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sábado, 28 de outubro de 2017

Quatro Princípios Divinos Estabelecidos na Palavra de Deus

Uma vez foi observado que há, entre outros, quatro princípios divinos estabelecidos na Palavra de Deus...

DOUTRINA, EXPERIÊNCIA, PRÁTICA, DISCIPLINA.

Enfatizar somente a doutrina, faria você um antinomiano; enfatizar somente a experiência, faria de você um fanático; enfatizar somente a prática, faria de você um fariseu; enfatizar todos os três – doutrina, experiência e prática – deixando de fora a disciplina, é como um homem que planta uma vinha sem proteção, expondo-a ao ataque de todo javali da floresta.


DOUTRINA


Ter a cabeça cheia de doutrina sem ter um efeito correspondente sobre o coração e a vida é terrível e causa somente estragos. Ser um gramofone sem alma, falando pelos cotovelos a doutrina correta, mas declarações que não sejam comunicações do coração é algo desastroso na vida cristã.

Essa condição possível é vista pela pergunta da Bíblia: "Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante?" (Romanos 6:1). Evidentemente, o apóstolo Paulo estava combatendo um erro real. Veja sua resposta firme: "De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?" Novamente, temos a pergunta: "Pois quê? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça?" (Romanos 6:15).

Esse estado de espírito certamente produzirá antinomianos - isto é, aqueles que envergonham a livre graça de Deus por vidas descuidadas, que dizem: uma vez salvo, salvo para sempre, podemos fazer o que gostamos sem colocar em risco a nossa salvação. A palavra antinomiano vem de duas palavras gregas: anti - contra; e nomos – lei.

Por outro lado, o apóstolo Paulo poderia dizer: "Tu, porém, tens seguido a minha doutrina, modo de viver” (2 Timóteo 3:10). Os primeiros convertidos ao cristianismo "perseveravam na doutrina dos apóstolos" (Atos 2:42). Doutrina e prática andam juntas.

EXPERIÊNCIA


Há alguns que vão para o outro extremo dizendo: Não importa o que o homem acredita, sua conduta é tudo. Mas isso nunca funciona. Ainda que uma pessoa diga o contrário, ela é governada pelo que acredita. Se suas crenças estão erradas, sua conduta é errada.

Aqueles que seguem esse modo de agir, ficam muito egocêntricos, tornam-se uma lei para si mesmos – algo muito perigoso - e se consideram pessoas maravilhosas, adquirem ideias estranhas e muitas vezes se tornam fanáticos perigosos. Curvados sobre a experiência, separados da sã doutrina, eles se tornam uma presa de ideias estranhas e tolas. Quão verdade é a ordem das Escrituras: "doutrina e modo de vida", "doutrina e comunhão dos apóstolos".


PRÁTICA


Se a ênfase é colocada na prática, e as doutrinas e ensinamentos das Escrituras não são dadas para guiar essa prática, você terá pessoas, por assim dizer, procurando fazer uma casa sem fundação, são pessoas como motores sem força motriz ou navios sem um leme.

A pessoa, que não possui a força motriz e o ensino, é como uma câmera que não registra suas fotos.

Deve haver ocupação com o que está acima e além de toda a experiência humana.

Resumindo, um cristão deve ter Cristo antes dele seguir na prática cristã. Mas se ele é deixado para produzir um alto nível de vida cristã sem o conhecimento e a ocupação do coração com Cristo, e o ensino das Escrituras, ele tentará encobrir seus defeitos e colocar algo que ele não tem no coração; ou seja, se tornará um fariseu. Isso nos levaria para o perigoso caminho de achar que nossas atitudes seriam as melhores e mais santas, que ninguém faz como nós fazemos.


DISCIPLINA


Se um cristão não disciplina a si mesmo, isto é, andar em autojulgamento diante de Deus;ou se uma assembleia cristã falhar em disciplinar seus membros, onde e quando a disciplina é necessária, deixa a porta aberta para que o mal entre, crie raízes e se estenda.

Devemos lembrar que Deus é um Deus santo, e aqueles que caminham com Ele devem ser santos.

