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sábado, 16 de abril de 2016

Os Triunfos do Evangelho em Samaria

(Comentário Atos 8)

Filipe, o diácono, evidentemente próximo a Estêvão em zelo e energia, desce à Samaria. O Espírito Santo opera por meio dele. Na sabedoria dos caminhos do Senhor, a desprezada Samaria é o primeiro lugar, fora da Judeia, onde o Evangelho foi pregado por Suas testemunhas escolhidas. "E, descendo Filipe à cidade de Samaria lhes pregava a Cristo. E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia. E havia grande alegria naquela cidade." (Atos 8:5-6,8). Muitos creram e foram batizados, tanto homens quanto mulheres. Até mesmo Simão Mago, o feiticeiro, experimentou a presença de um poder muito acima do seu próprio, e se curvou à força e corrente da obra do Espírito nos outros, embora a verdade não houvesse penetrado em seu próprio coração e consciência. Mas, como agora já viajamos a essa outra parte do país, este pode ser o momento apropriado para dizermos algumas palavras sobre sua história.

A Terra Santa, uma nação interessante, que se destaca entre as outras nações da Terra, tanto moral quanto historicamente, é em tamanho muito pequena. "É como um pedaço de um país, de tamanho próximo ao do País de Gales, com menos de 225 quilômetros de comprimento, e quase 64 quilômetros, em média, de largura"*. A parte norte é a Galileia; o centro, Samaria; o sul, a Judeia. Mas embora fisicamente tão pequena, ela foi o teatro dos acontecimentos mais importantes na história do mundo. Lá, o Salvador nasceu, viveu e foi crucificado - e lá Ele foi sepultado e ressuscitado. E lá, também, Seus apóstolos e mártires viveram, testificaram e sofreram. E lá o evangelho foi pregado pela primeira vez, e lá a primeira igreja foi plantada.

{*Dicionário Bíblico de Smith}

A terra ocupada por Israel se encontra entre os antigos impérios da Assíria e do Egito. Daí a frequente referência no Antigo Testamento ao "rei do Norte" e ao "rei do Sul". Devido a essa posição, Israel foi muitas vezes o campo de batalha desses dois poderosos impérios, e sabemos que ainda será o cenário de seu último e mortal conflito (Daniel 11). Os homens têm sido tão supersticiosos sobre a Terra Santa que ela tem sido objeto de ambição nacional, e quase sempre motivo de guerras religiosas desde os dias dos apóstolos. Quem poderia estimar quanto sangue foi derramado, e o tesouro que foi desperdiçado por essas planícies sagradas? - e tudo, podemos acrescentar, sob o nome do zelo religioso, ou melhor, sob as bandeiras da cruz e da lua crescente. Para ali os peregrinos de todas as eras têm viajado para que pudessem adorar no "santo sepulcro" e cumprir seus votos. Também tem sido a grande atração para viajantes de todo tipo e de todas as nações, e o grande empório de "relíquias milagrosas". O cristão, o historiador e o antiquário têm procurado diligentemente e feito conhecidas suas descobertas. Desde os dias de Abraão, esse tem sido o lugar mais interessante e atraente da face da Terra. E para o estudante da profecia, sua história futura é ainda mais interessante que seu passado. Ele sabe que o dia se aproxima, quando toda aquela terra será povoada pelas doze tribos de Israel, e cheia da glória e majestade de seu Messias. Então eles serão conhecidos como o povo metropolitano da Terra. Retornemos, agora, a Samaria, com sua nova vida e alegria.

Os samaritanos, por meio da bênção de Deus, prontamente creram no Evangelho pregado por Filipe. O efeito da verdade, recebida com simplicidade, foi imediato e do mais bendito caráter. "Havia grande alegria naquela cidade", e muitos foram batizados. Tais devem ser sempre os efeitos do Evangelho, quando crido, a menos que haja algum obstáculo com relação a nós mesmos. Onde há genuína simplicidade de fé, deve haver paz e alegria genuínas, e uma feliz obediência. O poder do Evangelho sobre um povo que tinha, durante séculos, resistido às reivindicações do judaísmo, foi então demonstrado. O que a lei não podia fazer a este respeito, o Evangelho realizou. "Samaria foi uma 'conquista'", disse alguém, "que toda a energia do judaísmo não tinha sido capaz de fazer. Foi um novo e esplêndido triunfo do Evangelho. O domínio espiritual do mundo pertencia à igreja."

