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terça-feira, 29 de outubro de 2013

Os Dons do Espírito

Alguns dos dons do Espírito foram dados para "sinais", e como tal serviram para confirmar a Palavra para aqueles que eram incrédulos. (Atos 14.3; 1 Coríntios 14.22.) Eles não eram para ser utilizados, mesmo quando alguém os possuía, exceto para edificação. Quando se tratava de falar em línguas, devia-se permanecer em silêncio a menos que alguém pudesse interpretar o que era falado, de forma a edificar a assembléia. (1 Coríntios 14.27,28)

Quanto ao dom de línguas do versículo acima citado, não existe promessa de sua continuação, nem de qualquer um dos outros dons de sinais. (1 Coríntios 12.28-31.) A continuidade é prometida para aqueles dons que expressavam o amor de Cristo para com a igreja. (Efésios 4.11-16)

O dom de línguas servia para demonstrar a unidade de todos os crentes de todas as nações, unidade esta formada por Deus por ocasião da vinda do Espírito. (Atos 2.4-11; 1 Coríntios 12.13) Uma vez que a igreja de Deus falhou de forma tão evidente em expressar exteriormente esta unidade, o dom de línguas, assim como todos os dons de sinais, já não são manifestos em nossos dias. Aqueles que professam possuir estes dons devem ser provados à luz das Escrituras. O dom de línguas na Bíblia não se tratava da manifestação de línguas ininteligíveis, mas línguas bem conhecidas e faladas neste mundo. (Atos 2.8.) Quando se tratava de efetuar curas, ninguém saía desapontado. Todos eram curados. (Atos 5.16.) É bom provar, por estas passagens bíblicas, aqueles que proclamam possuir o dom de línguas e de cura nos dias de hoje. (1 Coríntios 4.19,20.)

Além do mais, "os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas". O Espírito de Deus não força um homem a falar a qualquer hora, ou de qualquer maneira, e quando alguém ministra, seu ministério deve ser objeto de um julgamento espiritual por parte de seus irmãos. Além disso, aqueles que falam devem falar um de cada vez, caso contrário haverá confusão. (1 Coríntios 14.27-33.)

Os dons do Espírito não se tratam de habilidades santificadas, mas de uma verdadeira comunicação daquilo que não era possuído anteriormente, embora colocado em um vaso preparado por Deus para esse uso.

Os dons apresentados em 1 Coríntios 12 eram as várias manifestações do Espírito, ali dispostas por Deus e administradas pelo Senhor, e suas operações eram pelo Espírito. Seu uso devia ser para edificação. (1 Coríntios 14.)

Para a época em que a igreja de Deus se transformou numa "grande casa", a palavra em 1 João 4.1 é: "provai se os espíritos são de Deus". Duas coisas devem caracterizar o verdadeiro ministério pelo Espírito: primeiro, deve haver a confissão da verdadeira Deidade e Humanidade de Jesus Cristo; segundo, deve haver submissão à doutrina dos apóstolos conforme é dada na Palavra. Isto é muito importante. (1 João 4.2,6.)

Todo crente é habitado pelo Espírito, e sabe disso pelo amor de Deus que é derramado em seu coração. (Efésios 1.13; 1 Coríntios 6.19; Romanos 5.5.)

Toda bênção cristã é um dom. Não recebemos essas bênçãos por nossos próprios esforços ou orações. Nós as recebemos quando a fé recebe a Cristo, e crê no evangelho da Sua graça. (Efésios 1.3.) Aqueles que creram no evangelho no dia de Pentecostes, receberam também o dom do Espírito. (Atos 2.38.)

O nosso desfrutar daquilo que temos recebido depende do nosso andar. (Romanos 15.13; Efésios 4.30; 1 Coríntios 2.15.) Andemos cuidadosamente, em oração, submissos à Palavra, e julgando tudo aquilo que possa impedir a ação do bendito Espírito de Deus em nos mostrar as coisas que pertencem a Cristo.

É importante lembrar que as Escrituras são inspiradas pelo Espírito de Deus (2 Pedro 1.21), e que o Espírito nunca guiará alguém por um caminho contrário à Palavra.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A Descida do Espírito Santo

(Comentário Atos 2)

O tempo determinado chegara. A redenção tinha sido cumprida, Deus tinha sido glorificado - Cristo estava à destra do Pai no céu, e o Espírito Santo descera à terra. Deus inaugura a igreja e o faz de maneira condizente com Sua sabedoria, poder e glória. Um poderoso milagre foi realizado, um sinal exterior foi dado. O grande evento é registrado como segue abaixo.

Atos 2. “E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; e de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.” É bom fazermos uma pausa aqui para percebermos algumas coisas relacionadas à descida do Espírito Santo e à demonstração de Seu poder nesse importante dia.

Em primeiro lugar houve a consumação da promessa do Pai; o próprio Espírito Santo foi enviado dos céus. Essa era a grande verdade de Pentecostes. Ele veio do alto para habitar na igreja - o lugar preparado para Ele pela aspersão do sangue do Jesus Cristo. Houve também o cumprimento da palavra do Senhor aos apóstolos: “Vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (Atos 1:5). Os discípulos não tinham a menor ideia do significado dessa palavra, mas o fato estava consumado. A revelação total da doutrina de “um só corpo” aguardava os ensinamentos de Paulo. “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito” (1 Coríntios 12:13).

