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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Jerusalém e Samaria Unidas pelo Evangelho

(Comentário Atos 8)

O amargo ciúme que existia entre judeus e samaritanos tinha sido, por muito tempo, proverbial; tanto que lemos: "os judeus não se comunicam com os samaritanos". Mas agora, em conexão com o Evangelho da paz, essa raiz de amargura desaparece. No entanto, na sabedoria dos caminhos de Deus, os samaritanos devem esperar pela mais elevada bênção do Evangelho até que os crentes judeus - os apóstolos da igreja em Jerusalém - impusessem suas mãos sobre eles, e oferecessem orações por eles. Nada pode ser mais profundamente interessante do que esse fato, quando tomamos em consideração a rivalidade religiosa que tinha sido, por tanto tempo, manifesta por ambos. Se Samaria não tivesse recebido essa lição oportuna de humildade, ela poderia ter sido descartada, mais uma vez, por manter sua orgulhosa independência de Jerusalém. Mas o Senhor não teria deixado assim. Os samaritanos tinham crido, se regozijado, e foram batizados, mas ainda não tinham recebido o Espírito Santo. "Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João. Os quais, tendo descido, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo (porque sobre nenhum deles tinha ainda descido; mas somente eram batizados em nome do Senhor Jesus). Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo." (Atos 8:14-17)

Identificação é a grande ideia da imposição de mãos, e unidade é a consequência do dom/dádiva do Espírito Santo. Esses são fatos importantes em conexão com o progresso da igreja. Samaria é, então, trazida à feliz associação com seu antigo rival, e feita uma só com a igreja em Jerusalém. Não há, na mente de Deus, pensamentos sobre uma assembleia ser independente da outra. Se elas tivessem sido abençoadas separada e independentemente, sua rivalidade poderia se tornar maior que nunca. Mas não deveria mais ser assim: "Nem neste monte nem em Jerusalém" (João 4:21), mas uma só Cabeça no Céu, um só corpo na Terra, um só Espírito, uma só família redimida adorando a Deus em espírito e em verdade, porque o Pai procura os que assim O adoram*.

{* Veja Lecture 6 de Atos 2, 8, 10, 19. Lectures on the New Testament Doctrine of the Holy Spirit, por W. Kelly. }

Para saber mais sobre a origem da mistura de povos e sobre a adoração de Samaria, leia 2 Reis 17. Eles eram apenas "metade" judeus, apesar de se gabarem por sua relação com Jacó. Eles consideravam os cinco livros de Moisés sagrados, mas subestimavam o restante da Bíblia. Eles eram circuncidados, guardavam a lei de maneira não muito fiel, e esperavam a vinda de um Messias. A visita pessoal do bendito Senhor a Samaria é do mais profundo e tocante interesse (João 4). Da fonte na qual Ele descansou diz-se que "ficava em um vale entre as duas famosas montanhas Ebal e Gerizim, onde foi lida a lei. Sobre este último estava o templo rival dos samaritanos, que por tanto tempo afligiu os judeus mais zelosos por sua ousada oposição ao único santuário escolhido, no Monte Moriá."

A. Miller. Fonte: http://a-historia-da-igreja.blogspot.com.br/2014/08/jerusalem-e-samaria-unidas-pelo.html

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Um Rei que não Conhecia a Deus


"Depois, levantou-se um novo rei sobre o Egito, que não conhecera a José, o qual disse ao seu povo: Eis que o povo dos filhos de Israel é muito e mais poderoso do que nós. Eia, usemos sabiamente para com ele, para que não se multiplique, e aconteça que, vindo guerra, ele também se ajunte com os nossos inimigos, e peleje contra nós, e suba da terra" (versículos 8-10). Vemos aqui o raciocínio de um coração que nunca aprendera a contar com Deus nos seus cálculos. O coração não-regenerado nunca o pode fazer, e por isso, quando Deus se revela, todos os seus argumentos caem por terra. Fora de Deus, ou independentemente d'Ele, podem parecer muito prudentes, mas logo que Deus aparece em cena, vê-se que são perfeita loucura. 

