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quinta-feira, 28 de julho de 2016

Devemos restaurar a igreja?

O que ele diz sobre o evangelho nos vídeos que enviou está correto. Ele era pastor de uma denominação e aparentemente tem seu próprio trabalho que, queira ou não, é também uma denominação apenas com um nome e uma estrutura diferente. Mas dá para entender que ele é o líder. O fato de ter empunhado a bandeira do “contra as denominações tradicionais” ou fale de regeneração ou restauração da igreja não muda muita coisa.

Tem bastante gente empunhando essa bandeira e saindo das denominações para se reunirem em grupos familiares ou mesmo criarem uma denominação sem denominação. Mas não é essa a vontade de Deus: sair para criar mais grupos independentes. Quando percebemos a confusão existente na cristandade devemos sair a Cristo, e não a nós mesmos, a um líder ou a alguma nova forma de reunir.

Heb 13:13 "Portanto, saiamos até ele [CRISTO], fora do acampamento, suportando a desonra que ele suportou".

A pergunta que devemos fazer não é tanto "como devo me reunir", mas "onde devo me reunir", e a resposta é onde Cristo está no meio (e esse no meio significa o centro da reunião, o imã, o elemento aglutinador).

Quando escrevo sobre "a forma" das reuniões muitos chegam até a se interessar, mas quando falo do fundamento sobre o qual o cristão deve se reunir, isso já elimina alguns candidatos. Um irmão entrou em contato para dizer que concordava com "a forma" de reunir que eu explicava e era isso que ele procurava fazer com as pessoas com as quais se reunia. Entrei no blog dele e lá estava uma foto dele com colarinho eclesiástico e o título "Reverendo" antes do nome. Obviamente ele não entendeu que estar congregado ao nome do Senhor somente é tirar de cena o homem, o clero, e até o "Reverendo".

Voltando aos vídeos que você enviou, embora às vezes seja necessário apontar os descalabros que vemos ao redor como o autor dos vídeos faz, a bandeira do cristão não é denunciar os erros da cristandade, mas promover o conhecimento da Pessoa de Cristo.

O que chama a atenção no segundo vídeo é que o discurso fica muito centrado nele. Tem muito "eu", "eu", "eu"; você não achou que ele fala muito de si mesmo, como se dissesse "eu vou fazer assim, quem quiser que venha comigo"? Tenho aprendido que algo difícil é um clérigo perder a pose de clérigo. Ele foi criado assim e as pessoas o tratam assim. Uma vez clérigo, custa para tirar aquele colarinho duro, seja ele católico ou protestante. Obviamente para Deus nada é impossível.

Não existe na Palavra de Deus nenhuma indicação de que devamos restaurar a Igreja, porque ela é perfeita aos olhos de Deus. Quanto ao testemunho deixado aos homens, esse irá de mal a pior até depois do arrebatamento, quando ficarão na terra apenas os cristãos da boca para fora que seguirão o anticristo. Essa cristandade que fica para a tribulação é a prostituta de Apocalipse, a mulher que aparece montada sobre a besta (e depois é derrubada por ela).

Ainda sobre o que ele diz no vídeo, existe uma diferença entre a Igreja, que é o corpo de Cristo, e a cristandade, que é o testemunho que os homens dão desse corpo. A igreja, o corpo de Cristo, é e sempre será perfeita e sem mácula, porque Deus a fez assim. O testemunho dos homens é que está arruinado e não tem conserto. Não somos exortados a consertar coisa alguma, mas a guardar "a unidade do Espírito pelo vínculo da paz: há um só corpo e um só Espírito" Ef 4:3, 4. Essa unidade é indestrutível e é obra de Deus, não de homens.

Muitos hoje pregam a regeneração ou restauração da igreja (falando da cristandade ou do testemunho), mas essa regeneração não ocorrerá. Como aconteceu em todas as eras e dispensações (maneiras de Deus tratar os homens), tudo começa bem e acaba mal, porque os homens sempre destroem o que é de Deus.

Vivemos hoje o momento Laodicéia (entenda as 7 igrejas de Apocalipse também como 7 épocas da igreja no mundo), quando o valor é dado ao que é exterior (rica e abastada), mas Cristo está do lado de fora, batendo e buscando a comunhão individual. Não haverá restauração.

São poucos os que saem dos sistemas para voltar ao centro, que é Jesus. Isso sem alarde ou sem sentimentos revolucionários de quem está tentando consertar a cristandade. É importante fazer uma distinção clara disso para não cair no erro de criar mais uma denominação sem nome, que se propõe tão somente a reparar alguns erros do modus operandi das denominações, quando o grande erro está no fundamento que adotam.

Uma boa coisa a fazer quando escutar irmãos pregando contra denominações ou convidando as pessoas a saírem do sistema é perguntar: Acaso ele é um líder procurando por seguidores? A pergunta é muito importante, pois antes mesmo de existirem denominações o apóstolo Paulo alertou os anciãos de Éfeso dos perigos que viriam após sua partida: homens procurando atrair discípulos após si.

Ats 20:29, 30 "Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis [vindos de fora, incrédulos], que não perdoarão o rebanho. E que, dentre vós mesmos [crentes], se levantarão homens que falarão coisas perversas [ou pervertidas, distorcidas], para atraírem os discípulos após si".

Portanto, quando escutar alguém falando mal do atual estado da cristandade, das denominações, da maneira como os cristãos se afastaram da verdade etc e tal, veja se não é alguém querendo começar algo novo em torno de sua própria pessoa, ou seja, um ex-líder ou neo-líder em busca de seguidores. 

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Atos 8

Nunca existe poder coletivo sem fidelidade individual. 

ATOS 8

At 8:1-3 Acontece uma boa mudança. A igreja (assembleia), formada principalmente por crentes Judeus, começa agora a se espalhar para os Gentios. Mas a perseguição se espalha também. Nenhuma dificuldade pode permanecer quando Deus está ali, e nós crentes não podemos resistir a nossos inimigos quando Ele não está ali. Até o martírio de Estêvão, Jerusalém havia sido o único centro - (Dt 12:13-14). Agora Israel havia rejeitado o Espírito Santo por meio do assassinato de Estêvão, portanto a mensagem do evangelho do amor e da graça de Deus saiu a todas as nações.

At 8:5-25 Deus usa outro dos homens escolhidos para servir as mesas no capítulo 6.

At 8:9-25 Simão "creu", mas vemos mais tarde que foi apenas em sua cabeça, pois ele demonstra estar numa condição de perdido. Deve ser com o coração - Rm 10:10. Os milagres o haviam afetado. As pessoas dizem com frequência que se vissem creriam. Foi exatamente o que Simão fez, mas não era real.

At 8:26-40 Outro exemplo da mudança. O homem da Etiópia recebe a Cristo e segue seu caminho regozijando, ainda que sem Filipe. Quando estamos desfrutando de Cristo, não ficamos dependendo de contatos externos.

N. Berry. Fonte: http://www.stories.org.br/at_p.html

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Nos Últimos Dias

 (Comentário Êxodo 7)

"Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos; porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. Porque deste número são os que se introduzem pelas casas e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências, que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade. E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé. Não irão, porém, avante; porque a todos será manifesto o seu desvario, como também o foi o daqueles" (2 Tm 3:1-9).

Ora, a natureza desta resistência à verdade é particularmente solene. A oposição que Janes e Jambres fizeram a Moisés consistiu simplesmente em imitar, até onde lhes foi possível, tudo aquilo que ele fazia. Não vemos que eles atribuíssem a um poder enganador ou mau os sinais que ele fazia, mas antes que procuraram neutralizar os seus efeitos sobre a consciência fazendo eles as mesmas coisas. O que Moisés fazia, também eles o podiam fazer, de modo que, afinal não havia grande diferença. Um era tão bom como os outros. Um milagre. Se Moisés fazia milagres para tirar o povo do Egito, eles podiam fazer milagres para os obrigarem a ficar no país. Onde estava, pois, a diferença?

De tudo isto aprendemos a verdade solene que a resistência mais diabólica ao testemunho de Deus, no mundo, vem daqueles que, embora imitem os efeitos da verdade, têm apenas a "aparência de piedade" e "negam a eficácia dela" (2 Tm 3:5). As pessoas desta condição podem fazer as mesmas coisas, adotar os mesmos costumes e o mesmo ritual, empregar a mesma linguagem e professar as mesmas opiniões dos outros. Se o cristão verdadeiro, constrangido pelo amor de Cristo, dá de comer aos que têm fome, dá vestuário aos nus, visita os enfermos, espalha as Escrituras, distribui folhetos, contribui para a divulgação do evangelho, faz oração, canta hinos espirituais, prega o evangelho, o formalista pode fazer todas estas coisas; e isto, note-se, é o caráter especial da resistência oposta à verdade "nos últimos tempos" — é o espírito de Janes e Jambres.