Porém, além dos vários dons concedidos para o serviço do Senhor, temos algo mais bendito da perspectiva pessoal e inteiramente novo sobre a terra. O próprio Espírito Santo veio para habitar, não apenas na igreja, mas também em cada indivíduo que crê no Senhor Jesus. E, louvado seja o Senhor, que isso é tão verdadeiro hoje como foi no primeiro dia. Ele habita agora em cada crente que descansa na obra consumada de Cristo. Tendo em mente esse dia, o Senhor disse: “Vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós” (João 14:17). Esses dois grandes aspectos da presença do Espírito foram cumpridos na íntegra no dia de Pentecostes. Ele veio habitar em cada cristão e na igreja, e agora - gloriosa verdade — sabemos que Deus não apenas é por nós, mas em nós e conosco.

Quando “Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude” (Atos 10:38), Este apareceu em forma de pomba - belo emblema da pureza imaculada, da bondade e da humildade de Jesus. Ele não fazia ouvir Sua voz nas ruas, ou esmagava a cana quebrada, nem apagava o pavio que fumega (Isaías 42:3). Mas no caso dos discípulos que esperavam em Jerusalém, o que aconteceu foi totalmente diferente. O Espírito desceu como línguas de fogo e pousou sobre cada um. Isso foi característico. Foi uma demonstração do poder de Deus, não apenas para Israel, mas um prenúncio para todas as nações da terra. A Palavra de Deus também julgou tudo o que ocorreu antes disso - as línguas eram de fogo. O julgamento de Deus em relação ao homem por causa do pecado foi judicialmente expresso na cruz, e agora esse solene fato se tornará conhecido por toda a parte, devido ao poder do Espírito Santo. No entanto, a graça reina - reina através da justiça, da vida eterna por Cristo Jesus. O perdão é proclamado para o culpado, a salvação para o perdido, a paz para o atribulado, o descanso para o cansado. Todos os que creem são, e sempre serão abençoados no e com o ressurreto e glorificado Cristo.

A surpresa e a consternação do Sinédrio e do povo judeu, sem dúvida foram enormes com o reaparecimento, em tal poder, dos seguidores do Jesus crucificado. Eles haviam concluído que, agora que o Mestre estava morto, os discípulos não iriam fazer mais nada. A maioria daqueles homens eram pessoas simples, sem educação. Mas como o povo deve ter ficado espantado ao ouvir esses homens modestos pregando ousadamente nas ruas de Jerusalém, e convertendo milhares a um relacionamento vivo com Jesus! Mesmo sob o ponto de vista histórico, essa cena é cheia do mais emocionante interesse, e não encontra nenhum paralelo nos anais do tempo.

Jesus fora crucificado e, segundo a opinião popular, Suas declarações de que Ele era o Messias tinham sido sepultadas junto com Seu corpo. Os soldados que guardavam Seu sepulcro foram subornados para espalhar um falso testemunho acerca de Sua ressurreição; a excitação das pessoas já tinha passado; a cidade e a adoração no templo haviam retornado ao ritmo normal, como se nada tivesse acontecido. Porém, da parte de Deus, as coisas não seriam silenciosamente ignoradas. Ele esperava o tempo determinado para defender Seu Filho, e fazer isso no mesmo lugar de Sua humilhação. Isso ocorreu de manhã cedo no dia de Pentecostes. Repentina e inesperadamente, Seus dispersos discípulos reapareceram com um miraculoso poder. Ousadamente acusaram os líderes e o povo pela prisão, julgamento e crucificação de Jesus e afirmaram com todas as letras que estes haviam assassinado o Messias prometido, mas que Deus O levantou para ser Príncipe e Salvador, assentando-O à Sua destra no céu. “Onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Romanos 5:20).

Podemos dizer que a sentença sobre Babel foi o reverso desse maravilhoso dia. Através de diferentes línguas, as quais os homens receberam como condenação pela justa ira de Deus, a salvação foi proclamada. Essa poderosa e miraculosa obra divina atraiu a multidão. Todos estão assombrados, especulando o que seria aquela estranha cena. Cada um, na língua própria de seu país de origem, ouvia dos lábios de galileus iletrados as maravilhosas obras de Deus. Os judeus que moravam em Jerusalém, não entendendo as línguas estrangeiras, zombavam deles. Então Pedro se levantou e explicou em sua própria língua, provando com as Escrituras o verdadeiro caráter do que acontecia.

A. Miller. Fonte: http://tinyurl.com/o4nmum7

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

No Deserto

(Comentário Êxodo 3)

"E apascentava Moisés o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote em Midiã; e levou o rebanho atrás do deserto e veio ao monte de Deus, a Horebe" (versículo 1). Aqui temos, pois, uma mudança admirável na vida de Moisés. Lemos em Gênesis, capítulo 46:34, que "todo o pastor de ovelhas é abominação para os egípcios" e no entanto, Moisés, que era "instruído em toda a ciência dos egípcios", é transferido da corte do Egito para trás do deserto para apascentar um rebanho de ovelhas e preparar-se para o serviço de Deus. Seguramente isto não "é o costume dos homens" (2 Sm 7:19) nem o curso natural das coisas: é um caminho incompreensível para a carne e o sangue. Nós havíamos de pensar que a educação de Moisés estava terminada logo que se tornou mestre de toda a sabedoria do Egito, gozando ao mesmo tempo das vantagens que oferece a este respeito a vida de uma corte. Poderíamos supor que um homem tão privilegiado havia de ter não apenas uma instrução sólida e extensa mas também uma distinção tal em suas ações que o tornariam apto para cumprir toda a espécie de serviço. Porém, ver um tal homem, tão bem dotado e instruído, ser chamado a abandonar a sua elevada posição para ir apascentar ovelhas atrás do deserto, e qualquer coisa incompreensível para o homem, qualquer coisa que humilha até ao pó o seu orgulho e a sua glória, mostrando que as vantagens humanas são de pouco valor diante de Deus; mais ainda, que são "como esterco", não somente aos olhos do Senhor, mas aos olhos de todos aqueles que têm sido ensinados na Sua escola (Fp. 3:8).

