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sexta-feira, 25 de março de 2016

A Paz: Fora do Mundo

É por causa de não haverem apropriado estas verdades fundamentais, com simplicidade de fé, que muitos filhos de Deus lamentam não possuir uma paz segura e passam por contínuos altos e baixos na sua vida espiritual. Cada dúvida no coração de um crente é uma desonra para a palavra de Deus e o sacrifício de Cristo. É porque não permanece, desde já, naquela luz que brilhará no tribunal de Cristo, que anda sempre aflito com dúvidas e temores. Contudo, estas dúvidas e incertezas, que muitos têm de deplorar, são apenas consequências insignificantes comparativamente, tanto mais que apenas afetam a sua experiência. Os efeitos que produzem sobre o seu culto, o seu serviço e o seu testemunho são muito mais graves, visto que a glória do Senhor é afetada. Mas, ah! nesta pouco se pensa, geralmente falando, simplesmente porque o objetivo principal, o fim e o alvo, com a maioria dos cristãos, é a salvação pessoal. Todos somos inclinados a considerar como essencial tudo que se relaciona conosco; enquanto que aquilo que diz respeito à glória de Cristo em nós e por nosso intermédio é considerado como não essencial.

Contudo, é bom compreendermos claramente que a mesma verdade que dá paz segura à alma, põe-na também em estado de poder oferecer um culto inteligente, um serviço aceitável, e um testemunho eficaz.

No capítulo quinze da primeira epístola aos Coríntios, o apóstolo apresenta a morte e a ressurreição de Cristo como o grande fundamento de todas as coisas. "Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado, o qual também recebestes e no qual também permaneceis; pelo qual também sois salvos, se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado, se não é que crestes em vão. Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras" (versículos 1 a 4). Eis o evangelho, numa declaração rápida e compreensível. O fundamento da salvação é um Cristo morto e ressuscitado. "O qual por nossos pecados foi entregue e ressuscitou para nossa justificação" (Rm 4:25). Ver Jesus, com os olhos da fé, pregado na cruz e assentado no trono, é uma visão que deve dar paz sólida à consciência e perfeita liberdade ao coração. Nós podemos olhar para o sepulcro e vê-lo vazio; podemos olhar par cima e ver o trono ocupado, e, assim, continuar o nosso caminho cheios de gozo. O Senhor Jesus liquidou todas as coisas na cruz a favor do Seu povo; e a prova desta liquidação é que está à destra de Deus. Um Cristo ressuscitado é a prova eterna de uma redenção efetuada; e se a redenção é um fato consumado, então a paz do crente é uma realidade estabelecida. Nós não fizemos a paz, nem nunca a poderíamos ter feito. De fato, todos os nossos esforços nesse sentido só serviriam para manifestar com maior evidência que éramos transgressores da paz. Porém, Cristo, havendo feito a paz pelo sangue da Sua cruz, tomou o Seu lugar nas alturas, triunfando sobre todos os Seus inimigos. Por Ele Deus anuncia a paz. A palavra do evangelho transmite esta paz: e a alma que crê o evangelho tem a paz estabelecida diante de Deus, porque Cristo é a sua paz (veja-se At 10:36; Rm 5:1, Ef 2:14; Cl l:20). Desta maneira Deus satisfez não só as Suas exigências, como abriu um caminho divinamente justo mediante o qual o Seu amor infinito pode descer até ao mais culpado da geração culpada de Adão.

Quanto ao resultado prático, a cruz de Cristo não só tirou os pecados do crente como quebrou para sempre os laços que o prendiam ao mundo, e, com base neste fato, ele tem o privilégio de considerar o mundo como uma coisa crucificada, e de ser considerado pelo mundo como um que foi crucificado. Tal é a posição do crente e do mundo — o mundo está crucificado para o crente e o crente para o mundo. Esta é a verdadeira e elevada posição do crente. O juízo que este mundo fez de Cristo foi expresso pela posição em que o mundo deliberadamente o colocou. O mundo foi convidado a fazer a sua escolha entre Cristo e um assassino. Pôs o assassino em liberdade, e pregou Cristo na cruz entre dois malfeitores. Portanto, se o crente segue as pisadas de Cristo e se compenetra com o Seu espírito, e o manifesta, ocupará o mesmíssimo lugar que Cristo tem na estima do mundo; e desta forma não somente conhecerá que, quanto à sua posição diante de Deus, está crucificado com Cristo, mas será levado também a realizar este fato na sua vida e na sua experiência diária.

Contudo, posto que a cruz tem assim quebrado eficazmente a ligação entre o crente e o mundo, a ressurreição introduziu-o debaixo do poder de novos laços e novas relações. Se vemos na cruz o juízo do mundo, quanto a Cristo, na ressurreição vemos o juízo de Deus.

O mundo crucificou-O; porém, "Deus exaltou-o soberanamente" (Fp 2:9). O homem deu-Lhe o lugar mais baixo, mas Deus deu-Lhe o lugar mais elevado; e embora o crente seja chamado a gozar plena comunhão com Deus, em seus pensamentos a respeito de Cristo, ele pode, por sua parte, considerar o mundo como uma coisa crucificada. Assim, pois, se o crente está sobre uma cruz e o mundo noutra, a distância moral entre os dois é na verdade considerável. E se a distância é considerável em princípio, também deveria sê-lo na prática. O mundo e o cristão não deveriam ter nada absolutamente em comum; e nada terão em comum, exceto quando o cristão nega o seu Senhor e Mestre. O crente mostra-se infiel a Cristo na mesma proporção em que tem comunhão com o mundo.

 C. H. Mackintosh

domingo, 4 de janeiro de 2015

O Fundamento da Justificação

Tal é a doutrina das Sagradas Escrituras quanto à questão importante da condição da natureza. Porém, como é que o crente é feito participante da natureza divina? - Essa mudança admirável depende inteiramente da grande verdade que "JESUS MORREU E RESSUSCITOU" (1 Ts 4:14). Este bendito Senhor deixou o seio do amor eterno, o trono da glória, as mansões de luz imarcescível, veio a este mundo de dores e pecado, tomou sobre Si a forma da carne do pecado, e, depois de haver manifestado e glorificado perfeitamente Deus em todos os atos da Sua vida bendita no mundo, morreu na cruz sob peso de todas as transgressões do Seu povo. E deste modo satisfez tudo que  era ou podia ser contra nós. Ele engrandeceu e honrou a lei (Is 42:21); e, fazendo-o, tornou-Se maldição sendo pendurado no madeiro. Todos os direitos divinos foram satisfeitos, todos os inimigos reduzidos ao silêncio e os obstáculos foram todos derrubados. "A misericórdia e a verdade se  encontraram, a justiça e a paz se beijaram" (Sl 85:10). A justiça divina foi satisfeita, e o amor infinito pode derramar-se, com todas as virtudes  mitigantes e refrigerantes, no coração quebrantado do pecador; enquanto que, ao mesmo tempo, o caudal purificador e expiador, que brotou do lado ferido do Cristo crucificado, satisfaz perfeitamente todos os desejos ardentes da consciência culpada e convencida de pecado.