A. Miller. Fonte: http://a-historia-da-igreja.blogspot.com.br/2014/07/os-triunfos-do-evangelho-em-samaria.html

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Princípios Fundamentais Sobre os Quais a Igreja é Edificada (Parte 2)

(Comentário Atos 2)

A Comunhão dos Apóstolos


Volte para Atos 2.42, "E perseveravam... na comunhão [dos apóstolos]". Não apenas na doutrina dos apóstolos, mas também na comunhão dos apóstolos. Existem hoje muitas comunhões neste mundo, mas aqui se trata da comunhão dos apóstolos. De que se trata? Trata-se da comunhão que resulta da associação daqueles que guardam a doutrina dos apóstolos. Em outras palavras, se estiver determinado a observar a doutrina dos apóstolos, você fará isto, e se eu também fizer o mesmo, nos encontraremos juntos. Será algo fundamentado e baseado na doutrina dos apóstolos. Vemos isto acontecendo aqui no versículo 44 deste capítulo: "E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum." Não existe nenhum caminho assinalado nas Escrituras para alguém andar sozinho nas coisas de Deus. Não, e não pense que você está agradando o Senhor quando está andando separado de seus irmãos. Sei que são falhos. Eu sou um deles, e sei que sou uma prova para meus irmãos, mas oh, meus irmãos têm sido tão bons para comigo que busco por graça para seguir adiante com eles.

Partir o Pão


Existe agora um outro ponto: comunhão e partir o pão. Alguns cristãos parecem sentir que existem dois tipos de cristãos no mundo: aqueles que partem o pão e aqueles que não partem o pão. Nunca encontrei tal coisa em minha Bíblia. A não ser quando nos encontramos sob disciplina, partimos o pão. Evidentemente não esperamos que aqueles que se encontram sob disciplina partam o pão. Mas não encontro nas Escrituras que exista uma classe de pessoas que partem o pão, enquanto outras não. Não há tal coisa, mas o normal é que parta o pão, se for um filho de Deus. Este era um dos privilégios da nova posição que tinham como cristãos: este sagrado privilégio que é partir o pão. O Senhor pediu que fizessem isto e eles alegremente atenderam ao pedido. Sei que estamos vivendo dias de enorme confusão, e é difícil você encontrar que caminho trilhar. Estou pronto a admitir isto, mas não se trata de uma desculpa para você seguir adiante sem partir o pão. Você é cristão? Você sabe que seus pecados estão perdoados? Ora, então por que é que você não está lembrando o Senhor no partimento do pão? Trata-se de algo solene. Ele nos pediu que fizéssemos isto. Ele não disse: "Se você quiser, faça assim", ou "se você concordar..." Ele disse "fazei isto". Não disse "vá pregar o evangelho"; não disse "vá ser missionário em outro país", mas "fazei isto em memória de Mim".

Eles perseveravam no partimento do pão; não desistiram. Alguns de nós conhecem crentes que partiram o pão por algum tempo e então pararam de lembrar o Senhor. Quando indagados da razão de terem parado, responderam que ficaram ofendidos por uma razão qualquer. Mas nunca encontrei alguém que tivesse sido ofendido pelo Senhor Jesus Cristo, e todavia foi Ele Quem disse, "Fazei isto em memória de Mim". Por que não podemos ser mais pacientes uns para com os outros? Será que você acha que você particularmente nunca é uma provação para seus irmãos? Será que você não pode encontrar graça suficiente para seguir andando com eles? Você acha que pode se dar por desculpado ao não cumprir o pedido do Senhor só porque alguém feriu seus sentimentos?

Oração


A última coisa que mencionei foi "oração". Ela ocupa um grande lugar nas Escrituras. O Senhor Jesus nos deixou exemplo; Ele era um homem de oração. Quando olhamos para a vida dos apóstolos vemos que também eram homens de oração. Quando Pedro estava na prisão e sua cabeça estava para ser decepada no dia seguinte, os santos de Deus estavam na casa da mãe de João Marcos, de joelhos, para passarem a noite em oração. Não estavam simplesmente repetindo rezas; eles estavam orando fervorosamente. Aquelas orações penetraram na presença de Deus; elas subiram até o trono de Deus, e Deus as ouviu e respondeu de maneira poderosa. Pedro foi gloriosamente libertado. Mas assim que foi libertado e pôde entender o que havia acontecido, seguiu direto para aquele poderoso gerador de sua libertação – aquela pequena reunião de oração em um lar.

