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quinta-feira, 19 de maio de 2016

A Segunda Objeção do Faraó

(Comentário Êxodo 8)

A segunda objeção do Faraó participava muitíssimo do caráter e tendência da primeira. "Então, disse Faraó: Deixar-vos-ei ir, para que sacrifiqueis ao SENHOR vosso Deus no deserto; somente que, indo, não vades longe" (capítulo 8:28). Não podendo retê-los no Egito, procurava ao menos retê-los perto das fronteiras, para poder agir contra eles por meio das diversas influências do país. Desta forma o povo podia ser reconduzido e o testemunho mais facilmente aniquilado que se eles nunca tivessem saído do Egito. Aqueles que tornam para o mundo, depois de aparentemente o terem deixado, causam muito mais dano à causa de Cristo do que se nunca se houvessem afastado dele; porque virtualmente confessam que, tendo provado as coisas divinas, descobriram que as coisas terrenas são melhores e satisfazem mais.

E isto ainda não é tudo. O efeito moral da verdade sobre as consciências dos incrédulos é tristemente embaraçado pelo exemplo dos professos que regressam às coisas que aparentemente haviam deixado. Não é que tais casos concedam autorização a ninguém para rejeitar a verdade de Deus, tanto mais que cada um é responsável por si mesmo e terá de prestar contas dos seus atos a Deus. Contudo, o efeito produzido é, como em tudo mais, mau. "Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado" (2 Pe 2:20-21).

Por esse motivo, se as pessoas não estão dispostas a ir longe, é melhor não partirem. O inimigo sabia isto bem; daí a sua segunda objeção. Uma posição de proximidade satisfaz admiravelmente os seus propósitos. Aqueles que ocupam esta posição não são nem uma coisa nem outra; com efeito, qualquer que seja a sua influência, conduz, infalivelmente, para o lado mau.

É muito importante ver claramente que o fim de Satanás em todas estas objeções era pôr obstáculos ao testemunho que só podia ser rendido ao nome do Deus de Israel por meio de uma peregrinação de três dias através do deserto. Isto era, em boa verdade, ir muito longe — ir muito mais longe do que Faraó podia imaginar, ou até onde lhe era possível seguir Israel. Que grande bênção seria se todos os que fazem profissão de sair do Egito se separassem dele pelo espírito do seu entendimento e pela elevação do seu caráter; se conhecessem a cruz e a sepultura de Cristo como os limites estabelecidos entre eles e o mundo! Ninguém pode colocar-se nesse terreno na energia da sua natureza. O Salmista pôde dizer: "E não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista não se achará justo nenhum vivente" (Sl 143:2). O mesmo acontece a respeito da separação verdadeira e efetiva do mundo. "Nenhum vivente" pode realizá-la. É somente como "morto com Cristo", e ressuscitado também nele, pela fé, no poder de Deus (Cl 2:12), que o homem pode ser justificado diante de Deus e separado do mundo. Eis o que podemos chamar "ir muito longe". Permita Deus que todos os que fazem profissão de cristãos e se chamam por este nome possam assim afastar-se! Então a sua lâmpada dará uma luz constante, a sua trombeta dará um sonido inteligível e a sua conduta será elevada; a sua  experiência será rica e profunda; a sua paz correrá como um rio; os seus afetos serão celestiais e as suas vestes imaculadas. E, acima de tudo, o nome do SENHOR Jesus será glorificado neles pelo poder do Espírito Santo, segundo a vontade de Deus Pai.

C. H. Mackintosh

quinta-feira, 31 de março de 2016

O que é o Mundo?

Tudo isto é bastante claro; porém, prezado leitor, aonde nos conduz quanto a este mundo? Seguramente, fora dele, e isto de um modo completo. Estamos mortos para o mundo e vivos para Cristo. Somos participantes ao mesmo tempo da Sua rejeição pelo mundo e da Sua aceitação no céu; e o gozo desta faz-nos considerar como nada a provação daquela. Ser lançado fora do mundo, sem saber que tenho um lugar e uma parte no céu, seria insuportável para mim; porém, quando as glórias do céu enchem a visão da alma, é necessário muito pouco da terra.

Mas, pode perguntar-se, "Que é o mundo?". Seria difícil encontrar um termo tão mal definido como "o mundo" ou "a mundanidade"; pois em geral nós somos propensos a fazer a mundanidade um ou dois pontos acima do lugar onde nos achamos situados espiritualmente. A Palavra de Deus, porém, define com perfeita precisão o que significa o termo "o mundo", quando o designa como aquilo que "não é do Pai" (l Jo 2:15 e 16). Por isso, quanto mais profunda for a minha comunhão com o Pai, mais penetrante será a minha compreensão daquilo que é mundano. É esta a forma divina de ensino. Quando mais vos deleitardes no amor do Pai, tanto mais desprezareis o mundo. Mas quem é aquele que revela o Pai? É o filho. Como? Pelo poder do Espírito Santo. Pelo que, quanto mais habilitado eu estiver, no poder do Espírito, não contristado, a deleitar-me na revelação que o Filho nos tem dado do Pai, tanto mais exato será o meu discernimento quanto àquilo que é do mundo. É à medida que o reino de Deus ganha terreno no coração, que o nosso juízo quanto à mundanidade se torna mais reto. Não é fácil definir o que é mundanismo. É, como alguém disse, "sombreado gradualmente desde o branco ao preto carregado". Isto é verdadeiro. Não se pode estabelecer um limite e dizer: "é aqui que começa o mundanismo"; porém a sensibilidade viva e delicada da natureza divina recua perante ele; e tudo que nós necessitamos é andar no poder dessa natureza, a fim de nos mantermos alheios a toda a espécie de mundanismo. "Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne" (Gl 5:16). Andai com Deus, e não andareis com o mundo. As distinções frias e as regras rígidas para nada servem. É o poder da vida divina que nós precisamos. Precisamos de compreender a significação espiritual do "caminho de três dias no deserto", o qual nos separa para sempre não apenas dos fornos de tijolo e dos exatores do Egito, mas também dos seus templos e altares.

C. H. Mackintosh

sexta-feira, 25 de março de 2016

A Paz: Fora do Mundo

É por causa de não haverem apropriado estas verdades fundamentais, com simplicidade de fé, que muitos filhos de Deus lamentam não possuir uma paz segura e passam por contínuos altos e baixos na sua vida espiritual. Cada dúvida no coração de um crente é uma desonra para a palavra de Deus e o sacrifício de Cristo. É porque não permanece, desde já, naquela luz que brilhará no tribunal de Cristo, que anda sempre aflito com dúvidas e temores. Contudo, estas dúvidas e incertezas, que muitos têm de deplorar, são apenas consequências insignificantes comparativamente, tanto mais que apenas afetam a sua experiência. Os efeitos que produzem sobre o seu culto, o seu serviço e o seu testemunho são muito mais graves, visto que a glória do Senhor é afetada. Mas, ah! nesta pouco se pensa, geralmente falando, simplesmente porque o objetivo principal, o fim e o alvo, com a maioria dos cristãos, é a salvação pessoal. Todos somos inclinados a considerar como essencial tudo que se relaciona conosco; enquanto que aquilo que diz respeito à glória de Cristo em nós e por nosso intermédio é considerado como não essencial.

Contudo, é bom compreendermos claramente que a mesma verdade que dá paz segura à alma, põe-na também em estado de poder oferecer um culto inteligente, um serviço aceitável, e um testemunho eficaz.

No capítulo quinze da primeira epístola aos Coríntios, o apóstolo apresenta a morte e a ressurreição de Cristo como o grande fundamento de todas as coisas. "Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado, o qual também recebestes e no qual também permaneceis; pelo qual também sois salvos, se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado, se não é que crestes em vão. Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras" (versículos 1 a 4). Eis o evangelho, numa declaração rápida e compreensível. O fundamento da salvação é um Cristo morto e ressuscitado. "O qual por nossos pecados foi entregue e ressuscitou para nossa justificação" (Rm 4:25). Ver Jesus, com os olhos da fé, pregado na cruz e assentado no trono, é uma visão que deve dar paz sólida à consciência e perfeita liberdade ao coração. Nós podemos olhar para o sepulcro e vê-lo vazio; podemos olhar par cima e ver o trono ocupado, e, assim, continuar o nosso caminho cheios de gozo. O Senhor Jesus liquidou todas as coisas na cruz a favor do Seu povo; e a prova desta liquidação é que está à destra de Deus. Um Cristo ressuscitado é a prova eterna de uma redenção efetuada; e se a redenção é um fato consumado, então a paz do crente é uma realidade estabelecida. Nós não fizemos a paz, nem nunca a poderíamos ter feito. De fato, todos os nossos esforços nesse sentido só serviriam para manifestar com maior evidência que éramos transgressores da paz. Porém, Cristo, havendo feito a paz pelo sangue da Sua cruz, tomou o Seu lugar nas alturas, triunfando sobre todos os Seus inimigos. Por Ele Deus anuncia a paz. A palavra do evangelho transmite esta paz: e a alma que crê o evangelho tem a paz estabelecida diante de Deus, porque Cristo é a sua paz (veja-se At 10:36; Rm 5:1, Ef 2:14; Cl l:20). Desta maneira Deus satisfez não só as Suas exigências, como abriu um caminho divinamente justo mediante o qual o Seu amor infinito pode descer até ao mais culpado da geração culpada de Adão.