Quão necessário é compreendermos esta verdade! Quão importante é recordar que, assim "como Janes e Jambres resistiram a Moisés", assim também esses "amantes de si mesmos", do mundo e dos prazeres "resistem à verdade"! Não querem viver sem "aparência de piedade", mas, enquanto adotam a "forma", porque é hábito, detestam "a eficácia" dela, porque essa significa a renúncia própria. "A eficácia da piedade" implica o reconhecimento dos direitos de Deus, o estabelecimento do Seu reino no coração, e, por consequência a Sua manifestação na vida e no caráter; porém o formalista nada sabe disto. "A eficácia" da piedade nunca poderá estar de acordo com nenhum destes caracteres horrendos descritos na passagem acima reproduzida; porém "a aparência", encobrindo-os, permite-lhes viverem sem terem de se submeter, e isto agrada ao formalista. Ele não gosta de dominar as suas tentações, de interromper os seus prazeres, de refrear as suas paixões, de pôr em regra os seus afetos, de que o seu coração seja purificado. Somente precisa de bastante religião para poder tirar o melhor partido da vida presente e do mundo futuro. Desconhece o que significa abandonar o mundo que passa, por ter achado "o mundo vindouro".

Considerando as diversas formas de oposição de Satanás à verdade de Deus, vemos que o seu método tem sido sempre, em primeiro lugar, pela violência; e, depois, se este método falha, corromper por meio de imitação. Por isso, procurou em primeiro lugar matar Moisés (capítulo 2:15), e tendo falhado em realizar o seu propósito, procurou imitar as suas obras.

O mesmo aconteceu com a verdade confiada à Igreja de Deus. Os primeiros esforços de Satanás manifestaram-se em ligação com a ira dos principais sacerdotes e anciãos do povo por meio do tribunal, o cárcere e a espada. Porém, na passagem que reproduzimos da 2ª epístola a Timóteo não se faz menção de tais processos. A violência aberta foi substituída por um meio mais astuto e perigoso de uma profissão vazia, ineficaz e a imitação. O inimigo, em vez de se apresentar coma espada da perseguição na mão, passeia com o manto da profissão sobre os ombros, professando e imitando aquilo que em outro tempo combateu e perseguiu; e, por este meio consegue vantagens assombrosas no tempo presente. As formas horríveis que o pecado moral tem revestido, e que de século para século têm manchado as páginas da história da humanidade, longe de se encontrarem apenas naqueles lugares onde naturalmente poderiam buscar-se, nos antros e cavernas das trevas humanas, acham-se cuidadosamente ocultas debaixo das pregas do manto de uma profissão fria, impotente e sem influência, e esta é uma das obras-primas de Satanás.

É natural que o homem, como ser caído e corrompido, seja egoísta, cobiçoso, vaidoso, altivo; mas que seja tudo isto sob a capa formosa da "aparência de piedade" denota a energia especial de Satanás na sua resistência à verdade "nos últimos dias".

É natural que o homem manifeste abertamente esses vícios repugnantes — a concupiscência e paixões—, que são o resultado forçoso do seu afastamento da origem de santidade infinita e pureza, porque o homem será sempre o que ele é até o fim da sua história. Por outra parte, quando se vê o nome santo do Senhor Jesus Cristo associado com a perversidade e a maldade implacável do homem; quando se veem os princípios santos ligados com práticas ímpias; quando se veem todos os característicos da corrupção dos gentios, mencionados no primeiro capítulo da epístola aos Romanos, ligados com a "aparência de piedade", então, de verdade, pode dizer-se, eis aqui o caráter horrível dos "últimos dias", a resistência de "janes e jambres".
 
C. H. Mackintosh.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O Judeu, o Gentio e a Igreja de Deus

Quem lê a Bíblia com alguma atenção não pode deixar de perceber que mais da metade de seu conteúdo refere-se a uma nação: os israelitas. Percebe também que eles têm um lugar distinto nos procedimentos e conselhos de Deus. Separados da massa humana, são levados a um convênio com Jeová, que lhes faz promessas específicas que não foram feitas a nenhuma outra nação. Apenas sua história é contada durante a narrativa e profecia do Antigo Testamento; outras nações são mencionadas somente quando exercem alguma influência sobre o povo judeu. Parece também que todas as comunicações de Jeová com Israel como nação referem-se à Terra. Se forem um povo fiel e obediente, é-lhe prometida grandeza terrena, riqueza e poder; se infiel e desobediente, será espalhado "entre todos os povos, desde uma extremidade da terra até a outra" (Dt 28.64). Até mesmo a promessa do Messias é de abençoar todas as famílias da Terra.

Ao continuar sua pesquisa, o estudioso encontra nas Escrituras menção a outro corpo distinto, chamado igreja. Esse corpo também tem uma relação peculiar com Deus e, como Israel, recebeu dele promessas específicas. Mas é aí que terminam as semelhanças e começa o mais extraordinário contraste. Em vez de ser formada apenas por descendentes diretos de Abraão, é um corpo em que a distinção entre judeu e gentio se perdeu. Em vez da obediência que traz como recompensa grandeza terrena e riqueza, a igreja é ensinada a se contentar com comida e vestimenta e a esperar perseguição e ódio; percebe-se que, assim como Israel se liga às coisas temporais e terrenas, a igreja se liga ao que é espiritual e celeste.

Mais adiante, as Escrituras mostram ao estudioso que nem Israel e nem a igreja existiram sempre, cada um tem um registro de seu começo. O surgimento de Israel encontra-se no chamado de Abrão. Procurando pelo nascimento da igreja, descobre (talvez, ao contrário de suas expectativas, já que provavelmente foi ensinado que Adão e os patriarcas estavam na igreja) que ela certamente não existiu antes nem durante a vida terrena de Cristo, já que ele fala de sua igreja como algo futuro quando diz: "sobre esta pedra edificarei a minha igreja" (Mt 16.18). Não diz "edifiquei" nem "estou edificando", mas sim, "edificarei".

Descobre-se também, em Efésios 3.5-10, que a igreja não é mencionada nas profecias do Antigo Testamento nem uma vez, mas que era, naquela época, um mistério "oculto em Deus". Biblicamente, ele encontra o nascimento da igreja em Atos 2, e o término de sua trajetória na terra em I Tessalonicenses 4.

O estudioso também encontra, na divisão racial bíblica, outra classe, raramente mencionada e distinta em tudo, tanto de Israel quanto da igreja: os gentios. A posição comparativa de judeus, gentios e da igreja pode ser vista brevemente nas seguintes passagens: o judeu (Rm 9.4,5; Jo 4.22, Rm.1,2), o gentio (Ef 2.11,12, Ef 4.17,18, Mc 7.27,28); a igreja (Ef 1.22,23; Ef 5.29-33, 1 Pe 2.9).

Quando compara o que se diz na Bíblia sobre Israel e a igreja, descobre que na origem, chamado, promessa, adoração, princípios de conduta e destino futuro, são completamente contrastantes. Compare-se primeiramente o chamado de Israel com o da igreja:

ISRAEL

 

"Ora, o SENHOR disse a Abraão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei" (Gn 12.1). 
"Porque o SENHOR teu Deus te põe numa boa terra, terra de ribeiros de águas, de fontes, e de mananciais, que saem dos vales e das montanhas, terra de trigo e cevada e de vides e figueiras, e romeiras, terra de oliveiras, de azeite e mel, terra em que comerás o pão sem escassez" (Dt 8.7-9).
"Então disse: Eu sou o servo de Abraão. E o SENHOR abençoou muito o meu senhor, de maneira que foi engrandecido, e deu-lhe ovelhas e vacas, e prata e ouro, e servos e servas, e camelos e jumentos." (Gn 24.34,35).
"O SENHOR entregará, feridos diante de ti, os teus inimigos, que se levantarem contra ti, por um caminho sairão contra ti, mas por sete caminhos fugirão da tua presença" (Dt 28.7).
"E o SENHOR te porá por cabeça *{das nações, ver também 2 Sm 22:44}, e não por cauda, e só estarás em cima, e não debaixo" (Dt 28.13).

 

IGREJA

 

"Por isso, irmãos santos, participantes da vocação celestial" (Hb 3.1)
"Mas a nossa cidade está nos céus" (Fp 3.20)
"E disse Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça" (Mt 8.20)
"Para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós" (I Pe 1.4) 
"Até esta presente hora sofremos fome, e sede, e estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa" (I Co 4.11). 
"Então Jesus, olhando em redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!" (Mc 10.23)
"Ouvi, meus amados irmãos: Porventura não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé, e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam?" (Tg 2.5). 
"Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus" (Jo 16.2)
"Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus" (Mt 18.4). 
É claro que isso não significa que um bom judeu não pode, ao morrer, ir para o céu. A diferença é que o incentivo para a bondade, nesse caso, foram bênçãos terrenas, não celestes. Seria necessário dizer que, nesta (presente) dispensação, nem o judeu nem o gentio podem ser salvos a não ser pelo exercício da fé no Senhor Jesus Cristo por meio de quem ambos nascem novamente (Jo 3.3,16) e que foram batizados "formando um corpo" (I Co 12.13), que é "a igreja" (Ef 1.22,23). Na igreja, a distinção entre judeu e gentio desaparece (I Co 12.13; Gl 3.28; Ef 2.14). Assim, ao escrever para os efésios, o apóstolo fala daqueles que eram, "noutro tempo", gentios (Ef 2.11; I Co 12.2 também diz "éreis gentios").

