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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

No Deserto

(Comentário Êxodo 3)

"E apascentava Moisés o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote em Midiã; e levou o rebanho atrás do deserto e veio ao monte de Deus, a Horebe" (versículo 1). Aqui temos, pois, uma mudança admirável na vida de Moisés. Lemos em Gênesis, capítulo 46:34, que "todo o pastor de ovelhas é abominação para os egípcios" e no entanto, Moisés, que era "instruído em toda a ciência dos egípcios", é transferido da corte do Egito para trás do deserto para apascentar um rebanho de ovelhas e preparar-se para o serviço de Deus. Seguramente isto não "é o costume dos homens" (2 Sm 7:19) nem o curso natural das coisas: é um caminho incompreensível para a carne e o sangue. Nós havíamos de pensar que a educação de Moisés estava terminada logo que se tornou mestre de toda a sabedoria do Egito, gozando ao mesmo tempo das vantagens que oferece a este respeito a vida de uma corte. Poderíamos supor que um homem tão privilegiado havia de ter não apenas uma instrução sólida e extensa mas também uma distinção tal em suas ações que o tornariam apto para cumprir toda a espécie de serviço. Porém, ver um tal homem, tão bem dotado e instruído, ser chamado a abandonar a sua elevada posição para ir apascentar ovelhas atrás do deserto, e qualquer coisa incompreensível para o homem, qualquer coisa que humilha até ao pó o seu orgulho e a sua glória, mostrando que as vantagens humanas são de pouco valor diante de Deus; mais ainda, que são "como esterco", não somente aos olhos do Senhor, mas aos olhos de todos aqueles que têm sido ensinados na Sua escola (Fp. 3:8).

Existe uma diferença enorme entre o ensino humano e o divino. Aquele tem por fim cultivar e exaltar a natureza; este começa por a "secar" e a pôr de lado. "Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente" (1 Co 2:14). Podeis esforçar-vos por educar o homem natural tanto quanto puderdes, sem que jamais consigais fazer dele um homem espiritual. "O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito" (Jo 3:6). Se alguma vez um "homem natural" educado pôde esperar ter êxito no serviço de Deus, esse tal foi Moisés: ele era "instruído... e poderoso em suas palavras e obras" (At 7:22); e todavia teve que aprender alguma coisa "atrás do deserto" que as escolas do Egito nunca lhe haviam ensinado. Paulo aprendeu muito mais na Arábia do que jamais havia aprendido aos pés de Gamaliel (¹). Ninguém pode ensinar como Deus; e é necessário que todos aqueles que querem aprender d'Ele estejam a sós com Ele. Foi no deserto que Moisés aprendeu as lições mais preciosas, mais profundas, mais poderosas e mais duráveis; e é ali que devem encontrar-se todos os que queiram ser formados para o ministério.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Deveres e Discernimento


(Comentário Romanos 13)

CONTINUA a senda do homem celestial sobre a Terra. Qual deve ser a sua conduta em relação ao governo deste mundo? Ele deve sujeitar-se. Deve reconhecer os poderes governamentais que são, como tendo sido escolhidos por Deus. Ele deve ficar longe da ilegalidade e da insubordinação. "E os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação." (Rm 13.2) O cristão deve ser, dentre todos os homens, o mais leal, até mesmo por uma questão de consciência. "Portanto dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo: a quem imposto, imposto: a quem temor, temor: a quem honra, honra." (Rm 13.7)

Deve ser observado que aqui não há nenhum preceito de que devêssemos tomar parte ou lugar na política deste mundo, mas tão somente estarmos sujeitos. A igreja, ou o cristão, é sempre visto como não sendo do mundo, mas, enquanto nele, deve permanecer em sujeição. Não importa o tipo de governo, a senda do cristão é de sujeição; e, querido jovem crente, Deus é mais sábio do que nós.

"A ninguém devais coisa alguma." (Rm 13.8) Estas poucas palavras são bem fáceis de se compreender. Não somente os débitos, mas todas as contas devem ser pagas no seu devido tempo. Para poder agir assim, o cristão deveria sempre procurar viver um padrão de vida inferior à sua renda, e comprar dentro de suas possibilidades. Isto pode exigir muita diligência e renúncia própria, mas quanta miséria pode evitar. Estas palavras, portanto, são importantes quando aplicadas ao quanto se ganha e ao que se gasta. Além disso, qualquer que seja a medida de bondade que nos for demonstrada, procuremos devolvê-la com generosos juros. "A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros." (Rm 13.8) Ah, esta é uma dívida que nunca conseguimos pagar totalmente, pois trata-se de amarmos uns aos outros como Ele nos amou.

O amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Romanos 5.5). Agora, neste exercício, este amor flui a outros -- o amor de Deus em nossos corações pelo Espírito -- e o resultado é que "quem ama aos outros cumpriu a lei". (Rm 13.8) Deste modo os mandamentos que dizem respeito ao nosso próximo estão todos cumpridos. "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo." (Rm 13.9) Isto é feito pelo duplo poder do amor de Deus, já derramado em nossos corações, e pelo Espírito que nos foi dado. Não se trata de colocar o cristão sob a lei novamente, e dizer a ele que, se guardar a lei, Deus o amará e lhe dará o Espírito Santo. Tampouco isso é dizer a ele que ore pedindo pelo Espírito, para que possa guardar a lei. É o oposto de tudo isso. O amor de Deus e o Espírito, isso tudo o cristão já tem, e o amor não faz mal ao próximo. Portanto, o amor é o cumprimento da lei. Quão bela é a ordem de Deus, e o efeito nunca é colocado antes da causa.

Mais uma vez, nos versículos 11 ao 13, deve existir inteligência, como "conhecendo o tempo" etc. Mas se os cristãos não conhecem o tempo, porém supõem exatamente o contrário, ou seja, que o mundo está para ser convertido, ou em vias de melhorar, ou que a noite não é passada, ou até mesmo que não haja noite nenhuma, mas que estejamos vivendo o grande dia do desenvolvimento e aperfeiçoamento humano -- se estiverem assim tão obscurecido e equivocados, como poderão conhecer a perfeita vontade de Deus quanto ao andar, ou à santa separação de um mundo amaldiçoado para juízo? Acaso, num estado como esse, não seria impossível conhecer a perfeita vontade de Deus?

Que palavra oportuna! "Conhecendo o tempo, que é já hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do quando aceitamos a fé. A noite é passada, e o dia é chegado." (Rm 13.11,12) Que motivação para a santidade! Tenha cuidado com toda santidade fingida que não possua este discernimento e motivação. O quê? O Senhor está à porta, e nós, cristãos, dormimos? Pensemos no gozo que teremos, estando para sempre com o Senhor -- quão perto está agora a nossa salvação -- ou o dia da ira e juízo sobre este mundo que O rejeitou. "Rejeitemos pois as obras das trevas, e vistamo-nos das armas da luz." (Rm 13.12) Se o mundo está precipitado na desonestidade desta noite escura, "andemos honestamente, como de dia". (Rm 13.13) Que mudança haveria na conduta, até dos cristãos, se estivéssemos prontos a despertar, para aguardarmos o Senhor, dia após dia.

Será que você gostaria de ser encontrado por Ele andando em "glutonarias" e "bebedeiras"; em "desonestidades" e "dissoluções"; ou em "contendas" e "inveja"? Com certeza que não. "Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências." (Rm 13.14) Oh, possamos nós despertar do sono e, aguardando pelo Senhor, nos revestirmos dEle. O mundo não irá escutar o evangelho -- eles não irão ler Cristo na Palavra. Possam eles, então, ver Cristo em nós, e em tudo o que fizermos -- epístolas vivas, lidas e conhecidas de todos os homens.

Eles nos olharão; eles nos observarão de perto. Eles não sabem o quanto Satanás quer nos fazer tropeçar. Não conhecem as tentações e as aflições do crente, e o quão propensos somos a falhar, se não houver uma constante dependência do poder de Deus. Mas que o mundo nunca nos encontre fazendo provisão para a carne a fim de satisfazer suas concupiscências. Que o Senhor abençoe estes preciosos preceitos, tanto para o escritor como para o leitor. A noite é passada, e o dia é chegado. Oh, quão cedo deveremos estar para sempre com o Senhor!

C. Stanley. Fonte: http://pt.scribd.com/doc/104720029/Vida-Atraves-Da-Morte

terça-feira, 14 de maio de 2013

Gênesis 36



O vitupério de Cristo está sempre ligado ao Seu Nome (Atos 9).

