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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Um Resumo da Fé Cristã

Há coisas na Bíblia que só podem ser entendidas se você tiver entendido alguns aspectos fundamentais da fé cristã, apresentadas no Novo Testamento. Tentarei resumir (com referências bíblicas, sugerindo que as leia com sinceridade e em oração pedindo a Deus entendimento):

O homem natural é uma criatura caída, corrompido pelo pecado herdado de Adão (Rm 5:15-19); o pecado é aquilo que nos separa de Deus e nos faz querer viver independentes dEle; a carne está contaminada pelo pecado, portanto somos por natureza inimigos de Deus (Rm 8:7): prova disso foi a eleição/escolha democrática (do povo) que clamou: "Crucifica-o... não queremos que este reine sobre nós" (Lc 23:21, 19:14); assim o homem natural não é justo, e não busca a Deus, todos pecaram e "toda a imaginação dos pensamentos de seu coração é só má continuamente" (Rm 3:10-23, Gn 6:5). O pecado traz o juízo de Deus (Jo 16:8, Ap 20:12-13, etc.), que é Santo e Justo, portanto "todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rm 3:23). No entanto, Deus nos ama e não quer que sejamos condenados, assim "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (Jo 3:16). Jesus, o Filho de Deus, veio ao mundo para salvar os pecadores. Como? Indo até a cruz e levando sobre Si o juízo que merecíamos por nossos pecados (1 Pe 3:18, 1Co 15:3-4, 1 Pe 2:24, Is 53:6-11), e para condenar de vez a carne corrompida pelo pecado (Rm 6:4-6, 8:3). Ele foi condenado em nosso lugar e depois ressuscitou, deste modo satisfazendo totalmente a justiça de Deus. Assim podemos ser salvos simplesmente ao crer nEle como Salvador, e no fato de que Ele morreu por nós (Jo 1:11, 3:16, 5:24, At 16:31, Ef 2:8,9, Ap 22:17), sendo assim "justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus." (Rm 3:24-28). Quando somos salvos, nascemos de novo, "somos de novo gerados da semente incorruptível", recebemos uma nova natureza nascida de Deus (Jo 3:3, 1 Pe 1:23, Tg 1:18, Ef: 4:24, Cl 3:10). No entanto, enquanto o Senhor Jesus não vem para nos levar ao lar celestial (Jo 14:1-3, Fp 3:20, 1Ts 4:13-18), continuamos com nossa velha natureza, a carne (Rm 7:18-25, 1Co 15:42-56). Assim o cristão nascido de novo possui duas naturezas em conflito entre si (Gl 5:17). E é no andar na nova, e se despojar da velha (conforme Cl 2 e 3, Rm 6 e Gl 5), andando conforme as boas obras que Deus preparou para que andássemos nelas (Ef 2:10), que podemos obedecer a Deus e andar conforme Lhe agrada.

Espero ter ajudado de alguma forma, desejando muito que, se você ainda não recebeu a Cristo como seu Salvador, o faça logo, pois "eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação" (2 Coríntios 6:2).

domingo, 27 de outubro de 2013

O Batismo do Espírito Santo

(Comentário Atos 2)

O batismo com o Espírito Santo aconteceu no dia de Pentecostes quando todo aquele grupo reunido no andar superior da casa recebeu o Espírito Santo. Naquela ocasião o Espírito Santo "encheu toda a casa" (Atos 2.2), e encheu também cada um dos que estavam na casa. (vers. 4.) 

As "línguas repartidas" demonstravam o propósito de Deus em fazer tanto judeus como gentios um em Cristo, enquanto que o fato de serem "como que de fogo" (figura de um juízo), nos faz lembrar que "a santidade convém à tua casa, Senhor, para sempre". (Salmo 93.5) Isto se tornou evidente no julgamento de Ananias e Safira. (Atos 5) Algo similar ao batismo com o Espírito aconteceu quando os gentios foram publicamente recebidos, em Atos 10.44 e 11.15. É a isso que se refere 1 Coríntios 12.13, quando foi dada a Paulo a revelação da verdade da igreja como sendo o Corpo de Cristo.

Uma vez que a igreja já foi formada, o batismo com o Espírito não se repete em nossos dias. Hoje os crentes são acrescentados, à medida que cada um recebe o Espírito Santo individualmente, como consequência de sua fé em Cristo e na Sua obra. (Efésios 1.13)

É bom frisar que em nossos dias o Espírito não é dado pela imposição de mãos. Além disso, mesmo na igreja primitiva, o Espírito nem sempre foi recebido desta maneira (veja Atos 10.44), mas Deus usou este meio em ocasiões especiais para preservar a igreja dos grupos nacionais independentes entre si. Foi o cumprimento de João 11.52. Podemos ver isto quando os samaritanos foram recebidos. (Atos 8.17) Também quando foi recebido Saulo de Tarso, para que a ele pudesse ser dada a verdade de que os crentes em Cristo são um com Ele e para que Saulo pudesse se identificar com eles. (Atos 9.4,28) Vemos isto novamente quando alguns gentios, que conheciam apenas o batismo de João, foram recebidos. (Atos 19.6). "Há um só corpo e um só Espírito." (Efésios 4.4)

H. E. Hayhoe. Fonte: http://tinyurl.com/mhqor79

domingo, 29 de setembro de 2013

A Graça de Deus Lembra-se Somente dos Atos da Fé

(Comentário Êxodo 2)

Quando desviamos o olhar do homem e o fixamos sobre o único Servo verdadeiro e perfeito, não o encontramos "olhando a uma e outra banda (lado)" (v. 12), pelo simples motivo que nunca procurou agradar aos homens mas a Deus. Não temia a ira do homem nem cortejava o seu favor. Os Seus lábios nunca se abriram para provocar os aplausos dos homens, nem jamais os fechou para evitar as suas críticas. Por isso, o que dizia e fazia tinha uma santa estabilidade e elevação. Jesus é o único de quem se pôde dizer com verdade, "cujas folhas não caem e tudo quando fizer prosperará" (Sl 1:3). Em tudo que fazia prosperava, porque fazia todas as coisas para Deus. Cada ação, cada palavra, cada movimento, cada olhar, cada pensamento era como um belo cacho de frutos enviados ao alto para refrescar o coração de Deus. Jamais receou pelos resultados da Sua obra, porquanto sempre trabalhou com e para Deus na compreensão plena da sua vontade. A Sua própria vontade, posto que fosse divinamente perfeita, nunca se confundiu com o que, como homem, fazia sobre terra, e assim podia dizer: "Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou" (Jo 6:38). Por isso, deu "o seu fruto na estação própria" (Sl 1:3), e fez sempre o que agradava ao Pai (Jo 8:29), e, portanto, nada teve que temer, nem necessidade de arrependimento nem de "olhar a uma e a outra banda (lado)".
Nisto, como em tudo mais, o Mestre bendito forma um contraste notável com os Seus servos mais honrados e destacados. O próprio Moisés "temeu" (versículo 14), e Paulo teve de se arrepender (2 Co 7:8); porém, o Senhor Jesus nunca fez uma coisa nem outra. Jamais se viu forçado a recuar um passo, a arrepender-se duma palavra ou a corrigir um pensamento.