Mas porque havemos nós de permitir que as nossas mentes sejam, de qualquer modo, influenciadas por argumentos e cálculos que dependem, para a sua verdade aparente, da exclusão total de Deus? No caso de Faraó verificamos que ele podia julgar corretamente as várias eventualidades dos negócios do seu reino: a multiplicação do povo, as possibilidades de guerra e de os israelitas fazerem causa comum com o inimigo e abandonarem o país. Ele podia pesar todas estas circunstâncias na balança com invulgar sagacidade; mas nunca lhe ocorreu que Deus pudesse ter alguma coisa a ver com o assunto. Este simples pensamento, se alguma vez tivesse ocorrido a Faraó, bastaria para lançar a confusão em todos os seus planos classificando-os como loucura.

Ora é conveniente refletirmos que sucede sempre assim com o raciocínio da mente céptica do homem. Deus é inteiramente excluído; sim, a sua pretendida verdade e solidez dependem dessa exclusão. O aparecimento de Deus em cena dá o golpe mortal em todo o cepticismo e infidelidade. Até ao momento em que o Senhor aparece, podem pavonear-se no palco com maravilhosa demonstração de sabedoria e destreza; porém, assim que o olhar distingue o mais fraco vislumbre do bendito Senhor, são despojados do manto da sua ostentação e revelados em toda a sua nudez e deformidade. 

Com referência ao rei do Egito, pode dizer-se, com segurança, que errou grandemente, não conhecendo a Deus nem os Seus desígnios imutáveis. Faraó ignorava que, muitos séculos antes, ainda ele estava longe de respirar o fôlego desta vida mortal, a palavra e o juramento de Deus—"duas coisas imutáveis"—haviam assegurado infalivelmente a libertação completa e gloriosa daquele mesmo povo que ele, na sua sabedoria, propunha esmagar. Tudo isto ele desconhecia; e, portanto, todos os seus pensamentos e todos os seus planos baseavam-se sobre a ignorância dessa grande verdade, fundamento de todas as verdades, que é DEUS,. Imaginava, loucamente, que, com a sua sabedoria e poder, poderia impedir o crescimento daqueles acerca dos quais Deus havia dito: "serão como as estrelas dos céus e como a areia que está na praia do mar" (Gn 22:17). Portanto, o seu procedimento não passava de loucura e insensatez.

O pior erro que alguém pode cometer é agir sem contar com Deus. Mais cedo ou mais tarde o pensamento de Deus impor-se-á ao seu espírito e então dá-se a destruição terrível de todos os seus planos e cálculos. Quando muito, tudo quanto é empreendido sem contar com Deus só pode durar o tempo presente. Mas não pode de modo algum alongar-se para a eternidade. Tudo quanto é apenas humano, por muito sólido, brilhante e atraente que possa ser, está destinado a cair nas garras da morte e a abolorecer no silêncio do túmulo. A leiva do vale há-de cobrir as maiores honras e as glórias mais brilhantes do homem (Jó 21:33); a mortalidade está esculpida na sua fronte, e todos os seus projetos são evanescentes.

Pelo contrário, tudo aquilo que está ligado e fundado em Deus permanecerá para sempre. "O seu nome permanecerá eternamente; o seu nome se irá propagando de pais a filhos" (Sl 72:17).