Existe uma diferença enorme entre o ensino humano e o divino. Aquele tem por fim cultivar e exaltar a natureza; este começa por a "secar" e a pôr de lado. "Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente" (1 Co 2:14). Podeis esforçar-vos por educar o homem natural tanto quanto puderdes, sem que jamais consigais fazer dele um homem espiritual. "O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito" (Jo 3:6). Se alguma vez um "homem natural" educado pôde esperar ter êxito no serviço de Deus, esse tal foi Moisés: ele era "instruído... e poderoso em suas palavras e obras" (At 7:22); e todavia teve que aprender alguma coisa "atrás do deserto" que as escolas do Egito nunca lhe haviam ensinado. Paulo aprendeu muito mais na Arábia do que jamais havia aprendido aos pés de Gamaliel (¹). Ninguém pode ensinar como Deus; e é necessário que todos aqueles que querem aprender d'Ele estejam a sós com Ele. Foi no deserto que Moisés aprendeu as lições mais preciosas, mais profundas, mais poderosas e mais duráveis; e é ali que devem encontrar-se todos os que queiram ser formados para o ministério.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Atos 2 (Parte 1)

Quando confio na bondade do Senhor, posso esperar nEle; quando existe algum problema, devo primeiro sentir qual é a minha parte nele; então verei Sua mão claramente.

Leia em http://www.bibliaonline.com.br/acf/atos/2

At 2:1-13 A palavra "Pentecostes" significa "quinquagésimo". foi no quinquagésimo dia após a morte do Senhor, que o Espírito Santo desceu à Terra. Sete semanas (7 Sábados) mais um dia, chegando ao Domingo, o dia do Senhor. Trata-se do dia do Cristianismo - o primeiro dia da semana. Cristo é o fim da lei - Gl 2:16-21. Por intermédio da vinda do Espírito Santo à Terra, (o Qual é uma Pessoa distinta) uma grande mudança acontece. Já não é mais no Tabernáculo ou no Templo que Deus habita. O Espírito Santo vive agora no corpo de cada crente. (1 Co 3:16; 2 Co 6:16; 2 Co 5:17) - tudo mudou.

At 2:3 "Repartidas" significa divididas, implicando as muitas línguas faladas. Falar em línguas significa falar claramente e sobriamente em uma outra língua para que aqueles que escutam possam entender. Estes eram pescadores incultos da Galileia. Eles demonstraram o poder de Deus. Hb 2:3-4 nos diz claramente que estes sinais e maravilhas aconteciam no início da pregação do Evangelho da graça de Deus. "De fogo" nos falaria do castigo que os que rejeitam a Cristo deverão receber (veja Jo 16:7-11).

terça-feira, 24 de setembro de 2013

A Ressurreição e Ascensão de Cristo

(Comentário Atos 1)

Encarnação, Crucificação e Ressurreição são os grandes fatos ou verdades fundamentais da igreja e do cristianismo. A encarnação foi necessária à crucificação e ambas à ressurreição. É uma verdade bendita que Cristo morreu na cruz por nossos pecados, porém, é igualmente verdade que o crente morreu em Sua morte (Romanos 6; Colossenses 2). A vida cristã é vida na ressurreição. A igreja está edificada sobre o Cristo ressurreto. Nenhuma verdade pode ser mais abençoada e maravilhosa que a encarnação e a crucificação, mas a igreja está associada com a ressurreição e glorificação de Cristo.

Em Atos 1 temos um quadro do que está relacionado à ressurreição e ascensão do Senhor; e também com os atos dos apóstolos antes da descida do Espírito Santo. O maravilhoso Senhor ainda fala e age por intermédio do Espírito Santo. Foi “pelo Espírito Santo” que Ele deu ordenanças aos apóstolos que escolhera. Isso é digno de nota por nos ensinar duas coisas:
  1. O caráter de nossa união com Cristo; o Espírito Santo no cristão e no Senhor ressurreto os une um ao outro de maneira extraordinária. “Mas o que se ajunta com o Senhor é um mesmo espírito” (1 Coríntios 6:17). Pelo “mesmo Espírito” ambos são unidos.
  2. Esse importante fato chama a atenção para a abençoada verdade de que o Espírito Santo habita e age no cristão, também após este estar efetivamente na ressurreição. Naquele momento, Ele não terá - como tem agora - a carne em nós para combater, mas irá nos conduzir sem qualquer impedimento às glórias do céu — à jubilosa adoração, ao abençoado serviço, e à plenitude da vontade de Deus.
O Senhor ressurreto ordena aos apóstolos a aguardarem em Jerusalém pela “promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (Atos 1:4-5). Não se trata mais de uma questão de promessas temporais a Israel, isso será adiado para um dia futuro. A promessa do Pai em relação ao Espírito Santo era uma coisa inteiramente distinta, e com resultados radicalmente diferentes.