Tudo quanto fez foi absolutamente perfeito. Era tudo fruto dado na estação própria. O curso da Sua vida santa e celestial deslizava adiante sem obstáculos nem deslizes. A sua vontade estava perfeitamente submissa ao Pai. Os melhores homens, e até mesmo os mais dedicados, cometem erros; mas é perfeitamente exato que quando mais, pela graça, nos é dado mortificarmos a nossa vontade, menos erramos. É uma feliz circunstância quando, dum modo geral, a nossa vida é de fé e de dedicação exclusiva a Cristo.

Assim sucedeu com Moisés. Era um homem de fé, um homem que absorveu em alto grau o espírito do seu Mestre e que seguiu com maravilhosa firmeza os Seus passos. É certo que antecipou, como notamos, em quarenta anos o período que Deus destinara para julgar o Egito e libertar Israel; todavia, quando lemos o comentário inspirado do Capítulo 11 de Hebreus nenhuma menção encontramos deste fato. Encontramos somente o princípio divino que, dum modo geral, orientou a sua vida: "Pela fé, Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo, antes, ser maltratado com o povo de Deus do que por, um pouco de tempo, ter o gozo do pecado; tendo, por maiores riquezas, o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa. Pela fé, deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível" (Hb 11:24-27).

Esta passagem apresenta-nos os atos de Moisés de uma maneira cheia de graça. É assim que o Espírito Santo sempre conta a história dos santos do Velho Testamento. Quando descreve a vida dum homem, apresenta-o como ele é, com todas as suas falhas e imperfeições. Mas quando, no Novo Testamento, comenta essa biografia limita-se a dar o princípio que o orientou e o resultado da sua atividade. Por isso, não obstante lermos em Êxodo que Moisés "olhou a uma e a outra banda", e disse; "certamente este negócio foi descoberto", e por fim que "fugiu de diante da face de Faraó", lemos também na epístola aos Hebreus que o que ele fez, fê-lo "pela fé"— não temeu a ira do rei — e ficou firme como vendo o invisível.

Assim acontecerá em breve quando vier o Senhor, "o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas e manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o louvor" (1 Co 4:5). Eis aqui uma verdade consoladora e preciosa para toda a alma reta e o coração fiel. O coração pode formar muitos projetos que, por diversas razões, a mão não pode realizar. Todos esses intentos serão manifestados quando o Senhor vier. Bendita seja a graça divina por nos haver dado uma tal certeza! As devoções do coração são muito mais preciosas para Cristo do que as obras mais espaventosas que as mãos possam executar. Estas podem dar algum brilho aos olhos do homem; mas aquelas são devidamente apreciadas pelo coração de Jesus. As obras podem ser assunto de conversação dos homens, mas as afeições são manifestadas diante de Deus e dos Seus anjos. Que todos os servos de Cristo saibam ter os seus corações somente ocupados com Ele e os seus olhos postos na Sua vinda.

sábado, 28 de setembro de 2013

Êxodo 2

O Espírito Santo mantém a Glória de Cristo coletivamente... o Senhorio de Cristo individualmente.

Leia em http://www.bibliaonline.com.br/acf/ex/2


Ex 2:1 Este homem mostra sua obediência à Palavra de Deus quanto a com quem deveria se casar. Compare Gn 24:3-4 com 2 Co 6:14,17.


Êx 2:2 Hb 11:23 nos fala um pouco mais do que há neste versículo. Deus enxerga dentro do coração.

Êx 2:3-10 Deus coloca as pessoas nos lugares que Ele as quer. Até mesmo um bebê chora no momento exato!

Êx 2:11-14 Moisés tinha um cuidado verdadeiro para com seus irmãos, os Hebreus, mas age de um modo terrível... ele mata o Egípcio. Moisés deve aprender que isto não trará jamais bons resultados.

Êx 2:15-22 Deus está ensinando Moisés a ternura de espírito para com aqueles em dificuldades.

Êx 2:23-25 A dificuldade deles estava levando-os mais perto de Deus e os fazia sentir sua necessidade dEle. As pessoas suspiravam, choravam e gemiam; mas Deus escutava, lembrava, olhava e os tinha em consideração (conhecia a condição deles). Ele sempre escuta quando nós reconhecemos nossa necessidade.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

A Descida para o Egito e a Morte de Jacó

(Comentário Gênesis 46 a 50)

O fim da carreira de Jacó encontra-se em agradável contraste com todas as cenas da sua história. Faz-nos lembrar uma tarde serena, depois de um dia tempestuoso: o sol, que durante o dia esteve oculto da vista por neblinas, nuvens, e nevoeiros, põem-se em majestade e brilho, dourando com os seus raios o céu ocidental, e mostrando a perspectiva agradável de uma manhã clara. Assim acontece com o nosso velho patriarca. A superioridade, a avidez, a astúcia, a atividade, os expedientes, a chicana, os temores egoístas — todas essas nuvens carregadas da natureza e da terra parece terem passado, e ele manifesta-se em toda a calma elevada da fé, para dar bênçãos e transmitir dignidades, naquela santa habilidade que só a comunhão com Deus pode conceder. 

No capítulo 48:11 temos um lindo exemplo do modo como o nosso Deus sempre Se eleva acima de todos os nossos pensamentos, e Se mostra melhor do que todos os nossos temores. "E Israel disse a José: Eu não cuidara ver o teu rosto; e eis que Deus me fez ver a tua semente também". 

À vista da natureza, José estava morto; enquanto que para Deus ele estava vivo e sentado no lugar de mais elevada autoridade, a seguir ao trono. "As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam" (1 Co 2:9). Permita Deus que as nossas almas possam elevar-se na compreensão de Deus e dos Seus caminhos. 

É interessante notar o modo como os títulos "Jacó" e "Israel" são introduzidos no fim do livro do Gênesis; como por exemplo, "E um deu parte a Jacó e disse: Eis que José, teu filho, vem a ti. E esforçou-se Israel e assentou-se sobre a cama" (capítulo 48:2). Então acrescenta-se imediatamente: "E Jacó disse a José: O Deus Todo-Poderoso me apareceu em Luz". Ora nós sabemos que nada há na Sagrada Escritura sem o seu significado específico, e por isso esta troca de nomes encerra alguma instrução. Em geral, pode observar-se que "Jacó" mostra a profundidade até onde Deus desceu; e "Israel" a altura a que Jacó foi elevado. 