O Senhor Jesus tomou o nosso lugar na cruz: foi o nosso substituto. Ele morreu, "o justo pelos injustos" (I Pe 3:18); foi feito "pecado por nós" (2 Co 5:21); morreu em lugar do pecador; foi sepultado e ressuscitou, havendo cumprido tudo. Por isso nada há absolutamente contra o crente: ele está unido a Cristo e encontra-se na mesma condição de justiça "porque, qual ele é, somos nós também neste mundo" (1 Jo 4:17).

Eis aqui o que dá paz inabalável à consciência. Se já não estamos numa condição de culpa, mas de justificação; se Deus nos vê em Cristo e como a Cristo, então a nossa parte é uma paz perfeita. "Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo" (Rm 5:l).

O sangue do Cordeiro cancelou toda a culpa do crente, riscou o seu grande débito e deu-lhe uma folha perfeitamente em branco, na presença daquela santidade que não pode ver o mal (He 1:13).

Porém, o crente não só achou paz com Deus, como foi feito filho de Deus; e como tal pode gozar a doçura da comunhão com o Pai e o Filho, no poder do Espírito Santo.

O Crente é Filho de Deus 

 

A cruz deve ser encarada debaixo de dois modos diferentes: em primeiro lugar, satisfaz os direitos de Deus; e em segundo lugar é a expressão do amor de Deus. Se considerarmos os nossos pecados em ligação com os direitos de Deus como Juiz, acharemos na cruz a plena liquidação desses direitos. Deus, como Juiz, ficou satisfeito e glorificado na cruz. Porém há mais do que isto. Deus tem afetos bem como direitos; e na cruz do Senhor Jesus Cristo todos esses afetos são, de um modo tocante e agradável, anunciados aos ouvidos do pecador; enquanto que ao mesmo tempo, ele é feito participante de uma nova natureza, a qual é capaz de gozar esses afetos e de ter comunhão com o coração donde eles emanam. "Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus" (1 Pe 3:18). Desta forma não somente somos introduzidos numa nova condição, como trazidos a uma Pessoa, o Próprio Deus, e somos dotados de uma natureza que pode achar as suas delícias n'Ele. "E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação" (Rm 5:11).

terça-feira, 24 de setembro de 2013

A Ressurreição e Ascensão de Cristo

(Comentário Atos 1)

Encarnação, Crucificação e Ressurreição são os grandes fatos ou verdades fundamentais da igreja e do cristianismo. A encarnação foi necessária à crucificação e ambas à ressurreição. É uma verdade bendita que Cristo morreu na cruz por nossos pecados, porém, é igualmente verdade que o crente morreu em Sua morte (Romanos 6; Colossenses 2). A vida cristã é vida na ressurreição. A igreja está edificada sobre o Cristo ressurreto. Nenhuma verdade pode ser mais abençoada e maravilhosa que a encarnação e a crucificação, mas a igreja está associada com a ressurreição e glorificação de Cristo.

Em Atos 1 temos um quadro do que está relacionado à ressurreição e ascensão do Senhor; e também com os atos dos apóstolos antes da descida do Espírito Santo. O maravilhoso Senhor ainda fala e age por intermédio do Espírito Santo. Foi “pelo Espírito Santo” que Ele deu ordenanças aos apóstolos que escolhera. Isso é digno de nota por nos ensinar duas coisas:
  1. O caráter de nossa união com Cristo; o Espírito Santo no cristão e no Senhor ressurreto os une um ao outro de maneira extraordinária. “Mas o que se ajunta com o Senhor é um mesmo espírito” (1 Coríntios 6:17). Pelo “mesmo Espírito” ambos são unidos.
  2. Esse importante fato chama a atenção para a abençoada verdade de que o Espírito Santo habita e age no cristão, também após este estar efetivamente na ressurreição. Naquele momento, Ele não terá - como tem agora - a carne em nós para combater, mas irá nos conduzir sem qualquer impedimento às glórias do céu — à jubilosa adoração, ao abençoado serviço, e à plenitude da vontade de Deus.
O Senhor ressurreto ordena aos apóstolos a aguardarem em Jerusalém pela “promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (Atos 1:4-5). Não se trata mais de uma questão de promessas temporais a Israel, isso será adiado para um dia futuro. A promessa do Pai em relação ao Espírito Santo era uma coisa inteiramente distinta, e com resultados radicalmente diferentes.

O Senhor falou muitas coisas relativas ao reino de Deus com Seus apóstolos, subiu aos céus e então uma nuvem impediu que eles O vissem. A volta do Senhor também é prenunciada de maneira clara e cristalina nessa mesma ocasião. “E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco. Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir” (Atos 1:9-11). A partir dessas palavras fica evidente que Ele subiu pessoal, visível e corporalmente, e que é dessa mesma forma que Ele deverá vir - Ele aparecerá novamente entre as nuvens, e será manifesto aos povos sobre a terra, pessoal, visível e corporalmente; mas dessa vez com poder e grande glória.

Os apóstolos e discípulos tiveram de aprender duas coisas:
  1. Que Jesus foi tomado desse mundo e levado aos céus.
  2. Que Ele virá novamente. O testemunho deles se baseava sobre esses dois grandes fatos. Jerusalém seria o ponto de partida do ministério apostólico, e para isso teriam de esperar pelo poder de cima. Agora chegamos ao segundo grande evento, e mais importante de todos, que se relaciona à condição humana neste mundo - o dom do Espírito Santo. Já não seria Deus por nós, mas Deus em nós. Isso aconteceu no dia de Pentecostes.

A. Miller. Fonte: http://tinyurl.com/om2b9e6

domingo, 16 de junho de 2013

A Elevação de José Sobre Toda a Terra do Egito

(Comentário Gênesis 41)

José foi tirado da cova e do cárcere, nos quais havia sido lançado por causa da inveja de seus irmãos, e do falso juízo de um gentio, para ser dominador de toda a terra do Egito; e não somente isto, mas para ser o meio de bênção, e o mantenedor da vida, para Israel e toda a terra. Tudo isto é ilustrativo de Cristo. De fato, um símbolo não podia ser mais perfeito. Vemos um homem posto, para todos os efeitos, no lugar da morte pelos homens, e então levantado pela mão de Deus e colocado em lugar de dignidade e glória. "Varões israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, varão aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis; a este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, tomando-O vós, O crucificastes e matastes pelas mãos de injustos; ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela" (At 2:22-24).

Porém, há dois pontos na história de José, que, com o que já foi dito, tornam o símbolo notavelmente perfeito: refiro-me ao seu casamento com uma mulher estrangeira no capítulo 41, e a entrevista que tem com seus irmãos, em capítulo 45. A ordem dos acontecimentos é a seguinte: José apresenta-se aos seus irmãos como um que é enviado do pai; eles rejeitam-no, e, tanto quanto está neles, põem-no no lugar da morte; Deus tira-o dali, e exalta-o a uma posição da mais alta dignidade: assim exaltado, ele arranja uma noiva; e quando seus irmãos, segundo a carne, se prostram perante ele completamente humilhados, ele dá-se-lhes a conhecer, tranquiliza os seus corações e leva-os à bênção; então torna-se o meio de bênção para eles e todo o mundo. 