Suponha que você estivesse vivendo naquele tempo e soubesse que Pedro estava sendo perseguido e que seria morto. Será que você diria, "Estou cansado hoje; acho que vou ficar em casa hoje à noite. Acho que não vou à reunião de oração"? Então no dia seguinte você escutaria o que aconteceu. Certamente ficaria desapontado; você diria, "Eu gostaria de ter estado ali e orado a Deus por Pedro". Oh, sim, você teria desejado estar naquela reunião de oração. Não despreze a reunião de oração e não a tenha como algo de pouca importância; uma assembléia sem reunião de oração é uma assembléia doente. Graças a Deus hoje é dia de reunião de oração!

Estivemos ocupados com o caminho simples dos santos do Novo Testamento. Será que desejamos, no pouco tempo que nos resta, andar na simplicidade daquele caminho, deixando zelosamente de lado tudo o que seja contrário a ele, que nos faça desviar dele, ou que acrescente alguma coisa a ele? Se estivermos desejosos de seguir por ele, algum dia poderemos ouvir, "Bem está, servo bom e fiel"; não "servo bom e bem sucedido", mas "servo bom e fiel". Que Deus conceda que seja assim.

sábado, 13 de julho de 2013

Instruções Finais

(Comentário Romanos 16)

TEMOS agora as observações finais e as saudações. O Senhor não deixaria a devota Febe esquecida. Ela era uma diaconisa, ou serva, na igreja em Cencréia. "Para que a recebais no Senhor, como convém aos santos, e a ajudeis em qualquer coisa que de vós necessitar; porque tem hospedado a muitos, como também a mim mesmo." (Rm 16.2) Estes versículos derramam muita luz sobre o verdadeiro caráter dos diáconos, que eram nomeados pelos apóstolos antes que a triste ruína tivesse tomado conta da igreja. Não há aqui nem mesmo uma sombra da ideia clerical moderna. "Hospedado a muitos." Fica evidente que sua atuação era nas coisas temporais. Ela deveria ser recebida no Senhor, naquela comunhão. E que maravilhoso amor e cuidado vemos aqui. Ela deveria ser auxiliada em tudo o que fosse necessário em Roma. Nisto alguém poderia dizer: Vejam como esses cristão amam uns aos outros.

Nesta ocasião encontramos também Priscila e Áquila em Roma, e sua devoção é também assinalada. Naquele tempo não havia uma "basílica de São Pedro", mas "a igreja que está em sua casa". (Rm 16.5) E, até o versículo 16, vemos vários grupos de santos, que parecem pertencer a diferentes casas, formando todos a única assembléia de Deus* em Roma. (Veja os versículos 14 e 15.) "E aos irmãos que estão com eles"; ou, "a todos os santos que com eles estão". (Rm 16.14,15) Portanto, existiam aqueles que assumiam uma supervisão dessas várias companhias de irmãos, ou santos. Os tais foram chamados de anciãos, ou bispos, em outras epístolas mais antigas. Mas por que não há aqui nenhuma referência a um bispo de Roma? Simplesmente porque não existia uma tal pessoa. E não é notável que não exista nesta epístola nenhuma palavra que possa ser usada para autorizar o episcopado de Roma? Quão surpreendente é a maneira como isto demonstra a sabedoria e o pré-conhecimento que Deus tinha das coisas que iriam acontecer ali!

[*] O autor, que viveu no século 19, usa as expressões "assembléia de Deus" e "igreja de Deus" no seu sentido bíblico, o que inclui todos os salvos. Quando este livro foi escrito, ainda não existiam as organizações religiosas que arvoram os títulos de "Assembléia de Deus" ou "Igreja de Deus". (N. do T.)

Compare agora a Roma daqueles dias com a que existe hoje, e veja o contraste. Se voltássemos àquela igreja que estava em Roma, conforme a vemos nas saudações, o que iríamos encontrar? Nada de papa, ou bispo de Roma, nem cardeais, nem clero, monges ou freiras; nem mesmo um só padre celebrando missa; nem grandes edifícios chamados de igrejas. Encontraríamos, isto sim, diferentes reuniões de santos por chamado, conhecendo que seus pecados haviam sido perdoados; justificados de todas as coisas; tendo paz com Deus; estando capacitados a admoestar uns aos outros. Todas essas assembléias, em casas ou diferentes lugares, estavam sob os cuidados do Espírito Santo, e irmãos que trabalham são reconhecidos em cada uma delas -- sendo todos membros do um só corpo de Cristo. Somos levados a reconhecer que não existe nenhuma semelhança entre a igreja em Roma no ano 60, e a Igreja de Roma dos dias atuais. Roma é claramente um desvio da verdadeira igreja de Deus.