Embora os olhos estejam obscurecidos, a visão da fé é penetrante. Ele não vai ser enganado quanto à posição destinada a Efraim e Manassés nos desígnios de Deus. Não tem que estremecer, como seu pai Isaque, em capítulo 27:33, "estremeceu de um estremecimento muito grande", em face de um erro quase fatal. Antes pelo contrário. A sua resposta ao filho menos instruído é, "eu sei meu filho, eu sei". O poder de senso não tem, como no caso de Isaque, obscurecido a sua visão espiritual. Aprendera na escola da experiência a importância de se manter agarrado aos propósitos divinos, e a influência da natureza não pode afastá-lo deles.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

O Senhor Jesus Cristo no Centro (Parte 2 - Final)

Na Presença de Deus


Portanto, sabemos que Ele está no meio dos que assim se reúnem com base na autoridade da Sua Palavra. E isto não é tudo, mas, como que para nos suprir em nossas fraquezas, Ele deixou amostra da maneira como vem para o meio dos Seus. Assim, na tarde do primeiro dia da semana, após haver ressuscitado de entre os mortos, encontramos os discípulos reunidos (João 20.19). Ele havia enviado Maria aos Seus irmãos com a mensagem: "Dize-lhes que Eu subo para Meu Pai e vosso Pai, Meu Deus e vosso Deus". (João 20.17) Conforme o Salmo 22.22, Ele declarou assim o nome de Deus aos Seus irmãos, revelando que os transportara, por meio de Sua morte e ressurreição, ao lugar que Ele mesmo ocupa diante de Deus. Daí em diante o Seu Deus e Pai era o Deus e Pai deles também. Estavam dessa forma associados com Ele nesse parentesco, com base na ressurreição. Aquela mensagem fez com que se reunissem ao Seu nome e, quando estavam assim reunidos, "chegou Jesus, e pôs-Se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco". (João 20.19) Dessa forma Ele nos deixou um exemplo da maneira como vem para o meio do Seu povo, de modo a termos em nossas almas a certeza da Sua Palavra sendo confirmada.

Alguém poderia ser tentado a questionar: Seria possível, nos dias de hoje, o Senhor estar no meio do Seu povo reunido ao Seu nome? A resposta a este tipo de dúvida está no surpreendente registro de como o Senhor Se colocou no meio dos Seus discípulos no primeiro dia da semana. Aquilo não apenas soluciona esta questão, como também serve de alerta para um perigo mais sutil: alguém poderia ser inclinado a objetar, em incredulidade, que se hoje pudéssemos vê-Lo com nossos olhos, como aconteceu com os discípulos, então poderíamos ter certeza da Sua presença. O Senhor conhecia a fraqueza e sutileza de nosso pobre e débil coração, e assim, com terno amor, deixou-nos uma admoestação suficiente para não cairmos nesse engano. Um dos discípulos, Tomé, "não estava com eles quando veio Jesus" (João 20.24). Outros discípulos lhe disseram: "Vimos o Senhor" (vers. 25). Mas ele lhes respondeu: "Se eu não vir o sinal dos cravos em Suas mãos e não meter o dedo no lugar dos cravos, e não meter a minha mão no Seu lado, de maneira nenhuma o crerei". Oito dias depois, todos eles, inclusive Tomé, estavam reunidos outra vez, e como da vez anterior, "chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-Se no meio, e disse: Paz seja convosco. Depois disse a Tomé [pois Ele havia escutado cada palavra de Tomé]: Põe aqui o teu dedo, e vê as Minhas mãos; e chega a tua mão, e mete-a no Meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente". Tomé, inundado pela Sua terna graça e tolhido pelo sentimento de sua própria pecaminosidade, só pôde exclamar: "Senhor meu, e Deus meu!" Por isso "disse-lhe Jesus: Porque Me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram" (vers. 25-29).

Dessa forma (sem entrarmos aqui na aplicação desta cena significando a conversão do remanescente judeu, quando olharão para Aquele a Quem traspassaram) o Senhor já tinha em vista os que viriam a crer por meio da palavra de Seus discípulos, e que seriam bem-aventurados. E essa bem-aventurança diz respeito a nós, pois embora não O vejamos, cremos que, de acordo com a Sua própria Palavra, Ele está em nosso meio quando nos reunimos ao Seu nome.

O Próprio Senhor


Todavia deveria sempre ser lembrado que é Ele próprio que Se encontra no meio - não "em espírito", como se costuma dizer, mas a Sua própria Pessoa; pois as palavras são: "Aí estou Eu", e o pronome "Eu" expressa tudo o que Ele é. É Cristo - e não o Espírito Santo, mas Cristo - que está no meio dos Seus santos reunidos. É certo que o Espírito Santo, que habita na casa de Deus, atua por meio dos membros individuais do corpo de Cristo, quando reunidos ao Seu nome, e ministra por meio de quem Ele escolhe, para edificação dos santos. Mas trata-se do próprio Cristo, eu repito, Quem vem para o nosso meio. Sua presença só pode ser compreendida por meio do Espírito, mas isto é um outro assunto. De qualquer modo Ele está no meio onde dois ou três estiverem reunidos ao Seu nome, seja isto compreendido ou não. Quão maravilhosa é Sua graça e benevolência!

Nunca se esqueça, portanto, de que é ao redor do próprio Senhor que estamos reunidos. Ainda que existam apenas dois - e Suas palavras são "onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome" - aí Ele está no meio. Tão logo dois se reúnam assim, já podem se regozijar na certeza de que o Senhor está ali. Nossa fé pode ser fraca, e nossa compreensão débil, mas ainda assim permanece o fato de que Ele está presente, pois isto não depende do que sentimos ou experimentamos, mas unicamente do fato de estarmos reunidos ao Seu nome somente.

Como poderíamos deixar de nos congregar, como muitos fazem (Hebreus 10.25), quando sabemos que o Senhor é o centro da assembléia e que Ele está em nosso meio de uma forma tão real quanto no primeiro dia da ressurreição? Por que Tomé estava ausente naquela ocasião? Porque não acreditava na ressurreição de seu Senhor e, por conseguinte, não contava com a Sua presença! Do mesmo modo hoje, quando alguém se ausenta da reunião da assembléia (não me refiro aqui àqueles que o fazem por uma dificuldade, obrigação ou outra circunstância), o faz porque não acredita que o Senhor realmente esteja no centro. E ao nos reunirmos, que reverência, que afeições, que adoração inundaria nosso coração se, por intermédio do Espírito, compreendêssemos mais completamente que Aquele que desceu até à morte carregado com nossos pecados; que pelo Seu sangue nos redimiu para Deus; ressuscitou, e agora, como Aquele que está exaltado e glorificado, Se compraz em estar no meio da congregação, a dirigir o Seu povo em adoração! (Leia o Salmo 22.22).

E. Dennett. Fonte: http://www.stories.org.br/doze.html ou http://pt.scribd.com/doc/105860553/Doze-Cartas-a-um-Novo-Convertido

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Sensibilidade Espiritual

(Comentário Romanos 14)

"ORA, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas." (Rm 14.1) Podemos errar tanto de um lado como do outro. Podemos nos tornar tão estreitos a ponto de rejeitarmos um irmão fraco na fé, ou receber alguém digno de repreensão, com base em questões duvidosas, e especulações da razão. O Espírito Santo gostaria que evitássemos cuidadosamente ambos os extremos. Em muitas coisas, como comer e beber, considerar certos dias como santos, ou todos os dias iguais -- em todas as coisas como estas, não devemos julgar uns aos outros, mas devemos andar juntos em amor.

"Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo." (Rm 14.10) Não se trata aqui de sermos levados a juízo por causa de nossos pecados, ou do pecado. Isto já ficou estabelecido antes nesta epístola (capítulo 8.1,33,34). O Senhor nos assegura que não seremos levados a juízo. (João 5.24) Qual é, então, o significado aqui? Simplesmente a questão apresentada. O fato de que todos serão colocados diante de Deus, O qual não pode cometer um erro naquilo que Ele aprova, deveria ser uma prova salutar a nos prevenir do injurioso hábito de julgarmos uns aos outros. "De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus. Assim que não nos julguemos mais uns aos outros." (Rm 14.12,13)

É claro que isto não nos ensina a sermos indiferentes quando a Pessoa de Cristo, ou a verdade que nEle há, é atacada: Paulo teve que resistir até mesmo a Pedro. Mas aqui nos é ensinado a "não pôr tropeço ou escândalo ao irmão". (Rm 14.13) Pôr tropeço é não andar segundo o amor. Um irmão fraco, que me veja comendo coisas oferecidas aos ídolos, pode ser levado a fazer o mesmo, e sua consciência, sendo corrompida, ele pode cair na idolatria, e colocar-se, com o passar do tempo, sob o poder de Satanás e, no que diz respeito à comunhão, afastar-se de Cristo; na verdade, o mesmo lugar onde uma pessoa ímpia precisou ser colocada para a destruição da carne (1 Coríntios 5.5). Isto seria destruir um irmão, ao invés de destruir a carne, ou, por outro lado, ter sua consciência destruída. Em qualquer circunstância, o amor procuraria não colocar uma pedra de tropeço no caminho de um irmão.

Ficamos sabendo de casos como o de uma pessoa que guarda o dia do Senhor (domingo) como se fosse o shabbat (o sábado dos judeus), com uma piedade tipicamente judaica, enquanto outra, para mostrar ter um conhecimento superior a esse respeito, pratica coisas no dia do Senhor que seriam uma profanação aos olhos da outra. O resultado, em ambos os casos, tem sido desastroso. Durante anos, tanto a consciência como a comunhão de ambos estiveram perdidas ou destruídas. No entanto, não suponha, nem por um momento, que a expressão "não destruas" possa significar a destruição da vida eterna. As Escrituras não podem se contradizer. Se parecer significar isto, então ficará evidente que não entendemos o verdadeiro significado de pelo menos um dos textos. Se a vida eterna que temos em Cristo pudesse ser destruída, então já não seria eterna. E, acerca daqueles que têm vida eterna, Jesus disse: "Nunca hão de perecer". (Jo 10.28) Isto basta para a fé. Todavia, é da maior importância termos constantemente diante de nós a consciência do tribunal de Cristo. Isto nos preservará de julgarmos demais, ou de nos devorarmos uns aos outros.

O grande tema aqui é servir a Cristo de modo aceitável a Deus. "Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. Porque quem nisto serve a Cristo agradável é a Deus e aceito aos homens." (Rm 14.17,18) Estas são palavras preciosas: justiça, paz e alegria no Espírito Santo. Se Deus reinar em nossos corações, haverá consistência; haverá aquilo que é condizente com o santo lugar em que nos encontramos. "Sigamos pois as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os outros." (Rm 14.19) Isto nos levará a evitarmos fazer qualquer coisa, seja comer carne ou beber vinho, com que um irmão possa se escandalizar. Todavia isto não deve nos levar a comprometer o evangelho.

Se Paulo tivesse se recusado a comer com os gentios a fim de não escandalizar a Pedro, aquilo não teria servido para a edificação, mas teria comprometido o evangelho. Seria o mesmo que dizer que Cristo não é suficiente para sua salvação eterna, que você precisa também guardar a lei. Isso porque para alguns a lei era considerada superior a Cristo. De modo semelhante, se uma sociedade de homens viesse a dizer que Cristo só não é suficiente para a libertação de um pecador e para sua completa salvação, e que você deveria assumir perante eles o compromisso de não beber vinho, não seria fé, amor, ou edificação você comprometer o evangelho sujeitando-se a isso. Isso logo o levaria, como os mestres judaizantes, a apartar-se de Cristo.

Se Cristo não tiver a preeminência, algo mais logo terá. Satanás sempre procura usar coisas boas para tirar o lugar que é devido a Cristo. A lei é boa, a temperança é boa; mas vigiemos para que nenhuma delas venha a roubar-nos de Cristo. Precisamos nos amparar "à direita e à esquerda". (2 Co 6.7) Estes comentários são dirigidos para os casos em que a temperança é colocada no lugar de Cristo. Que cada um de nós esteja plenamente persuadido em sua própria mente, e lembremo-nos de que "tudo que não é de fé é pecado". (Rm 14.23) Questionemo-nos na presença de Deus: Será que preciso disto para meu corpo que pertence ao Senhor? Será que há algum irmão que conheço que ficará escandalizado se eu tomar isto? Faço-o por fé? É agradável ao Senhor que eu tome ou faça isto?

E sejamos bem cuidadosos em não nos gloriarmos nestes assuntos, ou em julgarmos nosso irmão. "Tens fé? Tem-na em ti mesmo DIANTE DE DEUS. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova." (Rm 14.22)

C. Stanley. Fonte: http://pt.scribd.com/doc/104720029/Vida-Atraves-Da-Morte

quinta-feira, 7 de março de 2013

A Manifestação do Coração do Homem

(Comentário Gênesis 30)

Toda a labuta e trabalho de Jacó, à semelhança do contrato infeliz que fez, é o resultado do seu desconhecimento da graça de Deus, e a sua incapacidade para ter confiança implícita nas Suas promessas. O homem que podia dizer, depois de uma promessa de Deus de lhe dar toda a terra de Canaã, "SE Deus me der pão para comer e vestes para vestir", podia apenas ter uma pálida compreensão de Quem Deus era, ou o que era a Sua promessa; e por esta razão vemo-lo fazer tudo que pode por si mesmo. Este é sempre o método adotado quando a graça não é compreendida: os princípios da graça podem ser professados, mas a verdadeira medida da nossa experiência do poder da graça é outra coisa muito diferente.

Poderia supor-se que a visão de Jacó lhe tivesse falado de graça; contudo a revelação de Deus em Betel, e o procedimento de Jacó em Harã são duas coisas muito diferentes; todavia, este mostra-nos o que fora a compreensão de Jacó daquela. O caráter e o comportamento são prova real da medida da experiência e convicção da alma, seja qual for a profissão. Porém Jacó não se conhecia ainda tal qual era perante Deus, e portanto desconhecia a graça, e mostrou a sua ignorância medindo-se com Labão e adotando as suas máximas e métodos.

Não pode deixar de notar-se o fato que visto Jacó ter falhado em entender e julgar o caráter natural da sua carne perante Deus, foi, na providência de Deus, levado para a própria esfera na qual esse caráter foi inteiramente revelado nos seus traços mais largos. Foi conduzido a Harã, o país de Labão e Rebeca, a própria escola donde esses princípios, de que ele era um adepto notável, tinham emanado, e onde eram ensinados, mostrados e mantidos. Se alguém quisesse aprender o que Deus era tinha de ir a Betel; se desejasse conhecer o que o homem era devia ir a Harã. Mas Jacó havia falhado em receber a revelação que Deus lhe dera de Si Próprio em Betel, e portanto foi para Harã, e ali mostrou o que era — e, oh! que contendas e que mesquinhez! Que subterfúgios e que astúcia! Não mostra confiança santa em Deus, nem fé e esperança n'EIe.