Quanto ao resultado prático, a cruz de Cristo não só tirou os pecados do crente como quebrou para sempre os laços que o prendiam ao mundo, e, com base neste fato, ele tem o privilégio de considerar o mundo como uma coisa crucificada, e de ser considerado pelo mundo como um que foi crucificado. Tal é a posição do crente e do mundo — o mundo está crucificado para o crente e o crente para o mundo. Esta é a verdadeira e elevada posição do crente. O juízo que este mundo fez de Cristo foi expresso pela posição em que o mundo deliberadamente o colocou. O mundo foi convidado a fazer a sua escolha entre Cristo e um assassino. Pôs o assassino em liberdade, e pregou Cristo na cruz entre dois malfeitores. Portanto, se o crente segue as pisadas de Cristo e se compenetra com o Seu espírito, e o manifesta, ocupará o mesmíssimo lugar que Cristo tem na estima do mundo; e desta forma não somente conhecerá que, quanto à sua posição diante de Deus, está crucificado com Cristo, mas será levado também a realizar este fato na sua vida e na sua experiência diária.

Contudo, posto que a cruz tem assim quebrado eficazmente a ligação entre o crente e o mundo, a ressurreição introduziu-o debaixo do poder de novos laços e novas relações. Se vemos na cruz o juízo do mundo, quanto a Cristo, na ressurreição vemos o juízo de Deus.

O mundo crucificou-O; porém, "Deus exaltou-o soberanamente" (Fp 2:9). O homem deu-Lhe o lugar mais baixo, mas Deus deu-Lhe o lugar mais elevado; e embora o crente seja chamado a gozar plena comunhão com Deus, em seus pensamentos a respeito de Cristo, ele pode, por sua parte, considerar o mundo como uma coisa crucificada. Assim, pois, se o crente está sobre uma cruz e o mundo noutra, a distância moral entre os dois é na verdade considerável. E se a distância é considerável em princípio, também deveria sê-lo na prática. O mundo e o cristão não deveriam ter nada absolutamente em comum; e nada terão em comum, exceto quando o cristão nega o seu Senhor e Mestre. O crente mostra-se infiel a Cristo na mesma proporção em que tem comunhão com o mundo.

 C. H. Mackintosh

domingo, 16 de junho de 2013

A Elevação de José Sobre Toda a Terra do Egito

(Comentário Gênesis 41)

José foi tirado da cova e do cárcere, nos quais havia sido lançado por causa da inveja de seus irmãos, e do falso juízo de um gentio, para ser dominador de toda a terra do Egito; e não somente isto, mas para ser o meio de bênção, e o mantenedor da vida, para Israel e toda a terra. Tudo isto é ilustrativo de Cristo. De fato, um símbolo não podia ser mais perfeito. Vemos um homem posto, para todos os efeitos, no lugar da morte pelos homens, e então levantado pela mão de Deus e colocado em lugar de dignidade e glória. "Varões israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, varão aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis; a este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, tomando-O vós, O crucificastes e matastes pelas mãos de injustos; ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela" (At 2:22-24).

Porém, há dois pontos na história de José, que, com o que já foi dito, tornam o símbolo notavelmente perfeito: refiro-me ao seu casamento com uma mulher estrangeira no capítulo 41, e a entrevista que tem com seus irmãos, em capítulo 45. A ordem dos acontecimentos é a seguinte: José apresenta-se aos seus irmãos como um que é enviado do pai; eles rejeitam-no, e, tanto quanto está neles, põem-no no lugar da morte; Deus tira-o dali, e exalta-o a uma posição da mais alta dignidade: assim exaltado, ele arranja uma noiva; e quando seus irmãos, segundo a carne, se prostram perante ele completamente humilhados, ele dá-se-lhes a conhecer, tranquiliza os seus corações e leva-os à bênção; então torna-se o meio de bênção para eles e todo o mundo. 


Asenate, Esposa de José: Imagem da Igreja Unida a Cristo

Desejo apenas fazer alguns comentários acerca do casamento de José e da restauração de seus irmãos. A noiva estrangeira ilustra a Igreja. Cristo apresentou-Se aos judeus, e, sendo rejeitado por eles, tomou o Seu lugar nas alturas e enviou o Espírito Santo para formar a Igreja, que é composta de judeus e gentios, para ser unida com Ele na glória celestial. A doutrina da Igreja já foi tratada quando dos nossos comentários sobre o capítulo 24 (leia: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4), mas restam ainda dois ou três pontos a notar aqui. A esposa egípcia de José teve parte íntima com ele na sua glória. Sendo parte de si próprio, ela compartilhou de tudo que era seu. Além disso, ela ocupava um lugar de intimidade e aproximação dele somente conhecido dela. Assim é com a Igreja, a esposa do Cordeiro: ela está unida com Cristo para ser participante, ao mesmo tempo, da Sua rejeição e glória. E a posição de Cristo que dá caráter à posição da Igreja, e a sua posição deveria caracterizar sempre a sua conduta. Se somos reunidos para Cristo, é conforme Ele está exaltado em glória, e não humilhado aqui. "Assim que, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo, agora, já não o conhecemos desse modo" (2 Co 5:16). O centro de reunião da Igreja é Cristo na glória. "E eu quando for levantado da terra todos atrairei a mim" (Jo 12:32).

Existe muito mais de valor prático na compreensão deste princípio do que pode parecer à primeira vista. O intuito de Satanás, bem como a tendência de nossos corações é sempre levar-nos a ficar aquém do objetivo de Deus em todas as coisas, e sobre tudo no que diz respeito ao centro da nossa união como cristãos. É um sentimento vulgar que "o sangue do Cordeiro é a união dos santos", isto é, que é o sangue que forma o seu centro de união. Ora que é o sangue infinitamente precioso de Cristo que nos põe individualmente como adoradores na presença de Deus, é bem-aventuradamente verdadeiro. O sangue, portanto, forma a base divina da nossa comunhão com Deus. Porém tratando-se do centro da nossa união como Igreja, devemos ter em vista o fato que o Espírito Santo nos reúne para a Pessoa de um Cristo ressuscitado e glorificado; e esta grande verdade dá o caráter—caráter elevado e santo—à nossa união como cristãos. Se tomarmos outra posição, que não esta, então, formamos inevitavelmente uma seita ou ismo. Se nos reunirmos em volta de uma ordenação, por muito importante que seja, ou em torno de uma verdade, por mais indiscutível, fazemos de alguma coisa o nosso centro, que não Cristo.

Por isso é muito importante ponderar as consequências práticas que resultam da verdade de sermos reunidos para um Cristo ressuscitado e glorificado no céu. Se Cristo estivesse na terra, seríamos reunidos para Ele aqui; mas, visto que está oculto nos céus, a Igreja toma o seu caráter da posição que Ele tem ali. Por isso, Cristo podia dizer: "Não são do mundo, como eu do mundo não sou", e também, "e por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade". (Jo 17:16-19). Assim também em 1 Pedro 2:4-5: "Chegando-vos para ele, a pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo". Se somos reunidos para Cristo, temos de ser reunidos para Ele como Ele é, e onde Ele está; e quanto mais o Espírito de Deus conduzir as nossas almas à compreensão disto, tanto mais veremos o caráter da conduta que nos convém. A noiva de José foi unida a si, não na cova nem no cárcere, mas na dignidade e glória da sua posição no Egito; e, no seu caso, não podemos ter dificuldade em perceber a grande diferença entre as duas posições.