O Senhor falou muitas coisas relativas ao reino de Deus com Seus apóstolos, subiu aos céus e então uma nuvem impediu que eles O vissem. A volta do Senhor também é prenunciada de maneira clara e cristalina nessa mesma ocasião. “E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco. Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir” (Atos 1:9-11). A partir dessas palavras fica evidente que Ele subiu pessoal, visível e corporalmente, e que é dessa mesma forma que Ele deverá vir - Ele aparecerá novamente entre as nuvens, e será manifesto aos povos sobre a terra, pessoal, visível e corporalmente; mas dessa vez com poder e grande glória.

Os apóstolos e discípulos tiveram de aprender duas coisas:
  1. Que Jesus foi tomado desse mundo e levado aos céus.
  2. Que Ele virá novamente. O testemunho deles se baseava sobre esses dois grandes fatos. Jerusalém seria o ponto de partida do ministério apostólico, e para isso teriam de esperar pelo poder de cima. Agora chegamos ao segundo grande evento, e mais importante de todos, que se relaciona à condição humana neste mundo - o dom do Espírito Santo. Já não seria Deus por nós, mas Deus em nós. Isso aconteceu no dia de Pentecostes.

A. Miller. Fonte: http://tinyurl.com/om2b9e6

terça-feira, 14 de maio de 2013

O Corpo de Cristo (Parte 2 - Final)

(leia Parte 1)

Membros Uns dos Outros

Em segundo lugar, nos é ensinado que sendo membros do corpo de Cristo, somos também membros uns dos outros, e é essencial que aprendamos esta verdade se quisermos entender o caráter de nosso parentesco com todos os filhos de Deus. Assim, o mesmo vínculo que nos une a Cristo, nos une também a todos os crentes; pois o mesmo Espírito que nos une a Cristo nos uniu também uns aos outros. É isto que significa a "unidade do Espírito" (Efésios 4.3), ou seja, a unidade de todos os membros de Cristo, que foi formada nesta Terra pelo Espírito de Deus.

Se agora você abrir em 1 Coríntios 12, verá o maravilhoso caráter do nosso mútuo parentesco, decorrente do fato de sermos membros uns dos outros. Você pode ler do versículo 12 ao 27 para sua meditação e enquanto isso assinalarei os importantes pontos que são ali ensinados. Em primeiro lugar, é deixado bem claro que "o corpo não é um só membro, mas muitos"; e que cada membro tem o seu próprio lugar no corpo. Sendo assim, o apóstolo pergunta: "Se o pé disser: porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo?". E então ele toma o cuidado de mostrar que o lugar peculiar que cada um ocupa no corpo é o resultado do ato soberano de Deus, além de nos exortar a não nos esquecermos que, embora sendo muitos membros, há um só corpo (1 Coríntios 12.14-20). Como seria fácil para alguém ampliar este assunto acrescentando seus próprios pensamentos, se não tivéssemos mais nenhuma instrução a respeito. Mas quero apenas chamar sua atenção aqui para dois pontos: nossa obrigação ou responsabilidade em reconhecer, primeiramente, a diversidade de membros (v. 14) e, em segundo lugar, a unidade do todo (v. 29). E me atrevo a acrescentar que é impossível guardar uma coisa ou outra, a menos que você esteja congregado fora do arraial, separado de todas as denominações e sistemas humanos, para o nome de Cristo somente. 

Em segundo lugar, está claro que cada membro do corpo necessita de todos os outros membros, pois "o olho não pode dizer à mão: não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: não tenho necessidade de vós", e o apóstolo continua nos ensinando que "Deus assim formou o corpo... para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros" (1 Coríntios 12.21-25). Somos, então, lembrados de que o parentesco entre os membros é tão íntimo que "se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele" (1 Coríntios 12.26).

Uma União Indissolúvel

Por estas passagens das Escrituras você poderá entender que a expressão "o corpo de Cristo" não se trata de uma mera figura de linguagem, como muitos a consideram, mas expressa uma realidade - a pura realidade de nossa união com Cristo, bem como de nossa união uns com os outros. E estou certo de que você entenderá que nossa responsabilidade para com Cristo, como a Cabeça do corpo, e nossa responsabilidade para com os outros membros não poderá ser compreendida, e muito menos manifestada, se esta verdade for menosprezada ou ignorada. Mas, por outro lado, quando ela é conhecida, temos não somente o gozo de uma união consciente com Cristo, como podemos nos regozijar em nossa união - nossa indissolúvel união - com todos os membros do Seu corpo em todas as partes do mundo.

Isto nos leva a resultados bastante práticos. Por exemplo, se alguém me diz que devo filiar-me a qualquer uma das denominações existentes, imediatamente respondo que não posso fazer algo que negue - e claramente nega - esta preciosa verdade. "Você me pede", eu diria, "para me unir a um determinado grupo de cristãos que estão em comum acordo em determinadas coisas; mas eu já estou unido a todos os crentes, e preciso de todos; não posso, portanto, aceitar uma base de união que exclua qualquer um deles". Até mesmo se me convidassem para me unir a um certo número de cristãos que não levassem em conta as barreiras denominacionais (geralmente conhecidos como "interdenominacionais" - N. do T.), eu responderia: "Sou um membro do corpo de Cristo e, portanto, não posso estabelecer qualquer base de união diferente daquela que é o corpo. Ou permaneço na base que Deus estabeleceu ou não permaneço em base nenhuma". Sendo assim, enquanto eu não conhecer a verdade do corpo de Cristo, não poderei compreender o lugar que Deus gostaria que eu ocupasse neste mundo.