Asenate, Esposa de José: Imagem da Igreja Unida a Cristo

Desejo apenas fazer alguns comentários acerca do casamento de José e da restauração de seus irmãos. A noiva estrangeira ilustra a Igreja. Cristo apresentou-Se aos judeus, e, sendo rejeitado por eles, tomou o Seu lugar nas alturas e enviou o Espírito Santo para formar a Igreja, que é composta de judeus e gentios, para ser unida com Ele na glória celestial. A doutrina da Igreja já foi tratada quando dos nossos comentários sobre o capítulo 24 (leia: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4), mas restam ainda dois ou três pontos a notar aqui. A esposa egípcia de José teve parte íntima com ele na sua glória. Sendo parte de si próprio, ela compartilhou de tudo que era seu. Além disso, ela ocupava um lugar de intimidade e aproximação dele somente conhecido dela. Assim é com a Igreja, a esposa do Cordeiro: ela está unida com Cristo para ser participante, ao mesmo tempo, da Sua rejeição e glória. E a posição de Cristo que dá caráter à posição da Igreja, e a sua posição deveria caracterizar sempre a sua conduta. Se somos reunidos para Cristo, é conforme Ele está exaltado em glória, e não humilhado aqui. "Assim que, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo, agora, já não o conhecemos desse modo" (2 Co 5:16). O centro de reunião da Igreja é Cristo na glória. "E eu quando for levantado da terra todos atrairei a mim" (Jo 12:32).

Existe muito mais de valor prático na compreensão deste princípio do que pode parecer à primeira vista. O intuito de Satanás, bem como a tendência de nossos corações é sempre levar-nos a ficar aquém do objetivo de Deus em todas as coisas, e sobre tudo no que diz respeito ao centro da nossa união como cristãos. É um sentimento vulgar que "o sangue do Cordeiro é a união dos santos", isto é, que é o sangue que forma o seu centro de união. Ora que é o sangue infinitamente precioso de Cristo que nos põe individualmente como adoradores na presença de Deus, é bem-aventuradamente verdadeiro. O sangue, portanto, forma a base divina da nossa comunhão com Deus. Porém tratando-se do centro da nossa união como Igreja, devemos ter em vista o fato que o Espírito Santo nos reúne para a Pessoa de um Cristo ressuscitado e glorificado; e esta grande verdade dá o caráter—caráter elevado e santo—à nossa união como cristãos. Se tomarmos outra posição, que não esta, então, formamos inevitavelmente uma seita ou ismo. Se nos reunirmos em volta de uma ordenação, por muito importante que seja, ou em torno de uma verdade, por mais indiscutível, fazemos de alguma coisa o nosso centro, que não Cristo.

Por isso é muito importante ponderar as consequências práticas que resultam da verdade de sermos reunidos para um Cristo ressuscitado e glorificado no céu. Se Cristo estivesse na terra, seríamos reunidos para Ele aqui; mas, visto que está oculto nos céus, a Igreja toma o seu caráter da posição que Ele tem ali. Por isso, Cristo podia dizer: "Não são do mundo, como eu do mundo não sou", e também, "e por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade". (Jo 17:16-19). Assim também em 1 Pedro 2:4-5: "Chegando-vos para ele, a pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo". Se somos reunidos para Cristo, temos de ser reunidos para Ele como Ele é, e onde Ele está; e quanto mais o Espírito de Deus conduzir as nossas almas à compreensão disto, tanto mais veremos o caráter da conduta que nos convém. A noiva de José foi unida a si, não na cova nem no cárcere, mas na dignidade e glória da sua posição no Egito; e, no seu caso, não podemos ter dificuldade em perceber a grande diferença entre as duas posições.

Além disso, lemos, "e nasceram a José dois filhos (antes que viesse o ano da fome)" (capítulo 41:50). Aproximava-se uma época de tribulações; mas antes disso veio o fruto da sua união. Os filhos que Deus lhe deu foram chamados à existência antes deste tempo de provação. Assim será com respeito à Igreja. Todos os seus membros serão chamados, o corpo será acabado e ligado à Cabeça no céu, antes da "grande tribulação" que há-de vir sobre toda a terra.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Um em Cristo (Parte 1)

(Comentário Romanos 15)

O apóstolo diz: "Mas nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos". (Rm 15.1) Por isso, quão ternos devemos ser neste tempo em que todos estão igualmente fracos e débeis. "Portanto cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação." (Rm 15.2) Não é algo verdadeiramente belo? Onde é que podemos encontrar isto perfeitamente exemplificado? Oh, há Um, sim, Um só que é perfeito. "Porque também Cristo não agradou a Si mesmo." Ele não procurou justificar-Se a Si mesmo; "mas, como está escrito: Sobre Mim caíram as injúrias dos que Te injuriavam". (Rm 15.3) Seu olhar estava sempre dirigido para o alto, dirigido para o Pai; Ele era a expressão, a revelação do Pai, Deus manifestado. E todas as injúrias que recebeu, sentia serem dirigidas contra Seu Pai. Ele não respondeu; não agradou-Se a Si mesmo, mas Seu inefável prazer estava em suportar tudo, e fazer a vontade dAquele que O enviou.

"Ora o Deus de paciência e consolação vos conceda o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Cristo Jesus. Para que concordes, a uma boca, glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo." (Rm 15.5,6) Que oração esta! Quão necessária em todas as épocas, mas mais especialmente nestes últimos dias de tanta discórdia. Aqui está o modelo perfeito: "segundo Cristo Jesus". Ele nos recebeu na glória de Deus, sim, como objetos de misericórdia em conformidade com as riquezas da Sua graça. Quando recebermos uns aos outros, não nos esqueçamos de como Ele nos recebeu. As passagens são, então, apresentadas para demonstrar como a graça abundou para com os gentios. Isso mostrava aos judeus que não era para eles rejeitarem os gentios. Deve também ser observado que estas passagens terão seu pleno cumprimento no reino milenial. "Uma raiz em Jessé haverá, e naquele que se levantar para reger os gentios, os gentios esperarão." (Rm 15.12)

Segue-se, então, outra oração: "Ora o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo". (Rm 15.13) Com que clareza a condição da alma é conectada com a vinda do Senhor, mesmo não sendo este o tema da epístola! Possamos nós conhecer nosso Pai como o Deus de paciência e o Deus de esperança.

Devemos notar, no versículo 14, que não há ali nenhum pensamento acerca de um primeiro bispo de Roma. "Eu próprio, meus irmãos, certo estou, a respeito de vós, que vós mesmos estais cheios de bondade, cheios de todo o conhecimento, podendo admoestar-vos uns aos outros." (Rm 15.14) Não é notável que, em toda esta carta inspirada que é endereçada aos santos em Roma, não exista uma única sentença que pudesse reconhecer ou fazer referência, ainda que levemente a um suposto bispo de Roma? Os irmãos estavam capacitados a admoestar uns aos outros; e cada um era responsável, em conformidade com a medida de graça conferida a cada um, como vimos no capítulo 12. O primeiro bispo de Roma e seus sucessores são pura invenção de uma época posterior à epístola.