Além disso, lemos, "e nasceram a José dois filhos (antes que viesse o ano da fome)" (capítulo 41:50). Aproximava-se uma época de tribulações; mas antes disso veio o fruto da sua união. Os filhos que Deus lhe deu foram chamados à existência antes deste tempo de provação. Assim será com respeito à Igreja. Todos os seus membros serão chamados, o corpo será acabado e ligado à Cabeça no céu, antes da "grande tribulação" que há-de vir sobre toda a terra.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Deveres e Discernimento


(Comentário Romanos 13)

CONTINUA a senda do homem celestial sobre a Terra. Qual deve ser a sua conduta em relação ao governo deste mundo? Ele deve sujeitar-se. Deve reconhecer os poderes governamentais que são, como tendo sido escolhidos por Deus. Ele deve ficar longe da ilegalidade e da insubordinação. "E os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação." (Rm 13.2) O cristão deve ser, dentre todos os homens, o mais leal, até mesmo por uma questão de consciência. "Portanto dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo: a quem imposto, imposto: a quem temor, temor: a quem honra, honra." (Rm 13.7)

Deve ser observado que aqui não há nenhum preceito de que devêssemos tomar parte ou lugar na política deste mundo, mas tão somente estarmos sujeitos. A igreja, ou o cristão, é sempre visto como não sendo do mundo, mas, enquanto nele, deve permanecer em sujeição. Não importa o tipo de governo, a senda do cristão é de sujeição; e, querido jovem crente, Deus é mais sábio do que nós.

"A ninguém devais coisa alguma." (Rm 13.8) Estas poucas palavras são bem fáceis de se compreender. Não somente os débitos, mas todas as contas devem ser pagas no seu devido tempo. Para poder agir assim, o cristão deveria sempre procurar viver um padrão de vida inferior à sua renda, e comprar dentro de suas possibilidades. Isto pode exigir muita diligência e renúncia própria, mas quanta miséria pode evitar. Estas palavras, portanto, são importantes quando aplicadas ao quanto se ganha e ao que se gasta. Além disso, qualquer que seja a medida de bondade que nos for demonstrada, procuremos devolvê-la com generosos juros. "A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros." (Rm 13.8) Ah, esta é uma dívida que nunca conseguimos pagar totalmente, pois trata-se de amarmos uns aos outros como Ele nos amou.

O amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Romanos 5.5). Agora, neste exercício, este amor flui a outros -- o amor de Deus em nossos corações pelo Espírito -- e o resultado é que "quem ama aos outros cumpriu a lei". (Rm 13.8) Deste modo os mandamentos que dizem respeito ao nosso próximo estão todos cumpridos. "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo." (Rm 13.9) Isto é feito pelo duplo poder do amor de Deus, já derramado em nossos corações, e pelo Espírito que nos foi dado. Não se trata de colocar o cristão sob a lei novamente, e dizer a ele que, se guardar a lei, Deus o amará e lhe dará o Espírito Santo. Tampouco isso é dizer a ele que ore pedindo pelo Espírito, para que possa guardar a lei. É o oposto de tudo isso. O amor de Deus e o Espírito, isso tudo o cristão já tem, e o amor não faz mal ao próximo. Portanto, o amor é o cumprimento da lei. Quão bela é a ordem de Deus, e o efeito nunca é colocado antes da causa.

Mais uma vez, nos versículos 11 ao 13, deve existir inteligência, como "conhecendo o tempo" etc. Mas se os cristãos não conhecem o tempo, porém supõem exatamente o contrário, ou seja, que o mundo está para ser convertido, ou em vias de melhorar, ou que a noite não é passada, ou até mesmo que não haja noite nenhuma, mas que estejamos vivendo o grande dia do desenvolvimento e aperfeiçoamento humano -- se estiverem assim tão obscurecido e equivocados, como poderão conhecer a perfeita vontade de Deus quanto ao andar, ou à santa separação de um mundo amaldiçoado para juízo? Acaso, num estado como esse, não seria impossível conhecer a perfeita vontade de Deus?

Que palavra oportuna! "Conhecendo o tempo, que é já hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do quando aceitamos a fé. A noite é passada, e o dia é chegado." (Rm 13.11,12) Que motivação para a santidade! Tenha cuidado com toda santidade fingida que não possua este discernimento e motivação. O quê? O Senhor está à porta, e nós, cristãos, dormimos? Pensemos no gozo que teremos, estando para sempre com o Senhor -- quão perto está agora a nossa salvação -- ou o dia da ira e juízo sobre este mundo que O rejeitou. "Rejeitemos pois as obras das trevas, e vistamo-nos das armas da luz." (Rm 13.12) Se o mundo está precipitado na desonestidade desta noite escura, "andemos honestamente, como de dia". (Rm 13.13) Que mudança haveria na conduta, até dos cristãos, se estivéssemos prontos a despertar, para aguardarmos o Senhor, dia após dia.

Será que você gostaria de ser encontrado por Ele andando em "glutonarias" e "bebedeiras"; em "desonestidades" e "dissoluções"; ou em "contendas" e "inveja"? Com certeza que não. "Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências." (Rm 13.14) Oh, possamos nós despertar do sono e, aguardando pelo Senhor, nos revestirmos dEle. O mundo não irá escutar o evangelho -- eles não irão ler Cristo na Palavra. Possam eles, então, ver Cristo em nós, e em tudo o que fizermos -- epístolas vivas, lidas e conhecidas de todos os homens.

Eles nos olharão; eles nos observarão de perto. Eles não sabem o quanto Satanás quer nos fazer tropeçar. Não conhecem as tentações e as aflições do crente, e o quão propensos somos a falhar, se não houver uma constante dependência do poder de Deus. Mas que o mundo nunca nos encontre fazendo provisão para a carne a fim de satisfazer suas concupiscências. Que o Senhor abençoe estes preciosos preceitos, tanto para o escritor como para o leitor. A noite é passada, e o dia é chegado. Oh, quão cedo deveremos estar para sempre com o Senhor!

C. Stanley. Fonte: http://pt.scribd.com/doc/104720029/Vida-Atraves-Da-Morte

Romanos 13


Não podemos receber a Deus em graça e salvação sem que haja uma resposta de gratidão e gozo em nosso espírito.

No capítulo 12 lemos de como o crente se comporta para com outros crentes... hoje, para com os incrédulos.

Rm 13:1-7 Sempre que existe uma eleição, é o homem certo que sempre ganha, por esta razão o crente não vota. Parece difícil entender que não faz diferença sob qual governo nos encontramos, ou que tipo de leis possam ser feitas. Quer gostemos ou não, devemos obedecê-las. (Evidentemente não será o caso se elas forem contrárias à Palavra de Deus). Satanás é o deus deste mundo (2 Co 4:4) ainda que Deus governe tudo. Estamos no mundo, mas não pertencemos a ele. Se você estiver desobedecendo o governo estará desobedecendo a Deus. Leia estes versículos outra vez... é Deus falando para você e para mim.

Rm 13:8-14 Há duas razões para a piedade. A primeira é o amor (8-10), a segunda é porque o Senhor logo virá (11-14). O dia do Senhor vem após o dia da tribulação. Está se aproximando.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Cristianismo Prático

(Comentário Romanos 12)

CHEGAMOS agora à justiça prática, o estado e o andar daqueles que foram feitos recipientes da graça de Deus, daqueles que foram tomados em soberano e livre favor, e justificados de todas as coisas; sem nenhuma condenação em Cristo. É por esta mesma compaixão de Deus que estes preceitos lhes são endereçados. "Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional." (Rm 12.1) Certamente é preciso um pouco de exercício da razão, no que diz respeito ao nosso corpo, para sujeitá-lo a um culto racional ou inteligente. Estamos "esperando a adoção, a saber,a redenção do nosso corpo". (Rm 8.23) Ele está para ser conformado ao Seu corpo glorioso. Estamos para levar a imagem do que é celestial. Mesmo no que diz respeito ao nosso corpo, logo deveremos vê-Lo e ser como Ele é. (Veja Filipenses 3.20,21; 1 Coríntios 15.48; 1 João 3.2.)

Portanto, estando cientes de tudo isso, podemos sujeitar nosso corpo desde já, para que pertença a Ele, para ser usado em santa separação, por Ele e para Ele. Que privilégio! Mas isto não será possível se estivermos conformados com este mundo -- um mundo em inimizade contra Ele. E, assim como fomos renovados em espírito, "transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." (Rm 12.2)

Se Deus nos salvou, em pura misericórdia e compaixão, busquemos, então, de modo inteligente, procurar conhecer Sua vontade, experimentando qual é essa vontade. Isto irá exigir inteligência espiritual quanto ao tempo ou dispensação em que nos encontramos. A boa, agradável, e perfeita vontade de Deus quanto a isso só pode ser conhecida e experimentada em humildade de espírito e em completa dependência.