Mas agora deixo este assunto para sua meditação, pois estou certo de que se você buscar nas Escrituras, na dependência do Senhor, Ele irá guiá-lo, pelo Seu Espírito, para que você conheça a Sua vontade a este respeito. Em minha próxima carta, se Deus quiser, apresentarei a você outro assunto que está intimamente ligado a este, ou seja, o que se refere à mesa do Senhor.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O Corpo de Cristo (Parte 1)

Existe outra questão, que agora exige sua atenção, relacionada ao corpo de Cristo. No dia de Pentecostes ocorreu algo completamente novo no desenrolar dos desígnios de Deus - a vinda do Espírito Santo. Até aquele período o Espírito Santo agia neste mundo, pois em todas as dispensações passadas houve almas vivificadas e "homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo" (2 Pedro 1.21). Mas até o Senhor Jesus ter sido glorificado à direita de Deus, o Espírito Santo, como uma Pessoa divina, não estava neste mundo. Isto não se trata de uma nova teoria, mas é um assunto claramente estabelecido nas Escrituras.

Assim, quando no grande dia da Festa dos Tabernáculos, "Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a Mim, e beba. Quem crê em Mim, como diz a Escritura, rios d'água viva correrão do seu ventre", é explicado que falava "do Espírito que haviam de receber os que nEle cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado" (João 7.37-39). O próprio Senhor acrescentou no mesmo sentido: "Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que Eu vá; porque, se Eu não for, o Consolador não virá a vós" (João 16.7; compare com João 14.16,17, 26 e 15.26). 

A Descida do Espírito Santo

Passando mais adiante, em Atos 2, encontramos o registro histórico da descida do Espírito de Deus: "E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; e de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem" (Atos 2.1-4). Assim se cumpriram as palavras que o Senhor falou aos Seus discípulos após a Sua ressurreição: "vós sereis batizados com o Espírito Santo; não muito depois destes dias... Mas recebereis a virtude [ou poder] do Espírito Santo, que há de vir sobre vós" (Atos 1.5,8).

Foi pela descida do Espírito Santo que a Igreja foi formada - a Igreja de Deus conforme é encontrada no Novo Testamento - e desde então ela existe em dois aspectos: como a casa de Deus (1 Timóteo 3.15) e como o corpo de Cristo (Efésios 1.22,23). É o segundo aspecto da Igreja que desejo trazer diante de você nesta carta, e há dois versículos que nos capacitarão a compreender isto. Em Colossenses 1.18 lemos que "Ele é a cabeça do corpo da Igreja"; e em 1 Coríntios 12.13, "Pois todos nós fomos batizados em um Espírito formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres". Isto parece indicar que no dia de Pentecostes, pela vinda do Espírito Santo, os crentes foram batizados em um corpo, e que assim foi formado o corpo de Cristo. 

Quem Faz Parte do Corpo?

Mas, permita-me perguntar, de que, ou de quem, é composto o corpo de Cristo? "Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também" (1 Coríntios 12.12). O termo "Cristo", conforme é usado aqui, inclui o próprio Cristo e todos os membros do corpo, vistos como um todo. Portanto o corpo de Cristo inclui a Ele próprio, como a Cabeça, e a todos os crentes sobre a face da Terra, nos quais o Espírito Santo veio habitar. Como consequência, cada filho de Deus que pode clamar "Aba, Pai" é um membro do corpo de Cristo e, por esta razão, o apóstolo diz que "somos membros do Seu corpo" (Efésios 5.30).

Este é um ponto para o qual desejo chamar sua atenção, pois um grande número dos amados filhos de Deus ignoram que ocupam esta maravilhosa e privilegiada posição. Por ocasião de uma visita que fiz há algum tempo a um crente prestes a morrer, perguntei-lhe: "Sabe que você é um membro do corpo de Cristo?". Sua resposta foi: "Não, jamais ouvi coisa semelhante". Tão cedo não vou me esquecer do gozo que expressavam as feições daquele moribundo à medida que eu ia expondo as Escrituras que falam deste assunto. 

Permita-me, então, pedir-lhe que considere o que significa ser um membro do corpo de Cristo. Primeiro, e o mais importante, nos ensina que estamos unidos a Cristo - a Cristo como Homem glorificado à direita de Deus. E uma vez que Ele é a cabeça do corpo, cada membro está de uma forma vital, e podemos até mesmo dizer organicamente, ligado a Ele. "O que se ajunta com o Senhor é um mesmo espírito" (1 Coríntios 6.17). Veja, portanto, até onde vai a graça de nosso Deus! Se não bastasse o fato de nossos pecados terem sido perdoados; de estarmos justificados pela fé; de termos sido introduzidos no claro e perfeito favor de Deus; de estarmos ressuscitados com Cristo; de estarmos assentados nEle nos lugares celestiais; mesmo possuindo tanto, a despeito de estarmos cercados de fraqueza e enfermidade neste mundo, nos é dado saber que estamos unidos a Cristo na glória! Podemos elevar nossos olhos a Ele na glória, onde Ele está, e dizer com toda a segurança: "Somos membros do Seu corpo, da Sua carne, e dos Seus ossos!" (Efésios 5:3 - Versão Almeida Corrigida Fiel).