O contraste entre Israel e a igreja volta a aparecer nas regras dadas para a conduta de cada um:

ISRAEL

 

"Quando o SENHOR teu Deus te houver introduzido na terra, à qual vais para a possuir, e tiver lançado fora muitas nações de diante de ti, (...) para as ferir, totalmente as destruirás; não farás com elas aliança, nem terás piedade delas" (Dt 7.1,2).
"Olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe" (Êx 21.24,25).

IGREJA

 

"Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem" (Mt 5.44)
"Somos injuriados, e bendizemos; somos perseguidos, e sofremos; somos blasfemados, e rogamos" (I Co 4.12,13).
"Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece- lhe também a outra" (Mt 5.39). 
Veja também Deuteronômio 21.18-21 e Lucas 15.20-23.

Nas reuniões de adoração também encontramos contrastes: Israel poderia adorar em um lugar {* o Templo de Jerusalém} apenas e a uma distância de Deus - somente poderia aproximar-se dele por meio de um sacerdote. A igreja adora em qualquer lugar onde haja dois ou três reunidos (ao nome do Senhor Jesus), tem "ousadia" para entrar no santuário e é composta de sacerdotes {* pois todos os crentes são sacerdotes}. Compare Levítico 17.8,9 com Mateus 18.20; Lucas 1.10 com Hebreus 10.19,20; Números 3.10 com I Pedro 2.5.

Nas profecias concernentes ao futuro de Israel e da Igreja, a distinção é ainda mais espantosa. A igreja será completamente retirada da terra, mas Israel será restaurada em seu maior esplendor e poder terreno. Veja o que as Escrituras dizem:


ISRAEL

 

"E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e por-lhe-ás o nome de Jesus. Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai. E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim" (Lucas 1.31-33). Dessas sete promessas a Maria, cinco já foram literalmente cumpridas. Mas que critério interpretativo nos autoriza a dizer que as duas restantes não serão também cumpridas?
"Simão relatou como primeiramente Deus visitou os gentios, para tomar deles um povo para o seu nome. E com isto concordam as palavras dos profetas, como está escrito: Depois disto voltarei, e reedificarei o tabernáculo de Davi, que está caído, levantá-lo-ei das suas ruínas, e tornarei a edificá-lo" (Atos 15.14-16). 
"Digo pois: Porventura rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum; porque também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. Digo, pois: Porventura tropeçaram, para que caíssem? De modo nenhum, mas pela sua queda veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação. Porque, se tu foste cortado do natural zambujeiro e, contra a natureza, enxertado na boa oliveira, quanto mais esses, que são naturais, serão enxertados na sua própria oliveira! Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades" (Rm 11.1,11,24-26). 
"E há de ser que naquele dia o Senhor tornará a pôr a sua mão para adquirir outra vez o remanescente do seu povo (...) E levantará um estandarte entre as nações, e ajuntará os desterrados de Israel, e os dispersos de Judá congregará desde os quatro confins da terra" (Is 11.11,12). 
"Porque o SENHOR se compadecerá de Jacó, e ainda escolherá a Israel e os porá na sua própria terra; e ajuntar-se-ão com eles os estrangeiros, e se achegarão à casa de Jacó" (Is 14.1). 
"Portanto, eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que nunca mais se dirá: Vive o SENHOR, que fez subir os filhos de Israel da terra do Egito. Mas: Vive o SENHOR, que fez subir os filhos de Israel da terra do norte, e de todas as terras para onde os tinha lançado; porque eu os farei voltar à sua terra, a qual dei a seus pais" (Jr 16.14,15).
"Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo  justo; e, sendo rei, reinará e agirá sabiamente, e praticará o juízo e a justiça na terra. Nos seus dias Judá será salvo, e Israel habitará seguro; e este será o seu nome, com o qual Deus o chamará: O SENHOR JUSTIÇA NOSSA" (Jr 23.5,6). 
"Eis que eu os congregarei de todas as terras, para onde os tenho lançado na minha ira, e no meu furor, e na minha grande indignação; e os tornarei a trazer a este lugar, e farei que habitem nele seguramente. E eles serão o meu povo, e eu lhes serei o seu Deus" (Jr 32.37,38). 
"Canta alegremente, ó filha de Sião; rejubila, ó Israel; regozija-te, e exulta de todo o coração, ó filha de Jerusalém. O SENHOR afastou os teus juízos, exterminou o teu inimigo; o SENHOR, o rei de Israel, está no meio de ti; tu não verás mais mal algum" (Sf 3.14,15).

IGREJA

 

"Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar- vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também" (Jo 14.2,3). 
"Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor" (I Ts 4.15-17). 
"Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas" (Fp 3.20,21). 
"Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados." (1 Coríntios 15:51,52) {*Inserção do editor}
"Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos" (I Jo 3.2)
"Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos. E disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro" (Ap 19.7-9).
"Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos" (Ap 20.6).
Pode-se dizer seguramente que a "judaização" da igreja fez mais para limitar seu progresso, perverter sua missão e destruir sua espiritualidade do que todas as outras causas combinadas. Em vez de perseguir o caminho escolhido de afastar-se do mundo e seguir o Senhor em seu chamado celeste, usou Escrituras dos judeus para justificar-se no rebaixamento de seus propósitos de civilização do mundo, de aquisição de riqueza, do uso de rituais imponentes, na edificação de igrejas grandiosas, na invocação das bênçãos de Deus sobre os conflitos militares, e na divisão de uma irmandade igualitária entre "clero" e "leigos".

C. I. Scofield

sábado, 31 de janeiro de 2015

Os Apóstolos Aprisionados e o Espírito Santo na Igreja

(Comentários Atos 4)

Como os apóstolos falavam ao povo, os sacerdotes e o comandante do templo e os saduceus vêm prendê-los. Estavam alarmados por eles pregarem a ressurreição, que a sua incredulidade e o seu sistema dogmático não aceitavam. Os apóstolos são metidos na prisão, porque era já tarde. A esperança de Israel fora posta de lado. Por muito grande e muito paciente que ela tenha sido, a graça de Deus falara em vão! Não obstante, muitos de entre aqueles que tinham ouvido a Palavra de Deus, creem — e já cinco mil homens confessam o Senhor Jesus!

A deliberada resposta do coração dos chefes do povo e a Pedra rejeitada pelos edificadores



Vimos a mensagem que Deus, em Sua graça, enviava a Israel, pela boca de Pedro. Vamos ver agora, não só o acolhimento que ela recebeu da parte dos chefes do povo, acolhimento já assinalado, mas também a resposta deliberada do coração destes, se coração lhe podemos chamar. No dia seguinte os chefes, os anciãos e os escribas, assim como Anás e seus parentes, reúnem-se em Jerusalém, e, colocando os apóstolos perante a assembleia, perguntam-lhes por meio de que poder e em que Nome eles tinham operado aquele milagre no homem paralítico (versos 5-7). Então Pedro, cheio do Espírito Santo, declara com a maior prontidão e inteira ousadia a todo o Israel que era por Jesus, que a nação tinha crucificado e que Deus tinha ressuscitado, que aquele homem tinha sido curado. Eis a questão posta bem formalmente entre Deus e os chefes de Israel, e isto pelo Espírito de Deus. Jesus era a Pedra rejeitada pelos edificadores e que se tornara a pedra angular; a salvação não se encontrava em nenhuma outra parte. Com os adversários e os chefes, o apóstolo não usa de nenhuma deferência, mas faz tudo para ganhar, para Cristo, o povo ignorante e extraviado. O Sinédrio reconhece aqueles que tem na sua frente como tendo sido os companheiros de Jesus. O homem curado estava ali. Que poderiam eles dizer ou fazer em face do povo, testemunha do milagre? Outra coisa não sabem fazer além de mostrarem uma decidida vontade contra o Senhor e contra o Seu testemunho, e ceder perante a opinião pública, tão necessária à sua importância pessoal, e à qual eles não ousavam resistir. Ordenam então aos apóstolos que não mais ensinassem em Nome de Jesus, e fazem-lhes ameaças. Podemos notar aqui que Satanás tinha instrumentos saduceus ordenados contra a doutrina da ressurreição, como tinha tido nos fariseus instrumentos contra um Cristo vivo. Devemos, pois, esperar e contar sempre com uma sistemática oposição de Satanás contra a verdade.