"Porque pela graça, que me é dada." (Rm 12.3) Que necessidade constante há de uma consciência do livre favor que nos foi individualmente demonstrado, e concedido a cada um de nós! É isto o que nos capacita a termos um conceito humilde acerca de nós mesmos, e a pensarmos com temperança, ou pensarmos com sabedoria, conforme a medida de fé que Deus repartiu a cada um.

Assim como houve, na dispensação passada, uma nação na carne, e uma aliança de mandamentos adequada àquela dispensação, "assim nós, que somos muitos, somos um só corpo EM CRISTO, mas individualmente somos membros uns dos outros". (Rm 12.4,5) Que contraste é isto com Israel; e devemos ter entendimento disto, ou não poderemos provar a agradável vontade de Deus para conosco neste momento. No passado, ninguém poderia estar em Cristo. Jesus devia morrer, e ressuscitar de entre os mortos, ou então permanecer só; mas somos agora um corpo em Cristo. E esta verdade deve reger toda a nossa obediência a Cristo. Devemos agir em união, como acontece com os vários membros do corpo humano, pois somos um só corpo em Cristo. Aqui não se trata tanto da doutrina do um só corpo, mas da prática de todos os membros desse corpo.

Devemos estar sempre lembrando que, "tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada". (Rm 12.6) Com certeza, qualquer que seja o serviço exercido no um só corpo em Cristo, é tudo pura graça, tudo livre favor. Tendo esta bendita consciência do livre favor de Deus, sejamos diligentes no serviço, qualquer que seja ele -- seja profecia, ministério, ensino, exortação ou o presidir. Que tudo seja feito com alegria. Estes preceitos são tão claros que não há necessidade de explicação, além de vermos que tudo deve ser feito em referência ao um só corpo em Cristo. Todavia, cada um destes preceitos é da maior importância, e só pode ser guardado andando-se no Espírito, pois, na verdade, estes são frutos do Espírito. Poderia a carne, que continua em nós, cumprir o "apegai-vos ao bem", ou o "preferindo-vos em honra uns aos outros", ou ainda o "abençoai aos que vos perseguem"? (Rm 12.10-14) De modo nenhum; ela irá sempre oprimir aquilo que é nascido do Espírito. "Sede unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes." (Rm 12.16) Isto é exatamente o oposto das maneiras deste mundo.

Quão prontos somos a esquecer este bendito ensino dos versículos 17 ao 19. Quão pronta está a carne para pagar mal com mal. E quão triste é quando a indolência toma o lugar da busca pelas coisas honestas perante todos os homens. Sim, se não tiver cuidado, o cristão pode cair em quase todas as formas de desonestidade universalmente praticadas no mundo. E acaso uma transação enganosa e desonesta não tem o mesmo caráter de um assalto? Estas são palavras que deveriam estar penduradas na parede de cada escritório, oficina e estabelecimento: "PROCURAI AS COISAS HONESTAS PERANTE TODOS OS HOMENS". Oh, que tenhamos mais fé e uma obediência resoluta nas coisas comuns do dia-a-dia. Estamos convencidos de que a falta de cuidado nestas coisas, quando não se trata de algo pior ainda do que o descuido, é a causa de muita de nossa fraqueza. E quão pronta está a carne de cada um de nós para se vingar! Mas estas são as palavras do Espírito: "Não vos vingueis a vós mesmos, amados". (Rm 12.19)

Será que Ele, cujo nome tão precioso levamos, vingou-Se a Si próprio? O dia da vingança e do juízo que cairá sobre um mundo ímpio ainda virá, mas não é certo que somos seguidores dAquele que curou a orelha de Seu inimigo? Oh, que possamos ser mais semelhantes a Ele! Que ternas palavras são estas: "se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer: se tiver sede, dá-lhe de beber". (Rm 12.20) Onde, além das Sagradas Escrituras da verdade, poderíamos encontrar palavras assim? Deixe o homem entregue a si mesmo; irá ele agir assim? Não, não; estes são os preciosos frutos do Espírito. Possam eles abundar em nós cada vez mais.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Nosso Lugar Neste Mundo (Parte 1)

Assim como é certo que estamos identificados com Cristo diante de Deus no que se refere à nossa posição, estamos também identificados com Cristo diante do mundo. Em outras palavras, somos colocados em Seu lugar aqui, assim como estamos nEle diante de Deus; e tenho certeza de que seria de muito proveito se tivéssemos esta verdade continuamente diante de nossa alma. 


Há, porém, dois aspectos que se referem ao nosso lugar nesta Terra e é importante que ambos sejam bem compreendidos. O primeiro aspecto está relacionado com o mundo e o segundo com o "arraial", isto é, o cristianismo organizado de nossos dias, que nesta dispensação tomou o lugar do judaísmo como testemunho de Deus. Leia Romanos 11 e compare com o capítulo 13 de Mateus.

Primeiro: Nosso Lugar em Relação ao Mundo

O Senhor Jesus, dirigindo-se aos judeus, disse: "Vós sois de baixo, Eu sou de cima; vós sois deste mundo, Eu não sou deste mundo" (João 8.23). Mais tarde, quando apresentava ao Pai os que eram Seus, disse: "Não são do mundo, como Eu do mundo não sou" (João 17.16), e se você ler do versículo 14 ao 19 verá que Ele coloca Seus discípulos na posição que Ele mesmo ocupa perante o mundo, do mesmo modo como, do versículo 6 ao 13, Ele os coloca na mesma posição que Ele ocupa diante do Pai. 



Você deve notar ainda que os discípulos ocupam a posição do Senhor neste mundo porque não são daqui, assim como o Senhor não era, pois após terem nascido de novo não pertencem mais a este mundo. Por isso Ele menciona continuamente que Seus discípulos teriam de enfrentar o mesmo ódio e perseguição que Ele vinha experimentando. Assim, dando um exemplo, Ele diz: "Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, Me aborreceu a Mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas, porque não sois do mundo, antes Eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos aborrece. Lembrai-vos da palavra que vos disse: Não é o servo maior do que o seu senhor. Se a Mim Me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a Minha palavra, também guardarão a vossa" (João 15.18-20). O apóstolo João indica ainda o total contraste entre os crentes e o mundo, quando diz: "Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno" (1 João 5.19).

Levados Para Fora do Mundo

Há, porém, muito mais do que nos é mostrado nestas importantes passagens. Cada crente é visto por Deus como tendo morrido e ressuscitado com Cristo (leia Romanos 6 e Colossenses 3.1-3). Do ponto de vista de Deus, o crente é assim transportado, através da morte e ressurreição de Cristo, completamente para fora do mundo, da mesma forma como Israel foi levado para fora do Egito através do Mar Vermelho. Portanto ele não pertence mais ao mundo, embora seja enviado ao mundo como representante de Cristo (leia João 17.18). Por isso o apóstolo Paulo podia dizer, enquanto estava ativo no serviço para Cristo neste mundo, "longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo" (Gálatas 6.14). Pela cruz de Cristo ele viu que o mundo já estava julgado (leia João 12.31), e pela aplicação da cruz em si próprio ele considerava-se como morto - crucificado para o mundo - de modo a deixar bem clara a separação que existia entre si mesmo e o mundo; uma separação tão completa como a que é ocasionada pela morte.

De tudo isso podemos ver que o cristão, embora estando no mundo, não pertence a ele - Ele não é do mundo no mesmo sentido em que Cristo não pertencia ao mundo. O crente pertence a uma outra esfera - pois se alguém está em Cristo é nova criatura; como já foi visto, ele foi transportado perfeitamente limpo para fora deste mundo por meio da morte e ressurreição de Cristo. Por isso o cristão deve estar completamente separado do mundo; não deve conformar-se a ele em seu espírito, hábitos, conduta, modo de andar, enfim, em tudo o crente deve mostrar que não é deste mundo (leia Gálatas 1.3,4 e Romanos 12.2). E deve, ainda, pela aplicação da cruz, manter-se como crucificado para o mundo. Nenhuma atração ou assimilação pode existir entre duas coisas que já foram julgadas. 

Estamos Aqui no Lugar de Cristo

Portanto, o crente está no mundo no lugar de Cristo, isto é, está aqui por Cristo e é identificado com Cristo. Consequentemente deve testemunhar de Cristo, andar como Cristo andou, e esperar receber o mesmo tratamento que foi dado a Ele (leia Filipenses 2.15 e 1 João 2.6). Não é que esperamos ser crucificados como Cristo foi, mas se formos fiéis iremos encontrar no mundo o mesmo espírito de oposição que Ele encontrou. Na verdade, a medida de semelhança de Cristo que trouxermos em nossa vida será a medida da nossa perseguição. E pode-se dizer que o fato dos crentes encontrarem hoje tão pouca oposição do mundo demonstra o quão pouco estão separados dele.