Se os crentes conhecessem esta verdade em poder, como poderia haver discussões quanto à certeza da nossa salvação aqui e agora? E, quando tivéssemos que enfrentar novas provas ou perigos, cada vez maiores, que força nos daria se tivéssemos sempre em mente esta verdade: Estamos unidos a Cristo! E, oh! que revelação isto nos dá da proximidade e intimidade que possuímos com Ele! Pois nos foi dado conhecer que somos um com Ele próprio; que tudo o que nos atinge, atinge a Ele também (leia Atos 9.4). Estamos, portanto, inseparavelmente, indissoluvelmente ligados a Ele para todo o sempre.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Nosso Lugar Perante Deus (Parte 2 - Final)

Nenhuma Condenação

No capítulo seguinte ele ensina que "vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo" (Romanos 7:4), e isto, após discutir o efeito da aplicação da lei a alguém despertado pelo Espírito de Deus, abre o caminho para descortinar a presença constante do pecado na natureza e a total incompatibilidade entre a nova e a velha natureza (Romanos 7:13-25), o que nos leva a uma declaração completa da verdade com respeito ao crente. "Portanto", continua ele, "agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (Romanos 8.1), tão completa é a libertação, assim como o perdão, que temos em Cristo. 

"Vós, porém, não estais na carne, mas no espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós" (Romanos 8.9). Ele nos mostra, deste modo, que a posição do crente não é na carne, não no primeiro homem - Adão - mas o crente permanece diante de Deus em um lugar que é caracterizado como estando no Espírito. Isto é, o Espírito, e não a carne, caracteriza a existência do crente diante de Deus, pois na morte de Cristo a natureza má do crente também foi julgada; pois "Deus, enviando o Seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne" (Romanos 8.3). 

Se Deus é Por Nós, Quem Será Contra Nós?

Assim, após apontar mais essas benditas consequências de sermos habitados pelo Espírito, o apóstolo declara que "todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por Seu decreto. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho; a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos" (Romanos 8.28,29). Então ele pergunta: "Se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Romanos 8.31), ao que responde lembrando que Deus, ao entregar o Seu Filho à morte por nós, provou-nos que também nos dará livremente todas as coisas. Isso leva o apóstolo à triunfante conclusão de que nada pode servir de acusação contra os eleitos de Deus; que se o próprio Deus os justificou, nada poderá condená-los; que se Cristo morreu e ressuscitou, estando bem à direita de Deus para interceder por nós, nada "nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (leia Romanos 8.31-39).

Portanto seria um grave erro você parar no capítulo 5 de Romanos, se quisesse conhecer a plenitude da graça de Deus e o tremendo caráter da salvação que Ele concede; pois a menos que leiamos até o capítulo 8 de Romanos, nunca saberemos o que é verdadeiro para nós e a nosso respeito diante de Deus - a completa e perfeita libertação que cada crente tem em Cristo, mesmo que ignore isso. É também da maior importância que você possa notar que essas bênçãos que foram assinaladas não estão associadas a nossos esforços para consegui-las. Tudo o que mostrei é a porção que possui todo aquele que clama "Aba, Pai"; a porção que pertence a cada recém-nascido em Cristo, quer ele saiba ou não.

Nos Lugares Celestiais em Cristo

Há ainda muita coisa além disso, e se você der uma olhada em Efésios eu lhe mostrarei, em poucas palavras - pois não tenho intenção de prolongar esta carta - o pleno caráter do lugar que o crente ocupa diante de Deus. Olhe, em primeiro lugar, para as maravilhosas expressões do primeiro capítulo: "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, O qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; como também nos elegeu nEle antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dEle em caridade [amor]; e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para Si mesmo, segundo o beneplácito de Sua vontade, para louvor e glória da Sua graça, pela qual nos fez agradáveis a Si no Amado" (Efésios 1.3-6). Preste atenção em cada uma das sentenças que coloquei em realce e você verá como é perfeito o nosso lugar diante de Deus. Pois Ele nos abençoou com todas as bênçãos espirituais...; e Seu propósito era que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dEle em amor; e nos fez agradáveis a Si no Amado.

No capítulo seguinte (Efésios 2) temos a maneira como fomos introduzidos nos lugares celestiais. "Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo Seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com Ele e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus" (Efésios 2.4-6). Aqui somos considerados como havendo estado mortos em pecados; Cristo é visto nesta epístola aos Efésios como tendo descido àquela condição - morto - como de fato ocorreu, no lugar do pecador. Deus, sendo rico em misericórdia e agindo segundo o Seu próprio coração de amor veio, em graça, e nos vivificou juntamente com Cristo. E então nos ressuscitou e nos fez assentar juntamente com Cristo nos lugares celestiais, o que significa que transportou-nos à Sua própria presença. Portanto, o nosso lugar atual - mesmo enquanto ainda estamos em nosso corpo - é agora nos lugares celestiais em Cristo Jesus. Nada menos do que isso expressa a plenitude da Sua graça ou satisfaz o Seu coração.