A ordenação de Deus ou a proibição do homem



Ora Pedro e João não deixam nenhuma dúvida quanto ao seu procedimento: Deus tinha-lhes ordenado que pregassem a Jesus, portanto, a proibição pronunciada pelo homem não poderia ter qualquer efeito sobre eles. "Não podemos deixar de falar das coisas que temos visto e ouvido", dizem eles (versos 19-20). Que singular posição esta em que os chefes do povo se encontram aqui! Um tal testemunho mostra claramente que os condutores de Israel estão descaídos da posição de intérpretes da vontade de Deus. No entanto, os apóstolos não os atacam; Deus os julgará. Mas agem diretamente da parte de Deus, e, quanto à obra que Deus lhes confiou, não têm em nenhuma consideração a autoridade desses condutores de Israel. O testemunho de Deus estava com os apóstolos, e não com os chefes do templo; e a presença de Deus estava na Igreja — e não no templo!

(Entre parênteses: Recordemos mais uma vez que a Igreja, a verdadeira Igreja é formada por todos os crentes sinceros, estejam eles onde estiverem — e não por edifícios ou instituições que sejam Obra de homens). (N. do T.).

O poder do Espírito Santo e a presença e direção de Deus no meio dos discípulos


Pedro e João voltam para os seus, porque havia já um povo à parte e conheciam-se uns aos outros. E todos, movidos pelo Espírito Santo (porque era lá, e não no templo, que Deus habitava pelo Seu Espírito), elevavam as suas vozes ao Deus governador de todas as coisas, reconhecendo que esta oposição dos chefes era, ao mesmo tempo, o cumprimento da Palavra, dos desígnios e das intenções de Deus. As ameaças de que eram objeto constituíam ocasião para pedirem a Deus que manifestasse o Seu poder em relação com o Nome de Jesus. Numa palavra, o mundo (compreendendo os Judeus, que dele faziam parte, na sua oposição) levantou-se contra Jesus, servo de Deus, e mostra-se oposto ao testemunho que Lhe é prestado. O Espírito Santo é a força desse testemunho, quer na coragem de que davam prova as testemunhas (verso 8), quer na Sua própria presença no meio da Igreja (verso 31), quer na energia do serviço (verso 33), quer nos frutos de novo produzidos no meio dos santos com uma energia que manifesta que o Espírito ultrapassa nos corações todos os motivos que influem sobre o homem e o faz andar por outros de que Ele é a fonte. Como vimos já, a energia do Espírito, em presença da oposição, cria os Seus frutos naturais entre aqueles em cujo meio Ele habitava. Outras pessoas vendem também os seus bens e depositam o produto da venda aos pés dos apóstolos. Entre estes menciona-se um homem que ao Espírito de Deus aprouve distinguir, a saber, Barnabé, da ilha de Chipre.

Em suma, o capítulo que acabamos de percorrer verifica, por um lado, o estado espiritual dos Judeus, a rejeição que eles fizeram ao testemunho que, em graça, lhes foi dirigido, e, por outro, o poder do Espírito Santo, a presença de Deus e a Sua direção entre os discípulos. Estes três capítulos (2 a 4) apresentam a primeira formação da Igreja e o precioso carácter que o Espírito Santo, habitando nela, lhe imprime. Ele apresenta-a na frescura da sua primeira beleza, tal como Deus a formou, e como
Sua habitação.

J. N. Darby

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Atos 4

Com freqüência, quando o mal penetra entre o povo de Deus, descobre-se que aqueles que são vencidos por aquele mal são os mais ativos. Quando tenho uma má consciência, ela me força à atividade; para tentar fazer calar minha consciência.

Leia em https://www.bibliaonline.com.br/acf/atos/4

At 4:1-12: Os líderes religiosos odiavam o nome de Jesus, e faziam tudo o que estava a seu alcance para impedir a pregação da morte e ressurreição de Cristo. Veja o que fizeram a homens inocentes. Em sua atividade religiosa, eles demonstram ser os inimigos de Deus, pois estavam agindo segundo suas próprias vontades (Pense nisto cuidadosamente). Quando Jesus estava aqui na Terra, eles O rejeitaram em Sua humilhação, agora rejeitam a Ele em Sua glória no céu.

At 4:11: Os construtores eram os líderes religiosos. (Que contraste com os construtores do tabernáculo em Êx 37). Israel havia recusado seu Messias, e o reino foi assim adiado. Mas os cidadãos celestiais eram para ser reunidos em um novo, eterno e celestial corpo de pessoas, chamado de igreja. Deus tornou-Se um Pai para cada um que crê. Daqui em diante vamos ler do crescimento da igreja (assembleia é a palavra mais adequada), e também da violenta oposição que Satanás levantou contra ela. Se os discípulos não tivessem recebido oposição dos líderes dos Judeus, não teriam tido a oportunidade de pregar o evangelho na reunião do conselho deles.

At 4:13-22: Eles não podiam negar os milagres (vers. 16), mas rejeitaram a Palavra de Deus. Eles lhes ordenaram que parassem de pregar no nome de Jesus. Pedro e João dão uma poderosa resposta.

At 4:23-30: Aqui notamos que a assembleia começava a ser vista como um grupo.

At 4:31-37:
Que demonstração do poder de Deus. Grande poder e grande graça em um mesmo versículo!
 

domingo, 10 de novembro de 2013

Princípios Fundamentais Sobre os Quais a Igreja é Edificada (Parte 1)

(Comentário Atos 2)

Na Palavra de Deus encontramos o pensamento de Deus com referência à igreja de Deus. Lemos em Atos 20 que a igreja é muito querida ao coração de Deus, pois Ele pagou por ela com o sangue do Seu único Filho. Ele zela por essa igreja para que ela possa seguir adiante e permanecer em todos os seus privilégios que lhe foram garantidos na Palavra de Deus pelo Espírito Santo enviado do céu.

A igreja de Deus era algo novo e distinto naqueles dias de Atos. Ela nunca havia sido o objeto de profecia direta, apesar de poder ser encontrada escondida em tipos e sombras desde o primeiro tipo mais importante que aparece na Bíblia, até a vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes. Mas quanto à sua existência real, a igreja de Deus nunca existiu até aquele dia memorável quando os 120 foram reunidos no cenáculo e o Espírito de Deus desceu e os batizou em um único corpo. A Cabeça ascendida no céu assumiu a responsabilidade de equipar Sua igreja com todos os dons necessários. Ele ainda vive, Ele ainda está na glória, Ele ainda cuida de Sua igreja, Ele ainda concede dons, e Ele ainda cuida de cada indivíduo que faz parte deste corpo.

No Novo Testamento, principalmente em Atos e na epístolas, todos os detalhes foram providenciados especialmente para nós, principalmente os princípios fundamentais sobre os quais a igreja foi edificada, e pelos quais – e para os quais – ela foi formada.

Quem Eram Eles?


Veja o versículo 42 do capítulo 2: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações". Diz que eles "perseveravam". Quem eram eles? O novo grupo, aquela companhia de pessoas batizadas com o Espírito de Deus, e batizadas com água para que se identificassem com essa nova posição aqui neste mundo.

Portanto aqui vemos uma companhia de pessoas batizadas; eles haviam recebido a Palavra e foram batizados. Naquele dia em particular, quando Pedro fez sua pregação, três mil almas foram acrescentadas. "E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações." Qualquer grupo de cristãos que rejeite qualquer uma destas quatro coisas não está agindo em conformidade com o plano que Deus tem em mente. Lembre-se: é a igreja dEle, e Ele é Quem decide o caminho, e tanto eu como você só estaremos obedecendo se estivermos seguindo aquilo que é a Palavra de Deus. Uma das características de um cristão é "perseverar".

A Doutrina dos Apóstolos


Qual destas quatro coisas vem primeiro no versículo 42? A doutrina dos apóstolos. Estamos vivendo numa época de superficialidade de pensamento. As pessoas dizem que a doutrina não faz nenhuma diferença, todavia ela faz toda diferença. A doutrina é algo solene, ela tem a preeminência, e você encontra isso repetidamente na Palavra de Deus.

Abra em 1 Timóteo 1, no final do versículo 10: "...e para o que for contrário à sã doutrina". Acaso Deus não se importa com o que você crê? Na mesma epístola, capítulo 4.13, "Persiste em ler, exortar e ensinar [doutrinar], até que eu vá". Acaso não faz diferença em que você crê? Dê atenção à doutrina. Então, no versículo 16, "Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem". Você quer ser usado para bênção de outros? Então permaneça na sã doutrina, pois vivemos numa época em que precisamos estar atentos quanto à sã doutrina.

Abra agora em 1 Timóteo 6.3,4: "Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo, e nada sabe". De nada vale se vangloriar de possuir um dom, de nada vale ostentar nossas talentosas habilidades, se nossa doutrina não se enquadrar na Palavra de Deus. Nada sabemos aparte da vontade revelada de Deus, como a encontramos na Palavra de Deus.

Em 2 Timóteo 1.13 lemos: "Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus". Eu e você não podemos nos permitir fazer experiências com a verdade de Deus. Em 2 João o apóstolo nos alerta: "Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho".

