios e bênçãos daqueles a quem o Filho de Deus é, pois, revelado? A dignidade e segurança da igreja descansa sobre essa bendita verdade, e também sobre o evangelho da glória, que foi especialmente confiado a Paulo, e que ele chama de "meu evangelho".

"Sobre o Filho assim revelado", disse alguém docemente, "paira tudo o que é peculiar ao chamado e glória da igreja - suas santas prerrogativas - aceitação no Amado com perdão dos pecados por meio de Seu sangue - entrada para os tesouros da sabedoria e do conhecimento, de modo a tornar conhecido, a nós, o mistério da vontade de Deus - herança futura nEle e com Ele, no qual todas as coisas nos céus e na Terra serão congregadas - e o presente selo e penhor dessa herança, o Espírito Santo. Tal brilhante sequência de privilégios é escrita pelo apóstolo desta maneira: "bênçãos espirituais nos lugares celestiais"; e assim são elas; bênçãos através do Espírito fluindo e nos ligando a Ele, que é o Senhor nos céus." * (Efésios 1:3-14)

{* Veja mais detalhes sobre esse assunto em John Gifford Bellet, Christian Witness [Testemunho cristão], v. 4, p. 221; William Kelly, Introductory Lectures on Galatians [Estudos introdutó­rios sobre Gálatas], cap. 1}

Mas a doutrina da igreja - o mistério do amor, da graça e do privilégio - não tinha sido revelada até Paulo a ter declarado. O Senhor tinha falado dela quanto ao efeito que teria a presença do Consolador, dizendo: "Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim, e eu em vós." (João 14:20). E novamente, quando Ele diz aos discípulos após a ressurreição: "Eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus." (João 20:17). Dessa "sequência brilhante" de bênçãos Paulo foi, especial e caracteristicamente, o apóstolo.

A. Miller. Fonte: http://a-historia-da-igreja.blogspot.com.br/2014/09/o-apostolado-de-paulo.html

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