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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A Escravidão

(Comentário Êxodo 5)

O resultado da primeira visita a Faraó parece ter sido bem pouco animador. O pensamento de perder os israelitas levou-o a tratá-los com maior crueldade e a sujeitá-los a redobrada vigilância. Sempre que o poder de Satanás é restringido a um ponto o seu furor aumenta. Assim aconteceu neste caso. A fornalha ia ser apagada pela mão do amor libertador; porém, antes de o ser, ela arde com mais intensidade e ferocidade. O diabo não gosta de soltar nenhum daqueles que tem tido debaixo da sua garra terrível. Ele é "o valente", e quando "guarda, armado, a sua casa, em segurança está tudo quanto tem" (Lc 11:21). Porém, bendito seja Deus, há "outro mais valente do que ele", que lhe tirou "a sua armadura em que confiava", e repartiu os seus despojos pelos objetos favorecidos do Seu amor eterno.
"E depois, foram Moisés e Aarão e disseram a Faraó: Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto" (capítulo 5:1). Tal era a mensagem do Senhor a Faraó. Deus reivindicava inteira libertação para o povo, sob o fundamento de ser o Seu povo e a fim de que pudessem celebrar-Lhe uma festa no deserto. Nada pode jamais satisfazer Deus acerca dos Seus eleitos senão a sua inteira libertação do jugo da servidão. "Desligai-o e deixa-o ir", é, realmente, o grande lema dos desígnios de Deus acerca daqueles que, embora retidos em servidão por Satanás, são,todavia, os herdeiros da Sua vida eterna.

Quando contemplamos os filhos de Israel no meio dos fornos de tijolo do Egito, temos perante nós uma figura exata da condição de todo o filho de Adão segundo a carne. Ei-los ali, esmagados sob o jugo mortífero do inimigo, sem poder para se libertarem. A simples menção da palavra liberdade não fez mais que aumentar o rigor do opressor para reforçar as cadeias dos seus cativos e carregá-los com um fardo ainda mais opressivo. Era, pois, absolutamente necessário que a salvação viesse de fora. Mas de onde havia de vir? - Onde estavam os recursos para pagar o seu resgate? - Ou onde estava a força para quebrar as cadeias? E, admitindo que ambas as coisas existiam, onde estava a vontade para o conseguir? Quem estaria disposto a libertá-los? - Ah! Não havia esperança nem de dentro nem de fora. Apenas podiam olhar para cima. O seu refúgio era Deus: Ele tinha tanto o poder como o querer; e podia efetuar a redenção por poder e por preço. No Senhor, e somente n'Ele estava a salvação do povo de Israel oprimido e arruinado.

É sempre assim em todos os casos. "E em nenhum outro há salvação, porque certo sim! debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos" (At 4:12). O pecador está debaixo do poder daquele que o domina com um poder despótico. Está "vendido sob o pecado" (Rm 7:14); está preso à vontade do diabo (2 Tm 2:26) — preso com as cadeias da concupiscência, da ira e da cólera, fraco (Rm 5:6), "sem esperança e sem Deus" (Ef 2:12). Tal é a condição do pecador. Como poderia, pois, libertar-se? Que poderia fazer? - Sendo escravo de outrem tudo que faz, fá-lo na qualidade de escravo. Os seus pensamentos, as suas palavras, os seus atos são os pensamentos, as palavras e os atos de um escravo. Sim, ainda mesmo quando chora e suspira por liberdade, as suas próprias lágrimas e suspiros são provas melancólicas da sua escravatura. Pode lutar por liberdade; mas a sua própria luta, embora evidencie um desejo de liberdade, é a declaração positiva da sua escravatura. 


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Êxodo 1

Não contamos agora com o privilégio de ter um apóstolo para guiar nossos pensamentos como acontecia no princípio da igreja... mas nos resta um recurso... o Espírito Santo que habita em nós.

Leia em http://www.bibliaonline.com.br/acf/ex/1

Agora passamos para o segundo passo... a saída.