Há mais uma passagem que gostaria de trazer a você antes de terminar: "Qual Ele é, somos nós também neste mundo" (1 João 4.17). Assim como Cristo é, ali à direita de Deus - a alegria e o gozo do coração de Deus - ali também em toda a perfeição da Sua Pessoa e em todo o doce aroma do Seu sacrifício, assim também somos nós neste mundo; pois estamos firmados não em nós mesmos, mas em Cristo, sendo, por esta razão, dotados de toda a aceitação e odor suave que Ele mesmo tem diante de Deus.


Que o Senhor nos conceda um maior reconhecimento do lugar no qual, por Sua inexprimível graça, fomos introduzidos em Cristo Jesus.

E. Dennett. Fonte: http://www.stories.org.br/doze2.html ou http://www.scribd.com/doc/105860553/Doze-Cartas-a-um-Novo-Convertido

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O Noivado

(Comentário Gênesis 24 - Parte 4 - Final)

"...e foi-lhe ela por mulher e amou-a" (Gênesis 24:67). Tal é o grande clímax para esta maravilhosa história de amor encontrada na Palavra de Deus. Costuma-se dizer que todos buscam a satisfação de suas afeições e, maravilha das maravilhas, Deus é amor e deseja encontrar a satisfação de Suas Divinas afeições na bênção do homem redimido. Cristo, o Filho bendito de Deus em Humanidade, terá uma esposa como o objeto do Seu amoroso coração por toda a Eternidade. A alma que aprendeu isto e experimentou do Seu amor, encontrou a verdadeira felicidade, ou seja, a verdadeira porção de satisfação, a qual terá seu grande clímax no "casamento do Cordeiro" que se dará no Céu.

Quando pensamos neste precioso amor de Cristo pela Sua Igreja, o qual nos é dado como padrão — o antítipo — do amor do marido pela sua esposa, vemos quão profunda consideração por este amor devem ter aqueles que estão no relacionamento conjugal. Uma leitura em oração do capítulo 5 de Efésios será de grande proveito.

Que história de amor encontramos aqui, cheia de instruções preciosas para nós, pois é um lindo quadro do trabalho do Espírito de Deus (sendo representado aqui pela pessoa do servo de Abraão) a buscar uma noiva para Cristo. Se você que está lendo estas linhas ainda não é salvo, nossa oração é que possa ser trazido a enxergar a sua necessidade de um Salvador. O Espírito de Deus está procurando dirigi-lo a Cristo, que não somente irá limpá-lo de todos os seus horríveis pecados no Seu precioso sangue, mas fará de você parte da Sua gloriosa noiva, que se manifestará juntamente com Ele, naquele dia. Por que continuar nos seus pecados, com julgamento certo diante de você, quando poderia ser tão abundantemente abençoado? Por que não dar ouvidos às Suas súplicas de amor agora mesmo dizendo, como fez Rebeca em nosso capítulo, "Eu irei"?

Vendo então que Deus na Sua bondade tem instituído este relacionamento que pode trazer tamanha felicidade (ou infelicidade, quando fora da Sua vontade) tanto para o marido como para a mulher, podemos estar seguros de que Ele não nos abandonou à nossa própria sabedoria ou na dependência de nossos pensamentos para sabermos que passos devemos dar. Por toda a Sua Palavra Ele nos mostra que devemos colocar de lado toda a sabedoria humana, se quisermos verdadeiramente conhecer Sua vontade para nosso caminhar. Deixemos de lado nossos próprios pensamentos e escutemos a Deus que disse: "Agora, pois, filhos ouvi-me, porque bem aventurados serão aqueles que guardarem os meus caminhos" (Provérbios 8:32).

Sabemos que entre a maioria dos jovens, e especialmente nos dias de hoje, existe um desejo de se ter um namorado ou namorada. Frequentemente, sem nos darmos conta disso, somos afetados pela forma de pensar de nossa geração, e estamos sujeitos a sermos arrastados sem o percebermos. Mas não vamos nos esquecer de que, como cristãos, temos um Guia para nossa juventude e Ele possui toda sabedoria. Sim, a Pessoa cujo nome é Sabedoria, tem seu prazer nos filhos dos homens (Provérbios 8:31) e nos pede que O escutemos e que esperemos por Suas instruções. O desejo de se ter um namorado ou namorada é perfeitamente natural, mas quão frequentemente nossos desejos naturais nos afastam do propósito de Deus para conosco!

Deus, que colocou o amor natural em nossos corações, nos ensina em Sua Palavra que, desde que o pecado entrou no mundo, nossos corações naturais não são dignos de confiança.

Deus usa uma linguagem bem clara sobre isto, quando diz: "O que confia em seu próprio coração é insensato" (Provérbios 28:26).

Não ousemos acreditar em nossos corações, pois se assim o fizermos Deus nos chamará de insensatos, e isto é algo muito solene. Nós que somos salvos e que temos por graça nossos corações purificados pela fé, devemos estar imensamente gratos por nossos corpos, dessa hora em diante, não estarem mais sujeitos ao controle de nossa velha natureza e de nosso degenerado coração! Pertencemos Àquele que nos redimiu por um preço infinito e devemos apresentar nossos corpos como sacrifício vivo a Ele. Então poderemos provar Sua "boa, agradável e perfeita vontade" em nossas vidas (Romanos 12:1,2).