C. H. Mackintosh. Fonte: http://www.scribd.com/doc/105168410/Notas-Sobre-o-Pentateuco-Genesis-C-H-Mackintosh

segunda-feira, 4 de março de 2013

Dois Negociantes

(Comentário Gênesis 29)

É admirável ver como Jacó ingressa numa atmosfera tão adequada à sua condição moral. O pechincheiro Jacó encontra-se com o explorador Labão, e vê-los, de fato, ambos esticando os nervos para se excederem um ao outro em astúcia. Não devemos estranhar o caso em Labão, pois ele nunca havia estado em Betel: nunca vira o céu aberto e uma escada posta na terra cujo topo tocava nos céus; nem tinha ouvido  promessas grandiosas dos lábios do Senhor, garantindo-lhe toda a terra de Canaã, com uma posteridade inumerável. Não é de admirar, pois, que ele mostrasse um espírito avaro e abjeto; não tinha outro recurso. É escusado esperar do homem do mundo outra coisa que não seja um espírito mundano, e princípios e métodos mundanos; não tem nada superior; e não podemos tirar uma coisa limpa duma imunda. Porém, encontrar Jacó, depois de tudo que havia visto e ouvido em Betel, a lutar com um homem do mundo, e procurando, por tais meios, acumular riquezas, é notavelmente humilhante.

E todavia, enfim, não é um caso raro encontrar os filhos de Deus esquecendo assim os seus altos destinos, e a herança celestial, para descerem à arena com os filhos deste mundo, a fim de ali lutarem pelas riquezas e honras de uma terra ferida de pecado e perdida. Na verdade, isto é de tal forma verdadeiro que, em muitos casos, é difícil descortinar uma simples evidência daquele princípio que o apóstolo João nos diz "que vence o mundo" (1 Jo 5:4). Olhando para Jacó e Labão, e considerando-os segundo princípios naturais, será difícil notar neles qualquer diferença. É preciso ficar-se atrás das cenas e compreender os pensamentos de Deus quanto a ambos para ver como diferem um do outro. Todavia foi Deus Quem os fez diferir, e não Jacó; e assim é agora. Por muito difícil que possa ser descortinar alguma diferença entre os filhos da luz e os filhos das trevas, há, todavia, uma grande desigualdade — uma diferença baseada no fato solene que os primeiros são "vasos" de misericórdia, que "para glória já dantes preparou", enquanto que os últimos são "os vasos da ira (¹), preparados (não por Deus, mas pelo pecado) para a perdição" (Rm 9:22-23). Isto faz uma diferença muito séria. Os Jacós e os Labães são diferentes materialmente, e serão para sempre diferentes, embora os primeiros possam falhar tristemente na realização e manifestação prática do seu verdadeiro caráter e dignidade.

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(¹) É muito interessante notar como o Espírito de Deus, em Romanos 9, e, na verdade, através de toda a Escritura, nos precavê contra as conclusões horrendas que a mente humana tira da doutrina da eleição de Deus. O que Ele diz dos "vasos da ira" é que eles são simplesmente para "destruição". Não diz que Deus os "preparou". Ao passo que, por outro lado, quando se refere aos vasos de misericórdia, diz que Deus "para glória já dantes os preparou". Isto é notável.

Se o leitor consultar por um momento Mateus 25:34 a 41 há-de encontrar outro caso notável e belo da mesma coisa. Quando o rei se dirige aos que estão à Sua direita, diz-lhes; "Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado, desde a fundação do mundo" (versículo 34). Porém quando fala aos que estão à Sua esquerda, diz: "Apartai-vos de mim, malditos." Não diz, "malditos de meu Pai". E, além disso, acrescenta, "para o fogo eterno" preparado, não para vós, mas "para o diabo e seus anjos" (versículo 41).

Em suma, é, portanto, claro que Deus "preparou" um reino de glória e "vasos de misericórdia" para herdarem esse reino; mas não preparou "o fogo eterno" para os humanos, mas sim para "o diabo e seus anjos"; nem tão-pouco preparou os "vasos para ira", mas eles mesmos se prepararam para isso.

A Palavra de Deus estabelece tão claramente a "eleição" como nos avisa contra "a condenação". Todos os que se encontrarem no céu terão de dar graças a Deus por isso, e todo aquele que se achar no inferno terá de agradecer a si próprio por isso.
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C. H. Mackintosh. Fonte: http://www.scribd.com/doc/105168410/Notas-Sobre-o-Pentateuco-Genesis-C-H-Mackintosh

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Paz Com Deus (Parte 2 - Final)

Você Crê?

Você crê no testemunho de Deus a respeito do Seu Filho e da obra que Ele consumou? Se houver qualquer dificuldade para responder a esta pergunta, então nenhum progresso poderá ser feito. Todavia um teste simples ajudará a elucidar a verdade. Mais uma pergunta, e tenho certeza de que você perceberá claramente a verdade: Em que você se baseia para pensar que Deus o aceita? Será que é em si próprio, em suas obras, seus méritos ou no que merece? Se assim for, então você não está descansando na obra de Cristo. Porém, se você reconhece que, por natureza, é um pecador perdido e arruinado, e confessa que não põe a sua esperança em coisa alguma além de Cristo e naquilo que Ele fez, então você pode humildemente dizer: “Pela graça de Deus eu creio no Senhor Jesus Cristo”.

Supondo, então, que você possa falar dessa maneira, esteja certo de que a questão de sua paz com Deus está resolvida para sempre e nada poderá privá-lo dela – nenhuma mudança, nenhuma experiência diversa; pois ela é sua imutável e inalienável possessão. As Escrituras dizem que, “sendo pois justificados pela fé” (e você diz que crê), “temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 5.1). Todo crente – no exato momento em que crê – é justificado, libertado de toda forma de culpa, e feito justiça de Deus em Cristo. “Àquele que não conheceu pecado, (Deus) O fez pecado por nós; para que nEle fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Coríntios 5.21). E, sendo justificado, o crente tem paz – não paz em si mesmo, é importante ressaltar, mas paz por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Isto é, a paz que agora pertence ao crente é aquela paz com Deus que Cristo fez por meio de Seu sacrifício expiatório. E, uma vez que essa é a paz que Ele fez, o que ocorreu fora de nós, ela nunca pode variar ou ser alterada; ela é tão estável e duradoura quanto o trono de Deus; pois, como já vimos, é uma paz que Cristo fez pela Sua cruz; e o que Ele fez não poderá nunca ser desfeito, e é, portanto, uma paz eterna. E é esta paz, permanente, firme e eterna, que pertence a cada crente no Senhor Jesus.


Como Desfrutar


Quando você se queixa de que não tem uma paz firme, na verdade deveria dizer que não está desfrutando de uma paz firme, e que seus sentimentos são instáveis. Por isso pode ser bom perguntar como é que o crente pode desfrutar de uma paz constante em sua alma. A resposta é muito simples: Pela fé. Se eu creio no testemunho de Deus de que a paz me pertence pela fé no Senhor Jesus, devo então entrar imediatamente no gozo dessa paz.