É um princípio, se julgarmos a nós mesmos, não seremos julgados (1 Coríntios 11:31). Na nossa experiência, os cristãos, que são duros com os seus irmãos em Cristo, são aqueles que não praticam o autojulgamento em suas próprias vidas; os que são ternos e graciosos, e ainda fiéis, são aqueles que verdadeiramente julgam a si mesmos na presença de Deus.

Quanto à assembleia, o capítulo 5 de 1 Coríntios nos fornece as instruções sobre disciplina. Deve haver "dentro" e "fora" - deve haver uma proteção para impedir que qualquer javali da floresta cause destruição.

Que o Senhor nos guie para equilibrarmos esses quatro princípios divinos em nossas vidas e associações.

A. J. Pollock.

domingo, 7 de julho de 2013

A Ceia do Senhor (Parte 2 - Final)

"... E Assim Coma"

Tal é, portanto, o significado da ceia e como você poder perceber o apóstolo nos dá avisos solenes quanto a negligenciarmos a sua importância. "Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se pois o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação (ou seu próprio juízo), não discernindo o corpo do Senhor" (1 Coríntios 11.27-29). Não se questiona aqui se somos dignos de participar da ceia do Senhor; mas o que o apóstolo condena é participar de uma maneira indigna. 



Todo cristão, a menos que tivesse sido excluído por algum pecado, era digno de participar, por ser um cristão. Mas podia acontecer de um cristão ir à ceia sem julgar-se a si mesmo, ou sem apreciar, como deveria, aquilo que a ceia trazia ao seu pensamento e o fato de Cristo estar ligado a ela. Ele não estaria discernindo o corpo do Senhor, além de não discernir e não julgar o mal em si próprio. E se assim comesse e bebesse, estaria comendo juízo para si, isto é, traria disciplina sobre si próprio, pois o Senhor julga o Seu povo e os repreende para que não sejam condenados com o mundo (1 Coríntios 11.32). Assim Ele puniu os Coríntios por sua negligência - alguns com fraqueza, outros com enfermidades, e alguns até mesmo com a morte do corpo (1 Coríntios 11.30). Daí a necessidade de nos examinarmos quanto à maneira como participamos da ceia do Senhor, e de julgarmos tudo aquilo que for descoberto como sendo impróprio na presença dEle; "Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados" (1 Coríntios 11.31), isto é, se aplicássemos um juízo próprio não seríamos corrigidos pelo Senhor.

Ocupados com Cristo

De tudo o que foi falado, fica claro que não estamos qualificados para a mesa do Senhor até que fique definida a questão de nosso relacionamento com Deus - ou, em poucas palavras, até que tenhamos paz com Deus. Pois se estou ocupado com o meu ego, com meu próprio estado de espírito, com dúvidas, ansiedades ou temores, não posso estar ocupado com a morte de Cristo. Com frequência, muito dano é causado por se receber cedo demais as almas à mesa do Senhor. Pois quando vêm antes de terem paz com Deus, olham para a mesa como se fosse um meio de se obter graça e, uma vez que na ceia é a morte de Cristo que é colocada diante delas, tornam-se infelizes e angustiadas por não conhecerem o valor daquela morte para si próprias. Pelo menos até que haja paz de consciência pelo poder do sangue de Cristo, a alma não se encontra em liberdade, não se encontra à vontade para contemplar a morte de Cristo.

Volto a repetir. Quando nos encontramos à mesa do Senhor, não é para estarmos ocupados com os benefícios que recebemos pela morte de Cristo. Mas é para entrarmos, pelo poder do Espírito, nos pensamentos de Deus a respeito da morte de Seu amado Filho. Pois estamos ali como adoradores e, como tais, no interior e além do véu rasgado (Mateus 27.51; Hebreus 10.20). E, uma vez lá, ficamos absortos com o fato de que o próprio Deus foi glorificado na morte de Cristo e, em comunhão com Ele, pensamos no que Cristo foi para Deus; nunca tão precioso aos olhos de Deus como naquele terrível momento em que foi feito pecado e, a fim de glorificar a Deus, suportou tudo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Então, com o coração transbordando, somos capacitados, pelo Espírito, a extravasar o nosso louvor e adoração. Que tremendo pensamento, podermos ser admitidos a contemplar, juntamente com Deus, o Seu Cristo sendo lançado no pó da morte, com todas as ondas e vagas de Deus passando sobre Ele! E à medida que O contemplamos não podemos deixar de clamar: "Àquele que nos ama, e em Seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus e Seu Pai: a Ele glória e poder para todo o sempre. Amém" (Apocalipse 1.5-6).

