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domingo, 11 de novembro de 2012

Duas Naturezas em Conflito (Parte 2)

(Comentário Gênesis 21, Romanos 7 e Gálatas 4)


Ao mesmo tempo que o nascimento de Isaque enchia Sara de riso, introduzia um elemento inteiramente novo na casa de Abraão. O filho da livre precipitou o desenrolar do caráter do filho da escrava. Na verdade, Isaque provou, em princípio, ser para a família de Abraão aquilo que a nova natureza é na alma dum pecador. Não se tratava de Ismael modificado, mas de Isaque nascido. O filho da escrava nunca podia ser nada mais senão isso. Pelo contrário, por muito fraco e desprezado que Isaque fosse, ele era o filho da livre. A sua posição e o seu caráter, a sua situação e perspectiva, eram do Senhor. "O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito" (Jo 3:6).

A regeneração não é mudança da velha natureza, mas a introdução de uma nova. Nem tão-pouco a introdução desta nova natureza altera, no mínimo, o caráter verdadeiro e essencial da velha natureza. Esta continua a ser o que era; e não é, de modo nenhum, melhorada; pelo contrário, dá-se a plena manifestação do seu caráter pecaminoso em oposição ao novo elemento;"... a carne cobiça contra o Espírito e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro" (G1 5:17).

O nascimento de Isaque não melhorou Ismael, mas apenas ocasionou a verdadeira oposição deste ao filho da promessa. Pôde ter uma conduta pacífica e irrepreensível até Isaque ter feito a sua aparição; mas então mostrou o que era perseguindo e ridicularizando o filho da ressurreição. Qual era logo o remédio? Melhorar Ismael? De modo nenhum; mas, "Deita fora esta serva e o seu filho; porque o filho desta serva não herdará como meu filho, com Isaque" (versículos 8-10). Aqui estava o único remédio. "Aquilo que é torto não se pode endireitar" (Ec 1:15); portanto, é preciso livrarmo-nos inteiramente do que é torto e ocuparmo-nos com aquilo que é divinamente reto. É tempo perdido procurar endireitar uma coisa torta. Por isso todos os esforços tendentes a melhorar a natureza são completamente fúteis.

Ora o erro em que caíram as igrejas da Galácia (*e muitas seitas "cristãs" dos dias atuais) foi a aceitação daquilo que apelava para a natureza."... Se vos não circuncidardes, conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos" (At 15:1). aqui vemos como a salvação se tornava dependente de alguma coisa que o homem podia ser, fazer, ou guardar. Isto importava em deitar por terra toda a obra gloriosa da redenção, a qual, como o crente sabe, assenta exclusivamente sobre o que Cristo é e o que Ele fez. Tornar a salvação dependente, de qualquer maneira, de alguma coisa inerente ao homem, ou a fazer pelo homem, é pô-la inteiramente de lado. Por outras palavras, Ismael tem que ser posto fora, e todas as esperanças de Abraão devem depender daquilo que Deus fez, e deu, na pessoa de Isaque. Escusado será dizer que isto não deixa nada em que o homem possa gloriar-se. Se a bem-aventurança presente ou futura dependesse até mesmo de uma alteração divina na natureza, a carne podia gloriar-se. Embora a minha natureza fosse melhorada, seria alguma coisa de mim, e deste modo Deus não teria toda a glória.

Em resumo, pois, a escrava representa o concerto da lei; e o seu filho representa todos os que são das "obras da lei", ou se fundamentam nesse princípio. Isto é muito claro. A escrava só gera para a escravidão, e nunca pode dar à luz um homem livre. Como poderia?- A lei nunca podia dar liberdade, visto que enquanto o homem vivesse ela dominava sobre ele (Rm 7:1). Eu nunca poderei ser livre enquanto estiver sob o domínio de alguém. Assim, enquanto vivo debaixo da lei esta tem domínio sobre mim; e nada
senão a morte pode libertar-me do seu domínio.

Esta é a doutrina bendita de Romanos 7. "Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei, pelo corpo de Cristo, para que sejais doutro, daquele que ressuscitou de entre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus." (Rm 7:4) Isto é liberdade, porque, "Se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres" (Jo 8:36). "De maneira que, irmãos, somos filhos não da escrava, mas da livre" (G1 4:31).

Sem dúvida, haverá nisto tudo um esforço para deitar fora este elemento de escravatura, porque o legalismo é próprio dos nossos corações. "E pareceu esta palavra mui má aos olhos de Abraão, por causa de seu filho." Contudo, por muito má que seja, é conforme com a mente divina que permaneçamos firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não tornemos a metermo-nos debaixo do jugo da servidão (G1 5:1).

Possamos nós, prezado leitor, compreender tão inteira e praticamente a bem-aventurança da provisão de Deus por nós em Cristo, que acabemos com todos os pensamentos acerca da carne, e tudo que ela pode ser, fazer ou produzir. Existe tal plenitude em Cristo que torna todo o apelo à natureza supérfluo e vão.

C. H. Mackintosh. Fonte: http://www.scribd.com/doc/105168410/Notas-Sobre-o-Pentateuco-Genesis-C-H-Mackintosh

* Nota do editor

Gênesis 21


Gn 21:4 Deus havia prometido um filho a Abraão cerca de 15 anos antes de Isaque nascer, quando Abraão e Sara tinham cerca de 100 anos de idade! Isaque era herdeiro de tudo o que Abraão tinha e havia sido prometido por Deus. Gálatas 4:1-9 nos diz que nós que recebemos o Senhor Jesus como nosso Salvador somos herdeiros. Repare que somos "herdeiros de Deus". 