Vemos quão gentilmente Esaú agiu, e podemos pensar que tudo deve estar bem com um caráter assim. Comparado com a falta de amabilidade de Jacó, Esaú chega a brilhar - para nossos olhos naturais. Mas o que dizer de seu coração? Vemos Esaú fazendo um nome para si e para sua família. Ele estava ligado à terra, não tinha um coração para Betel ("casa de Deus") e seu altar. Leia o que Deus fala de Esaú em Hb 12:16. A palavra "profano" é usada para descrever uma área fora do tabernáculo que era separada de qualquer propósito sagrado. Para Esaú, não havia lugar sagrado. Tudo estava ligado à carne e nada a Deus. Uma pessoa pode ter uma boa educação, viver uma vida muito respeitável, ser considerado um bom Cristão em sua comunidade, ser um grande sucesso nos negócios, e ainda assim não ter um pensamento sequer acerca de Cristo.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Deus Luta com Jacó

(Comentário Gênesis 32)

"Jacó porém ficou só; e lutou com ele um varão." Notemos que não foi Jacó quem lutou com um varão; mas um varão que lutou com Jacó. Esta cena é vulgarmente mencionada como um exemplo do poder de Jacó na oração. Que não é assim é evidente pela simples redação da passagem. O eu lutar com um homem, e um homem lutar comigo são duas ideias totalmente diferentes para a mente. Se sou eu quem luta com outro é porque pretendo dele alguma coisa; se, pelo contrário, é outro que luta comigo é porque deseja conseguir alguma coisa de mim. Ora, no caso de Jacó, o objetivo divino era levá-lo a ver que criatura pobre, fraca, inútil, ele era, e quando Jacó resistiu tenazmente ao tratamento divino, o varão "tocou a juntura de sua coxa; e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, lutando com ele". A sentença de morte tem que ser lavrada sobre a carne — o poder da cruz tem que ser compreendido antes de podermos andar firmemente com Deus.
Até aqui temos seguido Jacó por entre todos os meandros e expedientes do seu extraordinário caráter — vimo-lo fazendo planos e pondo-os em prática durante a sua estadia de vinte anos com Labão; mas não foi antes de ter ficado só que teve uma verdadeira ideia da sua inutilidade. Então, havendo sido tocado o centro da sua força, ele pôde dizer, "não te deixarei ir". Como disse o poeta:

"Nenhum outro refúgio tenho;
Minha alma desamparada apega-se a Ti."

Isto foi uma nova era na história do suplantador e engenhoso Jacó. Até aqui ele havia-se agarrado aos seus meios e caminhos; mas agora é levado a dizer "não te deixarei ir". Bom, o leitor dirá que Jacó não se exprimiu assim até que "a juntura da sua coxa foi tocada". Este simples fato é suficiente para concretizar a verdadeira interpretação de toda a cena. Deus lutava com Jacó para o levar a este ponto. Já vimos que, quanto ao poder de Jacó na oração, tão depressa pronunciava algumas palavras a Deus mostrava logo o verdadeiro segredo da independência da sua alma, dizendo: "Eu o aplacarei (a Esaú) com o presente." Teria dito isto se tivesse realmente compreendido o significado do oração ou da verdadeira dependência em Deus? Certamente que não. Se tivesse esperado só em Deus, para aplacar Esaú, poderia ter dito: "eu o aplacarei com o presente?" Decerto que não! É preciso que Deus e a criatura conservem o seu lugar distinto, e sempre assim será com toda a alma que conhece a santa realidade de uma vida de fé.

Mas, oh! aqui está onde nós falhamos, se podemos falar uns pelos outros! Sob a fórmula plausível e aparentemente piedosa de usarmos meios, nós realmente encobrimos a infidelidade dos nossos pobres corações enganosos; pensamos que estamos esperando em Deus para abençoar os nossos meios, ao passo que, na realidade, O afastamos confiando nos meios, em vez de dependermos d'Ele, Oh! que os nossos corações possam compreender o mal deste procedimento! Possamos nós aprender a confiar mais simplesmente em Deus somente, para que assim a nossa história possa ser mais caracterizada por aquela santa elevação acima das circunstâncias através das quais estamos passando. Não é uma coisa fácil chegar a conhecer-se a nulidade da criatura até ao ponto de poder dizer-se: "não te deixarei ir se me não abençoares". Dizer isto do coração e permanecer no seu poder é o segredo de todo o verdadeiro poder. Jacó disse-o quando a juntura da sua coxa foi tocada; mas não antes. Lutou muito, até ceder, porque a sua confiança na carne era grande. Porém, Deus pode deprimir até ao pó o caráter mais ativo. Ele sabe como tocar a mola do poder da natureza, e escrever a sentença de morte inteiramente sobre ela; e até que isto não for feito não pode haver verdadeiro poder com Deus ou o homem. Temos de ser "fracos" para podermos ser "fortes". "O poder de Cristo" só pode "repousar sobre nós" em ligação com o conhecimento das nossas fraquezas. Cristo não pode pôr o selo da Sua aprovação sobre o poder da natureza, a sua sabedoria ou a sua glória: todas estas coisas têm de submergir-se para que Ele possa levantar-Se. A natureza humana nunca poderá constituir, de modo nenhum, uma base para manifestar a graça ou o poder de Cristo; pois se pudesse sê-lo então a carne podia gloriar-se na Sua presença; mas isto, como sabemos, nunca poderá ser. 

domingo, 17 de março de 2013

O Conhecimento do Deus da Graça

(Comentário Gênesis 29, 30 e 31)

Ora, é segundo o verdadeiro caráter de Jacó, de lugar em lugar da sua extraordinária história, que se obtém uma maravilhosa vista da graça divina. Ninguém senão Deus poderia suportar uma pessoa como Jacó assim como ninguém senão Deus teria tratado com uma pessoa assim. Graça começa pelo ponto mais baixo. Recebe o homem como ele é, e trata com ele no pleno conhecimento do que ele é. É de grande importância compreender este aspecto da graça no ponto de decisão de alguém; habilita-nos a levar, com firmeza de coração, as descobertas posteriores de vileza pessoal, que tão frequentemente abalam a confiança e perturbam a paz dos filhos de Deus.

Muitos não compreendem desde o princípio a ruína completa da sua natureza, tal qual se manifesta na presença de Deus, embora os seus corações hajam sido atraídos pela graça, e as suas consciências tranquilizadas, de algum modo, pela aplicação do sangue de Cristo. Por isso, à medida que vão avançando na sua carreira, começam a fazer descobertas mais profundas do mal em seus corações, e, sendo deficientes na sua compreensão da graça de Deus, e da eficácia e extensão do sacrifício de Cristo, levantam imediatamente a questão acerca de serem filhos de Deus. Deste modo são tirados a Cristo e atirados para cima de si próprios, e então ou se entregam às ordenações, de modo a manterem o seu tom de devoção, ou caem outra vez inteiramente no mundanismo e na carnalidade. Estas consequências são desastrosas, e o resultado de não se ter o coração estabelecido na graça.

É isto que torna o estudo da história de Jacó tão interessante e útil. Ninguém pode ler estes três capítulos sem ser despertado pela graça maravilhosa que pôde cuidar de um como Jacó, e não apenas cuidar dele, mas dizer, depois da descoberta plena de tudo que havia nele, que não "viu iniquidade em Israel, nem contemplou maldade em Jacó" (Nm 23:21). Deus não diz que não havia perversidade e iniquidade em Jacó. Uma tal afirmação não daria confiança ao coração — a própria coisa, sobre todas as coisas, que Deus quer dar. Nunca daria ânimo ao coração de um pobre pecador dizer-lhe que nele não havia pecado — porque, enfim, ele sabe muito bem que há —, porém, se Deus diz, com base no sacrifício perfeito de Cristo, que não vê pecado sobre si, isso dá, infalivelmente, paz ao seu coração e à consciência. Se Deus tivesse escolhido Esaú, não teríamos tido, de modo nenhum, uma tal demonstração da graça; é por esta razão, que ele não aparece perante nós na luz amável em que vemos Jacó. Quanto mais o homem se afunda, mais a graça de Deus se eleva. À medida que o meu débito aumenta, nos meus cálculos, de cinquenta para quinhentos talentos, do mesmo modo, a minha apreciação da graça, e a experiência do amor que, não tendo nós nada com que pagar, pôde liberalmente perdoar-nos tudo (Lc. 7:42), se elevam.

Bem podia o apóstolo dizer, "... bom é que o coração se fortifique com graça e não com manjares, que de nada aproveitaram aos que a eles se entregaram" (Hb 13:9).

C. H. Mackintosh. Fonte: http://www.scribd.com/doc/105168410/Notas-Sobre-o-Pentateuco-Genesis-C-H-Mackintosh

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Nosso Lugar Perante Deus (Parte 2 - Final)

Nenhuma Condenação

No capítulo seguinte ele ensina que "vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo" (Romanos 7:4), e isto, após discutir o efeito da aplicação da lei a alguém despertado pelo Espírito de Deus, abre o caminho para descortinar a presença constante do pecado na natureza e a total incompatibilidade entre a nova e a velha natureza (Romanos 7:13-25), o que nos leva a uma declaração completa da verdade com respeito ao crente. "Portanto", continua ele, "agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (Romanos 8.1), tão completa é a libertação, assim como o perdão, que temos em Cristo. 