Em Êxodo os filhos de Israel foram tirados do Egito por Deus; no livro de Atos (o livro mais ou menos correspondente do Novo Testamento) os filhos de Deus (crentes) são tirados da religião daqueles dias, o Judaísmo. "Êxodo" significa "saída". Deus sempre leva para fora antes de levar para dentro. Um crente não pode cometer erro maior do que achar que pode entender os pensamentos de Deus com sua mente natural. Devemos colocar para fora de nossa vida, em primeiro lugar, as coisas que sabemos não agradar a Deus. Leia Is 1:16,17 três vezes. Portanto hoje começamos o Livro da "saída".


Êx 1:1-6 Uma lista de todas as famílias a serem tiradas. Para o crente hoje, Deus conhece todos os que serão salvos. (At 15:16-18), nossos nomes estão escritos em Seu livro da vida (Ap 20:15), e fomos escolhidos antes da criação da Terra (Ef 1:4).

Êx 1:7-14 O inimigo é o rei do Egito. O inimigo de nossas almas é Satanás - e aqueles que ele usa. As tribulações fizeram o povo entender que estavam em terreno inimigo. Assim fazem nossas tribulações. Este não é o lugar para nos estabelecermos.

Êx 1:16-22 O homicídio está no coração de Faraó (como Satanás - Jo 8:44). Assim também a situação de Israel enquanto estava no Egito é uma figura do crente - a sentença de morte estava sobre nós - mas fomos libertados por Deus. Foi Deus Quem conservou em vida os bebês, embora aquelas que Ele usou (parteiras) não se comportaram como deviam no que se refere à honestidade. - 2 Co 4:7. A pessoa que o Senhor pode usar nunca é perfeita. Apenas Cristo é perfeito.

N. Berry. Fonte: http://www.stories.org.br/ex_p.html ou http://chaday.blogspot.com.br/

domingo, 16 de dezembro de 2012

Experiência Vitoriosa (Parte 1)

(Comentário Romanos 8)

"Portanto agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus." (Rm 8.1) Que declaração maravilhosa! Não se trata meramente do que será a justificação do crente quando for manifestado diante do trono de Cristo, mas "agora" não há nada para condenar naqueles que estão em Cristo Jesus. Se olho para o que sou na carne, só encontro o "miserável homem que sou!" Se olho para o que sou em Cristo Jesus, vejo que agora não há condenação. Estou morto para tudo aquilo que sou como um filho de Adão -- morto para o pecado, morto para a lei, mas vivo para Deus em Cristo Jesus. Então, sendo agora de outro, e estando em outro, em Cristo Jesus ressuscitado de entre os mortos, não me encontro apenas na posição de um que produz fruto para Deus, mas de um para quem "agora nenhuma condenação há". Você está assegurado disto? Será que pode existir alguma condenação para aquele Cristo ressuscitado que está agora na glória de Deus? Portanto, se você estiver nEle, como poderá haver condenação para você?

Nenhuma alma poderá conhecer a verdadeira libertação do poder do pecado se não conhecer primeiro o absoluto favor de Deus em Cristo. Quão maravilhoso é, após um capítulo de amargas experiências (capítulo 7 de Romanos), após haver esgotado completamente toda esperança de encontrar algo de bom em si mesmo, na velha natureza, poder descobrir que, como mortos com Cristo, e vivos de entre os mortos em Cristo, encontramo-nos no absoluto favor de Deus, sem nenhuma condenação! Que perfeita paz! Nada para nos inquietar; nada para nos condenar. E é o próprio Deus Quem diz: "nenhuma condenação".

"Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte." (Rm 8.2). Então, como já vimos, possuímos uma vida justificada. Agora temos o poder -- a lei do Espírito de vida. Em outro lugar aprendemos que a vida que agora temos é eterna, e o Espírito é eterno. Portanto o poder que tenho é eterno. Vimos que a carne, ou o pecado, continua em nós -- aquilo que é nascido da carne; mas aqui encontramos a libertação do seu poder: libertos da lei do pecado e da morte; libertos pelo infinito, pelo eterno poder, a lei do Espírito de vida. Não diz que "me livrará", mas que "me livrou". Nossa velha natureza pecaminosa é tão depravada que, apesar de eu ser nascido de Deus, de eu ter prazer na lei de Deus e desejar guardá-la; ainda assim a lei que há em meus membros me colocou no cativeiro. E acaso não foi assim que aconteceu? Mas somos agora libertos de seu poder, por um poder maior -- a lei do Espírito de vida em Cristo Jesus. Oh, quão bom seria se pudéssemos ter uma fé mais simples na Palavra de Deus; sim, e também no Espírito Santo que habita em nós! Este versículo resume todo o contexto do capítulo 6. Trata-se do princípio de nos reconhecermos mortos para o pecado e vivos para Deus em Jesus Cristo, princípio este aplicado pelo poder do Espírito.

"Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o Seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito." (Rm 8.3,4) Já que não havia nenhum poder na santa lei de Deus para libertar, sua única prerrogativa era a de amaldiçoar o culpado. Em Romanos 8.2, portanto, encontro o poder que me libertou da lei do pecado e da morte. No versículo 3 vemos a incapacidade da lei em libertar por intermédio da fraqueza da carne, e a seguir, o modo como Deus libertou, e a base na qual a libertação foi operada. Esta parte resolve também a seguinte questão: Como é que não há condenação para mim, uma vez que a carne é tão completamente vil? "Deus, enviando o Seu Filho." Exatamente quando tudo mais falhou em libertá-los do Egito, o cordeiro precisou ser levantado e morto; o israelita, embora ainda não libertado, estava totalmente protegido pelo sangue.

Assim como a libertação do Egito significava a saída de um lugar, ou de uma condição de escravidão para outra de liberdade, também o crente é, pelo Espírito de vida, levado para fora de um lugar, ou de uma condição, chamada "na carne", para outro lugar, ou condição, chamado "em Cristo", havendo o pecado sido perfeitamente julgado, por ter o Santo Filho de Deus sido feito pecado por nós. E isto não para que pudéssemos continuar em escravidão, mas para que fôssemos libertos, a fim de que as justas demandas da lei pudessem ser cumpridas em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.

A carne é deixada de lado por aqueles que não andam "segundo a carne". Uma outra posição é ocupada agora por aqueles que andam "segundo o Espírito". Há, por assim dizer, duas classes. "Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o espírito para as coisas do espírito." (Rm 8.5) Uma é morte, a outra é vida. E mais ainda: "a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser." (Rm 8.7) Segue-se disso que aqueles que estão neste terreno, aqueles que estão na carne, não podem agradar a Deus.

E aqui surge uma questão de profundo interesse: Quando podemos concluir que não estamos na carne, mas no Espírito? "Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós." (Rm 8.9) Portanto, fica claro que se o Espírito de Deus habita em você, você poderá concluir com segurança que não está na carne. Cornélio era, evidentemente, uma alma vivificada, assim como toda a sua casa (Atos 10.2), mas não libertada, e é por esta razão que ele permaneceu na carne, até que a Palavra chegou a ele com o poder do Espírito Santo, e, por conseguinte, o próprio Espírito Santo (Atos 10.44). Surge, portanto, a pergunta: Você já recebeu o Espírito Santo? Se ainda não, mesmo tendo sido vivificado, você continua na carne, procurando a sua melhoria -- ainda que seja pelas obras da lei. Cornélio não poderia ser considerado um cristão até haver recebido o Espírito Santo; e nem você pode considerar-se, no sentido pleno da palavra, até que tenha recebido o Espírito. "Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dEle." (Rm 8.9)

(Continua...)

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Duas Naturezas em Conflito (Parte 3)

(Comentário Romanos 7)

"De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim." (Rm 7.17) Isto é uma grande descoberta. Aprendo que há uma natureza, o pecado, que ainda se encontra em mim, apesar de eu poder olhar por cima dele como algo distinto de mim mesmo, de meu novo "EU". "Bem", digo eu, "O que é que há, então, nessa velha natureza, no velho EU?" Não há nem um pouquinho de bem em mim, isto é, em minha carne, ou minha velha natureza. "Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum: e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem." (Rm 7.18)

Trata-se de algo por demais humilhante descobrir que eu, como filho de Adão, não tenho nenhum poder para fazer o bem -- sim, muito pelo contrário! "Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço." (Rm 7.19) É este o verdadeiro caráter da velha natureza, mesmo quando a nova natureza deseja fazer o bem e ser santa -- sim, já que a nova natureza é santa, por ser nascida de Deus. De modo que não é a nova natureza, o novo "EU", que pratica o mal, quando a velha natureza está fazendo exatamente aquilo que a nova natureza condena.


"Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu" -- não mais eu como uma nova criatura que sou, -- "mas o pecado que habita em mim" (Rm 7.20). Há, portanto, dois princípios, ou naturezas, no homem nascido de Deus. O princípio da velha e depravada natureza é chamado de uma lei.

"Acho então esta lei em mim: que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo." (Rm 7.21) É este o invariável princípio da velha natureza -- "quando quero fazer o bem, o mal está comigo". "Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus." (Rm 7.22) Certamente isto prova que, sem dúvida alguma, existem duas naturezas; pois como poderia a velha natureza, que é pecado, se deleitar na lei de Deus? Todavia, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus". (Rm 7.22) "Bem", dirá você, "parece ser uma contradição". É exatamente isto que as duas naturezas são uma para a outra. Veja o versículo 23: "Mas vejo nos meus membros outra lei que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros."

Portanto, negar a existência das duas naturezas em um homem nascido de novo é negar o ensino claro da Palavra de Deus. Porventura Jesus não falou que "o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito"? (Jo 3.6) Trata-se, portanto, de um completo novo nascimento; de uma nova natureza, uma nova criação, que é do Espírito e que é espiritual. Aquilo que é nascido de uma carne ou natureza pecaminosa é, ou seja, permanece sendo, carne e pecado. E aprendemos aqui que se estamos sob a lei, isto é, se estamos no terreno da carne, debaixo da lei com vistas ao aperfeiçoamento da carne, como milhares de pessoas estão, então descobrimos que, na guerra travada pelas duas naturezas, acabamos presos "debaixo da lei do pecado que está nos meus membros". (Rm 7.23) Trata-se de uma realidade terrível, mas iremos acabar conhecendo a malignidade de nossa velha natureza na prática, se não crermos no que Deus diz acerca dela. Todavia, se for este o caso, ou seja, de um homem nascido de Deus, sob a lei, não conhecendo a distinção entre as duas naturezas, ele estará sentindo-se extremamente miserável, se for sincero e estiver buscando ardentemente por justiça e santidade de vida. É exatamente o que encontramos aqui (na narração do apóstolo Paulo).

"Miserável homem que eu sou!" (Rm 7.24) E agora já não é mais "Quem me ajudará a melhorar a carne?", mas sim, "quem me livrará do corpo desta morte?" Sim, o velho homem, o corpo desta morte, deve ser abandonado. Precisamos ter um Libertador, e este Libertador é Cristo.

"Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor." (Rm 7.25) Poucas palavras, mas oh!, que gloriosa vitória e livramento! Após chegar à plena descoberta de minha completa incapacidade, e da imutável malignidade da velha natureza, os olhos são agora levantados para Cristo, e o coração dilata-se no pleno gozo da gratidão.


Há um erro que é cometido com frequência aqui, e devemos nos precaver cuidadosamente contra ele. É comum que se diga, ou que se insinue, que o que vimos acerca da velha natureza, a carne, a lei do pecado nos membros, é verdadeiro acerca do crente antes que ele consiga a libertação; mas que depois sua velha natureza muda ou é erradicada -- ou que, em todos os seus aspectos, melhora muito; que é, de repente ou gradualmente, santificada etc. etc., e que não há mais uma natureza má nos santos que são libertos, ou santificados. Será que é assim, ou não? Deixemos que as próprias palavras que se seguem, as quais vêm depois de nossa libertação e ações de graças, respondam a esta importante questão.