Levando Sacrifícios de Louvor

Encontramo-nos, portanto, à mesa como pessoas que dão, não como pessoas que recebem; muito embora, com toda a certeza, recebemos muito quando estamos ali de acordo com os pensamentos de Deus. Mas o objetivo de nossa reunião é adorar, render a homenagem de nosso coração a Deus, por termos sido redimidos por meio da morte de Seu Filho. E quem poderia descrever o abençoado privilégio que é anunciarmos a morte do Senhor dessa maneira? Reunidos ao redor dEle próprio, com os comoventes símbolos de Seu corpo e sangue diante de nossos olhos, reivindicando as afeições do nosso coração! Seu amor, que as muitas águas não poderiam apagar nem os rios afogar, penetra em nosso coração e toma posse de nossa alma, nos constrangendo a nos prostrarmos aos Seus pés em grata adoração, e nos fazendo almejar pelo momento quando O veremos face a face e, contemplando a Sua glória, estaremos junto a Ele, O adorando por todas as eras da eternidade!

Termino, orando para que você possa ser instruído cada vez mais no significado da morte do Senhor, como é apresentada na Sua ceia.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

A Mesa do Senhor (Parte 1)

A questão da mesa do Senhor é, com frequência, um assunto que confunde o filho de Deus. Pois ele encontra ao redor de si não apenas muitas mesas, estabelecidas sobre diferentes bases, mas, quando começa a investigar este assunto, encontra tantas teorias quantas forem as mesas, no que diz respeito ao significado da ceia à qual ele é convidado a participar. Portanto, a única forma de ele evitar o erro e ser achado em obediência ao seu Senhor, é tapar os ouvidos à confusão de vozes dos teólogos e acatar o ensino claro e inequívoco da Palavra de Deus. E é a isto que desejo guiá-lo nesta carta.

Como era de se esperar, não há nada que esteja faltando com respeito a este tema nas Escrituras. Sendo assim, o capítulo 10 de 1 Coríntios explica o caráter da mesa e o capítulo 11 nos dá o caráter da ceia e a maneira como ela deve ser celebrada. 

Vamos considerar primeiro a questão da mesa. "Porventura o cálice da bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo: porque todos participamos do mesmo pão" (1 Coríntios 10.16,17). Está claro que esta passagem ensina duas coisas: em primeiro lugar, que o pão sobre a mesa é o símbolo do corpo de Cristo ("Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo" - veja também 1 Coríntios 12.13); e em segundo lugar, que somos participantes dele como membros deste corpo ("porque todos participamos do mesmo pão"). Por conseguinte, assim como temos a comunhão do sangue de Cristo por meio do vinho, também temos a comunhão do corpo de Cristo por meio do pão, quando participamos da ceia em conformidade com os pensamentos de Deus. A mesa é assim a expressão da unidade do corpo de Cristo; e, consequentemente, somente os membros deste corpo podem estar apropriadamente reunidos em torno dela. 

Por estranho que possa parecer, a "igreja" da Inglaterra concorda com este princípio, pois não admite à sua mesa alguém que não tenha sido batizado, e ela declara que cada pessoa batizada é transformada em "um membro de Cristo". O erro, como pode ver, está em atribuir ao batismo (como meio) aquilo que só pode ser produzido pelo Espírito de Deus. Menciono este caso apenas para mostrar a você que o princípio aqui anunciado, longe de ser algo peculiar, é largamente aceito.