Se Pedro, ou qualquer outro irmão, tivesse sido O BISPO de Roma, Paulo o teria reconhecido como tal. Ao contrário, Paulo declara seu próprio apostolado como ministro dos gentios (versículos 15-20). Para Paulo era tudo resultado do livre favor de Deus, "pela graça que por Deus me foi dada; que seja ministro de Jesus Cristo entre os gentios". (Rm 15.15,16) E o resultado de todo esse bendito favor, Paulo podia oferecer a Deus como oferta "santificada pelo Espírito Santo". (Rm 15.16) E então, sendo tudo resultado do livre favor de Deus, ele podia se gloriar. "De sorte que tenho glória em Jesus Cristo nas coisas que pertencem a Deus." (Rm 15.17) Todo jovem crente fará bem em ponderar nestes preciosos princípios divinos de serviço -- de como os gentios tornaram-se obedientes ao evangelho. Foi por meio de poderosos sinais e maravilhas; não por sabedoria ou eloquência humana, mas pelo poder do Espírito de Deus. E que missão aquela aos gentios!

segunda-feira, 20 de maio de 2013

José - Bela Figura de Cristo

(Comentário Gênesis 37)

Não há nas Escrituras Sagradas um símbolo mais perfeito e belo de Cristo do que José. Quer encaremos Cristo como o objeto do amor do Pai ou da inveja dos "seus"— na Sua humilhação, sofrimentos, morte, exaltação e glória —, vemo-Lo maravilhosamente simbolizado em José.



José É Odiado por Seus Irmãos

No capítulo 37 temos os sonhos de José, cujo relato desperta a inimizade de seus irmãos. Ele era o objeto do amor de seu pai, e assunto de altos destinos, e, visto que os corações de seus irmãos não estavam em comunhão com estas coisas, eles odiaram-no. Não tinham parte no amor do pai, e não queriam aceder ao pensamento de exaltação de José. Em tudo isto, eles são uma figura dos Judeus nos dias de Cristo. "Veio para o que era seu, e os seus não o receberam" (Jo 1:11). Ele "não tinha parecer nem formosura" a seus olhos (Is 53:2). Não o reconheceram como o Filho de Deus nem como Rei de Israel. Os seus olhos não estavam abertos para verem "a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade" (Jo 1:14). Não o queriam, e, pelo contrário, odiaram-No.

Cristo — Antítipo de José

Aconteceu assim com o grande Antítipo de José. Ele deu testemunho da verdade — fez boa confissão —, nada ocultou; só podia dizer a verdade porque Ele era a verdade, e o Seu testemunho da verdade teve a resposta, por parte do homem, por meio da cruz, o vinagre, e a espada do soldado que feriu o Seu lado. O testemunho de Cristo foi também acompanhado da graça mais profunda, plena e rica. Ele não veio apenas como a "verdade", mas também como a perfeita expressão de todo o amor do coração do Pai: "a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo" (Jo 1:17). Ele foi a plena manifestação aos homens do que Deus era. Por isso o homem foi deixado inteiramente sem desculpa. Ele veio e mostrou Deus aos homens, e os homens odiaram a Deus completamente. A manifestação do amor divino produziu ódio cruel. É isto que vemos na cruz; e temo-lo prefigurado duma maneira tocante na cova onde José foi lançado por seus irmãos.

"E viram-no de longe, e, antes que chegasse a eles, conspiraram contra ele, para o matarem. E disseram uns aos outros: Eis, lá vem o sonhador-mor! Vinde, pois, agora, e mantemo-lo, e lancemo-lo numa destas covas, e diremos: Uma besta-fera o comeu; e veremos que será dos seus sonhos."

Estas palavras fazem-nos lembrar a parábola de Mateus 21: "E, por último, enviou-lhes seu filho, dizendo: Terão respeito a meu filho. Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo, e apoderemo-nos da sua herança. E, lançando mão dele, o arrastaram para fora da vinha e o mataram" (versículos 37 a 39). Deus enviou o Seu Filho ao mundo com este pensamento: "Terão respeito a meu filho"; mas, ah! o coração do homem não tinha temor pelo "bem amado" do Pai! Lançaram-No fora. A terra e o céu estavam em discórdia a respeito de Cristo; e ainda o estão.O homem crucificou-O, mas Deus ressuscitou-O dos mortos. O homem pô-lo na cruz entre dois malfeitores; Deus colocou-O à Sua destra nas alturas. O homem deu-Lhe o lugar mais baixo na terra; Deus deu-Lhe o lugar mais elevado nos céus, em majestade sem igual.

José — um Ramo Frutífero

Tudo isto é prefigurado na história de José. Leia Gênesis 49:22-26. Estes versículos mostram-nos "os sofrimentos de Cristo e a glória que se lhes havia de seguir" (1 Pe 1:11). "Os flecheiros" fizeram o seu trabalho; mas Deus era mais poderoso do que eles. O verdadeiro José foi flechado e gravemente ferido na casa de seus amigos; porém, "os braços de suas mãos foram fortalecidos" no poder da ressurreição, e a fé conhece-O agora como o fundamento de todos os propósitos de Deus de bênção e glória a respeito da Igreja, Israel e toda a criação. Quando pensamos em José na cova, e na prisão, e mais tarde como governador de toda a terra do Egito, vemos a diferença que existe entre os pensamentos de Deus e os pensamentos dos homens; e assim quando olhamos para a cruz e para o trono da Majestade nos céus, vemos a mesma coisa.

Nunca houve nada que revelasse o verdadeiro estado do coração do "Se eu não viera, nem lhes houvera falado, não teriam pecado" (Jo 15:22). Não é que eles não fossem pecadores. Não, mas "não teriam pecado". Do mesmo modo, Ele diz noutro lugar: "Se fôsseis cegos não teríeis pecado" (Jo 9:41). Deus aproximou-Se do homem na Pessoa de Seu Filho, e o homem pôde dizer: "este é o herdeiro", e todavia disse: "Vinde, matemo-Lo". Por isso, "mas agora não têm desculpa do seu pecado". Aqueles que dizem ver, não têm desculpa. A cegueira professa não é a dificuldade, mas sim a profissão de vista. É um princípio solene para uma época de crença professa, como esta. A continuidade do pecado está ligada com a profissão de ver. Um homem que é cego, e sabe que o é, pode esperar que os seus olhos sejam abertos, mas que poderá fazer-se por aquele que pensa ver, quando realmente não vê?
homem para com Deus como a vinda de Cristo.

C. H. Mackintosh. Fonte: http://www.scribd.com/doc/105168410/Notas-Sobre-o-Pentateuco-Genesis-C-H-Mackintosh

Gênesis 37

Leia em http://www.bibliaonline.com.br/acf/gn/37


Se eu tiver um coração para Cristo, vou me humilhar... foi o que Cristo fez!