Antes de passar para o outro aspecto deste assunto, não posso deixar de rogar-lhe insistentemente que rompa todo e qualquer vínculo que o esteja ligando moralmente com este mundo. Não é preciso muito discernimento para se perceber que o espírito deste mundo, o mundanismo, está introduzindo-se sorrateiramente, porém com rapidez, nas igrejas ou assembleias e manifestando-se com jactância até mesmo na mesa do Senhor. Que golpe e que desonra para Aquele cuja morte nos reunimos para recordar! E que solene advertência recai sobre os santos para que nos humilhemos perante Deus, buscando renovada graça a fim de sermos mais fervorosos e mais separados do mundo; para que fique evidente que pertencemos a Cristo, a Quem o mundo rejeitou, lançou fora e crucificou! Quantos de nós têm o espírito de Paulo, que desejava a "comunicação de Suas aflições, sendo feito conforme à Sua morte" (Filipenses 3.10), tendo em vista o Cristo glorificado como objeto de sua afeição e alvo de todas as suas aspirações? Que o Senhor possa restaurar em nós, e em todos os Seus amados santos, mais dessa devoção a Ele, em completa separação deste mundo.



*Nota: separar-se não significa isolar-se, leia mais aqui.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Dois Negociantes

(Comentário Gênesis 29)

É admirável ver como Jacó ingressa numa atmosfera tão adequada à sua condição moral. O pechincheiro Jacó encontra-se com o explorador Labão, e vê-los, de fato, ambos esticando os nervos para se excederem um ao outro em astúcia. Não devemos estranhar o caso em Labão, pois ele nunca havia estado em Betel: nunca vira o céu aberto e uma escada posta na terra cujo topo tocava nos céus; nem tinha ouvido  promessas grandiosas dos lábios do Senhor, garantindo-lhe toda a terra de Canaã, com uma posteridade inumerável. Não é de admirar, pois, que ele mostrasse um espírito avaro e abjeto; não tinha outro recurso. É escusado esperar do homem do mundo outra coisa que não seja um espírito mundano, e princípios e métodos mundanos; não tem nada superior; e não podemos tirar uma coisa limpa duma imunda. Porém, encontrar Jacó, depois de tudo que havia visto e ouvido em Betel, a lutar com um homem do mundo, e procurando, por tais meios, acumular riquezas, é notavelmente humilhante.

E todavia, enfim, não é um caso raro encontrar os filhos de Deus esquecendo assim os seus altos destinos, e a herança celestial, para descerem à arena com os filhos deste mundo, a fim de ali lutarem pelas riquezas e honras de uma terra ferida de pecado e perdida. Na verdade, isto é de tal forma verdadeiro que, em muitos casos, é difícil descortinar uma simples evidência daquele princípio que o apóstolo João nos diz "que vence o mundo" (1 Jo 5:4). Olhando para Jacó e Labão, e considerando-os segundo princípios naturais, será difícil notar neles qualquer diferença. É preciso ficar-se atrás das cenas e compreender os pensamentos de Deus quanto a ambos para ver como diferem um do outro. Todavia foi Deus Quem os fez diferir, e não Jacó; e assim é agora. Por muito difícil que possa ser descortinar alguma diferença entre os filhos da luz e os filhos das trevas, há, todavia, uma grande desigualdade — uma diferença baseada no fato solene que os primeiros são "vasos" de misericórdia, que "para glória já dantes preparou", enquanto que os últimos são "os vasos da ira (¹), preparados (não por Deus, mas pelo pecado) para a perdição" (Rm 9:22-23). Isto faz uma diferença muito séria. Os Jacós e os Labães são diferentes materialmente, e serão para sempre diferentes, embora os primeiros possam falhar tristemente na realização e manifestação prática do seu verdadeiro caráter e dignidade.

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(¹) É muito interessante notar como o Espírito de Deus, em Romanos 9, e, na verdade, através de toda a Escritura, nos precavê contra as conclusões horrendas que a mente humana tira da doutrina da eleição de Deus. O que Ele diz dos "vasos da ira" é que eles são simplesmente para "destruição". Não diz que Deus os "preparou". Ao passo que, por outro lado, quando se refere aos vasos de misericórdia, diz que Deus "para glória já dantes os preparou". Isto é notável.

Se o leitor consultar por um momento Mateus 25:34 a 41 há-de encontrar outro caso notável e belo da mesma coisa. Quando o rei se dirige aos que estão à Sua direita, diz-lhes; "Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado, desde a fundação do mundo" (versículo 34). Porém quando fala aos que estão à Sua esquerda, diz: "Apartai-vos de mim, malditos." Não diz, "malditos de meu Pai". E, além disso, acrescenta, "para o fogo eterno" preparado, não para vós, mas "para o diabo e seus anjos" (versículo 41).

Em suma, é, portanto, claro que Deus "preparou" um reino de glória e "vasos de misericórdia" para herdarem esse reino; mas não preparou "o fogo eterno" para os humanos, mas sim para "o diabo e seus anjos"; nem tão-pouco preparou os "vasos para ira", mas eles mesmos se prepararam para isso.

A Palavra de Deus estabelece tão claramente a "eleição" como nos avisa contra "a condenação". Todos os que se encontrarem no céu terão de dar graças a Deus por isso, e todo aquele que se achar no inferno terá de agradecer a si próprio por isso.
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C. H. Mackintosh. Fonte: http://www.scribd.com/doc/105168410/Notas-Sobre-o-Pentateuco-Genesis-C-H-Mackintosh

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Os Resultados da Obediência

(Comentário Gênesis 26)

"E Abimeleque veio a ele de Gerar, com Ausate seu amigo, e Ficol, príncipe do seu exército. E disse-lhes Isaque: Por que viestes a mim, pois que vós me aborreceis e me enviastes de vós? E eles disseram: Havemos visto, na verdade, que o SENHOR é contigo, pelo que dissemos: Haja, agora, juramento entre nós" (Gênesis 26.26-28). O verdadeiro modo de atuar nos corações e nas consciências dos homens do mundo é permanecer em separação decidida deles, tratando com eles, ao mesmo tempo, em perfeita graça. Enquanto Isaque continuou em Gerar não houve nada senão contendas e disputas. Ceifou dores, e não produziu efeito algum sobre aqueles que o rodeavam. Em contrapartida, logo que os deixou os seus corações foram despertados e seguiram-no e desejaram fazer um conserto com ele. Tudo isto é muito instrutivo. 

O princípio aqui apresentado pode ser exemplificado constantemente na história do povo de Deus. O primeiro ponto com o coração deve ser sempre ver que na nossa posição estamos bem com Deus, não apenas bem em posição, mas na condição moral da alma. Quando estamos bem com Deus, podemos esperar atuar eficazmente com os homens. Logo que Isaque foi para Berseba, e tomou o seu lugar de adorador, a sua própria alma foi aliviada e ele foi usado por Deus para atuar sobre outros. Enquanto nos mantivermos numa posição errada, estamo-nos defraudando a nós próprios de bênção, e fracassando totalmente no nosso testemunho e serviço.

Nem tão-pouco devemos nós, quando estamos numa posição errada, perguntar, como tantas vezes se pergunta: "Onde se pode encontrar alguma coisa melhor?" A ordem de Deus é, "Cessai de fazer mal!" e quando agimos sobre este santo preceito é-nos dado outro, a saber: "aprendei a fazer o bem". Se esperarmos aprender a fazer o bem, antes de deixarmos de fazer o mal, estamos completamente enganados. "Desperta tu que dormes e levanta-te de entre os mortos, e Cristo te esclarecerá" (Ef 5:14).

Prezado leitor, se estás fazendo alguma coisa que sabes ser má, ou se estás identificado, de qualquer modo, com aquilo que entendes ser contrário à Bíblia, escuta a Palavra do Senhor: "Cessai de fazer mal" (Is 1:16). Podes estar certo que se obedeceres a esta palavra não mais terás dúvidas quanto à carreira que deves seguir. É a incredulidade que nos leva a dizer, "não posso deixar o mal antes de encontrar alguma coisa melhor". Que o Senhor nos dê fé simples e um espírito dócil.

Gênesis 26

O grande segredo do crescimento é o olhar para cima, para o Senhor, como Aquele que é gracioso.

Leia em: http://www.bibliaonline.com.br/acf/gn/26

Isaque foi o que mais tempo viveu destas quatro gerações (de Abraão aos filhos de Jacó). Veja sua idade no capítulo 35:28. Não lemos de nenhum ato importante em sua vida. Ele era o filho comum de um pai famoso, Abraão, e o pai comum de um filho famoso, Jacó. 