Não é notável que a única pessoa citada como tendo um ofício -- se assim considerarmos a diaconisa -- é uma mulher? E para que as pessoas saudadas não fossem depois consideradas, ou mencionadas, como sacerdotes, ou episcopoi, há, entre os nomes, mulheres que são citadas. Quão belo era quando os irmãos estavam assim juntos na unidade do Espírito, e havia alguns irmãos e irmãs que muito trabalhavam no Senhor -- como a "amada Pérsida". (Rm 16.12) Querido jovem crente, acaso existiria alguma razão pela qual não deveríamos nos contentar, nos dias de hoje, com uma igual simplicidade?

"E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem (ou formam) dissensões (ou divisões) e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles." (Rm 16.17) Há duas coisas que devemos notar cuidadosamente. A divisão é, em si mesma, um mal -- é fortemente condenada em outras passagens. (Veja 1 Coríntios, capítulos 1 e 3.) Aprendemos também que, se alguém estivesse praticando algum mal, ao causar ou formar divisões, contrariamente à doutrina que haviam recebido, os outros deveriam evitá-los; isto é, deveriam separar-se dos tais. Mas será que os crentes que se separam e evitam aqueles que formam divisões não estarão também formando uma seita, ou divisão? Não; a obediência à Palavra não é divisão. E vou mais além: aqueles que causam divisões devem sempre ficar cientes do espírito no qual estão agindo. "Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre." (Rm 16.18) Nunca erraremos, se Cristo for nosso único objetivo. Que feliz, portanto, quando pode ser dito que, "quanto à vossa obediência, ela é conhecida de todos. Comprazo-me pois em vós; e quero que sejais sábios no bem, mas símplices no mal." (Rm 16.19) Trata-se de algo mortífero para a vida espiritual ficar ocupado com o mal.

"E o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés." (Rm 16.20) Isto é certo: seja perseguindo ou seduzindo, isso só durará por um pouco de tempo. Ele continua sendo o acusador, mas muito em breve será esmagado. Enquanto isso, "A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo seja convosco. Amém." (Rm 16.20) Isto é repetido também nos versículos 20 e 24. Sim, a graça, o claro favor, o imutável amor, livre e soberano, "seja convosco". Segue-se, então, a saudação de outros. Mas até Timóteo é chamado aqui de "cooperador". (Rm 16.21) Que genuína humildade e amor fraternal!

Da mesma forma como Paulo encomendou os anciãos de Éfeso, em Atos 20, aqui ele diz (nos versículos 25-27) que Deus é capaz de confirmar todos os crentes em conformidade com aquilo que Paulo chama de "meu evangelho", minhas boas novas. As boas novas comissionadas a Paulo têm um amplo espectro. O fundamento sólido daquelas boas novas já pudemos ver desdobrados nesta epístola -- a justiça de Deus revelada em justificar o ímpio -- tanto no que se refere aos pecados, até o capítulo 5.11, como também ao pecado, do capítulo 12 ao 18.4. Ela contém também as boas novas de libertação do pecado e da lei; paz com Deus; nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus, seja com respeito aos pecados ou ao pecado; e nenhuma separação possível do amor de Deus que há em Cristo Jesus.

Há aqui também uma breve referência a uma revelação que vai ainda mais além, a do mistério que foi mantido em segredo desde o começo do mundo. Este mistério é explicado na sua plenitude em Efésios 3. Não foi feito manifesto nas Escrituras dos tempos do Antigo Testamento. E como poderia, já que era mantido então como um profundo segredo? Todavia foi revelado pelas Escrituras proféticas, isto é, aquelas do Novo Testamento. De qualquer modo, é notável com que rapidez esse mistério celestial foi perdido, e a cristandade voltou a um judaísmo terreno. Não apenas colocou-se sob a lei em busca de justiça, mas também estabeleceu um governo mundano na igreja, numa imitação do judaísmo, de maneira que muito cedo qualquer característica da igreja, conforme é vista nas Escrituras, acabou ficando perdida por muitos séculos. Assim é o homem. Ele sempre agiu tolamente; toda a sua sabedoria não passa de pura tolice.

As palavras finais da epístola nos dirigem, não ao homem ou àquela que se chama a si própria de igreja, mas "ao único Deus, sábio, seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém." (Rm 16.27) Não importa o quanto o homem tenha falhado; não importa o quanto a igreja possa falhar como um testemunho de Deus sobre a Terra; Deus será eternamente glorificado, por Jesus Cristo nosso Senhor. Amém.

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