A história de José é uma das maiores e mais doces histórias já contadas. Contamos 75 maneiras em com esta história ilustra alguma parte da vida do Senhor Jesus Cristo. Numa visão geral, podemos dizer que a história pode ser uma bela figura de Cristo como um Homem na terra. Ele é rejeitado por Seu próprio povo, (os Judeus) e desaparece (na cruz e vai para o céu). Por Sua morte e ressurreição Ele traz vida a muitos. Ao invés de dar detalhes do que a história possa significar, vamos simplesmente dar um versículo que fala de algo similar acerca do Senhor. Se você estiver interessado, poderá lê-los. (Veja se pode acrescentar mais, há muitos).

Gn 37:1-4 O afortunado menino é amado por seu pai (Jo 3:35 e Mt 3:17). Ele tem uma capa de muitas cores (Hb 2:7).

Gn 37:5-11 Seus sonhos, logo no início de sua vida, falam de um dia de glória vindoura (Is 53:10-12 e Ap 4:9).

Gn 37:12-17 José andou cerca de 112 quilômetros para encontrar seus irmãos. Ele não parou até ter cumprido as ordens de seu pai (Jo 6:38).

Gn 37:18-22 Imediatamente eles planejam matá-lo (Mt 12:14 e Jo 5:18).

Gn 37:23-36 O ato é consumado. José se foi. Ao menos no que diz respeito a seus irmãos, se foi para sempre (Jo 15:24). Sua túnica é mergulhada no sangue de um animal morto e levada a seu pai. Este mundo pensa que quando Jesus morreu na cruz aquilo tenha sido o Seu fim. (Mt 27:62-66 e Jo 15:25).

N. Berry. Fonte: http://www.stories.org.br/gn_p.html ou http://chaday.blogspot.com.br/

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Nosso Lugar Perante Deus (Parte 1)


A base de tudo encontra-se na cruz de Cristo, pois foi ali que Ele pôde satisfazer, em nosso favor, tanto os requisitos exigidos pela santidade de Deus, como também glorificá-Lo em cada atributo de Seu caráter. É a isto que o Senhor Jesus Se referia quando disse: "Eu glorifiquei-Te na Terra, tendo consumado a obra que Me deste a fazer" (João 17.4). E foi com base nisso, como já tendo resolvido uma demanda de Deus, que Ele orou: "E agora glorifica-Me Tu, ó Pai, junto de Ti mesmo, com aquela glória que tinha Contigo antes que o mundo existisse" (João 17.5).

Portanto, como você poderá perceber, Deus mostra a importância que deu à obra consumada na cruz, pelo fato de haver feito Cristo assentar à Sua direita. Podemos dizer ainda que nada menos do que isso poderia ter sido considerada uma resposta adequada à exigência de Deus que Cristo cumpriu através de Sua obra consumada. E certamente nada menos poderia ter satisfeito o coração de Deus; pois quem poderá jamais imaginar o Seu gozo ao intervir levantando Cristo de entre os mortos, colocando-O à Sua direita, e dando-Lhe, ainda, "um Nome que é sobre todo o nome"? "Pelo que também Deus O exaltou soberanamente, e Lhe deu um Nome que é sobre todo o nome; para que ao Nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai" (Filipenses 2.9-11).



Há Um Homem na Glória

Observe, então, com muito cuidado, estas três coisas: Primeiro, o lugar agora ocupado por Cristo na glória é fruto de Sua obra redentora; segundo, Cristo ocupa esse lugar como Homem; e, por conseguinte, terceiro, Ele está ali em favor dos que são Seus. As consequências são que Deus nos levará para o mesmo lugar; que a glória de Deus está empenhada em dar aos crentes o mesmo lugar de aceitação perante Si; e - isto mesmo! - que o Seu coração se compraz em reconhecer, também deste modo, a obra e o valor do Seu Filho amado. Portanto, todo crente encontra-se agora diante de Deus em virtude da eficácia da obra de Cristo, desfrutando ali de toda a aceitação que a própria Pessoa de Cristo desfruta. Deste modo, o crente desfruta de uma posição de perfeita proximidade de Deus, e é ainda objeto da perfeita bondade de Deus; pois ele é introduzido - e efetivamente está - na presença de Deus em Cristo Jesus.

Agora gostaria de levar você a examinar algumas passagens que comprovam plenamente as afirmações acima. O versículo que vem logo em seguida àquele que ocupou nossa atenção na última carta encaixa-se perfeitamente aqui. "Sendo pois justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo"; e então o apóstolo continua: "Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus" (Romanos 5.1,2). Dessa forma, quando cremos, não somente temos paz com Deus, mas temos também acesso, por meio de Cristo, a esta graça na qual estamos firmes. Isto é, somos introduzidos no completo favor de Deus - transportados para a sempre radiante luz da Sua presença, onde podemos nos regozijar na esperança da glória de Deus - pois tudo já foi estabelecido e assegurado.



Um Lugar Perfeito e Seguro

Por meio da fé em Cristo - e fé nAquele que ressuscitou Jesus nosso Senhor de entre os mortos - somos levados a uma posição tão perfeita e tão segura que, apesar das tribulações, dificuldades e perigos de nosso caminho por este deserto, podemos nos regozijar na esperança - na firme e inabalável perspectiva - da glória de Deus. Poderemos sofrer tribulações, como o apóstolo segue dizendo em sua carta, mas, se assim ocorrer, podemos nos gloriar até nas tribulações, "sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Romanos 5.3-5).Foi esse o amor que Deus demonstrou ter, e nos deu; foi nesse mesmo amor que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. E se, sendo nós ainda pecadores, nos reconciliou com Deus pela morte de Seu Filho, quanto mais somos levados a concluir que seremos salvos - salvos completamente, inclusive com a redenção de nosso corpo (Romanos 8.23) - por Sua vida, a vida do Salvador ressurreto e assentado à direita de Deus. E não apenas isto, mas também nos regozijamos em Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio de Quem recebemos agora a reconciliação (Romanos 5.3-11). Sendo assim, temos como nossa presente porção o amor de Deus derramado em nossos corações, nos regozijamos nEle, ocupamos perante Ele um lugar de perfeito favor e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.

E Isso Não é Tudo...

Mas isso ainda não é tudo. Na mesma epístola, não apenas somos ensinados que nossa culpa se foi para sempre no exato momento em que cremos em Cristo, que somos justificados, etc., mas também nos é mostrado que somos totalmente transportados, por meio da morte e ressurreição de Cristo, a um novo lugar - um lugar fora de nossa carne, pois estamos "em Cristo" diante de Deus. A parte seguinte da epístola ou carta de Paulo, começando no versículo 12 deste capítulo e terminando no capítulo 8, fala deste assunto. Você irá notar, em primeiro lugar, que tudo tem início ou a partir de Adão ou a partir de Cristo, as duas cabeças; o primeiro homem Adão, e o segundo homem Cristo (Romanos 5.12-21). A consequência é que todos estão, ou em Adão, ou em Cristo, e é quase desnecessário dizer que a diferença entre estarmos em Adão ou em Cristo depende se ainda somos incrédulos ou se já somos crentes. Se, pela graça de Deus, somos crentes, então estamos em Cristo. Sendo assim, há certas consequências benditas que desejo indicar rapidamente, deixando então que você fique à vontade para meditar mais neste assunto.