Isto pode ficar mais simples por meio de um exemplo. Suponha que alguém lhe traga a notícia de que um parente seu lhe deixou uma herança milionária. O efeito que isso produzirá em sua mente irá depender totalmente de você acreditar ou não naquilo que está ouvindo. Se você duvidar da veracidade daquela notícia, não haverá nenhuma reação a ela; mas se, por outro lado, ficar totalmente comprovado ser verdade, e você a receber de fato, então dirá imediatamente, “A herança é minha”. Se você crê no testemunho de Deus de que foi feita paz pelo sangue de Cristo, nenhum sentimento de depressão, nenhum pensamento de ser indigno disso, nenhuma circunstância, qualquer que seja, poderá perturbar sua segurança a esse respeito, pois você verá que ela depende inteiramente daquilo que outro fez por você. Portanto, é necessário repousar com inabalável confiança na Palavra de Deus para poder desfrutar de uma paz firme.


Olhando Para Jesus


A causa de tanta incerteza a respeito deste assunto advém principalmente de se olhar para dentro ao invés de olhar para fora, para Cristo – de olharmos para dentro em busca de algo que nos dê confiança de que esteja ocorrendo uma obra verdadeira de graça na alma, ao invés de olharmos para fora para percebermos que o único fundamento sobre o qual uma alma pode descansar diante de Deus é o precioso sangue de Cristo. A consequência é que, ao perceber a corrupção, este mal da carne, a alma começa a ter dúvidas e a cogitar se porventura não foi enganada. Satanás começa, dessa forma, a enredar o nosso coração e a semeá-lo com dúvidas e temores, na esperança de fazer com que duvidemos de Deus; isso quando não nos lança em total desespero. O modo eficaz de frustrarmos seus ataques neste sentido é apelando para a Palavra escrita de Deus. Em resposta a qualquer sugestão maligna devemos fazer como nosso bendito Senhor quando foi tentado: “Está escrito” (Mateus 4.4). Então, logo descobriremos que nada pode impedir que desfrutemos daquela paz com Deus que foi feita pelo precioso sangue de Cristo, e que passou a nos pertencer tão logo nós cremos.


Deixando de Ocupar-se Consigo


Estando resolvida a questão do fundamento, e deixando de ocupar-se consigo mesmo, você encontrará descanso para sua mente e para sua alma – descanso suficiente para meditar sobre a verdade conforme é revelada nas Escrituras. “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo” (1 Pedro 2.2). Quero dizer ainda que se você estudar a Palavra na presença do Senhor, será guiado por ela a uma intimidade de comunhão cada vez maior com Ele, e à medida que for descobrindo a infinita glória e perfeição de Cristo que nos são reveladas, e por nós assimiladas, por meio do Espírito de Deus, suas afeições serão atraídas em um sempre crescente fervor, e seu coração, agora satisfeito, irá transbordar em adoração aos pés dAquele que morreu por você. Deste modo o seu lamento se transformará em um hino de louvor.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Tremendas Consequências

(Comentário Gênesis 27)

Podemos estar certos de só acumular dores e aflições sempre que tiramos as nossas circunstâncias, o nosso destino e a nós próprios das mãos de Deus. Aconteceu assim com Jacó. Alguém disse que "quem considerar a vida de Jacó, depois de ele fraudulentamente ter obtido a bênção de seu pai, verá que ele gozou de muito pouca felicidade neste mundo."

Esta descrição é verdadeira; todavia mostra-nos apenas um lado da vida de Jacó, e esse é o lado sombrio. Bendito seja Deus, há um lado claro, do mesmo modo, para Deus tratar com Jacó; e em todos os acontecimentos da sua vida, quando Jacó foi obrigado a colher os frutos da sua maquinação e perversidade, o Deus de Jacó tirou bem do mal e fez com que a Sua graça abundasse sobre todo o pecado e loucura do Seu pobre servo. Veremos isto à medida que vamos procedendo com a sua história.

Quero fazer aqui uma observação acerca de Isaque, Rebeca e Esaú. É interessante notar, não obstante a demonstração da fraqueza excessiva de Isaque, no princípio deste capítulo, como ele mantém, pela fé, a dignidade que Deus lhe conferiu. Abençoa com todo o sentimento de ter sido dotado com o poder de abençoar. Ele diz,"... abençoei-o: também será bendito... Eis que o tenho posto por senhor sobre ti, e todos os teus irmãos lhe tenho dado por servos; e de trigo e de mosto o tenho fortalecido; que te farei, pois, agora a ti, meu filho?" (Cap. 27:33 -37)

Isaque fala como quem, pela fé, tem à sua disposição todas as riquezas da terra. Não se nota falsa humildade, nem desce da posição elevada que ocupa por causa da manifestação da natureza. E verdade que estava a ponto de cometer um grave erro —  a fazer o que era contrário ao desígnio de Deus; no entanto, ele conhecia Deus, e tomou o seu lugar de acordo com esse conhecimento dando  bênçãos com toda a
dignidade e poder da fé: "... abençoei-o: também será bendito... De trigo e de mosto o tenho fortalecido."

É atribuição da fé elevar-se acima de todas as nossas falhas e suas consequências para o lugar onde Deus nos tem colocado.

Quanto a Rebeca, ela teve de sentir todos os tristes resultados da sua astúcia. Sem dúvida, ela pensava que dirigia as coisas habilmente; mas, oh! nunca mais viu Jacó, por causa da sua manobra! Quão diferente teria sido se ela tivesse deixado o caso inteiramente nas mãos de Deus. Esta é a maneira da fé agir e é sempre vencedora. "E qual de vós, sendo solícito, pode acrescentar um côvado à sua estatura?" (Lc 12:25). Nada ganhamos com a nossa ansiedade e os nossos projetos: apenas excluímos Deus, e isso não é ganho. É um justo castigo da mão de Deus sermos obrigados a colher os frutos dos nossos planos; e não há nada mais triste do que ver um filho de Deus esquecer-se da sua condição e privilégios para tomar a direção dos seus interesses em suas próprias mãos. As  aves dos céus, e os lírios do campo, podem muito bem ser nossos mestres quando esquecemos assim a nossa posição de dependência em Deus.

Finalmente, quanto a Esaú, o apóstolo trata-o por "profano, que por um manjar vendeu o seu direito de primogenitura": e  "querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que, com lágrimas, o buscou" (Hb 12:16-17). Ficamos sabendo assim que um profano é alguém que gostaria de possuir o céu e a terra e desfrutar o presente sem perder o seu direito ao futuro. Isto não é, de modo nenhum, um caso invulgar. Mostra-nos todo o mundano que professa ser cristão, mas cuja consciência nunca experimentou os efeitos da verdade divina, e cujo coração nunca sentiu a influência da graça de Deus.

C. H. Mackintosh. Fonte: http://www.scribd.com/doc/105168410/Notas-Sobre-o-Pentateuco-Genesis-C-H-Mackintosh

sábado, 26 de janeiro de 2013

Esaú Menospreza o Direito da Primogenitura

(Comentário Gênesis 25)

No fim deste capítulo são-nos apresentados princípios de natureza muito solene e prática. O caráter e as ações de Jacó aparecerão, se o Senhor permitir, de uma maneira mais clara perante nós; contudo, desejo apenas focar, de passagem, a conduta de Esaú, quanto ao direito de primogenitura e tudo que com ele se acha ligado. O coração natural não dá valor às coisas de Deus. Para ele as promessas de Deus são coisas vagas, sem valor e impotentes, simplesmente porque não conhece Deus. E por isso que as coisas temporais exercem tanto peso e influência na opinião do homem. O homem dá apreço a tudo que pode ver, porque é governado por vista, e não por fé: o presente é tudo para si; o futuro apenas uma coisa sem influência — um caso da mais simples incerteza.