"Vós, porém, não estais na carne, mas no espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós" (Romanos 8.9). Ele nos mostra, deste modo, que a posição do crente não é na carne, não no primeiro homem - Adão - mas o crente permanece diante de Deus em um lugar que é caracterizado como estando no Espírito. Isto é, o Espírito, e não a carne, caracteriza a existência do crente diante de Deus, pois na morte de Cristo a natureza má do crente também foi julgada; pois "Deus, enviando o Seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne" (Romanos 8.3). 

Se Deus é Por Nós, Quem Será Contra Nós?

Assim, após apontar mais essas benditas consequências de sermos habitados pelo Espírito, o apóstolo declara que "todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por Seu decreto. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho; a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos" (Romanos 8.28,29). Então ele pergunta: "Se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Romanos 8.31), ao que responde lembrando que Deus, ao entregar o Seu Filho à morte por nós, provou-nos que também nos dará livremente todas as coisas. Isso leva o apóstolo à triunfante conclusão de que nada pode servir de acusação contra os eleitos de Deus; que se o próprio Deus os justificou, nada poderá condená-los; que se Cristo morreu e ressuscitou, estando bem à direita de Deus para interceder por nós, nada "nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (leia Romanos 8.31-39).

Portanto seria um grave erro você parar no capítulo 5 de Romanos, se quisesse conhecer a plenitude da graça de Deus e o tremendo caráter da salvação que Ele concede; pois a menos que leiamos até o capítulo 8 de Romanos, nunca saberemos o que é verdadeiro para nós e a nosso respeito diante de Deus - a completa e perfeita libertação que cada crente tem em Cristo, mesmo que ignore isso. É também da maior importância que você possa notar que essas bênçãos que foram assinaladas não estão associadas a nossos esforços para consegui-las. Tudo o que mostrei é a porção que possui todo aquele que clama "Aba, Pai"; a porção que pertence a cada recém-nascido em Cristo, quer ele saiba ou não.

Nos Lugares Celestiais em Cristo

Há ainda muita coisa além disso, e se você der uma olhada em Efésios eu lhe mostrarei, em poucas palavras - pois não tenho intenção de prolongar esta carta - o pleno caráter do lugar que o crente ocupa diante de Deus. Olhe, em primeiro lugar, para as maravilhosas expressões do primeiro capítulo: "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, O qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; como também nos elegeu nEle antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dEle em caridade [amor]; e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para Si mesmo, segundo o beneplácito de Sua vontade, para louvor e glória da Sua graça, pela qual nos fez agradáveis a Si no Amado" (Efésios 1.3-6). Preste atenção em cada uma das sentenças que coloquei em realce e você verá como é perfeito o nosso lugar diante de Deus. Pois Ele nos abençoou com todas as bênçãos espirituais...; e Seu propósito era que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dEle em amor; e nos fez agradáveis a Si no Amado.

No capítulo seguinte (Efésios 2) temos a maneira como fomos introduzidos nos lugares celestiais. "Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo Seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com Ele e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus" (Efésios 2.4-6). Aqui somos considerados como havendo estado mortos em pecados; Cristo é visto nesta epístola aos Efésios como tendo descido àquela condição - morto - como de fato ocorreu, no lugar do pecador. Deus, sendo rico em misericórdia e agindo segundo o Seu próprio coração de amor veio, em graça, e nos vivificou juntamente com Cristo. E então nos ressuscitou e nos fez assentar juntamente com Cristo nos lugares celestiais, o que significa que transportou-nos à Sua própria presença. Portanto, o nosso lugar atual - mesmo enquanto ainda estamos em nosso corpo - é agora nos lugares celestiais em Cristo Jesus. Nada menos do que isso expressa a plenitude da Sua graça ou satisfaz o Seu coração.

Há mais uma passagem que gostaria de trazer a você antes de terminar: "Qual Ele é, somos nós também neste mundo" (1 João 4.17). Assim como Cristo é, ali à direita de Deus - a alegria e o gozo do coração de Deus - ali também em toda a perfeição da Sua Pessoa e em todo o doce aroma do Seu sacrifício, assim também somos nós neste mundo; pois estamos firmados não em nós mesmos, mas em Cristo, sendo, por esta razão, dotados de toda a aceitação e odor suave que Ele mesmo tem diante de Deus.


Que o Senhor nos conceda um maior reconhecimento do lugar no qual, por Sua inexprimível graça, fomos introduzidos em Cristo Jesus.

E. Dennett. Fonte: http://www.stories.org.br/doze2.html ou http://www.scribd.com/doc/105860553/Doze-Cartas-a-um-Novo-Convertido

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Tremendas Consequências

(Comentário Gênesis 27)

Podemos estar certos de só acumular dores e aflições sempre que tiramos as nossas circunstâncias, o nosso destino e a nós próprios das mãos de Deus. Aconteceu assim com Jacó. Alguém disse que "quem considerar a vida de Jacó, depois de ele fraudulentamente ter obtido a bênção de seu pai, verá que ele gozou de muito pouca felicidade neste mundo."

Esta descrição é verdadeira; todavia mostra-nos apenas um lado da vida de Jacó, e esse é o lado sombrio. Bendito seja Deus, há um lado claro, do mesmo modo, para Deus tratar com Jacó; e em todos os acontecimentos da sua vida, quando Jacó foi obrigado a colher os frutos da sua maquinação e perversidade, o Deus de Jacó tirou bem do mal e fez com que a Sua graça abundasse sobre todo o pecado e loucura do Seu pobre servo. Veremos isto à medida que vamos procedendo com a sua história.

Quero fazer aqui uma observação acerca de Isaque, Rebeca e Esaú. É interessante notar, não obstante a demonstração da fraqueza excessiva de Isaque, no princípio deste capítulo, como ele mantém, pela fé, a dignidade que Deus lhe conferiu. Abençoa com todo o sentimento de ter sido dotado com o poder de abençoar. Ele diz,"... abençoei-o: também será bendito... Eis que o tenho posto por senhor sobre ti, e todos os teus irmãos lhe tenho dado por servos; e de trigo e de mosto o tenho fortalecido; que te farei, pois, agora a ti, meu filho?" (Cap. 27:33 -37)

Isaque fala como quem, pela fé, tem à sua disposição todas as riquezas da terra. Não se nota falsa humildade, nem desce da posição elevada que ocupa por causa da manifestação da natureza. E verdade que estava a ponto de cometer um grave erro —  a fazer o que era contrário ao desígnio de Deus; no entanto, ele conhecia Deus, e tomou o seu lugar de acordo com esse conhecimento dando  bênçãos com toda a
dignidade e poder da fé: "... abençoei-o: também será bendito... De trigo e de mosto o tenho fortalecido."

É atribuição da fé elevar-se acima de todas as nossas falhas e suas consequências para o lugar onde Deus nos tem colocado.

Quanto a Rebeca, ela teve de sentir todos os tristes resultados da sua astúcia. Sem dúvida, ela pensava que dirigia as coisas habilmente; mas, oh! nunca mais viu Jacó, por causa da sua manobra! Quão diferente teria sido se ela tivesse deixado o caso inteiramente nas mãos de Deus. Esta é a maneira da fé agir e é sempre vencedora. "E qual de vós, sendo solícito, pode acrescentar um côvado à sua estatura?" (Lc 12:25). Nada ganhamos com a nossa ansiedade e os nossos projetos: apenas excluímos Deus, e isso não é ganho. É um justo castigo da mão de Deus sermos obrigados a colher os frutos dos nossos planos; e não há nada mais triste do que ver um filho de Deus esquecer-se da sua condição e privilégios para tomar a direção dos seus interesses em suas próprias mãos. As  aves dos céus, e os lírios do campo, podem muito bem ser nossos mestres quando esquecemos assim a nossa posição de dependência em Deus.

Finalmente, quanto a Esaú, o apóstolo trata-o por "profano, que por um manjar vendeu o seu direito de primogenitura": e  "querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que, com lágrimas, o buscou" (Hb 12:16-17). Ficamos sabendo assim que um profano é alguém que gostaria de possuir o céu e a terra e desfrutar o presente sem perder o seu direito ao futuro. Isto não é, de modo nenhum, um caso invulgar. Mostra-nos todo o mundano que professa ser cristão, mas cuja consciência nunca experimentou os efeitos da verdade divina, e cujo coração nunca sentiu a influência da graça de Deus.