A primeira coisa que o apóstolo nos lembra é que a posição em que nos encontramos - a posição que assumimos por meio de nosso batismo - demonstra que professamos estar mortos com Cristo, e isto, como pode ser observado em Colossenses 3.3, aplica-se a todos os crentes diante de Deus. Se você ler cuidadosamente o capítulo 6 de Romanos, irá logo perceber que o apóstolo incita a nossa responsabilidade sobre este fundamento. Portanto, o meu velho eu saiu da vista de Deus assim como aconteceu com os meus pecados, caso contrário o apóstolo não poderia ter afirmado, como o fez em Romanos 6.11: "Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor".


(Continua...)

Edward Dennett. Fonte: http://www.stories.org.br/doze.html ou http://www.scribd.com/doc/105860553/Doze-Cartas-a-um-Novo-Convertido

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Experiência Vitoriosa (Parte 3 - Final)

(Comentário Romanos 8)

"Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada. Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus." (Rm 8.18,19) Quem podia, melhor do que Paulo, considerar este assunto? Prisões e cadeias o esperavam em cada cidade -- uma vida de constante de sofrimento com Aquele a Quem tanto amava servir; e ainda assim ele diz: "As aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada". Deveras, "a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus". Que solução para o espantoso paradoxo de toda a criação! Os gemidos dos campos de batalha cessarão; a miséria, a pobreza e a degradação das multidões; os sofrimentos da criação, tudo chegará ao fim.

"Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do corpo." (Rm 8.22) Repare que não é para a salvação de nossas almas que esperamos, e ansiamos, mas pela redenção do corpo. Isto pode ser tanto para os que estão na sepultura, como para os que serão transformados em um momento. Isto acontecerá na vinda do Senhor. No que diz respeito ao corpo, nem mesmo nós estamos livres do sofrimento, e de gemermos, até a vinda de nosso Senhor. Ainda não vimos Sua vinda e, por conseguinte, só podemos aguardar e ter esperança. Trata-se de um erro fatal supor que isso tudo signifique que não sabemos que temos a salvação; pelo contrário, sabemos que temos vida eterna -- "Aquele que crê no Filho TEM a vida eterna". (Jo 3.36) Não há espera para tal. Mas podemos aguardar em paciência pela redenção do corpo.

"E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por Seu decreto". (Rm 8.28) Sabemos disso porque Deus é sempre por nós. É isto que é apresentado até o final do capítulo. "Daqueles que são chamados por Seu decreto." Deus não nos chamou por causa de qualquer bem que pudesse existir em nós, ou de qualquer desejo de nossa parte. Notemos atentamente qual foi o Seu propósito, pois Seu chamado é o resultado de Seu decreto ou propósito.

Não devemos alterar nem uma só palavra a fim de adaptar isto aos pensamentos ou raciocínios humanos. "E aos que predestinou a estes também chamou: e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou." (Rm 8.30) Aqui é tudo de Deus, que não pode falhar. Esta é a Sua ordem. Predestinados, chamados, justificados, glorificados. De eternidade a eternidade. Que sequência maravilhosa! Que consolo inestimável para os tão sofridos filhos de Deus! Porventura Ele não nos chamou? Então isto prova que nos predestinou; e Ele nos justificou; e não deixará de nos levar para a glória. A fé certamente confiará nEle. A incredulidade com prazer deixaria que Satanás introduzisse raciocínios que eliminassem toda esta verdade fundamental. "Que diremos pois a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Rm 8.31) Sim, se Deus é assim por nós, quem ou o quê pode ser contra nós? Veja como aprouve a Deus nos persuadir disto.

"Aquele que nem mesmo a Seu próprio Filho poupou, antes O entregou por todos nós, como nos não dará também com Ele todas as coisas?" (Rm 8.32) Alguma dúvida? Fica assim manifesto que todas as coisas devem cooperar para o nosso bem, já que Deus não poupou nem Seu próprio Filho. Que amor eterno e infinito teve Ele ao entregá-Lo por todos nós! Podemos esperar seja o que for, tendo em vista a imensidão e o caráter deste amor.

Como já vimos nesta epístola, já que é Deus, em Sua justiça, Aquele que é o Justificador, o Deus que justifica, "quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?" (Rm 8.33) Quem os condenará? Se Deus é nosso Justificador, poderá alguma criatura nos condenar? Foi Deus Quem demonstrou a Sua aceitação pelo nosso resgate ao ressuscitar Jesus de entre os mortos para nossa justificação. Deus O entregou por todos nós; e Ele O ressuscitou de entre os mortos para a justificação de nós todos; e Ele é a imutável justiça de todos os eleitos de Deus. "Quem os condenará?" (Rm 8.34) Deus não pode nos condenar sem condenar a Ele que foi levantado de entre os mortos para ser nossa justiça. Nossa justificação não poderia ser mais perfeita, pois tudo vem de Deus. Nossa justificação, portanto, é de Deus, e é completa e estabelecida eternamente.

Resta apenas mais uma questão. Poderá qualquer circunstância alterar o amor de Cristo, ou alterar o amor de Deus em Cristo para conosco? Há tantos que duvidam que o amor de Cristo possa permanecer, caso não o mereçamos continuamente, que esta acaba sendo uma questão de grande importância. Será que não se trata de um grande erro supor que alguma vez tenhamos merecido, merecemos, ou iremos merecer esse amor? Será que são os nossos méritos, o que o Espírito de Deus coloca diante de nós?

Leia do versículo 34 ao 39. Veja quão belo e simples é: Ele coloca Cristo diante de nós. Vamos acompanhar a Palavra, uma sentença após a outra. "É Cristo Quem morreu." (Rm 8.34) Será que Ele morreu por nós porque merecíamos o Seu amor? Poderia existir um amor como este, e, ainda por cima, amor por nós quando mortos em delitos e pecados? "Ou antes, Quem ressuscitou dentre os mortos." (Rm 8.34) Contemple-O, o Ressuscitado de entre os mortos, como o princípio da nova criação. E isto com o propósito expresso de nossa justificação. E tudo isso, quando o que merecíamos era só a eterna ira.

Então vem o inimigo, que enganou Eva, e diz: "Tudo isso é verdade se você nunca pecar mais após a sua conversão, mas se algum cristão pecar, certamente o pecado o separará do amor de Cristo". Veja se seu escudo não está abaixado quando o diabo lança insinuações assim contra você. A resposta preciosa é esta: "Também intercede por nós". (Rm 8.34) Sim, "vivendo sempre para interceder por eles". (Hb 7.25) Imagine de quantos pecados esta intercessão nos preserva!