Gn 21:9-11 Abraão não podia esperar que Deus desse a ele e Sara um filho, por isso casou-se com a serva egípcia de Sara cujo nome era Hagar. Ora, esse filho não poderia compartilhar com Isaque de todos os privilégios de ser herdeiro de Abraão. Sara age de modo mau e despede sua serva Hagar e seu filho Ismael. 

Gn 21:12 Deus estava permitindo isto, pois Ele tinha uma lição para nos ensinar. Antes de tentarmos aprender o que significa toda essa história, é maravilhoso vermos que Deus cuidou da mulher e de seu filho (vers. 15-21). Deus é misericordioso. Eis o significado da história. Leia Gálatas 4:22-31. A questão é, "está o crente sob a lei?". O filho da escrava (Hagar) é uma figura daqueles que estão sob a lei. O versículo 24 de Gálatas 4 traz a palavra "alegoria", isto significa uma história, uma parábola, um tipo. Aquilo que realmente aconteceu, e então aquilo de que é figura. Portanto Hagar e Ismael são uma figura da lei. Sara e Isaque são uma figura da graça (ou promessa). Nós crentes não somos salvos por guardarmos a lei, mas por graça (Ef 2:8, Gl 5:4 e Rm 5:14). 

Gn 21:22-23 Abimeleque, um gentio, vê que Deus está com Abraão, e o procura e quer fazer um acordo com ele. Ele busca Abraão em busca de proteção. Talvez você ache esta parte difícil de entender. Trata-se de um vislumbre do futuro - uma figura do milênio - Ap 22:2, última parte.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Gênesis 16


Abraão falha outra vez. Israel hoje, com todos seus problemas, derramamentos de sangue e guerras com os Árabes, é o resultado de Abraão haver usado Hagar. Os Muçulmanos hoje consideram os Árabes como descendentes de Ismael (37:27). Hagar foi trazida do Egito! A amizade com o mundo nos levará a passar por muita tristeza. 

Gn 16:4-6 Miséria, orgulho, inveja, discórdia e injustiça entraram em sua família. 

Gn 16:7-16 Mesmo assim, como Deus foi misericordioso com aquela pobre mulher! 

Gn 16:14 Ela chega ao poço de "Beer-Laai-Rói", que significa "o poço dAquele que vive e me vê". Quando pecamos, só existe Um a Quem podemos ir e confessar... Deus. (1 Jo 1:9). Mas podemos ter que carregar os resultados de nossa insensatez até o dia de nossa partida deste mundo.

A Lei e a Graça

(Comentário Gênesis 16)

Podemos pensar em Agar o seu filho como figuras do concerto das obras e de todos os que são desse modo trazidos à escravidão (veja G1 4:22-25). "A carne" é, nesta passagem importante, posta em contraste com "a promessa"; e deste modo não temos apenas a ideia divina do que significa o termo "carne", mas também quanto aos esforços de Abraão para obter a semente por meio de Agar, em vez de descansar na "promessa" de Deus. Os dois concertos são simbolizados por Agar e Sara, e são diametralmente opostos um ao outro: um engendra a escravidão, tanto mais que levantou a questão quanto à competência do homem para "fazer" e "não fazer", e fez a vida inteiramente dependente dessa competência. "O homem que fizer estas coisas por elas viverá" (G1 3:12). Este era o concerto de Agar. Porém o concerto de Sara revela Deus como o Deus da promessa, a qual promessa é inteiramente independente do homem e baseada na boa vontade e aptidão de Deus para a cumprir. 

Quando Deus faz uma promessa não há "se" ligado com ela. Ele fá-la incondicionalmente, e está decidido a cumpri-la; e a fé descansa n'Ele, em perfeita liberdade de coração. Não é preciso esforço da natureza para conseguir o cumprimento de uma promessa divina. Foi aqui, precisamente, que Abraão e Sara falharam. Eles fizeram um esforço da natureza para conseguir um determinado fim, o qual estava absolutamente assegurado por uma promessa de Deus. Este é o grande erro da incredulidade. Por meio da sua atividade impaciente levanta uma neblina obscura em volta da alma, que impede os raios da glória divina de a alcançarem. "Não fez ali muitas maravilhas por causa da incredulidade deles" (Mt 13:58). Uma característica eficaz da fé é que sempre deixa o campo livre para Deus Se revelar; e, verdadeiramente, quando Ele Se revela, o homem deve tomar o lugar de um feliz adorador.

O erro pelo qual os Gálatas se deixaram arrastar foi o acréscimo de alguma coisa da natureza àquilo que Cristo já tinha realizado por eles na cruz. O evangelho que lhes havia sido pregado, e que eles tinham recebido, era a apresentação simples da graça de Deus, perfeita e incondicional. Jesus Cristo havia, evidentemente, sido representado perante eles como crucificado (G1 3:1). Isto não era apenas uma promessa divina, mas sim uma promessa divina e gloriosamente consumada. Cristo crucificado correspondia perfeitamente tanto às exigências de Deus como às necessidades do homem. Porém os falsos ensinadores transtornavam tudo isto, ou procuravam transtorná-lo, dizendo: "...Se vos não circuncidardes, conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos" (At 15:1). Isto, como Paulo lhes disse, era, na realidade, tornar Cristo de nenhum efeito.

C. H. Mackintosh. Fonte: http://www.scribd.com/doc/105168410/Notas-Sobre-o-Pentateuco-Genesis-C-H-Mackintosh

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