E outra vez, em 2 Timóteo 3.10, "Tu, porém, tens seguido a minha doutrina, modo de viver, intenção, fé, longanimidade, amor, paciência". A doutrina e o modo de viver são duas coisas que andam juntas. O homem irá lhe dizer que não faz nenhuma diferença em que você crê – que o mais importante é o modo de viver. Isto é falso. A doutrina vem primeiro. Você não pode viver certo se não crer certo. Não pense que você pode separar a conduta da doutrina. A única conduta correta que Deus pode contemplar com complacência é a conduta que deseja obedecer à Palavra de Deus revelada. Minha doutrina e minha conduta compõem meu modo de vida.

"Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências.; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas" (2 Tm 4.2-4). É aí que estamos; já atingimos este ponto; não suportarão a sã doutrina.

(Continua... )

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Os Dons do Espírito

Alguns dos dons do Espírito foram dados para "sinais", e como tal serviram para confirmar a Palavra para aqueles que eram incrédulos. (Atos 14.3; 1 Coríntios 14.22.) Eles não eram para ser utilizados, mesmo quando alguém os possuía, exceto para edificação. Quando se tratava de falar em línguas, devia-se permanecer em silêncio a menos que alguém pudesse interpretar o que era falado, de forma a edificar a assembléia. (1 Coríntios 14.27,28)

Quanto ao dom de línguas do versículo acima citado, não existe promessa de sua continuação, nem de qualquer um dos outros dons de sinais. (1 Coríntios 12.28-31.) A continuidade é prometida para aqueles dons que expressavam o amor de Cristo para com a igreja. (Efésios 4.11-16)

O dom de línguas servia para demonstrar a unidade de todos os crentes de todas as nações, unidade esta formada por Deus por ocasião da vinda do Espírito. (Atos 2.4-11; 1 Coríntios 12.13) Uma vez que a igreja de Deus falhou de forma tão evidente em expressar exteriormente esta unidade, o dom de línguas, assim como todos os dons de sinais, já não são manifestos em nossos dias. Aqueles que professam possuir estes dons devem ser provados à luz das Escrituras. O dom de línguas na Bíblia não se tratava da manifestação de línguas ininteligíveis, mas línguas bem conhecidas e faladas neste mundo. (Atos 2.8.) Quando se tratava de efetuar curas, ninguém saía desapontado. Todos eram curados. (Atos 5.16.) É bom provar, por estas passagens bíblicas, aqueles que proclamam possuir o dom de línguas e de cura nos dias de hoje. (1 Coríntios 4.19,20.)

Além do mais, "os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas". O Espírito de Deus não força um homem a falar a qualquer hora, ou de qualquer maneira, e quando alguém ministra, seu ministério deve ser objeto de um julgamento espiritual por parte de seus irmãos. Além disso, aqueles que falam devem falar um de cada vez, caso contrário haverá confusão. (1 Coríntios 14.27-33.)

Os dons do Espírito não se tratam de habilidades santificadas, mas de uma verdadeira comunicação daquilo que não era possuído anteriormente, embora colocado em um vaso preparado por Deus para esse uso.

Os dons apresentados em 1 Coríntios 12 eram as várias manifestações do Espírito, ali dispostas por Deus e administradas pelo Senhor, e suas operações eram pelo Espírito. Seu uso devia ser para edificação. (1 Coríntios 14.)

Para a época em que a igreja de Deus se transformou numa "grande casa", a palavra em 1 João 4.1 é: "provai se os espíritos são de Deus". Duas coisas devem caracterizar o verdadeiro ministério pelo Espírito: primeiro, deve haver a confissão da verdadeira Deidade e Humanidade de Jesus Cristo; segundo, deve haver submissão à doutrina dos apóstolos conforme é dada na Palavra. Isto é muito importante. (1 João 4.2,6.)

Todo crente é habitado pelo Espírito, e sabe disso pelo amor de Deus que é derramado em seu coração. (Efésios 1.13; 1 Coríntios 6.19; Romanos 5.5.)

Toda bênção cristã é um dom. Não recebemos essas bênçãos por nossos próprios esforços ou orações. Nós as recebemos quando a fé recebe a Cristo, e crê no evangelho da Sua graça. (Efésios 1.3.) Aqueles que creram no evangelho no dia de Pentecostes, receberam também o dom do Espírito. (Atos 2.38.)

O nosso desfrutar daquilo que temos recebido depende do nosso andar. (Romanos 15.13; Efésios 4.30; 1 Coríntios 2.15.) Andemos cuidadosamente, em oração, submissos à Palavra, e julgando tudo aquilo que possa impedir a ação do bendito Espírito de Deus em nos mostrar as coisas que pertencem a Cristo.

É importante lembrar que as Escrituras são inspiradas pelo Espírito de Deus (2 Pedro 1.21), e que o Espírito nunca guiará alguém por um caminho contrário à Palavra.

domingo, 27 de outubro de 2013

O Batismo do Espírito Santo

(Comentário Atos 2)

O batismo com o Espírito Santo aconteceu no dia de Pentecostes quando todo aquele grupo reunido no andar superior da casa recebeu o Espírito Santo. Naquela ocasião o Espírito Santo "encheu toda a casa" (Atos 2.2), e encheu também cada um dos que estavam na casa. (vers. 4.) 

As "línguas repartidas" demonstravam o propósito de Deus em fazer tanto judeus como gentios um em Cristo, enquanto que o fato de serem "como que de fogo" (figura de um juízo), nos faz lembrar que "a santidade convém à tua casa, Senhor, para sempre". (Salmo 93.5) Isto se tornou evidente no julgamento de Ananias e Safira. (Atos 5) Algo similar ao batismo com o Espírito aconteceu quando os gentios foram publicamente recebidos, em Atos 10.44 e 11.15. É a isso que se refere 1 Coríntios 12.13, quando foi dada a Paulo a revelação da verdade da igreja como sendo o Corpo de Cristo.

Uma vez que a igreja já foi formada, o batismo com o Espírito não se repete em nossos dias. Hoje os crentes são acrescentados, à medida que cada um recebe o Espírito Santo individualmente, como consequência de sua fé em Cristo e na Sua obra. (Efésios 1.13)

É bom frisar que em nossos dias o Espírito não é dado pela imposição de mãos. Além disso, mesmo na igreja primitiva, o Espírito nem sempre foi recebido desta maneira (veja Atos 10.44), mas Deus usou este meio em ocasiões especiais para preservar a igreja dos grupos nacionais independentes entre si. Foi o cumprimento de João 11.52. Podemos ver isto quando os samaritanos foram recebidos. (Atos 8.17) Também quando foi recebido Saulo de Tarso, para que a ele pudesse ser dada a verdade de que os crentes em Cristo são um com Ele e para que Saulo pudesse se identificar com eles. (Atos 9.4,28) Vemos isto novamente quando alguns gentios, que conheciam apenas o batismo de João, foram recebidos. (Atos 19.6). "Há um só corpo e um só Espírito." (Efésios 4.4)

H. E. Hayhoe. Fonte: http://tinyurl.com/mhqor79

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

"Este é meu Nome Eternamente"

(Comentário Êxodo 3)

"E disse Deus mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O SENHOR, O DEUS de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque; e o Deus de Jacó, me enviou a vós: este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração."  (v. 15)

Esta declaração encerra uma verdade muito importante — uma verdade que muitos crentes professos parece terem esquecido, a saber: que a relação de Deus com Israel é eterna. Ele é tanto o Deus de Israel agora como o era quando os visitou na terra do Egito. Além disso, Ele ocupa-Se com Israel agora tanto como então, se bem que de um modo diferente. A Sua Palavra é clara e explícita: "este é meu nome eternamente". Não diz "este é meu nome por um tempo, tanto tempo quanto eles continuarem a ser o que devem ser". Não; mas "este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração". 

Que o leitor pondere isto. "Deus não rejeitou o seu povo, que antes conheceu" (Rm 11:2). Obedientes ou desobedientes, unidos ou dispersos, manifestos perante as nações ou escondidos da sua vista, são ainda o Seu povo. São o Seu povo e o Senhor é o seu Deus. A declaração do versículo 15 do capítulo 3 de Êxodo é irrefutável. A igreja professa não pode justificar-se de ignorar uma relação que Deus diz deve durar eternamente. Tenhamos cuidado como empregamos a palavra "eternamente". Se dissermos que não significa eternamente, quando aplicada a respeito de Israel, que provas temos de que quer dizer eternamente quando aplicada a nosso respeitou? Deus quer dizer aquilo que diz; e em breve mostrará aos olhos de toda a terra que a Sua relação com Israel sobrevirá todas as resoluções do tempo. "Porque os dons e avocação de Deus são sem arrependimento" (Rm 11:29). Quando o Senhor disse "este é meu nome eternamente" falou em sentido absoluto. "EU SOU" declarou que é o Deus de Israel para sempre, e os gentios serão obrigados a compreender esta verdade e a inclinarem-se perante ela, assim como a reconhecer que todos os desígnios providenciais de Deus a seu respeito bem como o seu próprio destino estão ligados de um modo ou de outro com esse povo favorecido e honrado, ainda que julgado e disperso agora. 

"Quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações, quando dividia os filhos de Adão uns dos outros, pôs os termos dos povos, conforme o número dos filhos de Israel. Porque a porção do SENHOR é o seu povo; Jacó é a parte da sua herança" (Dt 32:8-9). Isto deixou de ser verdade? O Senhor perdeu a Sua "porção" e largou "a parte da sua herança"? A Sua vista de terno amor já não está fixada sobre as tribos dispersas de Israel, há muito tempo perdidas para a visão humana? Os muros de Jerusalém já não estão perante Ele? Ou deixou o seu pó de ser precioso aos Seus olhos? Para responder a estas interrogações seria preciso citar uma grande parte do Velho Testemunho e uma parte não menor do Novo, mas este não é o lugar para examinar pormenorizadamente um tal assunto. Quero apenas dizer, em conclusão deste capítulo, que a Cristandade não deve ser ignorante "Certo sim! este segredo... que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. E, assim, todo o Israel será salvo" (Rm 11:25-26).

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Atos 2 (Parte 2)

Leia em http://www.bibliaonline.com.br/acf/atos/2

At 2:5-13 Muitas pessoas de diferentes raças e idiomas (línguas) que estavam em Jerusalém escutaram os apóstolos falarem miraculosamente nestas línguas estrangeiras das "grandezas de Deus". O evangelho podia assim alcançar rapidamente muitas línguas e nações. A Igreja de Deus na Terra foi formada nesse dia. Trata-se da data de nascimento da igreja (1 Co 12:12-13). Todos os crentes em Cristo foram formados em "um corpo". Deus gostaria que demonstrássemos essa unidade hoje.

At 2:14-40 Pedro prega que Jesus de Nazaré era agora Senhor e Cristo - vers. 36. Ele confronta abertamente uma grande multidão, pelo menos 3.000 (vers. 41), e simplesmente expõe os fatos; a morte de Cristo e Sua ascensão à glória, usando constantemente as Escrituras do Antigo Testamento.

At 2:41-47 Que mudança aconteceu na vida dessas 3.000 almas. Note 17 coisas sobre estes crentes. Você pode encontrar todas elas? Estes são os gozos e privilégios que você pode ter hoje.

A Descida do Espírito Santo

(Comentário Atos 2)

O tempo determinado chegara. A redenção tinha sido cumprida, Deus tinha sido glorificado - Cristo estava à destra do Pai no céu, e o Espírito Santo descera à terra. Deus inaugura a igreja e o faz de maneira condizente com Sua sabedoria, poder e glória. Um poderoso milagre foi realizado, um sinal exterior foi dado. O grande evento é registrado como segue abaixo.

Atos 2. “E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; e de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.” É bom fazermos uma pausa aqui para percebermos algumas coisas relacionadas à descida do Espírito Santo e à demonstração de Seu poder nesse importante dia.

Em primeiro lugar houve a consumação da promessa do Pai; o próprio Espírito Santo foi enviado dos céus. Essa era a grande verdade de Pentecostes. Ele veio do alto para habitar na igreja - o lugar preparado para Ele pela aspersão do sangue do Jesus Cristo. Houve também o cumprimento da palavra do Senhor aos apóstolos: “Vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (Atos 1:5). Os discípulos não tinham a menor ideia do significado dessa palavra, mas o fato estava consumado. A revelação total da doutrina de “um só corpo” aguardava os ensinamentos de Paulo. “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito” (1 Coríntios 12:13).

Porém, além dos vários dons concedidos para o serviço do Senhor, temos algo mais bendito da perspectiva pessoal e inteiramente novo sobre a terra. O próprio Espírito Santo veio para habitar, não apenas na igreja, mas também em cada indivíduo que crê no Senhor Jesus. E, louvado seja o Senhor, que isso é tão verdadeiro hoje como foi no primeiro dia. Ele habita agora em cada crente que descansa na obra consumada de Cristo. Tendo em mente esse dia, o Senhor disse: “Vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós” (João 14:17). Esses dois grandes aspectos da presença do Espírito foram cumpridos na íntegra no dia de Pentecostes. Ele veio habitar em cada cristão e na igreja, e agora - gloriosa verdade — sabemos que Deus não apenas é por nós, mas em nós e conosco.

Quando “Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude” (Atos 10:38), Este apareceu em forma de pomba - belo emblema da pureza imaculada, da bondade e da humildade de Jesus. Ele não fazia ouvir Sua voz nas ruas, ou esmagava a cana quebrada, nem apagava o pavio que fumega (Isaías 42:3). Mas no caso dos discípulos que esperavam em Jerusalém, o que aconteceu foi totalmente diferente. O Espírito desceu como línguas de fogo e pousou sobre cada um. Isso foi característico. Foi uma demonstração do poder de Deus, não apenas para Israel, mas um prenúncio para todas as nações da terra. A Palavra de Deus também julgou tudo o que ocorreu antes disso - as línguas eram de fogo. O julgamento de Deus em relação ao homem por causa do pecado foi judicialmente expresso na cruz, e agora esse solene fato se tornará conhecido por toda a parte, devido ao poder do Espírito Santo. No entanto, a graça reina - reina através da justiça, da vida eterna por Cristo Jesus. O perdão é proclamado para o culpado, a salvação para o perdido, a paz para o atribulado, o descanso para o cansado. Todos os que creem são, e sempre serão abençoados no e com o ressurreto e glorificado Cristo.

A surpresa e a consternação do Sinédrio e do povo judeu, sem dúvida foram enormes com o reaparecimento, em tal poder, dos seguidores do Jesus crucificado. Eles haviam concluído que, agora que o Mestre estava morto, os discípulos não iriam fazer mais nada. A maioria daqueles homens eram pessoas simples, sem educação. Mas como o povo deve ter ficado espantado ao ouvir esses homens modestos pregando ousadamente nas ruas de Jerusalém, e convertendo milhares a um relacionamento vivo com Jesus! Mesmo sob o ponto de vista histórico, essa cena é cheia do mais emocionante interesse, e não encontra nenhum paralelo nos anais do tempo.

Jesus fora crucificado e, segundo a opinião popular, Suas declarações de que Ele era o Messias tinham sido sepultadas junto com Seu corpo. Os soldados que guardavam Seu sepulcro foram subornados para espalhar um falso testemunho acerca de Sua ressurreição; a excitação das pessoas já tinha passado; a cidade e a adoração no templo haviam retornado ao ritmo normal, como se nada tivesse acontecido. Porém, da parte de Deus, as coisas não seriam silenciosamente ignoradas. Ele esperava o tempo determinado para defender Seu Filho, e fazer isso no mesmo lugar de Sua humilhação. Isso ocorreu de manhã cedo no dia de Pentecostes. Repentina e inesperadamente, Seus dispersos discípulos reapareceram com um miraculoso poder. Ousadamente acusaram os líderes e o povo pela prisão, julgamento e crucificação de Jesus e afirmaram com todas as letras que estes haviam assassinado o Messias prometido, mas que Deus O levantou para ser Príncipe e Salvador, assentando-O à Sua destra no céu. “Onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Romanos 5:20).

Podemos dizer que a sentença sobre Babel foi o reverso desse maravilhoso dia. Através de diferentes línguas, as quais os homens receberam como condenação pela justa ira de Deus, a salvação foi proclamada. Essa poderosa e miraculosa obra divina atraiu a multidão. Todos estão assombrados, especulando o que seria aquela estranha cena. Cada um, na língua própria de seu país de origem, ouvia dos lábios de galileus iletrados as maravilhosas obras de Deus. Os judeus que moravam em Jerusalém, não entendendo as línguas estrangeiras, zombavam deles. Então Pedro se levantou e explicou em sua própria língua, provando com as Escrituras o verdadeiro caráter do que acontecia.

A. Miller. Fonte: http://tinyurl.com/o4nmum7

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O Dia de Pentecostes

(Comentário Atos 2 - Parte 1)

A festa judaica de Pentecostes pode ser chamada de o dia do nascimento da igreja cristã. Essa era também a data em que se comemorava a entrega das tábuas da lei a Moisés, no monte Sinai. Aparentemente, judeus não comemoravam esse evento. Cinquenta dias após a ressurreição do Senhor, a igreja foi formada e sua história teve início. Os santos do Antigo Testamento não faziam parte dessa igreja do Novo Testamento. Ela nunca existiu de fato, até o dia de Pentecostes.

Todos os santos, desde o início, tiveram direito à mesma vida eterna, já que todos são filhos do mesmo Deus e Pai, e todos morarão no mesmo céu; mas os santos do Antigo Testamento pertencem a outras dispensações, que aconteceram antes da vinda de Cristo. Nas Escrituras, cada dispensação tem seu início, desenvolvimento, declínio e término e todas terão seu próprio reflexo no céu. Tanto as pessoas quanto as dispensações em que elas viveram serão indistintas lá.