Mas será que se um crente, um filho de Deus, por causa de seu descuido, pecar, será que Ele irá, ainda assim, em seu infinito e imutável amor, interceder pela causa daquele que caiu? "Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. E Ele é a propiciação pelos nossos pecados." (1 Jo 2.1,2) Sim, mesmo então, em imutável amor, Ele é o mesmo Jesus, que "também intercede por nós". Assim, tudo provém de Deus e não pode falhar. Leia agora toda a lista apresentada por estes versículos, e fiquemos persuadidos, como estava o apóstolo, de que NADA "nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor". (Rm 8.39) Não há condenação para aqueles que Deus justifica, aqueles que Ele tem por justos. E não há separação do infinito e eterno amor de Deus para conosco, em Cristo Jesus nosso Senhor.

domingo, 6 de janeiro de 2013

A Igreja, o Complemento de Cristo


(Comentário Gênesis 24 - Parte 2)

A Igreja goza de vida divina; ela encontra-se em justiça divina; e a esperança que a anima é a esperança de justiça (ver passagens citadas no texto anterior). Isto emana do fato de ela ser um com Aquele que ressuscitou de entre os mortos. Ora nada pode dar tanta segurança ao coração como a convicção que a existência da Igreja é essencial para a glória de Cristo: "... a mulher é a glória do varão" (1 Co 11:7). Outro tanto, a Igreja é chamada "a plenitude daquele que cumpre tudo em todos" (Ef 1:23). Esta última expressão é notável. A palavra traduzida "plenitude" quer dizer o complemento, aquilo que, sendo acrescentado a alguma coisa mais, faz um todo. Encarando o assunto sob este ponto de vista não é de admirar que a Igreja tivesse sido o objeto dos pensamentos eternos de Deus. Quando a contemplamos como o corpo, a noiva, a companheira, a outra metade do Seu Filho unigênito, vemos que houve, pela graça, uma razão maravilhosa para Deus ter assim pensado nela antes da fundação do mundo (Ef 1.4).


Rebeca era necessária para Isaque, e, portanto, ela era o assunto de conselho secreto, enquanto estava ainda em absoluta ignorância quanto ao seu destino. Todo o pensamento de Abraão era acerca de Isaque. "Põe agora a tua mão debaixo da minha coxa para que eu te faça jurar pelo SENHOR, Deus dos céus e Deus da terra, que não tomarás para meu filho mulher das filhas dos cananeus, no meio dos quais habito." (vv. 2-3) Aqui vemos que o ponto importante era: mulher para meu filho. "Não é bom que o homem esteja só." (Gn 2.18) Isto descobre uma profunda e bem-aventurada vista da Igreja. Nos desígnios de Deus ela é necessária para Cristo; e na obra consumada de Cristo foi feita provisão divina para a sua chamada à existência. Deus quer "fazer as bodas de Seu Filho", e a Igreja é a noiva escolhida — ela é o objeto do propósito do Pai, o objeto do amor do Filho e do testemunho do Espírito Santo. Ela vai ser participante de toda a dignidade e glória do Filho, assim como é participante de todo esse amor de que Ele tem sido o objeto eterno. Escutai as Suas Palavras: "E Eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim e que tens amado a eles como me tens amado a mim" (Jo 7:22-23).


Isto resolve toda a questão. As palavras que acabo de reproduzir dão-nos os pensamentos do coração de Cristo a respeito da Igreja. Ela está destinada a ser como Ele é, e não somente isto, mas ela é-o agora; como o apóstolo João nos diz: "Nisto é perfeita a caridade (amor) para conosco, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos nós também neste mundo" (1 Jo 4:17). Isto dá plena confiança à alma. "... no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu filho Jesus Cristo" (1 Jo 5:20). Não existe aqui fundamento para a incerteza. Tudo está seguro para a noiva no Noivo. Tudo que pertencia a Isaque ficou sendo de Rebeca, porque Isaque era dela; e do mesmo modo tudo que é de Cristo é facultado à Igreja: "... tudo é vosso: seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro, tudo é vosso, e vós, de Cristo, e Cristo, de Deus" (1 Co 3:21-23). 

Cristo é Cabeça da Igreja sobre todas as coisas (Ef 1:22). Será Seu gozo, em toda a eternidade, exibir a Igreja na glória e beleza com que Ele a dotou, pois a sua glória e beleza serão apenas o Seu reflexo. Os anjos e os principados verão na Igreja a manifestação maravilhosa da sabedoria, do poder, e da graça de Deus em Cristo.



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Rebeca, Figura da Igreja

(Comentário Gênesis 24 - Parte 1)


A ligação deste capítulo com os dois que o precedem é digna de nota. No capítulo 22 Isaque é oferecido; no capítulo 23 Sara é posta de lado; e no capítulo 24 o servo é enviado em procura de uma noiva para aquele que foi, com efeito, em figura, recobrado dos mortos. Esta ligação coincide de uma maneira notável com a ordem dos acontecimentos referentes à chamada da Igreja. Quando nos voltamos para o Novo Testamento os grandes acontecimentos que chamam a nossa atenção são, em primeiro lugar, a rejeição e morte de Cristo; em segundo lugar, Israel é posto de parte; e, por último, dá-se a chamada da Igreja para ocupar a elevada posição de noiva do Cordeiro. Ora tudo isto corresponde exatamente com este e os dois capítulos precedentes.

Para a boa compreensão de todo o capítulo, devemos considerar os seguintes pontos: 1. — o pacto,-  2.  — o testemunho; 3. — os resultados. É encantador notarmos como a chamada e exaltação de Rebeca foram fundadas sobre o pacto entre Abraão e o seu servo. Ela não sabia nada a esse respeito, embora fosse, nos desígnios de Deus, o objetivo de tudo isso. Assim é com a Igreja de Deus como um todo, e cada parte constituinte: "... no teu livro  todas estas coisas foram escritas, as quais iam sendo dia a dia formadas, quando nem ainda uma delas havia" (Sl 139:16). "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo, como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor" (Ef 1:3,4). "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito de entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou, e aos que justificou, a esses também glorificou" (Rm 8:29-30).

Estas passagens estão todas de harmonia com o assunto que passamos imediatamente a considerar. A chamada, a justificação, e a glória da Igreja são fundadas no propósito eterno de Deus — a Sua Palavra e juramento retificados pela morte, ressurreição e exaltação de Seu Filho. Muito antes, antes do raiar do tempo, nos profundos recessos da mente eterna de Deus, acha-se este maravilhoso propósito a respeito da Igreja, o qual não pode, de nenhum modo, ser separado do pensamento divino quanto à glória do Filho. O juramento entre Abraão e o servo tinha como seu objetivo a  procura de uma noiva para o filho. Foi o desejo do pai acerca do filho que levou a toda a dignidade posterior de Rebeca.