"Assim que eu mesmo com o entendimento" (ou o novo homem) "sirvo à lei de Deus, mas com a carne" (ou a velha natureza), "à lei do pecado." (Rm 7.25) Não nos encontramos mais no terreno da carne, como vivendo sob a lei e procurando aprimorar a carne -- não nos encontramos mais na carne. Mas, o fato de que a carne permanece no santo libertado -- na mesma pessoa que, com o novo entendimento, ou natureza, serve a lei de Deus, é algo declarado com a maior ênfase possível. Mas a carne, e a lei do pecado, ainda permanecem em mim. Podemos discordar, discutir, ridicularizar, mas aqui está a verdade da Escritura, e é algo que cada crente descobre ser verdade. Assim nos vemos na necessidade de sermos guardados irrepreensíveis, em nosso espírito, alma e corpo. (Leia 1 Tessalonicenses 5.23.) Coloque a velha natureza sob a lei, tente encontrar algo de bom nela e, imediatamente, você experimentará o que está descrito aqui.

Uma só questão mais, antes de deixarmos este assunto. Como pode haver tantos cristãos passando por esta experiência? Simplesmente porque, apesar de nascidos de Deus, estão, por meio de ensinos falsos ou incorretos, colocados debaixo da lei, e nunca conheceram o verdadeiro caráter da libertação.

Charles Stanley. Fonte: http://www.scribd.com/doc/104720029/Vida-Atraves-Da-Morte

domingo, 11 de novembro de 2012

Duas Naturezas em Conflito (Parte 2)

(Comentário Gênesis 21, Romanos 7 e Gálatas 4)


Ao mesmo tempo que o nascimento de Isaque enchia Sara de riso, introduzia um elemento inteiramente novo na casa de Abraão. O filho da livre precipitou o desenrolar do caráter do filho da escrava. Na verdade, Isaque provou, em princípio, ser para a família de Abraão aquilo que a nova natureza é na alma dum pecador. Não se tratava de Ismael modificado, mas de Isaque nascido. O filho da escrava nunca podia ser nada mais senão isso. Pelo contrário, por muito fraco e desprezado que Isaque fosse, ele era o filho da livre. A sua posição e o seu caráter, a sua situação e perspectiva, eram do Senhor. "O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito" (Jo 3:6).

A regeneração não é mudança da velha natureza, mas a introdução de uma nova. Nem tão-pouco a introdução desta nova natureza altera, no mínimo, o caráter verdadeiro e essencial da velha natureza. Esta continua a ser o que era; e não é, de modo nenhum, melhorada; pelo contrário, dá-se a plena manifestação do seu caráter pecaminoso em oposição ao novo elemento;"... a carne cobiça contra o Espírito e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro" (G1 5:17).

O nascimento de Isaque não melhorou Ismael, mas apenas ocasionou a verdadeira oposição deste ao filho da promessa. Pôde ter uma conduta pacífica e irrepreensível até Isaque ter feito a sua aparição; mas então mostrou o que era perseguindo e ridicularizando o filho da ressurreição. Qual era logo o remédio? Melhorar Ismael? De modo nenhum; mas, "Deita fora esta serva e o seu filho; porque o filho desta serva não herdará como meu filho, com Isaque" (versículos 8-10). Aqui estava o único remédio. "Aquilo que é torto não se pode endireitar" (Ec 1:15); portanto, é preciso livrarmo-nos inteiramente do que é torto e ocuparmo-nos com aquilo que é divinamente reto. É tempo perdido procurar endireitar uma coisa torta. Por isso todos os esforços tendentes a melhorar a natureza são completamente fúteis.

Ora o erro em que caíram as igrejas da Galácia (*e muitas seitas "cristãs" dos dias atuais) foi a aceitação daquilo que apelava para a natureza."... Se vos não circuncidardes, conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos" (At 15:1). aqui vemos como a salvação se tornava dependente de alguma coisa que o homem podia ser, fazer, ou guardar. Isto importava em deitar por terra toda a obra gloriosa da redenção, a qual, como o crente sabe, assenta exclusivamente sobre o que Cristo é e o que Ele fez. Tornar a salvação dependente, de qualquer maneira, de alguma coisa inerente ao homem, ou a fazer pelo homem, é pô-la inteiramente de lado. Por outras palavras, Ismael tem que ser posto fora, e todas as esperanças de Abraão devem depender daquilo que Deus fez, e deu, na pessoa de Isaque. Escusado será dizer que isto não deixa nada em que o homem possa gloriar-se. Se a bem-aventurança presente ou futura dependesse até mesmo de uma alteração divina na natureza, a carne podia gloriar-se. Embora a minha natureza fosse melhorada, seria alguma coisa de mim, e deste modo Deus não teria toda a glória.