C. H. Mackintosh. Fonte: http://www.scribd.com/doc/105168410/Notas-Sobre-o-Pentateuco-Genesis-C-H-Mackintosh

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Experiência Vitoriosa (Parte 2)

(Comentário Romanos 8)


"E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado." (Rm 8.10) Se a doutrina da perfeição na carne fosse verdadeira, o corpo não poderia estar morto, e nem morrer, pois pelo pecado veio a morte. Vemos o efeito do pecado no corpo, e isto inclui a morte. "Mas o Espírito vive (ou "o Espírito é vida") por causa da justiça." Existe morte em razão do pecado; existe vida em razão da justiça -- não nossa, mas da justiça de Deus, cumprida pela morte de Seu Filho por nós.

Deve o corpo, portanto, permanecer morto por causa do pecado? Não. "E, se o Espírito dAquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, Aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo Seu Espírito que em vós habita." (Rm 8.11) Quão completa a vitória de Cristo! A redenção de nossos corpos fica assim assegurada. O Espírito de Deus habita em nós? Então a vivificação de nossos corpos mortais é certa.

Não estamos, portanto, na carne, embora ela esteja em nós; mas não somos devedores a ela, para vivermos após ela. O fim do pecado, ou da carne, é morte. Descobrimos, para nossa tristeza, que a morte está sempre pronta para agir no corpo. "Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis." (Rm 8.13) Se nossa velha natureza não tivesse sido deixada para agir em nós, não teríamos necessidade de mortificar as obras do corpo. Não se trata de mortificar o corpo, mas as obras do corpo. O importante é vermos que isto é pelo Espírito. Este é um assunto apresentado na sua totalidade em Gálatas 5.16-25.

"Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus esses são filhos de Deus." (Rm 8.14) Jesus disse: "O servo não fica para sempre em casa; o Filho fica para sempre". (Jo 8.35) Não estamos na escravidão, mas na maravilhosa liberdade e privilégios do Filho. E também, "se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei". (Gl 5.18). Como temos visto até aqui, colocar um crente sob a lei, ou colocá-lo sob a direção da lei, é colocá-lo sob o ministério da morte e da maldição. O Espírito sempre nos levará a refletir a glória do Senhor, e a sermos transformados na mesma glória.

O Espírito concede liberdade, não escravidão. Qual é a sua porção -- a liberdade dos filhos de Deus, ou a escravidão do servo, do escravo? Os filhos não deixam de ser filhos para voltarem a ser escravos. "Porque não recebestes o Espírito de escravidão para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus." (Rm 8.16,17) Poderia um filho deixar de ser filho? Poderia Cristo, o Filho, deixar de ser o Filho? Porventura não ouvimos de Seus lábios que Deus é nosso Pai, tanto quanto é Pai dEle também? Este parentesco não pode nunca mudar, não pode nunca deixar de existir. Oh, as riquezas da Sua graça! Que maravilha é que nós, que estamos cônscios de que tão somente merecíamos Sua eterna ira, tenhamos sido introduzidos em um parentesco tão imutável -- filhos de Deus. Um só espírito com o Filho. Agora, sem nenhuma escravidão a ser outra vez temida, mas possuindo o Espírito de adoção, será que por meio dEle clamaríamos, como pecadores distantes de Deus, "Tem misericórdia de nós"? Não! Clamamos, isto sim, Abba, Pai! E, note bem, é este o testemunho do próprio Espírito.

"O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com Ele padecemos para que também com Ele sejamos glorificados." (Rm 8.16,17) Sim, os dois grandes fatos pelos quais o Espírito dá testemunho, são os desta passagem: nossa permanente filiação e nossa posição de herdeiros. E, em Hebreus 10, Ele testemunha que somos aperfeiçoados para sempre, continuamente, pelo sacrifício único de Cristo, de maneira que Deus não Se lembrará mais de nossos pecados. Não há nada que seja negado, ou duvidado com maior frequência, do que estes dois benditos fatos.

Sim, um é o fato de nós, se crentes, sermos perfeitos para sempre. O outro é que somos co-herdeiros juntamente com Cristo. O Espírito dá testemunho disso. E, note bem, se somos co-herdeiros de toda a glória vindoura de Jesus -- o Filho do homem -- não deixe passar por alto estas poucas palavras: "se é certo que com Ele padecemos, para que também com Ele sejamos glorificados". (Rm 8.17) Para constatar que isso foi assim, basta ver toda a história do livro de Atos. O mundo, e especialmente a sua parte religiosa, odiava os discípulos de Cristo tanto quanto odiava o Senhor. E os discípulos sofriam com Ele. E por que não acontece o mesmo hoje? É porque o mundo religioso agora finge ser cristão; e, oh! nós também acabamos descendo a esse mesmo nível. Mas, à medida que formos guiados pelo Espírito, acabaremos certamente sofrendo o ódio do mundo.

Será que você, amado leitor, sabe o que é ser guiado pelo Espírito? Ou será que você está sendo guiado pelas organizações e pelos projetos do mundo religioso? Se assim for, não é de admirar que não saiba o que é desfrutar do parentesco de um filho de Deus, ou o que é sofrer com Cristo. Acaso você pode afirmar estar sendo guiado pelo Espírito de Deus em sua vida diária -- em suas compras, em seus negócios -- ou será que você é simplesmente guiado pelas máximas deste mundo? Se assim for, você está entristecendo o Espírito, e não pode desfrutar do bendito parentesco dos filhos de Deus -- co-herdeiros com Cristo. Trata-se de algo maravilhoso ter o Consolador, o Espírito Santo, sempre habitando conosco, bem capaz de cuidar de nós e de todos os nossos interesses aqui, como filhos que somos de Deus. Oh, que maravilha é ser guiado por Ele em todas as circunstâncias!

Basta recusar-se a ser guiado pelo Espírito, e você poderá receber as honras e o aplauso do mundo religioso. Se for guiado pelo Espírito, certamente você será rejeitado, assim como Cristo foi rejeitado, e passará a ser seu feliz privilégio sofrer com Ele. Mas, oh!, o que é isto em comparação com a glória a ser revelada em nós? Que contraste há entre ser guiado pelo Espírito, e ser guiado pelas modas deste mundo! Oh, quantos são os que sacrificarão a eternidade em troca das modas deste pobre e enganado mundo, enquanto, ao mesmo tempo, fingirão, sim, até mesmo pensarão, ser cristãos! Engano fatal! Se for este o estado de qualquer leitor destas linhas, que Deus possa usar estas palavras para despertá-lo de seu sono enganador. Certamente todos nós precisamos destas perscrutadoras palavras: "se é certo que com Ele padecemos".

domingo, 16 de dezembro de 2012

Experiência Vitoriosa (Parte 1)

(Comentário Romanos 8)

"Portanto agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus." (Rm 8.1) Que declaração maravilhosa! Não se trata meramente do que será a justificação do crente quando for manifestado diante do trono de Cristo, mas "agora" não há nada para condenar naqueles que estão em Cristo Jesus. Se olho para o que sou na carne, só encontro o "miserável homem que sou!" Se olho para o que sou em Cristo Jesus, vejo que agora não há condenação. Estou morto para tudo aquilo que sou como um filho de Adão -- morto para o pecado, morto para a lei, mas vivo para Deus em Cristo Jesus. Então, sendo agora de outro, e estando em outro, em Cristo Jesus ressuscitado de entre os mortos, não me encontro apenas na posição de um que produz fruto para Deus, mas de um para quem "agora nenhuma condenação há". Você está assegurado disto? Será que pode existir alguma condenação para aquele Cristo ressuscitado que está agora na glória de Deus? Portanto, se você estiver nEle, como poderá haver condenação para você?

Nenhuma alma poderá conhecer a verdadeira libertação do poder do pecado se não conhecer primeiro o absoluto favor de Deus em Cristo. Quão maravilhoso é, após um capítulo de amargas experiências (capítulo 7 de Romanos), após haver esgotado completamente toda esperança de encontrar algo de bom em si mesmo, na velha natureza, poder descobrir que, como mortos com Cristo, e vivos de entre os mortos em Cristo, encontramo-nos no absoluto favor de Deus, sem nenhuma condenação! Que perfeita paz! Nada para nos inquietar; nada para nos condenar. E é o próprio Deus Quem diz: "nenhuma condenação".

"Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte." (Rm 8.2). Então, como já vimos, possuímos uma vida justificada. Agora temos o poder -- a lei do Espírito de vida. Em outro lugar aprendemos que a vida que agora temos é eterna, e o Espírito é eterno. Portanto o poder que tenho é eterno. Vimos que a carne, ou o pecado, continua em nós -- aquilo que é nascido da carne; mas aqui encontramos a libertação do seu poder: libertos da lei do pecado e da morte; libertos pelo infinito, pelo eterno poder, a lei do Espírito de vida. Não diz que "me livrará", mas que "me livrou". Nossa velha natureza pecaminosa é tão depravada que, apesar de eu ser nascido de Deus, de eu ter prazer na lei de Deus e desejar guardá-la; ainda assim a lei que há em meus membros me colocou no cativeiro. E acaso não foi assim que aconteceu? Mas somos agora libertos de seu poder, por um poder maior -- a lei do Espírito de vida em Cristo Jesus. Oh, quão bom seria se pudéssemos ter uma fé mais simples na Palavra de Deus; sim, e também no Espírito Santo que habita em nós! Este versículo resume todo o contexto do capítulo 6. Trata-se do princípio de nos reconhecermos mortos para o pecado e vivos para Deus em Jesus Cristo, princípio este aplicado pelo poder do Espírito.

"Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o Seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito." (Rm 8.3,4) Já que não havia nenhum poder na santa lei de Deus para libertar, sua única prerrogativa era a de amaldiçoar o culpado. Em Romanos 8.2, portanto, encontro o poder que me libertou da lei do pecado e da morte. No versículo 3 vemos a incapacidade da lei em libertar por intermédio da fraqueza da carne, e a seguir, o modo como Deus libertou, e a base na qual a libertação foi operada. Esta parte resolve também a seguinte questão: Como é que não há condenação para mim, uma vez que a carne é tão completamente vil? "Deus, enviando o Seu Filho." Exatamente quando tudo mais falhou em libertá-los do Egito, o cordeiro precisou ser levantado e morto; o israelita, embora ainda não libertado, estava totalmente protegido pelo sangue.

Assim como a libertação do Egito significava a saída de um lugar, ou de uma condição de escravidão para outra de liberdade, também o crente é, pelo Espírito de vida, levado para fora de um lugar, ou de uma condição, chamada "na carne", para outro lugar, ou condição, chamado "em Cristo", havendo o pecado sido perfeitamente julgado, por ter o Santo Filho de Deus sido feito pecado por nós. E isto não para que pudéssemos continuar em escravidão, mas para que fôssemos libertos, a fim de que as justas demandas da lei pudessem ser cumpridas em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.

A carne é deixada de lado por aqueles que não andam "segundo a carne". Uma outra posição é ocupada agora por aqueles que andam "segundo o Espírito". Há, por assim dizer, duas classes. "Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o espírito para as coisas do espírito." (Rm 8.5) Uma é morte, a outra é vida. E mais ainda: "a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser." (Rm 8.7) Segue-se disso que aqueles que estão neste terreno, aqueles que estão na carne, não podem agradar a Deus.

E aqui surge uma questão de profundo interesse: Quando podemos concluir que não estamos na carne, mas no Espírito? "Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós." (Rm 8.9) Portanto, fica claro que se o Espírito de Deus habita em você, você poderá concluir com segurança que não está na carne. Cornélio era, evidentemente, uma alma vivificada, assim como toda a sua casa (Atos 10.2), mas não libertada, e é por esta razão que ele permaneceu na carne, até que a Palavra chegou a ele com o poder do Espírito Santo, e, por conseguinte, o próprio Espírito Santo (Atos 10.44). Surge, portanto, a pergunta: Você já recebeu o Espírito Santo? Se ainda não, mesmo tendo sido vivificado, você continua na carne, procurando a sua melhoria -- ainda que seja pelas obras da lei. Cornélio não poderia ser considerado um cristão até haver recebido o Espírito Santo; e nem você pode considerar-se, no sentido pleno da palavra, até que tenha recebido o Espírito. "Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dEle." (Rm 8.9)

(Continua...)

sábado, 15 de dezembro de 2012

Romanos 8 (Parte 1)

O Sacerdote, Cristo, vai a Deus por nós... e nós vamos ao Sacerdote.

Leia em http://www.bibliaonline.com.br/acf/rm/8

O capítulo 7 foi todo de fraqueza e derrota e todo acerca do "Eu, mim, ou meu" (mencionado 47 vezes na versão inglesa), enquanto Cristo foi mencionado duas vezes. O Espírito Santo nem chega a ser mencionado. Este capítulo está saturado do Espírito. O Espírito Santo é mencionado 18 vezes, Cristo 13 vezes e "eu, me ou meu" três vezes! (referências ao original em inglês). A lei não poderia libertar o homem do poder do pecado. Mas Deus fez isto enviando Seu Filho ao mundo para morrer na cruz. Pela morte de Jesus, Satanás, o pecado e a morte foram vencidos. 

Rm 8:1-4 A base da obra do Espírito está na cruz de Cristo. E este deve ser nosso tema de louvor na eternidade. O Espírito de Deus quer que pensemos em Cristo cada vez mais. 

Rm 8:5-13 O Espírito aparece em contraste com a carne. Aqueles que são do Senhor devem viver de modo diferente daqueles que não conhecem o Senhor. A carne luta contra nossa nova vida o tempo todo, mas a vida em Cristo nos leva a novos interesses e temos um objetivo na vida... agradar ao Senhor. A nova vida só quer fazer isto. A carne nunca compreende isto porque não compreende Deus. 

Rm 8:14-17 O Espírito nos torna seguros de que somos filhos de Deus.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Duas Naturezas em Conflito (Parte 3)

(Comentário Romanos 7)

"De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim." (Rm 7.17) Isto é uma grande descoberta. Aprendo que há uma natureza, o pecado, que ainda se encontra em mim, apesar de eu poder olhar por cima dele como algo distinto de mim mesmo, de meu novo "EU". "Bem", digo eu, "O que é que há, então, nessa velha natureza, no velho EU?" Não há nem um pouquinho de bem em mim, isto é, em minha carne, ou minha velha natureza. "Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum: e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem." (Rm 7.18)

Trata-se de algo por demais humilhante descobrir que eu, como filho de Adão, não tenho nenhum poder para fazer o bem -- sim, muito pelo contrário! "Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço." (Rm 7.19) É este o verdadeiro caráter da velha natureza, mesmo quando a nova natureza deseja fazer o bem e ser santa -- sim, já que a nova natureza é santa, por ser nascida de Deus. De modo que não é a nova natureza, o novo "EU", que pratica o mal, quando a velha natureza está fazendo exatamente aquilo que a nova natureza condena.


"Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu" -- não mais eu como uma nova criatura que sou, -- "mas o pecado que habita em mim" (Rm 7.20). Há, portanto, dois princípios, ou naturezas, no homem nascido de Deus. O princípio da velha e depravada natureza é chamado de uma lei.

"Acho então esta lei em mim: que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo." (Rm 7.21) É este o invariável princípio da velha natureza -- "quando quero fazer o bem, o mal está comigo". "Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus." (Rm 7.22) Certamente isto prova que, sem dúvida alguma, existem duas naturezas; pois como poderia a velha natureza, que é pecado, se deleitar na lei de Deus? Todavia, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus". (Rm 7.22) "Bem", dirá você, "parece ser uma contradição". É exatamente isto que as duas naturezas são uma para a outra. Veja o versículo 23: "Mas vejo nos meus membros outra lei que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros."

Portanto, negar a existência das duas naturezas em um homem nascido de novo é negar o ensino claro da Palavra de Deus. Porventura Jesus não falou que "o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito"? (Jo 3.6) Trata-se, portanto, de um completo novo nascimento; de uma nova natureza, uma nova criação, que é do Espírito e que é espiritual. Aquilo que é nascido de uma carne ou natureza pecaminosa é, ou seja, permanece sendo, carne e pecado. E aprendemos aqui que se estamos sob a lei, isto é, se estamos no terreno da carne, debaixo da lei com vistas ao aperfeiçoamento da carne, como milhares de pessoas estão, então descobrimos que, na guerra travada pelas duas naturezas, acabamos presos "debaixo da lei do pecado que está nos meus membros". (Rm 7.23) Trata-se de uma realidade terrível, mas iremos acabar conhecendo a malignidade de nossa velha natureza na prática, se não crermos no que Deus diz acerca dela. Todavia, se for este o caso, ou seja, de um homem nascido de Deus, sob a lei, não conhecendo a distinção entre as duas naturezas, ele estará sentindo-se extremamente miserável, se for sincero e estiver buscando ardentemente por justiça e santidade de vida. É exatamente o que encontramos aqui (na narração do apóstolo Paulo).

"Miserável homem que eu sou!" (Rm 7.24) E agora já não é mais "Quem me ajudará a melhorar a carne?", mas sim, "quem me livrará do corpo desta morte?" Sim, o velho homem, o corpo desta morte, deve ser abandonado. Precisamos ter um Libertador, e este Libertador é Cristo.

"Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor." (Rm 7.25) Poucas palavras, mas oh!, que gloriosa vitória e livramento! Após chegar à plena descoberta de minha completa incapacidade, e da imutável malignidade da velha natureza, os olhos são agora levantados para Cristo, e o coração dilata-se no pleno gozo da gratidão.


Há um erro que é cometido com frequência aqui, e devemos nos precaver cuidadosamente contra ele. É comum que se diga, ou que se insinue, que o que vimos acerca da velha natureza, a carne, a lei do pecado nos membros, é verdadeiro acerca do crente antes que ele consiga a libertação; mas que depois sua velha natureza muda ou é erradicada -- ou que, em todos os seus aspectos, melhora muito; que é, de repente ou gradualmente, santificada etc. etc., e que não há mais uma natureza má nos santos que são libertos, ou santificados. Será que é assim, ou não? Deixemos que as próprias palavras que se seguem, as quais vêm depois de nossa libertação e ações de graças, respondam a esta importante questão.

"Assim que eu mesmo com o entendimento" (ou o novo homem) "sirvo à lei de Deus, mas com a carne" (ou a velha natureza), "à lei do pecado." (Rm 7.25) Não nos encontramos mais no terreno da carne, como vivendo sob a lei e procurando aprimorar a carne -- não nos encontramos mais na carne. Mas, o fato de que a carne permanece no santo libertado -- na mesma pessoa que, com o novo entendimento, ou natureza, serve a lei de Deus, é algo declarado com a maior ênfase possível. Mas a carne, e a lei do pecado, ainda permanecem em mim. Podemos discordar, discutir, ridicularizar, mas aqui está a verdade da Escritura, e é algo que cada crente descobre ser verdade. Assim nos vemos na necessidade de sermos guardados irrepreensíveis, em nosso espírito, alma e corpo. (Leia 1 Tessalonicenses 5.23.) Coloque a velha natureza sob a lei, tente encontrar algo de bom nela e, imediatamente, você experimentará o que está descrito aqui.

Uma só questão mais, antes de deixarmos este assunto. Como pode haver tantos cristãos passando por esta experiência? Simplesmente porque, apesar de nascidos de Deus, estão, por meio de ensinos falsos ou incorretos, colocados debaixo da lei, e nunca conheceram o verdadeiro caráter da libertação.

Charles Stanley. Fonte: http://www.scribd.com/doc/104720029/Vida-Atraves-Da-Morte

Romanos 7 (Parte 2)


Rm 7:7-25 Em Fp 3:6 Paulo havia dito que, naquilo que dizia respeito à lei, ele era irrepreensível. Aquilo foi antes de ele se tornar um homem salvo. Mas aqui, como um homem salvo, ele está pensando no pecado de um modo diferente. Ele descobriu que queria fazer o bem, mas não tinha o poder para fazê-lo. Ele descobriu que em sua velha vida (velha natureza) ele era completamente mau (vers. 18). Aqui Paulo tinha a ideia errada de que sua nova natureza poderia vencer a velha natureza e mantê-la subjugada. 

Rm 7:24 Mas isso não era possível. Ele clama por auxílio. Ele entende que precisa de um poder que está fora de si mesmo. Somente Deus podia fazer isso por ele. 

Rm 7:25 Mas há outro clamor. Desta vez vindo de seu coração. Desta vez um brado de alívio e triunfo, e ele sabe que foi ouvido. Ele agradece Àquele que veio em seu socorro, a Deus que lhe havia dado a vitória por meio de Jesus Cristo nosso Senhor. Nada é mais importante para nós como crentes do que aprender isto para nós mesmos. Não saia destes dois capítulos (6 e 7) até enxergar isto. A carne, por melhor e mais refinada que seja, irá nos arrastar para a derrota e para a rendição ao pecado. Mas quando nos rendemos a Cristo, Ele tem a vitória, e todo o crédito (a glória) vai para Ele.

domingo, 11 de novembro de 2012

Duas Naturezas em Conflito (Parte 2)

(Comentário Gênesis 21, Romanos 7 e Gálatas 4)


Ao mesmo tempo que o nascimento de Isaque enchia Sara de riso, introduzia um elemento inteiramente novo na casa de Abraão. O filho da livre precipitou o desenrolar do caráter do filho da escrava. Na verdade, Isaque provou, em princípio, ser para a família de Abraão aquilo que a nova natureza é na alma dum pecador. Não se tratava de Ismael modificado, mas de Isaque nascido. O filho da escrava nunca podia ser nada mais senão isso. Pelo contrário, por muito fraco e desprezado que Isaque fosse, ele era o filho da livre. A sua posição e o seu caráter, a sua situação e perspectiva, eram do Senhor. "O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito" (Jo 3:6).

A regeneração não é mudança da velha natureza, mas a introdução de uma nova. Nem tão-pouco a introdução desta nova natureza altera, no mínimo, o caráter verdadeiro e essencial da velha natureza. Esta continua a ser o que era; e não é, de modo nenhum, melhorada; pelo contrário, dá-se a plena manifestação do seu caráter pecaminoso em oposição ao novo elemento;"... a carne cobiça contra o Espírito e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro" (G1 5:17).

O nascimento de Isaque não melhorou Ismael, mas apenas ocasionou a verdadeira oposição deste ao filho da promessa. Pôde ter uma conduta pacífica e irrepreensível até Isaque ter feito a sua aparição; mas então mostrou o que era perseguindo e ridicularizando o filho da ressurreição. Qual era logo o remédio? Melhorar Ismael? De modo nenhum; mas, "Deita fora esta serva e o seu filho; porque o filho desta serva não herdará como meu filho, com Isaque" (versículos 8-10). Aqui estava o único remédio. "Aquilo que é torto não se pode endireitar" (Ec 1:15); portanto, é preciso livrarmo-nos inteiramente do que é torto e ocuparmo-nos com aquilo que é divinamente reto. É tempo perdido procurar endireitar uma coisa torta. Por isso todos os esforços tendentes a melhorar a natureza são completamente fúteis.

Ora o erro em que caíram as igrejas da Galácia (*e muitas seitas "cristãs" dos dias atuais) foi a aceitação daquilo que apelava para a natureza."... Se vos não circuncidardes, conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos" (At 15:1). aqui vemos como a salvação se tornava dependente de alguma coisa que o homem podia ser, fazer, ou guardar. Isto importava em deitar por terra toda a obra gloriosa da redenção, a qual, como o crente sabe, assenta exclusivamente sobre o que Cristo é e o que Ele fez. Tornar a salvação dependente, de qualquer maneira, de alguma coisa inerente ao homem, ou a fazer pelo homem, é pô-la inteiramente de lado. Por outras palavras, Ismael tem que ser posto fora, e todas as esperanças de Abraão devem depender daquilo que Deus fez, e deu, na pessoa de Isaque. Escusado será dizer que isto não deixa nada em que o homem possa gloriar-se. Se a bem-aventurança presente ou futura dependesse até mesmo de uma alteração divina na natureza, a carne podia gloriar-se. Embora a minha natureza fosse melhorada, seria alguma coisa de mim, e deste modo Deus não teria toda a glória.

Em resumo, pois, a escrava representa o concerto da lei; e o seu filho representa todos os que são das "obras da lei", ou se fundamentam nesse princípio. Isto é muito claro. A escrava só gera para a escravidão, e nunca pode dar à luz um homem livre. Como poderia?- A lei nunca podia dar liberdade, visto que enquanto o homem vivesse ela dominava sobre ele (Rm 7:1). Eu nunca poderei ser livre enquanto estiver sob o domínio de alguém. Assim, enquanto vivo debaixo da lei esta tem domínio sobre mim; e nada
senão a morte pode libertar-me do seu domínio.

Esta é a doutrina bendita de Romanos 7. "Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei, pelo corpo de Cristo, para que sejais doutro, daquele que ressuscitou de entre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus." (Rm 7:4) Isto é liberdade, porque, "Se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres" (Jo 8:36). "De maneira que, irmãos, somos filhos não da escrava, mas da livre" (G1 4:31).

Sem dúvida, haverá nisto tudo um esforço para deitar fora este elemento de escravatura, porque o legalismo é próprio dos nossos corações. "E pareceu esta palavra mui má aos olhos de Abraão, por causa de seu filho." Contudo, por muito má que seja, é conforme com a mente divina que permaneçamos firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não tornemos a metermo-nos debaixo do jugo da servidão (G1 5:1).

Possamos nós, prezado leitor, compreender tão inteira e praticamente a bem-aventurança da provisão de Deus por nós em Cristo, que acabemos com todos os pensamentos acerca da carne, e tudo que ela pode ser, fazer ou produzir. Existe tal plenitude em Cristo que torna todo o apelo à natureza supérfluo e vão.