Assim aconteceu com Esaú. Escutai o seu argumento falaz: "Eis que estou a ponto de morrer, e para que me servirá logo a primogenitura?". Que maneira estranha de raciocinar! O presente está escorregando debaixo dos meus pés, portanto eu desprezo e prescindo inteiramente do futuro! O tempo está-se desvanecendo da minha vista; portanto abandono todo o interesse pela eternidade! Assim Esaú desprezou "o seu direito de primogenitura" (Hb 12:16). Assim Israel desprezou "a terra aprazível" (Sl 106:24); assim eles desprezaram Cristo (Zc 11:13). E foi assim que os que foram convidados para as bodas desprezam o convite (Mt 22:5). O homem não tem lugar no seu coração para as coisas de Deus. O presente é tudo para ele. Um prato de caldo é melhor do que o direito a Canaã. Por isso, a mesmíssima razão que levou Esaú a menosprezar a primogenitura era a mesma porque ele deveria tê-la agarrado com mais força. Quanto mais vejo a vaidade temporária do presente, tanto mais me agarrarei ao futuro de Deus. E assim segundo o juízo da fé. "Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato e piedade, aguardando a apressando-vos para a vinda do Dia de Deus, em que os céus, em fogo, se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão? Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça" (2 Pe 3:11-13).

Estes são os pensamentos de Deus, e, portanto, os pensamentos da fé. As coisas que se veem perecerão. Devemos nós, então, desprezar as invisíveis? De modo nenhum. O presente passa rapidamente. Qual é logo o nosso recurso? "Aguardando e apressando-vos para a vinda do Dia de Deus". Este é o juízo da mente restaurada; e todo e qualquer outro juízo é apenas "profano, como Esaú, que por um manjar vendeu o seu direito de primogenitura" (Hb 12:16). Que o Senhor nos mantenha julgando as coisas como Ele as julga. Isto só pode ser feito pela fé.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Abraão Demonstra Sua Fé Mediante Suas Obras

(Comentário Gênesis 22)


"Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado; sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito."
Hebreus 11:17


"Porventura o nosso pai Abraão não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque? "

Tiago 2:21

"Porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único" (Gênesis 22.12). Notemos a frase, "agora sei". A prova nunca havia sido feita antes. Existia, sem dúvida, e Deus sabia isto. Porém, o ponto importante aqui é que Deus acha o Seu conhecimento do fato sobre a evidência tirada do altar do Monte Moriá. A fé é sempre comprovada pela ação, e o temor de Deus por meio dos frutos que resultam dela. Quem poderia pensar pôr em dúvida a sua fé? Tirai a fé, e Abraão aparecerá no Monte Moriá como um assassino e um doido. Tomai a fé em conta, e ele aparece ali como um adorador consagrado — um homem temente a Deus e justificado. Porém a fé tem que ser provada. "Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras?" (Tg 2:14)

E aqui quero referir a harmonia perfeita que existe entre Tiago e Paulo sobre o assunto da justificação. Na realidade, existe, como podia esperar-se, a maior e mais perfeita harmonia entre estes dois apóstolos sobre o assunto da justificação; com efeito, um é a contra-parte ou o expoente do outro. Paulo dá-nos o princípio íntimo, e Tiago a revelação desse princípio; aquele apresenta a vida oculta, este a vida manifestada; o primeiro vê o homem na sua relação com Deus, o último encara-o na sua relação com o seu semelhante. Bom, nós precisamos de ambos: o íntimo não serviria sem o exterior; e o exterior seria inútil e impotente sem o íntimo. "Abraão foi justificado" quando "creu em Deus"; e "Abraão foi justificado" quando "ofereceu Isaque, seu filho". No primeiro caso temos o segredo de Abraão, e no último o seu reconhecimento público pelo céu e pela terra. E conveniente notarmos esta distinção. Não se ouviu nenhuma voz do céu quando "Abraão creu em Deus", embora no parecer de Deus ele fosse ali, então, "considerado justo"; mas quando ele ofereceu o seu filho sobre o altar, Deus pôde dizer, "agora sei"; e todo o mundo teve uma prova poderosa e incontestável do fato de que Abraão era um homem justificado.

Assim será sempre. Onde quer que existir o princípio íntimo haverá a atuação exterior; porém todo o valor desta resulta da sua ligação com aquele. Desligai, por um momento, a atuação de Abraão, conforme é estabelecida por Tiago, da fé de Abraão, como é estabelecida por Paulo, e que virtude justificadora terá ela?  Nenhuma absolutamente. Todo o seu valor, a sua eficácia, a sua virtude emanam do fato que era uma manifestação exterior daquela fé, por virtude da qual ele havia sido contado justo perante Deus. Mas temos dito o bastante quanto à harmonia admirável entre Paulo e Tiago, ou antes, quanto à unidade da voz do Espírito Santo, quer essa voz seja proferida por Paulo ou por Tiago.

Voltemos agora para o nosso capítulo. É interessante vermos aqui como a alma de Abraão é levada a uma nova descoberta do caráter de Deus por meio da prova da sua fé. Quando podemos suportar a provação da própria mão de Deus, é certo levar-nos a alguma nova experiência com respeito ao Seu caráter, a qual nos faz conhecer quão valiosa é a provação. Se Abraão não tivesse estendido a sua mão para imolar o seu filho, ele nunca teria conhecido as ricas e excelentes profundidades desse título que ele aqui dá a Deus, a saber: "O Senhor proverá". É só quando somos realmente postos à prova que descobrimos o que Deus é. Sem provação podemos ser apenas teóricos, e Deus não nos quer assim: Ele quer que entremos nas profundidades vivas que há nEle Próprio — as realidades divinas de comunhão pessoal com Ele. Com que sentimentos e convicções diferentes deve Abraão ter retrocedido do Monte Moriá para Berseba! Do monte do Senhor ao poço do juramento! Quão diferentes eram agora os seus pensamentos acerca de 
Deus! Que pensamentos diferentes acerca de Isaque! Como eram diferentes os seus pensamentos quanto a tudo!

Na verdade, nós podemos dizer: "Bem-aventurado o varão que sofre a tentação" (Tg 1:12). É uma honra dada pelo próprio Senhor e a bem-aventurança da experiência a que ela conduz não pode ser facilmente calculada. É quando aos homens, para empregarmos a linguagem do Salmo 107:27, se "esvai toda a sabedoria" que eles podem descobrir o que Deus é. Oh! que Deus nos dê graça para podermos sofrer a provação, e a obra de Deus poder ser vista e o Seu nome glorificado em nós!

C. H. Mackintosh. Fonte: http://www.scribd.com/doc/105168410/Notas-Sobre-o-Pentateuco-Genesis-C-H-Mackintosh

domingo, 23 de setembro de 2012

Gênesis 14


A primeira guerra que é registrada na Bíblia. Abrão poderia ter dito - "bem isto serve de exemplo para Ló. Ele que cuide de si mesmo". Mas não. 