Por isso, em Hebreus 11, ao falar sobre os antigos heróis da fé, o apóstolo diz: “E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa, provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados” (vv. 39-40). Obviamente, se Deus proveu alguma coisa melhor para nós, tem de ser alguma coisa diferente também. Não nos oponhamos própria palavra de Deus. Além disso, em Mateus 16 diz: “Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja” (v. 18). E ao mesmo tempo, Ele deu as chaves para Pedro abrir as portas da nova dispensação. Até então, Ele não tinha edificado sua igreja, e as portas do reino não estavam abertas. Mas a diferença entre o antigo e o novo se tornará mais evidente quando falarmos dos grandes eventos do dia de Pentecostes. Vamos começar com os tipos de Levítico 23.

Foi ordenado aos filhos de Israel que levassem ao sacerdote um feixe das primícias da colheita deles, para que ele o movesse diante do Senhor, a fim de que o povo fosse aceito por Deus (vv. 9-11). Acreditamos que esse ritual prenunciava a ressurreição de nosso Senhor, na manha seguinte ao sábado judeu, base da aceitação cristã diante de Deus no Cristo ressurreto. “Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando houverdes entrado na terra, que vos hei de dar, e fizerdes a sua colheita, então trareis um molho das primícias da vossa sega ao sacerdote; e ele moverá o molho perante o Senhor, para que sejais aceitos; no dia seguinte ao sábado o sacerdote o moverá” (veja Mateus 28 e Marcos 16).

A festa de Pentecostes era celebrada sete semanas após o mover dos feixes. A oferta das primícias era considerada o primeiro dia da colheita na Judeia, supostamente no dia de Pentecostes celebrava a colheita final do milho como totalmente realizada. Então eles tinham uma santa convocação. Dois pães, feitos com a farinha da nova colheita, caracterizavam essa festa. Os pães tinham de conter fermento e de serem trazidos de cada casa. Alguns pensam que esses dois pães prefiguravam a convocação para formar a igreja, composta tanto por judeus quanto pelos gentios. Pode ser, mas o que importa aqui é o número. Em Israel eram necessárias duas pessoas para validar um testemunho. O fermento indica, sem dúvida, o pecado que habita dentro do crente e, é claro, na igreja, vista em sua condição temporal.

Juntamente com a oferta movida - belo tipo do ressurreto Cristo puro e santo - eram oferecidos sacrifícios de aroma suave, mas nenhum sacrifício pelo pecado. Já com os dois pães - tipo dos que estão em Cristo - uma oferta pelo pecado se faz necessária, pois o pecado está presente e tem de ser coberto. Embora o perfeito e definitivo sacrifício de Cristo resolvesse totalmente a questão da natureza pecaminosa e dos pecados cometidos ao longo da vida, ainda na prática e na experiência, o pecado habita em nós e habitará enquanto estivermos neste mundo. Todos reconhecem isso, embora nem todos possam compreender a perfeição da obra de Cristo. O cristão foi aperfeiçoado para sempre através de uma única oferta, ainda que tenha de se humilhar e confessar a Deus cada falha.

O significado simbólico de Pentecostes ficou evidenciado de maneira notável na descida do Espírito Santo. Ele desceu para reunir os filhos de Deus que se achavam espalhados (João 11:52). Devido a esse grande evento, o sistema do judaísmo foi colocado de lado, e um novo vaso do testemunho - a igreja de Deus - foi introduzido ao mundo. 

A. Miller. Fonte: http://tinyurl.com/ol75k56

Atos 2 (Parte 1)

Quando confio na bondade do Senhor, posso esperar nEle; quando existe algum problema, devo primeiro sentir qual é a minha parte nele; então verei Sua mão claramente.

Leia em http://www.bibliaonline.com.br/acf/atos/2

At 2:1-13 A palavra "Pentecostes" significa "quinquagésimo". foi no quinquagésimo dia após a morte do Senhor, que o Espírito Santo desceu à Terra. Sete semanas (7 Sábados) mais um dia, chegando ao Domingo, o dia do Senhor. Trata-se do dia do Cristianismo - o primeiro dia da semana. Cristo é o fim da lei - Gl 2:16-21. Por intermédio da vinda do Espírito Santo à Terra, (o Qual é uma Pessoa distinta) uma grande mudança acontece. Já não é mais no Tabernáculo ou no Templo que Deus habita. O Espírito Santo vive agora no corpo de cada crente. (1 Co 3:16; 2 Co 6:16; 2 Co 5:17) - tudo mudou.

At 2:3 "Repartidas" significa divididas, implicando as muitas línguas faladas. Falar em línguas significa falar claramente e sobriamente em uma outra língua para que aqueles que escutam possam entender. Estes eram pescadores incultos da Galileia. Eles demonstraram o poder de Deus. Hb 2:3-4 nos diz claramente que estes sinais e maravilhas aconteciam no início da pregação do Evangelho da graça de Deus. "De fogo" nos falaria do castigo que os que rejeitam a Cristo deverão receber (veja Jo 16:7-11).

terça-feira, 24 de setembro de 2013

A Ressurreição e Ascensão de Cristo

(Comentário Atos 1)

Encarnação, Crucificação e Ressurreição são os grandes fatos ou verdades fundamentais da igreja e do cristianismo. A encarnação foi necessária à crucificação e ambas à ressurreição. É uma verdade bendita que Cristo morreu na cruz por nossos pecados, porém, é igualmente verdade que o crente morreu em Sua morte (Romanos 6; Colossenses 2). A vida cristã é vida na ressurreição. A igreja está edificada sobre o Cristo ressurreto. Nenhuma verdade pode ser mais abençoada e maravilhosa que a encarnação e a crucificação, mas a igreja está associada com a ressurreição e glorificação de Cristo.

Em Atos 1 temos um quadro do que está relacionado à ressurreição e ascensão do Senhor; e também com os atos dos apóstolos antes da descida do Espírito Santo. O maravilhoso Senhor ainda fala e age por intermédio do Espírito Santo. Foi “pelo Espírito Santo” que Ele deu ordenanças aos apóstolos que escolhera. Isso é digno de nota por nos ensinar duas coisas:
  1. O caráter de nossa união com Cristo; o Espírito Santo no cristão e no Senhor ressurreto os une um ao outro de maneira extraordinária. “Mas o que se ajunta com o Senhor é um mesmo espírito” (1 Coríntios 6:17). Pelo “mesmo Espírito” ambos são unidos.
  2. Esse importante fato chama a atenção para a abençoada verdade de que o Espírito Santo habita e age no cristão, também após este estar efetivamente na ressurreição. Naquele momento, Ele não terá - como tem agora - a carne em nós para combater, mas irá nos conduzir sem qualquer impedimento às glórias do céu — à jubilosa adoração, ao abençoado serviço, e à plenitude da vontade de Deus.
O Senhor ressurreto ordena aos apóstolos a aguardarem em Jerusalém pela “promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (Atos 1:4-5). Não se trata mais de uma questão de promessas temporais a Israel, isso será adiado para um dia futuro. A promessa do Pai em relação ao Espírito Santo era uma coisa inteiramente distinta, e com resultados radicalmente diferentes.

O Senhor falou muitas coisas relativas ao reino de Deus com Seus apóstolos, subiu aos céus e então uma nuvem impediu que eles O vissem. A volta do Senhor também é prenunciada de maneira clara e cristalina nessa mesma ocasião. “E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco. Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir” (Atos 1:9-11). A partir dessas palavras fica evidente que Ele subiu pessoal, visível e corporalmente, e que é dessa mesma forma que Ele deverá vir - Ele aparecerá novamente entre as nuvens, e será manifesto aos povos sobre a terra, pessoal, visível e corporalmente; mas dessa vez com poder e grande glória.

Os apóstolos e discípulos tiveram de aprender duas coisas:
  1. Que Jesus foi tomado desse mundo e levado aos céus.
  2. Que Ele virá novamente. O testemunho deles se baseava sobre esses dois grandes fatos. Jerusalém seria o ponto de partida do ministério apostólico, e para isso teriam de esperar pelo poder de cima. Agora chegamos ao segundo grande evento, e mais importante de todos, que se relaciona à condição humana neste mundo - o dom do Espírito Santo. Já não seria Deus por nós, mas Deus em nós. Isso aconteceu no dia de Pentecostes.

A. Miller. Fonte: http://tinyurl.com/om2b9e6

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Gênesis 48


A Palavra revela Cristo como Aquele que fez toda a obra e Aquele que merece toda a glória.