C. H. Mackintosh. Fonte: http://www.scribd.com/doc/105168410/Notas-Sobre-o-Pentateuco-Genesis-C-H-Mackintosh

* Nota do editor

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Duas Naturezas em Conflito (Parte 1)

(Comentário Romanos 7)

"Não sabeis vós, irmãos (pois que falo aos que sabem a lei), que a lei tem domínio sobre o homem por todo o tempo que vive?" (Rm 7.1) Este fato demonstra a importância da verdade que já foi apresentada -- a identificação com a morte de Cristo; considerando-nos mortos com Ele, e vivos para Deus. Pois se aqueles que viviam debaixo dela, continuassem a viver debaixo dela, seriam responsáveis por cumpri-la em cada jota e cada til (Mt 5.18), caso contrário ela os amaldiçoaria. Neste caso o cristianismo não seria de nenhuma ajuda. O homem poderia continuar sob a maldição. A lei tinha domínio sobre um homem enquanto ele vivesse. Sua responsabilidade para com a lei só terminava na morte. A lei acerca do matrimônio prova isso: somente a morte dissolve o vínculo de responsabilidade. Enquanto o marido viver, a esposa não pode se casar com outro; seria adultério. Isto era algo patente a todos os que conheciam a lei.

De modo semelhante o crente não pode, por assim dizer, ter dois maridos. Ele não pode estar vivo na carne, casado com a lei (debaixo da lei), e também estar casado com Cristo. Não há dúvida de que os homens dirão que deve ser assim, que você deve ter ambos, a lei e Cristo; mas não estamos explicando aqui o que dizem os homens, mas o que dizem as Escrituras. Deus nos diz que não podemos ter Cristo e a lei. E do mesmo modo como uma esposa só é liberada do antigo marido pela morte, assim também nós só podemos ser libertos do antigo marido, o princípio da lei, pela morte.

"Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais doutro, daquele que ressuscitou de entre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus." (Rm 7.4) Portanto eles estavam mortos para a lei pelo corpo de Cristo como se tivessem morrido de verdade. Passaram de sob o seu domínio para um estado completamente novo. Não têm mais nada a declarar ao antigo marido; mas entram em um novo parentesco, unidos a um novo marido, a Um ressuscitado de entre os mortos, o próprio Cristo.

Mas será que os grandes mestres não irão dizer a você ser isto antinomianismo, estar morto para a lei, nada mais ter a ver com ela, ou ela com você? Dirão que isto poderia levá-lo a produzir fruto para o pecado. Seria terrível, diriam eles. Mas o que é que Deus diz a este respeito? Ele diz que tudo isso é "a fim de que demos fruto para Deus". Isto está perfeitamente de acordo com o que foi apresentado antes. "Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça." (Rm 6.14) Estar debaixo da lei é estar debaixo da sua maldição, pois todos provaram ser culpados (Romanos 3). Mas agora somos um com o Cristo ressuscitado, tendo todos os pecados perdoados, e o pecado julgado, a fim de podermos dar fruto para Deus.

Todavia a porção do cristão é esta: considerar-se morto com respeito à carne, mas vivo para Deus. Uma vida inteiramente nova proveniente de Deus. O assunto todo será bastante simplificado se mantivermos estas duas coisas distintas: a velha vida, ou velha natureza, chamada a carne -- o terreno no qual o homem foi provado sob a lei; e a nova vida, ou nova natureza, a qual o crente possui, a própria vida eterna do Cristo ressuscitado. Vimos como fomos libertados da escravidão do pecado por estarmos mortos para um e vivos para o outro. Isto não quer dizer que o pecado está erradicado, mas que estamos mortos para ele. 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A Lei e a Graça

(Comentário Gênesis 16)

Podemos pensar em Agar o seu filho como figuras do concerto das obras e de todos os que são desse modo trazidos à escravidão (veja G1 4:22-25). "A carne" é, nesta passagem importante, posta em contraste com "a promessa"; e deste modo não temos apenas a ideia divina do que significa o termo "carne", mas também quanto aos esforços de Abraão para obter a semente por meio de Agar, em vez de descansar na "promessa" de Deus. Os dois concertos são simbolizados por Agar e Sara, e são diametralmente opostos um ao outro: um engendra a escravidão, tanto mais que levantou a questão quanto à competência do homem para "fazer" e "não fazer", e fez a vida inteiramente dependente dessa competência. "O homem que fizer estas coisas por elas viverá" (G1 3:12). Este era o concerto de Agar. Porém o concerto de Sara revela Deus como o Deus da promessa, a qual promessa é inteiramente independente do homem e baseada na boa vontade e aptidão de Deus para a cumprir. 

Quando Deus faz uma promessa não há "se" ligado com ela. Ele fá-la incondicionalmente, e está decidido a cumpri-la; e a fé descansa n'Ele, em perfeita liberdade de coração. Não é preciso esforço da natureza para conseguir o cumprimento de uma promessa divina. Foi aqui, precisamente, que Abraão e Sara falharam. Eles fizeram um esforço da natureza para conseguir um determinado fim, o qual estava absolutamente assegurado por uma promessa de Deus. Este é o grande erro da incredulidade. Por meio da sua atividade impaciente levanta uma neblina obscura em volta da alma, que impede os raios da glória divina de a alcançarem. "Não fez ali muitas maravilhas por causa da incredulidade deles" (Mt 13:58). Uma característica eficaz da fé é que sempre deixa o campo livre para Deus Se revelar; e, verdadeiramente, quando Ele Se revela, o homem deve tomar o lugar de um feliz adorador.

O erro pelo qual os Gálatas se deixaram arrastar foi o acréscimo de alguma coisa da natureza àquilo que Cristo já tinha realizado por eles na cruz. O evangelho que lhes havia sido pregado, e que eles tinham recebido, era a apresentação simples da graça de Deus, perfeita e incondicional. Jesus Cristo havia, evidentemente, sido representado perante eles como crucificado (G1 3:1). Isto não era apenas uma promessa divina, mas sim uma promessa divina e gloriosamente consumada. Cristo crucificado correspondia perfeitamente tanto às exigências de Deus como às necessidades do homem. Porém os falsos ensinadores transtornavam tudo isto, ou procuravam transtorná-lo, dizendo: "...Se vos não circuncidardes, conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos" (At 15:1). Isto, como Paulo lhes disse, era, na realidade, tornar Cristo de nenhum efeito.

C. H. Mackintosh. Fonte: http://www.scribd.com/doc/105168410/Notas-Sobre-o-Pentateuco-Genesis-C-H-Mackintosh

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Romanos 6

Leia em http://www.bibliaonline.com.br/acf/rm/6 ou http://www.youversion.com/pt-BR/bible/rom.6.arc_1-pt

Nesta vida, o pecado está sempre tentando voltar a controlar o crente. E agora vamos aprender como tratar dessa séria situação. É descrito como um conflito. Alguns poderiam dizer que se uma pessoa estivesse nesta maravilhosa posição de salvação, o pecado já não importaria, mas importa, como nos diz o versículo 12.

Rm 6:1 Ele repete aqui o que outros haviam dito tentando acusá-lo de erro (Rm 3:8). Portanto Paulo explica cuidadosamente este assunto tão importante.

Rm 6:1-14 O crente morreu com Cristo, e possui uma nova vida em Jesus Cristo. A Palavra de Deus diz que estas coisas são fatos consumados. O versículo 11 nos diz para acreditarmos nisto. Se a vida de um verdadeiro cristão não demonstra que ele crê nisto, ele pode não perder sua salvação, mas não irá desfrutar de crescimento em sua alma. Se ele crê no que Deus diz, então não irá alimentar aquela velha natureza.

Rm 6:15-23 Os crentes são servos de Deus. Um novo Mestre tomou o lugar do pecado. O pecado era um mestre na velha vida, e exigia uma vida vergonhosa. Será que você entende que nestes versículos se encontra o segredo do poder para se viver uma vida pura?

Rm 6:23 O pecado recebe salário - a morte. Mas a alternativa é um presente - a vida eterna - por meio de Jesus Cristo nosso Senhor. No capítulo 5 há duas cabeças de famílias (Adão e Cristo). No capítulo 6 há dois mestres e no capítulo 7 há dois maridos.

domingo, 23 de setembro de 2012

Romanos 5 (Parte 2)


Você reconhece que não se encontra mais em Adão e nem ligado às coisas que pertencem a ele? O ponto de grande importância que você deve enxergar é este: "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo". (2 Co 5.17) Que triste erro você estaria cometendo se voltasse, ou se apegasse às coisas velhas -- à lei e à velha natureza -- e viesse a supor que pudesse existir algo capaz de melhorar a velha natureza, ou de justificá-lo estando sob a lei, coisas essas já passadas! Entenda que sua justiça e sua vida são agora completamente novas, e que tudo provém de Deus. E o que provém de Deus deve necessariamente ser perfeito. Assim, estamos perfeita e eternamente justificados no Cristo ressuscitado.