Gn 14:14 Embora Ló fosse sobrinho de Abrão, ele é chamado de "seu irmão". Quão humilhado deve ter ficado Ló quando pensou no amor de seu tio. Mas ele ainda tinha Sodoma em seu coração pois quando foi resgatado voltou direto para viver lá! Que alvo é o mundo para nós quando tiramos os olhos do Senhor! 

Gn 14:18-24 Melquisedeque é um belo tipo de Cristo como Sacerdote e Rei. Leia sobre ele em Hb 6:20 e 7:23-24. Cristo no milênio será igualmente Sacerdote e Rei.


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Separação e Comunhão

A separação genuína do mundo  só pode ser o resultado de comunhão com Deus. Eu posso excluir-me do mundo e constituir-me o centro do meu ser, à semelhança dum monge ou dum cínico; contudo, separação para Deus é uma coisa muito diferente. Uma esfria e contrai-se, a outra aquece e expande. Aquela lança-nos sobre nós próprios; esta faz-nos sair em atividade e amor pelos outros. A primeira faz da personalidade e dos seus interesses o nosso centro; a última faz de Deus e a Sua glória o nosso centro. Assim, no caso de Abraão, vemos que o próprio fato da sua separação habilitou-o a prestar um serviço eficaz àquele que se havia metido em dificuldades pelos seus caminhos mundanos. "Ouvindo, pois, Abrão que o seu irmão estava preso, armou os seus criados, nascidos em sua casa, trezentos e dezoito, e os perseguiu até Dã... e tornou a trazer toda a fazenda e tornou a trazer também a Ló, seu irmão, e a sua fazenda, e também as mulheres, e o povo". Ló era, afinal, irmão de Abraão; e o amor fraterno deve atuar. "Na angústia nasce o irmão" (Pv 17:17); e acontece muitas vezes que uma época de adversidade suaviza o coração, e torna-o susceptível de amabilidade, até mesmo para com aqueles de quem nos tenhamos separado; e é notável que, enquanto lemos no versículo 12 que "tomaram a Ló, filho do irmão de Abrão", no versículo 14 lemos, "ouvindo, pois, Abrão que o seu irmão estava preso". As exigências da aflição de um irmão são atendidas pela afeição do coração dum irmão. Isto é divino. A fé verdadeira, ao mesmo tempo que nos torna sempre independentes, nunca nos torna indiferentes. Nunca se agasalha no seu manto, enquanto um irmão sente arrepios de frio. Existem três coisas que a fé faz: "purifica o coração", "age por amor" e "vence o mundo"; e todos estes resultados da fé são admiravelmente apresentados em Abraão, nesta ocasião. O seu coração estava purificado das abominações de Sodoma; ele mostrou amor verdadeiro por seu irmão Ló; e, finalmente, ficou completamente vitorioso sobre os reis. Tais são os frutos preciosos da fé, esse princípio celestial, honroso para Cristo.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Romanos 4


Hoje uma outra palavra começa a ser usada com grande destaque, "fé", que significa "crer, acreditar". Mas sempre (no Novo Testamento) relacionada a Deus, ou Cristo ou a coisas espirituais. Os pecadores só podem ser limpos de seus pecados pela fé. Nunca por obras. 

Rm 4:1 Abraão é apresentado como o maior exemplo de fé. Ele creu em Deus. 

Rm 4:2-8 A fé em Deus é algo totalmente diferente do fazer boas obras. Estas jamais podem salvar uma pessoa. 

Rm 4:9-22 Abraão recebeu, de Deus, promessas de bênção antes que houvesse uma nação Judaica (portanto estas promessas não dependem da lei, mas da fé - de crer em Deus). 

Rm 4:23-25 O mesmo se refere a nós. Somente a fé (crer) na obra de de Cristo salva nossa alma.


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"Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça." (Rm 4.3) Esta é a resposta da Escritura e o princípio sobre o qual um homem pode ser justificado sem as obras da lei. Abraão creu em Deus, e isso (sua fé) lhe foi imputado como, e não para, justiça.

Uma grande parcela da compreensão depende do verdadeiro significado da palavra que é traduzida como "imputado" neste capítulo. No original, significa "reconhecido como tal", ou "estimado como tal". O significado não é simplesmente o de "imputado" ou "colocado em conta" de uma pessoa; a palavra que tem este significado é encontrada somente duas vezes no Novo Testamento, em Romanos 5.13: "Mas o pecado não é imputado, não havendo lei". Não é colocado em conta da pessoa como sendo uma transgressão da lei, quando nenhuma lei foi dada para que pudesse assim ser transgredida. Ela é traduzida melhor e mais corretamente em Filemon 18: "Se te fez algum dano, ou te deve alguma coisa, põe isso à minha conta", ou seja, impute isso a mim.

Vamos dar uma ilustração das duas palavras. Uma coisa é quando dizemos que determinada pessoa depositou um certo valor na conta de outra; foi colocado na conta dela. Outra, quando um nobre se casa com uma mulher pobre. Será ela considerada pobre depois disso? Ela não tem um centavo de si mesma, mas é considerada, ou reconhecida como, tão rica quanto seu marido; ela é judicialmente reputada assim, ou reconhecida assim. Abraão creu em Deus, e isso foi reconhecido como justiça. Talvez isto possa ser visto confirmado em Abel. "Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons", etc. (Hb 11.4) Em ambos os casos o princípio da fé é o mesmo. Abel creu em Deus, e trouxe o sacrifício. Abraão creu em Deus. Ambos foram considerados como justos. E isto não sobre o princípio das obras, não sobre o terreno do que Abraão ou Abel eram para Deus, mas Deus imputou-lhes a fé como justiça. "Mas aquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe imputada como justiça." (Rm 4.5)

Outro dia encontrei um homem idoso, com cabelos brancos como a neve, e disse-lhe:

-- Você professou a Cristo, de um modo ou de outro, por muitos anos, e mesmo assim não sabe se tem vida eterna; você não tem certeza se está justificado e, se morrer, não tem a certeza de que vai partir para estar com Cristo.

Seu idoso semblante descaiu; ele respondeu-me:

-- Isto é totalmente verdade.

-- Permita-me, então, que lhe diga a razão disso. Você nunca chegou a ver o ponto de partida de Deus. Você tem se esforçado por todos esses anos, de um modo ou de outro, para ser piedoso, crendo que Deus justifica aquele que é piedoso. Você nunca chegou a crer que Deus justifica o ímpio, e é aí que está o ponto de partida. A piedade virá depois. "Mas aquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça." (Rm 4.5)

-- Eu nunca antes enxerguei a coisa assim -- disse-me o velho homem.

Você já tinha visto isso antes, e crido em Deus que justifica o ímpio? Talvez você tenha estado se esforçando há muito tempo para ocupar o lugar de um homem piedoso diante de Deus pelas ordenanças dos homens, e pelas assim chamadas boas obras, tentando por todos os meios falsificar esta passagem das Escrituras. Sim, com frequência leva-se toda uma vida de fracasso para fazer uma alma chegar a este verdadeiro ponto de partida de graça. Certamente deve ser baseado em algum princípio diferente da lei o fato de Deus poder justificar o ímpio. Não àquele que pratica, mas ao que crê.

Charles Stanley. Fonte: http://www.scribd.com/doc/104720029/Vida-Atraves-Da-Morte

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