Gn 26:1-6 Deus com freqüência precisava dizer a Abraão e Isaque que ficassem na terra à qual Deus os havia enviado. Mas eles tinham uma atração pelo Egito (12:10, 26:1-2). Lembre-se de que o Egito nas escrituras é uma figura deste mundo em que vivemos - ele nos atrai se deixarmos que o faça. 

Gn 26:7-16 Assim como seu pai, Isaque diz uma mentira sobre sua esposa, e quase traz um grande pecado (vers. 10) sobre todos eles. Abimeleque é um homem sincero, e tem a coragem de falar firme a Isaque sobre o erro que este havia cometido. 

Gn 26:17-25 Isaque reabre os poços que haviam sido entupidos. Ele os chama por seus antigos nomes. Em nossos dias há muitas coisas recebendo novos nomes. É sempre bom para o crente voltar ao princípio, aos dias dos apóstolos, da doutrina dos apóstolos e da comunhão dos apóstolos (At 2:42). 

Gn 26:23-24 Assim que Isaque volta a Berseba, veja o que acontece "naquela mesma noite". É só quando voltamos ao caminho certo que desfrutamos de comunhão com Deus. 

Gn 26:25 Não pensemos que podemos viver da maneira que escolhermos e ainda assim sermos guiados por Deus. Leia estes versículos cuidadosamente. É só na restauração que vemos o Senhor Se aproximando de Isaque. Quatro belos símbolos aqui: (1) o altar, (2) oração, (3) a tenda e (4) o poço. O primeiro é uma figura da adoração ou comunhão com Deus - Jo 4:23. O Segundo é uma expressão da dependência em Deus - Sl 62:1,2. O terceiro é uma figura do testemunho ou de uma testemunha, para aqueles ao redor, de que estamos apenas de passagem - Jo 17:16. E o quarto, uma fonte de refrigério, assim como o Espírito Santo em nós - Jo 7:38,39. Quando estava em Gerar, Isaque não tinha nem gozo, nem paz ou influência.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Esaú Menospreza o Direito da Primogenitura

(Comentário Gênesis 25)

No fim deste capítulo são-nos apresentados princípios de natureza muito solene e prática. O caráter e as ações de Jacó aparecerão, se o Senhor permitir, de uma maneira mais clara perante nós; contudo, desejo apenas focar, de passagem, a conduta de Esaú, quanto ao direito de primogenitura e tudo que com ele se acha ligado. O coração natural não dá valor às coisas de Deus. Para ele as promessas de Deus são coisas vagas, sem valor e impotentes, simplesmente porque não conhece Deus. E por isso que as coisas temporais exercem tanto peso e influência na opinião do homem. O homem dá apreço a tudo que pode ver, porque é governado por vista, e não por fé: o presente é tudo para si; o futuro apenas uma coisa sem influência — um caso da mais simples incerteza.

Assim aconteceu com Esaú. Escutai o seu argumento falaz: "Eis que estou a ponto de morrer, e para que me servirá logo a primogenitura?". Que maneira estranha de raciocinar! O presente está escorregando debaixo dos meus pés, portanto eu desprezo e prescindo inteiramente do futuro! O tempo está-se desvanecendo da minha vista; portanto abandono todo o interesse pela eternidade! Assim Esaú desprezou "o seu direito de primogenitura" (Hb 12:16). Assim Israel desprezou "a terra aprazível" (Sl 106:24); assim eles desprezaram Cristo (Zc 11:13). E foi assim que os que foram convidados para as bodas desprezam o convite (Mt 22:5). O homem não tem lugar no seu coração para as coisas de Deus. O presente é tudo para ele. Um prato de caldo é melhor do que o direito a Canaã. Por isso, a mesmíssima razão que levou Esaú a menosprezar a primogenitura era a mesma porque ele deveria tê-la agarrado com mais força. Quanto mais vejo a vaidade temporária do presente, tanto mais me agarrarei ao futuro de Deus. E assim segundo o juízo da fé. "Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato e piedade, aguardando a apressando-vos para a vinda do Dia de Deus, em que os céus, em fogo, se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão? Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça" (2 Pe 3:11-13).

Estes são os pensamentos de Deus, e, portanto, os pensamentos da fé. As coisas que se veem perecerão. Devemos nós, então, desprezar as invisíveis? De modo nenhum. O presente passa rapidamente. Qual é logo o nosso recurso? "Aguardando e apressando-vos para a vinda do Dia de Deus". Este é o juízo da mente restaurada; e todo e qualquer outro juízo é apenas "profano, como Esaú, que por um manjar vendeu o seu direito de primogenitura" (Hb 12:16). Que o Senhor nos mantenha julgando as coisas como Ele as julga. Isto só pode ser feito pela fé.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Gênesis 23

Existe algo no Deus bendito que jamais podemos medir... Jesus é a Medida.

Leia em http://www.bibliaonline.com.br/acf/gn/23

Gn 23:2 A primeira vez que o choro é mencionado nas escrituras. Jesus chorou na morte de uma pessoa. A morte e o choro são companheiros, Ap 21:4.

Gn 23:3-20 Este longo relato detalhado certamente nos mostra a alta estima em que Abraão era tido por seus vizinhos. Como é bom termos nossos vizinhos pensando bem de nós! NÃO que devamos tentar ser populares para com eles, pois um crente fiel no Senhor Jesus jamais será popular para com o mundo (Jo 15:18,19 e 1 Jo 3:13). Você verá o quão próximos eram Abraão e Sara, se abrir em Hb 11:11-13 e 1 Pd 3:5,6. Abra em Hb 11:3-14 para ver que dentro do coração de Abraão ele possuía algo que estava além das lágrimas e da sepultura. A morte é para o crente uma combinação de lágrimas e esperança. Veja 1 Ts 4:13-18.

Norman Berry. Fonte: http://chaday.blogspot.com.br/2006/03/genesis-23.html ou http://www.stories.org.br/chaday/

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A Fé na Ressurreição

A morte é o limite do poder de Satanás; porém onde Satanás termina, Deus começa a atuar. Abraão compreendeu isto quando se levantou e comprou a cova de Macpela como lugar de repouso para Sara. Isto foi a expressão do pensamento de Abraão quanto ao futuro. Ele sabia que nos séculos vindouros a promessa de Deus quanto à terra de Canaã será cumprida, e pôde depositar o corpo de Sara na sepultura "na esperança gloriosa da ressurreição".

"Todos estes morreram na (ou segundo) a fé, sem terem recebido as promessas, mas, vendo-as de longe e crendo nelas e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra" (Hb 11:13). Isto é na verdade uma feição excelente da vida divina. Essas "testemunhas", das quais o apóstolo fala em Hebreus 11, viveram não apenas pela fé, mas, mesmo quando chegaram ao fim da sua carreira, conheceram que as promessas de Deus eram tão reais e satisfatórias para as suas almas como quando no princípio da sua carreira. Ora, eu creio que esta compra de um lugar para sepultura na terra era uma prova do poder da fé, não somente para a vida mas para a morte. Por que estava Abraão tão interessado nesta compra? Por que mostrou tanto interesse em legalizar os seus direitos ao campo e à cova de Efrom sob os princípios do direito? Por que essa determinação em pesar o preço como "correntes entre mercadores"? FÉ, é a resposta. Ele fez tudo por fé. Ele sabia que a terra era sua por promessa, e que em glória a sua descendência havia ainda de possuí-la, e até então ele não seria devedor àqueles que ainda haviam de ser desapossados.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Gênesis 20

Leia em http://www.bibliaonline.com.br/acf/gn/20

Gn 20:1-5 Abraão repete um velho pecado. Na certa foi uma atitude baixa da parte de Abraão tentar se proteger com o risco de perder a própria esposa. 

Gn 20:6-16 Deus graciosamente veio e salvou a situação. Com que frequência o Senhor nos salva de nós mesmos! Mas não tentemos o Senhor! (Veja Rom 6:1). 

Gn 20:14-15 Quão melhor foi a atitude de Abimeleque! Com frequência os incrédulos sabem melhor do que os crentes como um Cristão deveria agir. 

Gn 20:17 Abraão, restaurado em sua alma para com Deus, imediatamente ora, e Deus ouve sua oração! Que graça! Será que experimentamos isso? Experimentaremos se tão somente colocarmos em prática em nossa vida o que já conhecemos acerca do Senhor e de Sua Palavra.

sábado, 20 de outubro de 2012

Gênesis 19


Que capítulo desastroso e sombrio este! Foi degradante para Ló viver em um lugar tão pecaminoso. Mesmo assim o Senhor misericordiosamente o livra, embora ele perca sua esposa e parte de sua família. E então chega a destruição à ímpia cidade. Repare de onde vem o juízo. 