Como Identificar a Mesa do Senhor

Ora, é pela aplicação deste princípio que você pode identificar qual, de todas mesas ao seu redor, é a mesa do Senhor. Aplique este teste em cada mesa denominacional e qual será o resultado? Você logo irá perceber que nenhum sistema sectário pode ter a mesa do Senhor, pois a base sobre a qual uma mesa denominacional é estabelecida, em todos os casos, não abrange todo o corpo de Cristo. Mesmo se, por um momento apenas, admitíssemos a hipótese de que todos os seguidores de uma determinada denominação fossem membros do corpo de Cristo, teríamos ainda que perguntar: "Existem outros membros do corpo fora dessa denominação?" Se existirem, então tal mesa não é a mesa do Senhor, por mais sincera, consciente e piedosa que possa ter sido a forma como foi estabelecida. Porém alguns poderiam responder: "Mas estamos abertos para receber a todos os outros membros do corpo de Cristo". Mesmo assim eu diria que isso não altera a situação, pois a base adotada determina o caráter da mesa que sobre ela é estabelecida; e a base adotada em qualquer denominação é de um caráter tal que muitos cristãos fiéis não poderiam estar em comunhão nessa mesa. Por exemplo, os dissidentes (nome dado pela igreja Anglicana aos outros Protestantes) são excluídos, por questão de consciência, da mesa da "igreja" Anglicana; e os Anglicanos são igualmente excluído das mesas dos dissidentes. Sendo assim, em nenhum desses lugares poderá ser identificada a mesa do Senhor, já que a base adotada para a comunhão é outra, e não aquela do corpo de Cristo.

Mais uma vez, experimente testar as mesas dos sistemas que se dizem não-sectários usando o mesmo princípio. Talvez você me diga que conhece um lugar onde toda a questão denominacional é repudiada e onde é ensinado que todos os cristãos devem estar unidos apenas como cristãos. Muito bom, mas ainda assim eu teria algumas perguntas a fazer. Eu perguntaria: Estão os crentes reunidos naquele lugar somente para o nome de Cristo? Existe liberdade para o Espírito ministrar por intermédio de quem Ele desejar? É exercida a disciplina para que haja santidade? Pois o Senhor não pode aprovar coisa alguma que esteja em desacordo com as Escrituras - qualquer coisa que não seja condizente com o caráter do Seu próprio nome. Se estas perguntas puderem ser respondidas afirmativamente, então você talvez possa concluir que encontrou a mesa do Senhor. Caso contrário, por mais atraente e correta que possa ter parecido a uma primeira análise, você deve rejeitá-la como estando na mesma situação daquelas estabelecidas pelos sistemas denominacionais.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Jacó e Siquém

(Comentário Gênesis 34)

Não é que Jacó não fosse, em geral, um homem de fé; era, certamente, e como tal, tem um lugar entre "uma tão grande nuvem de testemunhas" de Hebreus 11. Porém mostrou um triste fracasso em não andar no exercício habitual desse princípio divino. Poderia a fé levá-lo a dizer, "ficarei destruído, eu e minha casa?" Não, evidentemente. A promessa de Deus no capítulo 28:14-15 devia ter banido qualquer temor do seu espírito. "...te guardarei... não te deixarei." Isto devia ter tranquilizado o seu coração. Porém, o fato é que a sua mente estava mais ocupada com o perigo que corria entre os homens de Siquém do que com a sua segurança nas mãos de Deus. Devia ter sabido que nem um só cabelo da sua cabeça poderia ser tocado, e, portanto, em vez de se preocupar com Simeão e Levi, ou as consequências do seu ato precipitado, devia julgar-se a si próprio naquela posição. Se não se tivesse fixado em Siquém, Diná não teria sido desonrada, e a violência de seus filhos não teria sido manifestada. Vemos constantemente crentes passando por profunda dor e dificuldades por causa da sua própria infidelidade; e então, em vez de se julgarem a si próprios, começam a ponderar as circunstâncias e lançam sobre elas a culpa.