As 12 tribos de Israel eram as famílias dos 12 filhos de Jacó. Mas não havia uma tribo de José! Todavia algo melhor aconteceu. Os dois filhos de José foram elevados a esta honra. Naqueles dias o filho mais velho recebia o dobro dos outros (Dt 21:17). Mas José não era o filho mais velho! Abra em 1 Cr 5:1 e você verá que José recebeu a primogenitura e o por quê disso! Assim ele recebeu porção dobrada. Leia também Ez 47:13. Adão foi como o primogênito, mas por haver pecado, perdeu a bênção. O Senhor Jesus (sendo como o segundo - 1 Co 15:47) recebeu a porção dobrada... a igreja, Sua esposa, composta de dois povos, os Judeus crentes e os Gentios crentes.

Gn 48:1-4 Uma bênção especial para José.

Gn 48:5-22 Os dois filhos de José. Jacó sabia melhor que José o que Deus queria. Mesmo Jacó sendo cego, ele podia enxergar melhor! Às vezes quando somos mais cegos para as coisas deste mundo, vemos melhor as coisas de Deus (2 Co 4:18). O filho mais jovem é elevado acima de seu irmão mais velho. (Mais uma vez como Adão e Cristo).

Gn 48:15-16 Que final feliz para a longa vida de Jacó, e que bela coisa para se dizer do cuidado de Deus para com ele.

sábado, 13 de julho de 2013

Instruções Finais

(Comentário Romanos 16)

TEMOS agora as observações finais e as saudações. O Senhor não deixaria a devota Febe esquecida. Ela era uma diaconisa, ou serva, na igreja em Cencréia. "Para que a recebais no Senhor, como convém aos santos, e a ajudeis em qualquer coisa que de vós necessitar; porque tem hospedado a muitos, como também a mim mesmo." (Rm 16.2) Estes versículos derramam muita luz sobre o verdadeiro caráter dos diáconos, que eram nomeados pelos apóstolos antes que a triste ruína tivesse tomado conta da igreja. Não há aqui nem mesmo uma sombra da ideia clerical moderna. "Hospedado a muitos." Fica evidente que sua atuação era nas coisas temporais. Ela deveria ser recebida no Senhor, naquela comunhão. E que maravilhoso amor e cuidado vemos aqui. Ela deveria ser auxiliada em tudo o que fosse necessário em Roma. Nisto alguém poderia dizer: Vejam como esses cristão amam uns aos outros.

Nesta ocasião encontramos também Priscila e Áquila em Roma, e sua devoção é também assinalada. Naquele tempo não havia uma "basílica de São Pedro", mas "a igreja que está em sua casa". (Rm 16.5) E, até o versículo 16, vemos vários grupos de santos, que parecem pertencer a diferentes casas, formando todos a única assembléia de Deus* em Roma. (Veja os versículos 14 e 15.) "E aos irmãos que estão com eles"; ou, "a todos os santos que com eles estão". (Rm 16.14,15) Portanto, existiam aqueles que assumiam uma supervisão dessas várias companhias de irmãos, ou santos. Os tais foram chamados de anciãos, ou bispos, em outras epístolas mais antigas. Mas por que não há aqui nenhuma referência a um bispo de Roma? Simplesmente porque não existia uma tal pessoa. E não é notável que não exista nesta epístola nenhuma palavra que possa ser usada para autorizar o episcopado de Roma? Quão surpreendente é a maneira como isto demonstra a sabedoria e o pré-conhecimento que Deus tinha das coisas que iriam acontecer ali!

[*] O autor, que viveu no século 19, usa as expressões "assembléia de Deus" e "igreja de Deus" no seu sentido bíblico, o que inclui todos os salvos. Quando este livro foi escrito, ainda não existiam as organizações religiosas que arvoram os títulos de "Assembléia de Deus" ou "Igreja de Deus". (N. do T.)

Compare agora a Roma daqueles dias com a que existe hoje, e veja o contraste. Se voltássemos àquela igreja que estava em Roma, conforme a vemos nas saudações, o que iríamos encontrar? Nada de papa, ou bispo de Roma, nem cardeais, nem clero, monges ou freiras; nem mesmo um só padre celebrando missa; nem grandes edifícios chamados de igrejas. Encontraríamos, isto sim, diferentes reuniões de santos por chamado, conhecendo que seus pecados haviam sido perdoados; justificados de todas as coisas; tendo paz com Deus; estando capacitados a admoestar uns aos outros. Todas essas assembléias, em casas ou diferentes lugares, estavam sob os cuidados do Espírito Santo, e irmãos que trabalham são reconhecidos em cada uma delas -- sendo todos membros do um só corpo de Cristo. Somos levados a reconhecer que não existe nenhuma semelhança entre a igreja em Roma no ano 60, e a Igreja de Roma dos dias atuais. Roma é claramente um desvio da verdadeira igreja de Deus.

Não é notável que a única pessoa citada como tendo um ofício -- se assim considerarmos a diaconisa -- é uma mulher? E para que as pessoas saudadas não fossem depois consideradas, ou mencionadas, como sacerdotes, ou episcopoi, há, entre os nomes, mulheres que são citadas. Quão belo era quando os irmãos estavam assim juntos na unidade do Espírito, e havia alguns irmãos e irmãs que muito trabalhavam no Senhor -- como a "amada Pérsida". (Rm 16.12) Querido jovem crente, acaso existiria alguma razão pela qual não deveríamos nos contentar, nos dias de hoje, com uma igual simplicidade?

"E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem (ou formam) dissensões (ou divisões) e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles." (Rm 16.17) Há duas coisas que devemos notar cuidadosamente. A divisão é, em si mesma, um mal -- é fortemente condenada em outras passagens. (Veja 1 Coríntios, capítulos 1 e 3.) Aprendemos também que, se alguém estivesse praticando algum mal, ao causar ou formar divisões, contrariamente à doutrina que haviam recebido, os outros deveriam evitá-los; isto é, deveriam separar-se dos tais. Mas será que os crentes que se separam e evitam aqueles que formam divisões não estarão também formando uma seita, ou divisão? Não; a obediência à Palavra não é divisão. E vou mais além: aqueles que causam divisões devem sempre ficar cientes do espírito no qual estão agindo. "Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre." (Rm 16.18) Nunca erraremos, se Cristo for nosso único objetivo. Que feliz, portanto, quando pode ser dito que, "quanto à vossa obediência, ela é conhecida de todos. Comprazo-me pois em vós; e quero que sejais sábios no bem, mas símplices no mal." (Rm 16.19) Trata-se de algo mortífero para a vida espiritual ficar ocupado com o mal.

"E o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés." (Rm 16.20) Isto é certo: seja perseguindo ou seduzindo, isso só durará por um pouco de tempo. Ele continua sendo o acusador, mas muito em breve será esmagado. Enquanto isso, "A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo seja convosco. Amém." (Rm 16.20) Isto é repetido também nos versículos 20 e 24. Sim, a graça, o claro favor, o imutável amor, livre e soberano, "seja convosco". Segue-se, então, a saudação de outros. Mas até Timóteo é chamado aqui de "cooperador". (Rm 16.21) Que genuína humildade e amor fraternal!

Da mesma forma como Paulo encomendou os anciãos de Éfeso, em Atos 20, aqui ele diz (nos versículos 25-27) que Deus é capaz de confirmar todos os crentes em conformidade com aquilo que Paulo chama de "meu evangelho", minhas boas novas. As boas novas comissionadas a Paulo têm um amplo espectro. O fundamento sólido daquelas boas novas já pudemos ver desdobrados nesta epístola -- a justiça de Deus revelada em justificar o ímpio -- tanto no que se refere aos pecados, até o capítulo 5.11, como também ao pecado, do capítulo 12 ao 18.4. Ela contém também as boas novas de libertação do pecado e da lei; paz com Deus; nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus, seja com respeito aos pecados ou ao pecado; e nenhuma separação possível do amor de Deus que há em Cristo Jesus.

Há aqui também uma breve referência a uma revelação que vai ainda mais além, a do mistério que foi mantido em segredo desde o começo do mundo. Este mistério é explicado na sua plenitude em Efésios 3. Não foi feito manifesto nas Escrituras dos tempos do Antigo Testamento. E como poderia, já que era mantido então como um profundo segredo? Todavia foi revelado pelas Escrituras proféticas, isto é, aquelas do Novo Testamento. De qualquer modo, é notável com que rapidez esse mistério celestial foi perdido, e a cristandade voltou a um judaísmo terreno. Não apenas colocou-se sob a lei em busca de justiça, mas também estabeleceu um governo mundano na igreja, numa imitação do judaísmo, de maneira que muito cedo qualquer característica da igreja, conforme é vista nas Escrituras, acabou ficando perdida por muitos séculos. Assim é o homem. Ele sempre agiu tolamente; toda a sua sabedoria não passa de pura tolice.

As palavras finais da epístola nos dirigem, não ao homem ou àquela que se chama a si própria de igreja, mas "ao único Deus, sábio, seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém." (Rm 16.27) Não importa o quanto o homem tenha falhado; não importa o quanto a igreja possa falhar como um testemunho de Deus sobre a Terra; Deus será eternamente glorificado, por Jesus Cristo nosso Senhor. Amém.

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