Gn 19:14 Ló pode ser uma figura de um crente que se compromete com o mal e tem uma reputação ruim. No capítulo 14 lemos que quando Ló foi levado prisioneiro de Sodoma, Abraão o resgatou, mas ele voltou a viver em Sodoma! Agora Ló está dizendo a seus genros para saírem da cidade. Que aviso para nós. Eles pensavam que ele estivesse brincando pois ele próprio já tinha vindo duas vezes para Sodoma. Qual é nossa reputação entre nossos parentes e amigos? Entendemos que o juízo está para cair sobre este mundo? Será que nossa vida é um aviso para eles? Será que eles nos ouvirão? 
Gn 19:16 Os anjos tiveram que pegar Ló, sua esposa e suas duas filhas pela mão e puxá-las para fora da cidade condenada. 

Gn 19:26 O coração da mulher de Ló ainda continuava na cidade. Apesar do fato de terem sido instruídos a não olharem para trás (vers. 17) ela desobedece, e morre. 

Gn 19:27 O Senhor fez chover enxofre e fogo e isso veio diretamente dEle. Quando o Senhor agir em juízo, será um dia horrível para este mundo. Leia Ap 19:11-15. Antes de terminarmos este capítulo, precisamos tirar uma mensagem dele. O pecado dessa cidade, homossexualismo, hoje é tratado como uma escolha de cada um... um estilo de vida. Mas segundo a Palavra de Deus é pecado, que trouxe morte a toda uma cidade. 

Gn 19:30-38 A bebedice e os atos degradantes andam juntos; as pessoas até riem quando vêem alguém sob a influência da bebida. Que história vergonhosa. Mas Deus não esconde coisa alguma. Abraão é sempre lembrado - Ló sai de cena.


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Este capítulo mostra bem a situação em que muitos, inclusive cristãos professos, estão hoje: presos às coisas do mundo e dos próprios pensamentos e desejos. Ló se deixou levar e se prender pelos verdes campos e pelos prazeres do mundo, representado por Sodoma, o que apenas resultou em dores. Abraão por outro lado, descansou nas promessas e na vontade do Senhor. Uma citação interessante:

"Não há dificuldade em deixar o mundo quando nós, pela fé, nos apegamos a Cristo [...]. Se a um varredor fosse deixado um legado de dez mil libras anuais, ele não continuaria a varrer as ruas. Do mesmo modo se nós compreendermos o valor da nossa porção entre as realidades imutáveis do céu teremos muito pouca dificuldade em abandonar as alegrias ilusórias da terra." C. H. Mackintosh

Ló Salvo como que através de Fogo

(Comentário Gênesis 19)

Evidentemente, Ló suspirava pela cena que foi forçado, por poder angélico, a abandonar; porque não somente os anjos tiveram que pegar nele, e tirá-lo à pressa do juízo iminente, mas até mesmo quando exortado a escapar por sua vida (aliás tudo que ele podia salvar da catástrofe), e fugir para as montanhas, ele responde: "Assim, não, Senhor! Eis que, agora, o teu servo tem achado graça aos teus olhos, e engrandeceste a tua misericórdia que a mim me fizeste, para guardar a minha alma em vida; mas não posso escapar no monte, pois que tenho medo que me apanhe este mal, e eu morra. Eis, agora, aquela cidade está perto, para fugir para lá, e é pequena; ora, para ali me escaparei (não é pequena?-), para que minha alma viva". Que quadro! Parece-se com um homem a afundar-se, pronto a agarrar-se até mesmo a uma pena flutuante. Apesar de o anjo o mandar fugir para o monte, ele recusa, e agarra-se apaixonadamente à ideia de uma pequena cidade — um pequeno bocado do mundo. Temia a morte no lugar para onde Deus misericordiosamente o mandava — sim, temia todo o mal e só podia esperar segurança em qualquer pequena cidade, qualquer lugar de sua própria invenção. "Ora, para ali me escaparei, para que minha alma viva." Como é triste! não se lançou inteiramente em Deus. Oh! Ele tinha andado tanto tempo longe d'Ele! Havia respirado tanto tempo a atmosfera densa duma "cidade" que não podia apreciar o ar puro da presença divina, ou encostar-se ao braço do Todo-Poderoso. A sua alma parecia completamente transtornada; o seu ninho terrestre havia sido repentinamente despedaçado, e ele não se sentia capaz de se refugiar, pela fé, no seio de Deus. Não havia cultivado a comunhão com o mundo invisível; e agora o visível desaparecia debaixo dos seus pés com rapidez tremenda. "Enxofre e fogo, desde os céus" estavam prestes a cair sobre aquilo em que estava posta toda a sua esperança e afeto. O ladrão o havia surpreendido, e ele parece ter perdido toda energia espiritual e todo domínio de si mesmo. Ele chegou ao extremo de seus recursos: está esgotado; mas o elemento mundano, sendo forte demais em seu coração, prevalece, e o força a buscar refúgio numa "pequena cidade". Contudo não se sente tranquilo até mesmo ali, pois deixa-a e dirige-se ao monte. Faz, com medo, o que não quis fazer por ordem do mensageiro de Deus.

E, então, vede o seu fim! As suas próprias filhas embriagam-no, e na sua embriaguez ele torna-se o instrumento de trazer à existência os amonitas e os moabitas — os inimigos declarados do povo de Deus. 

Que sudário de instrução existe em tudo isto! Que o leitor veja nisto o que é o mundo! Veja que fatal coisa é deixar que o coração o siga! Que comentário não é a história de Ló daquela breve mas compreensível admoestação, "não ameis o mundo"! As Sodomas do mundo e as suas Zoares são todas as mesmas. Não existe nelas segurança, nem paz, nem descanso, nem satisfação durável para o coração. O juízo de Deus permanece sobre toda a cena; e Ele apenas susta a espada em paciente misericórdia, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se.

domingo, 23 de setembro de 2012

Gênesis 14


A primeira guerra que é registrada na Bíblia. Abrão poderia ter dito - "bem isto serve de exemplo para Ló. Ele que cuide de si mesmo". Mas não. 

Gn 14:14 Embora Ló fosse sobrinho de Abrão, ele é chamado de "seu irmão". Quão humilhado deve ter ficado Ló quando pensou no amor de seu tio. Mas ele ainda tinha Sodoma em seu coração pois quando foi resgatado voltou direto para viver lá! Que alvo é o mundo para nós quando tiramos os olhos do Senhor! 

Gn 14:18-24 Melquisedeque é um belo tipo de Cristo como Sacerdote e Rei. Leia sobre ele em Hb 6:20 e 7:23-24. Cristo no milênio será igualmente Sacerdote e Rei.


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Separação e Comunhão

A separação genuína do mundo  só pode ser o resultado de comunhão com Deus. Eu posso excluir-me do mundo e constituir-me o centro do meu ser, à semelhança dum monge ou dum cínico; contudo, separação para Deus é uma coisa muito diferente. Uma esfria e contrai-se, a outra aquece e expande. Aquela lança-nos sobre nós próprios; esta faz-nos sair em atividade e amor pelos outros. A primeira faz da personalidade e dos seus interesses o nosso centro; a última faz de Deus e a Sua glória o nosso centro. Assim, no caso de Abraão, vemos que o próprio fato da sua separação habilitou-o a prestar um serviço eficaz àquele que se havia metido em dificuldades pelos seus caminhos mundanos. "Ouvindo, pois, Abrão que o seu irmão estava preso, armou os seus criados, nascidos em sua casa, trezentos e dezoito, e os perseguiu até Dã... e tornou a trazer toda a fazenda e tornou a trazer também a Ló, seu irmão, e a sua fazenda, e também as mulheres, e o povo". Ló era, afinal, irmão de Abraão; e o amor fraterno deve atuar. "Na angústia nasce o irmão" (Pv 17:17); e acontece muitas vezes que uma época de adversidade suaviza o coração, e torna-o susceptível de amabilidade, até mesmo para com aqueles de quem nos tenhamos separado; e é notável que, enquanto lemos no versículo 12 que "tomaram a Ló, filho do irmão de Abrão", no versículo 14 lemos, "ouvindo, pois, Abrão que o seu irmão estava preso". As exigências da aflição de um irmão são atendidas pela afeição do coração dum irmão. Isto é divino. A fé verdadeira, ao mesmo tempo que nos torna sempre independentes, nunca nos torna indiferentes. Nunca se agasalha no seu manto, enquanto um irmão sente arrepios de frio. Existem três coisas que a fé faz: "purifica o coração", "age por amor" e "vence o mundo"; e todos estes resultados da fé são admiravelmente apresentados em Abraão, nesta ocasião. O seu coração estava purificado das abominações de Sodoma; ele mostrou amor verdadeiro por seu irmão Ló; e, finalmente, ficou completamente vitorioso sobre os reis. Tais são os frutos preciosos da fé, esse princípio celestial, honroso para Cristo.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Gênesis 13

Leia em http://www.bibliaonline.com.br/acf/gn/13 ou http://www.youversion.com/pt-BR/bible/gen.13.arc_1-pt

Gn 13:1-4 Em 12:10 Abraão "desceu" ao Egito. Aqui ele "subiu" ao seu altar. A completa restauração de Abraão (Salmo 23:3). Deus nos restaura, caso contrário simplesmente ficaríamos à deriva. Não havia altar (nem adoração a Deus) enquanto ele estava no Egito!