Em resumo, pois, a escrava representa o concerto da lei; e o seu filho representa todos os que são das "obras da lei", ou se fundamentam nesse princípio. Isto é muito claro. A escrava só gera para a escravidão, e nunca pode dar à luz um homem livre. Como poderia?- A lei nunca podia dar liberdade, visto que enquanto o homem vivesse ela dominava sobre ele (Rm 7:1). Eu nunca poderei ser livre enquanto estiver sob o domínio de alguém. Assim, enquanto vivo debaixo da lei esta tem domínio sobre mim; e nada
senão a morte pode libertar-me do seu domínio.

Esta é a doutrina bendita de Romanos 7. "Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei, pelo corpo de Cristo, para que sejais doutro, daquele que ressuscitou de entre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus." (Rm 7:4) Isto é liberdade, porque, "Se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres" (Jo 8:36). "De maneira que, irmãos, somos filhos não da escrava, mas da livre" (G1 4:31).

Sem dúvida, haverá nisto tudo um esforço para deitar fora este elemento de escravatura, porque o legalismo é próprio dos nossos corações. "E pareceu esta palavra mui má aos olhos de Abraão, por causa de seu filho." Contudo, por muito má que seja, é conforme com a mente divina que permaneçamos firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não tornemos a metermo-nos debaixo do jugo da servidão (G1 5:1).

Possamos nós, prezado leitor, compreender tão inteira e praticamente a bem-aventurança da provisão de Deus por nós em Cristo, que acabemos com todos os pensamentos acerca da carne, e tudo que ela pode ser, fazer ou produzir. Existe tal plenitude em Cristo que torna todo o apelo à natureza supérfluo e vão.

C. H. Mackintosh. Fonte: http://www.scribd.com/doc/105168410/Notas-Sobre-o-Pentateuco-Genesis-C-H-Mackintosh

* Nota do editor

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Romanos 5


Rm 5:1-2 Que paz invade nosso coração. Através de Cristo, nós, pecadores perdoados, somos elevados e introduzidos bem na glória de Deus.

Rm 5:1-11 Nunca diga a um pecador para fazer sua paz com Deus (ou "fazer as pazes"). A paz foi feita na cruz do Calvário (Cl 1:20). A paz se torna nossa pela fé.

Rm 5:10 Repare nos dois aspectos da Salvação que vem de Deus. Em um aspecto (o passado), ela veio através da morte do Senhor Jesus. No outro aspecto (o presente) ela é por intermédio da vida do Senhor Jesus agora. Até o final do versículo 11 o assunto tem sido os "pecados" (e não o "pecado"). Mas a partir do versículo 12 é falado do "pecado". O "pecado" é a natureza caída; os "pecados" são os atos desta natureza. O "pecado" é a raiz; os "pecados" compõem o fruto.

Rm 5:12-21 Adão era uma figura da velha vida. Cristo é a nova vida. Cada um é cabeça de uma família. Todos nós nascemos uma vez dentro da família de Adão. Devemos nascer de novo na família de Cristo. "Pecado", "transgressão", "desobediência", "condenação" e "morte" aparecem em contraste (em oposição) a "justiça", "justificação" e "obediência". Estamos todos em uma ou outra posição.