E agradável vermos isto. Agradável ver como a segurança e bênção da Igreja estão inseparavelmente ligadas com Cristo e a Sua glória: "Porque o varão não provém da mulher, mas a mulher, do varão. Porque também o varão não foi criado por causa da mulher, mas a mulher, por causa do varão" (1 Co 11:8-9). O mesmo acontece com a parábola da ceia: "O reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho" (Mt 22:2). O FILHO é o grande objeto de todos os desígnios de Deus: e se alguém é trazido para a bênção, ou glória, ou dignidade, só o pode ser por ligação com Ele. O direito a estas coisas, e até mesmo à própria vida, foi perdido pelo pecado; porém Cristo cumpriu a pena do pecado; Ele responsabilizou-Se por tudo a favor da Igreja: foi pregado na cruz como seu substituto, levou os seus pecados no Seu corpo sobre a cruz, e baixou à sepultura sob o peso deles. Por isso nada pode ser mais completo do que a libertação da Igreja de tudo que era contra ela. Ela é vivificada da sepultura de Cristo, onde todos os seus pecados foram deixados. A vida que ela tem é uma vida tomada do outro lado da morte, depois de todas as exigências possíveis terem sido satisfeitas. Por isso, esta vida é ligada e fundada sobre a justiça divina, tanto mais que o direito de Cristo à vida é baseado sobre o fato de ter esgotado inteiramente o poder da morte; e Ele é a vida da Igreja. Desta maneira a Igreja goza de vida divina; ela encontra-se em justiça divina; e a esperança que a anima é a esperança de justiça (vede, entre outras, as passagens seguintes, Jo 3:16,36; 5:39,40; 6:27,40,47,68; 11:25;17:2; Rm 5:21;6:23; 1 Tm 1:16; 1 Jo 2:25; 5:20; Judas 21; Ef 2:1 a 6,14,15; Cl 1:12-22;2:10-15; Rm l:17;3:21-26;4:5,23-25; 2 Co 5:21; Gl 5:5).

(Continua...)

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Romanos 7 (Parte 2)


Rm 7:7-25 Em Fp 3:6 Paulo havia dito que, naquilo que dizia respeito à lei, ele era irrepreensível. Aquilo foi antes de ele se tornar um homem salvo. Mas aqui, como um homem salvo, ele está pensando no pecado de um modo diferente. Ele descobriu que queria fazer o bem, mas não tinha o poder para fazê-lo. Ele descobriu que em sua velha vida (velha natureza) ele era completamente mau (vers. 18). Aqui Paulo tinha a ideia errada de que sua nova natureza poderia vencer a velha natureza e mantê-la subjugada. 

Rm 7:24 Mas isso não era possível. Ele clama por auxílio. Ele entende que precisa de um poder que está fora de si mesmo. Somente Deus podia fazer isso por ele. 

Rm 7:25 Mas há outro clamor. Desta vez vindo de seu coração. Desta vez um brado de alívio e triunfo, e ele sabe que foi ouvido. Ele agradece Àquele que veio em seu socorro, a Deus que lhe havia dado a vitória por meio de Jesus Cristo nosso Senhor. Nada é mais importante para nós como crentes do que aprender isto para nós mesmos. Não saia destes dois capítulos (6 e 7) até enxergar isto. A carne, por melhor e mais refinada que seja, irá nos arrastar para a derrota e para a rendição ao pecado. Mas quando nos rendemos a Cristo, Ele tem a vitória, e todo o crédito (a glória) vai para Ele.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A Fé de Abraão


(Comentário Gênesis 15)

"E creu ele no Senhor, e foi-lhe imputado isto por justiça." A atribuição da justiça a Abraão é, aqui, fundada sobre a sua crença no Senhor como Aquele que vivifica os mortos. É neste caráter que Ele Se revela no mundo onde reina a morte; e quando a alma crê n'Ele, como tal, isso é-lhe contado por justiça à Sua vista. Isto necessariamente põe o homem de lado, no tocante à sua cooperação, pois que poderá ele fazer no meio de uma cena de morte? Acaso pode ele ressuscitar os mortos? Pode abrir as portas da sepultura? Pode libertar-se a si próprio do poder da morte e sair em vida e liberdade para além dos limites do seu império funesto? Indubitavelmente que não. Pois bem, se não pode fazer nada disto, não pode conseguir a justiça, nem tão-pouco dar-se a si próprio o lugar de filho. "Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos" (Mt 22:32), e, portanto, visto que o homem se encontra debaixo do poder da morte e sob o domínio do pecado não pode conhecer a posição de filho — nem a condição de justiça. Assim, só Deus pode conceder a adoção de filhos, e somente Ele pode imputar a justiça, e tanto uma coisa como a outra estão ligadas com a fé n'Ele como Aquele que ressuscitou Cristo de entre os mortos.

E desta maneira que o apóstolo trata da questão da fé de Abraão, em Romanos 4:23-24, onde, diz ele: "Ora, não só por causa dele está escrito que lhe fosse tomado em conta, mas também por nós, a quem será tomado em conta, os que cremos naquele que dos mortos ressuscitou a Jesus, nosso Senhor". Aqui o Deus da ressurreição é-nos apresentado como o objeto da fé, e a nossa fé n'Ele é vista como o único fundamento da nossa justiça. Se Abraão tivesse olhado para o firmamento, ornado de inumeráveis estrelas, e então atentasse "para o seu próprio corpo já amortecido" (Rm 4:19), como poderia compreender a  ideia  de uma semente tão numerosa como essas estrelas? Impossível. Porém, ele não atentou para o seu próprio corpo, mas para o poder do Deus de ressurreição, e, visto que esse era o poder que havia de produzir a semente, podemos ver facilmente que as estrelas do céu e a areia na praia do mar são, na verdade, apenas figuras fracas; pois que objeto natural poderia, possivelmente, exemplificar o efeito desse poder que ressuscita os 
mortos?

Assim também, quando um pecador ouve as boas novas do evangelho, se olhasse para a luz imaculada da presença divina, e então atentasse para as profundezas desconhecidas da sua natureza pecaminosa, bem poderia exclamar, como poderei jamais chegar ali? Como poderei jamais ser digno de habitar nessa luz? Onde está a resposta? Nele mesmo? Não, graças a Deus, mas n'Aquele bendito Senhor que foi do seio do Pai até à cruz e à sepultura, e dali para o trono, enchendo assim, na Sua Pessoa e obra, o espaço compreendido entre esses dois extremos. Não pode haver nada mais elevado do que o seio de Deus — o lugar eterno de habitação do Filho; e nada mais baixo do que a cruz e a sepultura; mas — verdade espantosa! — encontramos Cristo em todos esses lugares. Eu encontro-O no Seio do Pai, e encontro-O na sepultura. Ele entrou na morte a fim de poder deixar atrás de Si, no pó dela, o peso completo dos pecados e das iniquidades do Seu povo. Cristo, na Sepultura, mostra o fim de tudo que é humano  —  o fim do pecado  —  o limite máximo do poder de Satanás. A Sepultura de Jesus  é o termo de tudo. Porém, a  ressurreição conduz-nos para além desse fim e constitui a base eterna na qual a glória de Deus e a bênção do homem repousam para sempre. No momento em que o olhar da fé repousa num Cristo ressuscitado, há uma resposta triunfal  a todas as interrogações quanto ao pecado, o juízo, a morte e a sepultura. Aquele que enfrentou, divinamente, tudo isto está vivo de entre os mortos; e tomou o Seu lugar nos céus à destra da Majestade; e, não somente isto, mas o Espírito desse Senhor ressuscitado e glorificado constitui o crente num filho. O crente é vivificado por meio da sepultura de Cristo; como lemos, "...quando vós estáveis mortos nos pecados e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas (Cl 2:13).

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