Gn 13:5-13 A grande riqueza que ele recebeu no Egito lhe traz mais problemas. Desta vez com seu sobrinho Ló. Todavia vemos um belo contraste, entre Abrão, o homem que andava por fé, e Ló que andava por vista. O que Abrão tinha de generoso Ló tinha de ganancioso. Ló era guiado por seus olhos, e que desastre isso lhe trouxe, pois foi morar em Sodoma. Os passos de Ló em sua descida são graduais, mas constantes. Versículo 10 "E levantou Ló os seus olhos, e viu". No versículo 11 ele escolheu toda a planície do Jordão. Versículo 12, habitou nas cidades da planície, e armou sua tenda indo em direção de Sodoma (14:12), habitou em Sodoma, (19:1) e sentou-se à porta (lugar de autoridade) de Sodoma. Leremos mais tarde do resultado dessa descida.

Gn 13:14-18 Quão diferentes foram os resultados para Abrão! Que herança gloriosa e duradoura era a sua! Colocando Deus em primeiro lugar, ele foi ricamente abençoado por Deus. Possamos colocar Deus em primeiro lugar, e desfrutar das bênçãos que temos! Notamos no versículo 10 que Ló usou seus olhos para fazer sua escolha. Mas no versículo 14, Deus estava para recompensar Abrão por haver esperado nEle, e Ele diz a Abrão para usar seus olhos para ver o que Deus iria lhe dar. Leia Is 64:4.

Norman Berry. Fonte: http://chaday.blogspot.com.br/2006/03/genesis-13.html

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O Contraste entre a Fé de Abraão e a Conformidade com o Mundo de Ló

Existe uma crise na história de cada homem em que será, indubitavelmente, revelado o fundamento em que ele descansa, quais os motivos por que é instigado, e quais os fins que o animam. Assim foi com Ló. Não morreu em Harã; mas caiu em Sodoma. A causa aparente da sua queda foi a contenda entre os seus pastores e os pastores de Abraão; porém o fato é que quando alguém não anda realmente com um motivo verdadeiro e afeições puras facilmente encontrará uma pedra para tropeçar. Se não a encontra numa ocasião, encontrá-la-á noutra. Se não a encontra aqui, achá-la-á acolá. Em certo sentido, pouco importa o que seja a causa aparente de se afastar; a verdadeira causa encontra-se oculta, longe da observação normal, nas câmaras íntimas dos afetos e desejos do coração, onde o mundo, de qualquer forma ou feitio, tem sido procurado.

A contenda entre os pastores podia facilmente ter sido resolvida sem prejuízo espiritual para Abraão ou Ló. Para aquele, na verdade, foi apenas uma ocasião para mostrar o poder formoso da fé e a elevação moral — o terreno celestial vantajoso, em que a fé sempre põe o seu possuidor. Mas para este foi uma ocasião de mostrar o mundanismo completo do seu coração. A contenda não produziu o mundanismo em Ló, do mesmo modo que não produziu a fé em Abraão: apenas mostrou, no caso de cada um, o que estava realmente nele. 

Assim é sempre: controvérsias e divisões levantam-se na Igreja de Deus, e muitos tropeçam com isso, e são arrastados outra vez para o mundo, de um ou de outro modo. Então atribuem a culpa às controvérsias e divisões, ao passo que, a verdade é que estas coisas eram apenas os meios de revelar o verdadeiro estado da alma e a inclinação do coração. [...] Sem dúvida, ele (Abraão) tinha um coração que podia ser atraído por "campinas bem regadas" tão forte como o de Ló; mas a verdade é que ele não permitiu que o seu coração escolhesse. Primeiramente deixou que Ló fizesse a sua escolha, e então deixou que Deus escolhesse por ele. Isto era sabedoria celestial. É o que a fé sempre faz: permite que Deus determine a sua herança, assim como consente que Ele a faça boa. Satisfaz-se sempre com aquilo que Deus lhe dá. Pode dizer, "As linhas caem-me em lugares deliciosos: sim, coube-me uma formosa herança" (SI 16:6). Não importa onde "as linhas" caiam; porque, no parecer da fé, elas sempre caem "em lugares deliciosos", porque Deus deita-as para ali.

sábado, 15 de setembro de 2012

Gênesis 12


Gn 12:1-5 O chamado de Abraão por Deus foi um chamado bem claro para que se separasse de tudo aquilo que o homem poderia considerar valioso - seu país - seu povo e sua família. Abraão pode ser uma figura do crente cuja cidadania está no céu (Fp 3:20, a onde a palavra "cidade" pode ser traduzida também como "cidadania") embora vivendo nesta terra. Abraão foi chamado a andar por fé, e a viver como um estrangeiro e peregrino na terra. Grandes eram as promessas que lhe foram feitas - versículo 2. 

Gn 12:7 Há duas coisas para se notar. O Senhor apareceu a ele quando chegou à terra de Canaã. Você também irá saber quando se encontra no lugar certo para adorar o Senhor. Em segundo lugar, ele edificou um altar ali, onde adorou a Deus. Houve uma resposta em seu coração. 

Gn 12:10-20 Lembre-se sempre de que as pessoas na Bíblia que são tipos (figuras) do Senhor e de outras coisas importantes, eram apenas seres humanos que às vezes falhavam. Aqui lemos da segunda falha de Abraão. (A primeira foi quando ele parou em Harã, 11:31, ao invés de seguir todo o caminho até a terra de Canaã). Desta vez ele vai ainda mais longe, e o encontramos agora rumando para Egito (versículo 19), instruindo sua esposa a dizer uma mentira (nós crentes às vezes "empacamos" e às vezes vamos longe demais!). O Egito é uma figura do mundo com todos os seus atrativos e sua cultura. Como crentes, estamos constantemente sendo tentados a voltarmos ao mundo. Abrão perdeu tempo ali, e sofreu, em certas coisas, o resto de sua vida por sua falha. Deus foi misericordioso para com ele e permitiu que enriquecesse. Que isto possa servir de aviso para nós.


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Outro ponto essencial desse capítulo é a promessa da posteridade de Abraão (Cristo), da qual veio a salvação:
E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.
Gênesis 12:3

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Gênesis 7

Leia em  http://www.bibliaonline.com.br/acf/gn/7

Em graça soberana, Deus dá a Sua própria natureza àqueles que são nascidos de novo.

Deus disse a Noé o que fazer, e ele o fez (6:22 e 7:5,9). A arca proporcionava um abrigo perfeito contra o temporal da ira de Deus. Obedecer a Deus sempre traz livramento, bênção e felicidade, por toda a vida do crente. 

Gn 7:1 Devemos também nos separar do mundo (Hb 13:13; Tg 4:4). Separação não significa isolamento. Misturar-se com o mundo (socializar) estraga nosso testemunho. Mas falar de Cristo a outros nos conserva cristãos saudáveis. 

Gn 7:2-5,8 Os animais dividiam-se em duas classes - limpos e impuros. 

Gn 7:10 Após fechar a porta, Deus ainda espera, para o caso de haver alguém se voltar a Ele. (Jesus foi visto em pé, esperando caso Israel resolvesse voltar-se a Ele, mesmo depois de ter voltado para o céu - At 7:56). Nós crentes estamos neste período de tempo. A porta continua aberta. Deus está esperando pelos últimos que serão salvos antes de agir. A vinda do Senhor Jesus para nós (crentes) será o fim do dia da graça. Então a porta será fechada. 

Gn 7:11-24 Noé esteve na arca um ano e dez dias (7:11 e 8:14). 

Gn 7:23 O juízo caiu sobre cada pessoa viva, cada animal e pássaro fora da arca. E assim é hoje, nenhuma pessoa que já tenha escutado o evangelho da graça de Deus terá uma segunda chance após o Senhor Jesus voltar.

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