Rm 5:21 O pecado é como um rei. Como um senhor de escravos. Éramos escravos. O pecado é um poder fora de nós. É um inimigo. O mundo hoje, separado de Cristo, está sob o poder ou controle do pecado. Cristo teve que descer e vencer o pecado em seu próprio território (Rm 8:3). Se você está em Cristo (se é um crente nEle) você entrou nesta vitória, e está liberto desse terrível poder do pecado - (Rm 6:18; 7:24-25). Mas agora a "graça" é o rei. A graça reina! Todavia ainda não estamos livres da presença do pecado. O capítulo 5 nos fala do que temos por intermédio de Cristo. O capítulo 6 do que somos em Cristo.


domingo, 2 de setembro de 2012

Justificação e Propiciação

Você não está apenas justificado gratuitamente (com todos os seus pecados perdoados e Deus não vendo mais iniquidade em você), mas você está também redimido pelo precioso sangue de Cristo. Sim, liberto daquela condição de escravidão para todo o sempre. Se aquela grande soma em ouro colocou os escravos de Trinidad-Tobago* em liberdade para sempre, porventura a propiciação infinita de Cristo não poderá nos libertar, nos redimir para sempre? Será que devemos nos permitir qualquer sombra de dúvida? Não; Ele Se entregou por nós -- tudo por gratuito e imerecido favor. Não fizemos nada para nossa redenção; ela foi toda realizada antes mesmo que tivéssemos um desejo ou pensamento sequer de redenção. E agora escutamos as boas novas que são para nós, pobres escravos do pecado; cremos, e ficamos livres para sempre.

Mas devemos inquirir mais de como a justiça de Deus é afetada em tudo isso. "Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no Seu sangue, para demonstrar a Sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; para demonstração da Sua justiça neste tempo presente, para que Ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus." (Rm 3.25,26) Você irá notar que Deus apresentou a propiciação de Cristo para declarar duas coisas. Sua justiça precisava ser revelada nestas duas coisas: em deixar impunes, em indulgência, os pecados que são passados; e em poder ser justo, e o Justificador daquele que tem fé em Jesus.

Cabe aqui alertar nossos leitores de um sério erro que normalmente é cometido com respeito à expressão "pecados dantes cometidos", como se significasse os pecados que foram cometidos até nossa conversão a Deus; como se quisesse dizer que os pecados até nossa conversão teriam sido perdoados, ou remidos, pela propiciação de Cristo; e que Deus seria, por conseguinte, justo, pela morte de Cristo, em perdoar dessa maneira os pecados cometidos antes da conversão. Este erro leva o crente à completa confusão quanto aos pecados que possa vir a cometer depois da conversão; mais ainda, tal ideia deixa o cristão numa posição pior que a do judeu, pois este podia contar com outro dia de expiação, que acontecia a cada ano. Porém, se o sacrifício propiciatório de Cristo valeu somente para nossos pecados, ou expiou nossos pecados, até o dia de nossa conversão, então já não resta remédio para os pecados cometidos depois da conversão. Pois "já não resta mais sacrifício pelos pecados". (Hb 10.26) Quem poderia ser salvo com uma idéia tão finita do sacrifício propiciatório de Cristo? O sacrifício único e infinito teve que valer para todos os pecados de um pecador finito, desde o primeiro até o último.

O que significa, então, esta passagem? Simplesmente isto: Deus passou por cima, em indulgência, dos pecados de todos os crentes antes que Cristo morresse; e agora Ele é o Justificador de todos aqueles que creem, reputando-os por justos como se nunca houvessem pecado. Mas a grande questão era esta: Como Deus poderia ser justo em fazer ambas as coisas? Como poderia isto ser revelado, declarado, e explicado? Se não houvesse resposta a esta pergunta, como poderia qualquer alma ter paz com Deus?

Se todos eram culpados, como poderia Deus ser Justo em passar por cima dos pecados daqueles que creram, sejam judeus ou gentios? E se todos provaram ser culpados agora -- se você foi provado como sendo culpado -- como pode Deus declarar a respeito de você, como fez a respeito de Israel no passado, que Ele não viu, e não vê, iniquidade em você? Certamente Ele não poderia ser justo com base em qualquer coisa que fosse encontrada em nós, ou praticada por nós, sob a lei ou aparte da lei. É aqui que o olhar da fé deve pousar unicamente no sangue de Jesus -- "para propiciação pela fé no Seu sangue". (Rm 3.25) Isto por si só explica e declara a justiça de Deus, tanto no que diz respeito aos pecados dos crentes do passado, como dos nossos agora.


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