Oh, que favor gratuito e maravilhoso este de Deus! Talvez você pergunte: Então por que a lei foi dada, se o homem não pode ser justificado por ela, ou se ela não pode conceder uma vida justificada? "Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse." (Rm 5.20) Pode ter sido isto o que aconteceu com você em sua experiência passada. A lei pode ter atuado em você com poder destruidor, e quanto mais você se esforçou em guardá-la, mais a ofensa abundou. Quanto você deve ter se esforçado para tornar sua carne santa! E quanto mais se esforçou, mais fracassou. "Mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça." (Rm 5.20) Você crê em Deus acerca disto? Você pode agora mesmo parar com suas obras e descansar no irrestrito e gratuito favor de Deus? "Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse" -- sim, e esta "pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor." (Rm 5.21) Não foi somente a graça que reinou -- isto teria sido indiferença para com o pecado; tampouco foi só a justiça que reinou, pois então o pecador deveria ter sido condenado; mas a graça pela justiça. Sim, ela reina, e reina absoluta para vida eterna.

Porém, se somos constituídos justos por Cristo e em Cristo, totalmente aparte de quaisquer obras que pratiquemos, tendo os pecados perdoados, e o pecado não imputado a nós -- surge então uma questão quanto à justiça prática -- devemos nós continuar na prática do pecado? Os inimigos da graça de Deus sempre levantam esta questão, ou a colocam como uma acusação de que aqueles que aceitam as doutrinas da graça soberana de Deus, insinuam poder viver no pecado para que a graça abunde. Esta é uma acusação tão comum em nossos dias como era a que, naqueles dias, os fariseus lançavam contra o apóstolo. No próximo capítulo (Romanos 6) temos a resposta inspirada a essa calúnia tão usual. Mas descanse assegurado de que nada menos do que a abundante graça pode dar descanso à alma.


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O Amor de Deus

(Comentário Romanos 5)

"E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, E a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. "
Romanos 5:3-5

O Espírito Santo nos é dado porque Jesus terminou a obra da redenção; e, estando Ele agora glorificado, somos selados pelo Espírito, e o amor de Deus é derramado em nossos corações. Sendo assim, supor que o Espírito Santo venha a ser dado por causa de nossos esforços, nossa experiência ou devoção própria, é desprezar a perfeita obra de Cristo. No entanto, acontece justamente o contrário; toda essa bendita experiência vem por causa do amor de Deus ser derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

Suponha que você fosse convidado para jantar com Sua Majestade, a Rainha, e que ela dispenssasse a você toda a atenção e gentileza possíveis; e que, ao invés de você desfrutar daquela gentileza, passasse a expressar, diante dos presentes, o desejo sincero de ter uma rainha, e uma rainha que lhe demonstrasse gentileza. O que ela, ou qualquer outra pessoa, pensaria de uma tal conduta? Só pessoas cegas e surdas poderiam cometer um engano assim. Não há dúvida de que aqueles que conhecessem melhor uma rainha assim, mais leais seriam; e aqueles que sabem que o amor de Deus é derramado em seus corações pelo Espírito Santo que lhes é dado, irão amar a Deus mais ainda, e terão essa bendita experiência por causa daquilo que já receberam dEle.

O que dizer do que é espiritualmente cego e surdo que nada pode perceber do amor de Deus para conosco, ou de como ele é derramado em nossos corações, mas que acaba transformando esta passagem em legalismo, pensando e dizendo que Deus nos amará enquanto nós O amarmos? Que quanto mais amarmos a Deus, mais Ele nos amará?! Tal pensamento encontra-se na raiz de uma grande parcela do vão esforço que é o de buscar santidade no homem. Muitos ficariam surpresos se vissem isto colocado de forma nua e crua. O que você diria de ter que se esforçar para tornar sua carne santa a fim de que Deus pudesse amar você? E não é isto o que milhares de pessoas estão tentando fazer? Será que isto não é repetir, na prática, o velho pensamento de que EU preciso ser santo a fim de que Deus me ame? Certamente que a carne deve ser subjugada, mas não para que Deus me ame, e sim porque Ele me ama. Vamos agora considerar como Ele nos tem amado, e em que estado nos encontrávamos quando Ele nos amou.

"Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios." (Rm 5.6) Será que nossos corações já se renderam a este fato? Nós não éramos apenas culpados, mas não tínhamos forças, éramos incapazes de melhorar. Enquanto estávamos exatamente nessa condição, nos foi demonstrado o amor infinito: Cristo "morreu a seu tempo pelos ímpios". Não existiam outros meios possíveis para Deus justificar o ímpio, senão pelo Seu Filho morrendo pelo ímpio. Sim, é exatamente nisto que o amor de Deus vem resplandecer em nosso favor. "Mas Deus prova o Seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores." (Rm 5.8) Será que isto aconteceu sobre o princípio de que quanto mais amamos a Deus, mais Ele nos amará? Poderá haver maior exibição do Seu amor do que esta: "Cristo morreu por nós"? Impossível! No entanto, isso aconteceu quando éramos ainda pecadores.

Oh, pare um pouco e medite no amor de Deus para conosco. Sim, não em um amor nosso para com Deus que pudesse existir primeiro. Não que tenhamos amado a Deus, mas que Ele assim nos amou. Quanto mais isto tomar posse de nossas almas, mais iremos amá-Lo.

Será que você está dizendo que tudo isso é verdade com respeito ao passado, mas que podemos fracassar no futuro, e então Deus deixaria de nos amar? Não, absolutamente; será que após havermos conhecido o amor de Deus, seríamos por fim abandonados à eterna ira? Vamos ouvir a resposta do Espírito Santo para esta questão tão solene. Se Deus dispensou de tal modo o Seu amor para conosco, a ponto de, quando ainda éramos pecadores, Cristo haver morrido por nós, "logo muito mais agora, sendo justificados pelo Seu sangue, seremos por Ele salvos da ira". (Rm 5.9) Preste atenção: "sendo justificados pelo Seu sangue" é algo que nunca muda; não se trata de termos sido justificados uma vez pelo Seu sangue, e precisarmos ser justificados novamente, mas, "sendo justificados" é algo que sempre permanece. Seu sangue é sempre o mesmo diante de Deus, tendo feito expiação por todos os nossos pecados. Não há alteração. Portanto, não apenas somos, como "seremos por Ele salvos da ira". Oh, infinita e preciosa graça!

Charles Stanley. Fonte: http://www.scribd.com/doc/104720029/Vida-Atraves-Da-Morte

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O Corvo e a Pomba

(Comentário Gênesis 8)

"E aconteceu que, ao cabo de quarenta dias abriu Noé a janela da arca que tinha feito: e soltou um corvo, que saiu, indo e voltando, até que as águas se secaram de sobre a terra." A ave imunda escapou-se, e achou, sem dúvida, um lugar de repouso em qualquer carcaça flutuante. Não voltou a procurar a arca. Não aconteceu assim com a pomba. "A pomba porém não achou repouso para a planta do seu pé e voltou a ele para a arca... e tornou a enviar a pomba fora da arca. E a pomba voltou a ele sobre a tarde; e eis, arrancada, uma folha de oliveira no seu bico." Agradável símbolo da mente regenerada, que no meio de toda a desolação busca e acha o seu repouso e a sua porção em Cristo; e não somente isso, mas que também lança mão do título da herança, e mostra a prova bendita que o julgamento é passado e uma nova terra se apresenta inteiramente à vista. A mente carnal, pelo contrário, pode descansar em qualquer coisa menos em Cristo. Pode alimentar-se de toda a imundície. "A folha de oliveira" não tem encanto para ela. Pode achar tudo que precisa numa cena de morte, e por isso não está ocupada com o pensamento de um novo mundo e as suas glórias; porém, o coração que é ensinado e exercitado pelo Espírito de Deus só pode descansar e regozijar-se naquilo em que Ele descansa e Se regozija. Descansa na Arca da Sua salvação "até aos tempos da restauração de tudo" (At. 3:21). 

Que Jesus seja o lugar de repouso e a porção dos nossos corações, para que não tenhamos que buscá-los num mundo que jaz sob o juízo de Deus. A pomba voltou para Noé, e esperou pelo seu tempo de repouso: e nós devemos encontrar sempre o nosso lugar com Cristo, até ao tempo da Sua exaltação e glória, nos séculos vindouros. Aquele que há-de vir, "certamente virá, não tardará" (Hc 2:3). Tudo quanto precisamos, a este respeito, é de um pouco de paciência. Que Deus dirija os nossos corações no Seu amor, e "na paciência de Cristo".

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