Quantas vezes vemos pais crentes, por exemplo, em aflição de alma quanto à travessura, rebeldia e mundanidade dos seus filhos; e, ao mesmo tempo, eles são os próprios culpados por não andarem em fidelidade perante Deus quanto às suas famílias. Foi assim com Jacó. Estava em terreno moral baixo, em Siquém; e, visto que lhe faltava aquela sensibilidade refinada que o teria levado a detectar o baixo terreno, Deus, em verdadeira fidelidade, usou as suas circunstâncias para o castigar. "Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gl. 6:7). E um princípio do governo moral de Deus—um princípio de cuja aplicação ninguém pode escapar; e é uma misericórdia para os filhos de Deus serem obrigados a ceifar os frutos dos seus erros. É uma misericórdia ser-se ensinado, de qualquer modo, da amargura de deixar ou não de contar com o Deus vivo. Temos de aprender que este não é o nosso repouso; porque, bendito seja Deus, Ele não nos daria um repouso manchado. Ele quer que descansemos em e com Ele Próprio. Tal é a Sua graça; e quando os nossos corações duvidam, ou fracassam, a Sua palavra é "Se voltares..., diz o Senhor, para mim voltarás" (Jr. 4:1).

A humildade falsa, a qual é apenas o fruto da incredulidade, leva o extraviado ou apóstata a tomar uma posição inferior, desconhecendo o princípio ou medida da restauração de Deus. O filho pródigo procurava ser tomado como um servo, desconhecendo que, tanto quanto lhe dizia respeito, ele não tinha mais direito ao título de servo que ao de filho; e, além disso, seria inteiramente indigno do caráter do pai colocá-lo numa tal posição. Devemos vir a Deus no princípio e segundo a maneira digna d'Ele Mesmo, ou então não vir.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Frutos Amargos

(Comentário Gênesis 28)

Vamos seguir agora Jacó nos seus passos depois de ter deixado a casa de seu pai, para o vermos como vagabundo solitário na terra. E aqui que os principais desígnios de Deus a seu respeito começam a manifestar-se. Jacó começa agora a compreender, em certa medida, os frutos amargos do seu procedimento para com Esaú. Enquanto que, ao mesmo tempo, Deus é visto elevando-Se acima de toda a fraqueza e loucura do Seu servo e manifestando a Sua graça soberana e profunda sabedoria na forma como trata com ele.

Deus cumprirá o Seu propósito, não importa quais sejam os instrumentos usados para esse fim, mas se um filho Seu, em impaciência de espírito, e incredulidade de coração, se desliga das Suas mãos, deve esperar muito exercício doloroso e disciplina aflitiva. Foi assim com Jacó: não teria que fugir para Harã se tivesse permitido que Deus atuasse por ele. Deus teria certamente tratado com Esaú, e feito com que ele encontrasse o seu lugar e a sua parte; e Jacó poderia ter gozado aquela doce paz que nada pode conceder salvo inteira sujeição em todas as coisas aos desígnios de Deus.

E aqui está onde a fraqueza dos nossos corações é constantemente manifestada. Não permanecemos inativos nas mãos de Deus; queremos atuar e, por meio da nossa atuação, impedimos a manifestação da graça e poder de Deus em nosso favor. "Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus" (Sl 46:10), é um preceito ao qual nada senão o poder da graça divina pode habilitar alguém a obedecer. "Seja a vossa equidade notória a todos os homens. Perto está o Senhor. Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplicas, com ação de graças" (Fp 4:5-6).

Qual será logo o resultado de atuar assim? "E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus" (Fp 4:7).

Contudo, Deus domina graciosamente a nossa loucura e fraqueza, não obstante termos de colher os frutos dos nossos métodos impacientes, Ele serve-Se deles para nos ensinar ainda maiores lições da Sua graça e perfeita sabedoria. Isto, ao mesmo tempo que não justifica a incredulidade e a impaciência, mostra, maravilhosamente, a bondade do nosso Deus, e conforta o coração até mesmo quando passamos por circunstâncias dolorosas por causa das nossas faltas. Deus está acima de tudo; e, além disso, é Sua prerrogativa tirar bem do mal; dar comida do comedor é doçura do forte; e por isso, embora seja verdade que Jacó foi obrigado a exilar-se da casa de seu pai em consequência do seu próprio ato impaciente e enganoso, é igualmente verdade que ele nunca poderia ter aprendido o significado de "Betel" se tivesse ficado em casa. Deste modo os dois lados do quadro são fortemente marcados em cada acontecimento da história de Jacó. Foi quando ele foi expulso, pela sua própria loucura, da casa de Isaque, que foi levado a provar, em certa medida, a bem-aventurança e solenidade da "casa de Deus".

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