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Deus Luta com Jacó

(Comentário Gênesis 32)

"Jacó porém ficou só; e lutou com ele um varão." Notemos que não foi Jacó quem lutou com um varão; mas um varão que lutou com Jacó. Esta cena é vulgarmente mencionada como um exemplo do poder de Jacó na oração. Que não é assim é evidente pela simples redação da passagem. O eu lutar com um homem, e um homem lutar comigo são duas ideias totalmente diferentes para a mente. Se sou eu quem luta com outro é porque pretendo dele alguma coisa; se, pelo contrário, é outro que luta comigo é porque deseja conseguir alguma coisa de mim. Ora, no caso de Jacó, o objetivo divino era levá-lo a ver que criatura pobre, fraca, inútil, ele era, e quando Jacó resistiu tenazmente ao tratamento divino, o varão "tocou a juntura de sua coxa; e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, lutando com ele". A sentença de morte tem que ser lavrada sobre a carne — o poder da cruz tem que ser compreendido antes de podermos andar firmemente com Deus.
Até aqui temos seguido Jacó por entre todos os meandros e expedientes do seu extraordinário caráter — vimo-lo fazendo planos e pondo-os em prática durante a sua estadia de vinte anos com Labão; mas não foi antes de ter ficado só que teve uma verdadeira ideia da sua inutilidade. Então, havendo sido tocado o centro da sua força, ele pôde dizer, "não te deixarei ir". Como disse o poeta:

"Nenhum outro refúgio tenho;
Minha alma desamparada apega-se a Ti."

Isto foi uma nova era na história do suplantador e engenhoso Jacó. Até aqui ele havia-se agarrado aos seus meios e caminhos; mas agora é levado a dizer "não te deixarei ir". Bom, o leitor dirá que Jacó não se exprimiu assim até que "a juntura da sua coxa foi tocada". Este simples fato é suficiente para concretizar a verdadeira interpretação de toda a cena. Deus lutava com Jacó para o levar a este ponto. Já vimos que, quanto ao poder de Jacó na oração, tão depressa pronunciava algumas palavras a Deus mostrava logo o verdadeiro segredo da independência da sua alma, dizendo: "Eu o aplacarei (a Esaú) com o presente." Teria dito isto se tivesse realmente compreendido o significado do oração ou da verdadeira dependência em Deus? Certamente que não. Se tivesse esperado só em Deus, para aplacar Esaú, poderia ter dito: "eu o aplacarei com o presente?" Decerto que não! É preciso que Deus e a criatura conservem o seu lugar distinto, e sempre assim será com toda a alma que conhece a santa realidade de uma vida de fé.

Mas, oh! aqui está onde nós falhamos, se podemos falar uns pelos outros! Sob a fórmula plausível e aparentemente piedosa de usarmos meios, nós realmente encobrimos a infidelidade dos nossos pobres corações enganosos; pensamos que estamos esperando em Deus para abençoar os nossos meios, ao passo que, na realidade, O afastamos confiando nos meios, em vez de dependermos d'Ele, Oh! que os nossos corações possam compreender o mal deste procedimento! Possamos nós aprender a confiar mais simplesmente em Deus somente, para que assim a nossa história possa ser mais caracterizada por aquela santa elevação acima das circunstâncias através das quais estamos passando. Não é uma coisa fácil chegar a conhecer-se a nulidade da criatura até ao ponto de poder dizer-se: "não te deixarei ir se me não abençoares". Dizer isto do coração e permanecer no seu poder é o segredo de todo o verdadeiro poder. Jacó disse-o quando a juntura da sua coxa foi tocada; mas não antes. Lutou muito, até ceder, porque a sua confiança na carne era grande. Porém, Deus pode deprimir até ao pó o caráter mais ativo. Ele sabe como tocar a mola do poder da natureza, e escrever a sentença de morte inteiramente sobre ela; e até que isto não for feito não pode haver verdadeiro poder com Deus ou o homem. Temos de ser "fracos" para podermos ser "fortes". "O poder de Cristo" só pode "repousar sobre nós" em ligação com o conhecimento das nossas fraquezas. Cristo não pode pôr o selo da Sua aprovação sobre o poder da natureza, a sua sabedoria ou a sua glória: todas estas coisas têm de submergir-se para que Ele possa levantar-Se. A natureza humana nunca poderá constituir, de modo nenhum, uma base para manifestar a graça ou o poder de Cristo; pois se pudesse sê-lo então a carne podia gloriar-se na Sua presença; mas isto, como sabemos, nunca poderá ser. 

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