Sendo assim, o fato de termos um tal desejo, ou porque é natural ter um namorado ou namorada, não é motivo suficiente para tomarmos alguma atitude. Nossos corpos não nos pertencem e não devemos nos esquecer disto. Precisamos da direção de Deus. Devemos ouvir a Sua voz e esperar n’Ele. Se você não ouvi-lo e nem esperar no Senhor, querido crente, então seu arquiinimigo Satanás, que conta com longa experiência em tratar com a natureza humana, irá dispor de planos cuidadosos e bem traçados para fazer com que você tropece a fim de arruinar sua juventude. E nossos corações se lamentam quando vemos quão frequentemente Satanás tem sido bem sucedido. Que você possa ouvir a voz de Deus nos dias de sua juventude, antes que o seu lamento se junte ao de outros e tenha que dizer: "Como aborreci a correção e desprezou meu coração a repreensão e não escutei a voz dos meus ensinadores, nem a meus mestres inclinei o ouvido!" (Provérbios 5:12-13).

Isaque não deveria ser como os outros jovens da sua terra, pois tinha um pai prudente e cuidadoso que o amava. Seus desejos naturais deveriam ser mantidos sob controle, pois um dos frutos do Espírito é temperança ou domínio próprio (Gálatas 5:22). Seu pai o tinha recebido como que da morte (Hebreus 11:19), e desejava que seu filho caminhasse no caminho da fé, com uma companheira adequada para tal caminho. Nenhuma outra pessoa serviria.

Abraão, portanto, chamou seu servo, ao qual tinha confiado todos os seus bens, e fez com que prometesse que não iria escolher uma esposa para seu filho dentre as jovens pagãs da terra onde habitavam. Como já havíamos notado, este servo é um tipo (figura) do Espírito Santo de Deus, que nos foi dado para nos guiar em toda a verdade (João 16:13). Se buscarmos a direção de Deus em tudo o que fizermos, quão maravilhosamente iremos experimentar e provar as bênçãos do Senhor! Assim como o servo de Abraão tinha sido colocado sobre tudo o que ele tinha, assim o Espírito de Deus tem prazer em trazer diante de nós todas as bênçãos em Cristo, que fluem do coração de Deus nosso Pai, a guiar-nos em caminhos certos onde podemos desfrutá-las. Em lugar de o próprio Isaque sair à procura de uma noiva, encontramos o servo fazendo isto. Não é isto uma lição para nós? Não siga o seu próprio desejo, porque para saber quem é a/o companheira(o) certa(o) para você, é preciso que peça ao Senhor para guiá-lo(a) pelo Seu Espírito. E devemos notar que o Espírito de Deus e a palavra de Deus não podem andar separados. O Espírito de Deus nunca nos dirigirá contrariamente a Sua Palavra; nunca! Quão importante é isto! Quão necessário é que você seja guiado pelo Espírito de Deus em cada passo ao encontro de um(a) companheira(o). Deus sabe tudo sobre você e pode guiá-lo e dirigi-lo como nenhum outro.

Não foi uma jornada fácil descer até a Mesopotâmia onde ele encontraria a família da fé. Era uma distância de várias centenas de quilômetros que, naquela época, tratava-se de um longo caminho a trilhar. Assim também, nos dias de hoje, existem muitos problemas para um jovem encontrar aquela que será a sua companheira, mas a fé espera no Senhor e receia dar um passo sem Ele. Talvez o servo de Abraão tenha perguntado se poderia levar Isaque a Mesopotâmia, no caso de não encontrar uma esposa para ele. "Não", disse Abraão, "cuide de não levar meu filho de volta para lá novamente". E ele fez seu servo prometer isso. Se alguém já conheceu o valor do lugar e o privilégio de se estar reunido ao nome do Senhor Jesus Cristo, não irá querer retornar para qualquer outra posição, a fim de encontrar uma esposa ou esposo, e muito menos para casar-se com algum incrédulo. Era melhor, muito melhor, cruzar o deserto sozinho em seu caminho de volta, do que tomar o caminho da desobediência para com seu Senhor.

"Mas é grande ganho a piedade com o contentamento" (1 Timóteo 6:6). "Os meus tempos estão nas tuas mãos" (Salmo 31:15). O desejo de escolhermos nossos próprios caminhos é a raiz de todos os pecados e tem ocasionado muita tristeza na vida de um grande número de jovens cristãos. Busquemos graça para aprendermos que a submissão à vontade de Deus é o primeiro princípio real de vida e testemunho cristão. Quando Paulo de Tarso viu o Senhor em glória, imediatamente disse: "Senhor, que queres que eu faça?" (Atos 9:6). Que seja esta a expressão de nossos corações diariamente!

Existe também outra lição relacionada com a pergunta do servo de Abraão, sobre o que deveria fazer caso a mulher não estivesse disposta a voltar com ele à terra de Canaã. Se assim fosse, ele não deveria levar Isaque até o lugar onde ela morava. Às vezes, quando um jovem vai se casar com uma jovem, descobre que ela não está disposta a deixar sua cidade a fim de ir até onde ele está. Eu acredito que temos aqui a sabedoria de Deus mostrando-nos que se ela agir dessa maneira é porque não ama o suficiente seu provável marido ao ponto de deixar o lar de seus pais e aqueles a quem ama, por sua causa. Em um caso como este nunca poderão esperar a bênção de Deus! É como se a jovem desejasse tomar o lugar da cabeça neste assunto, e isto nunca surte efeito prático, além de não estar de acordo com o pensamento de Deus (1 Coríntios 11:3). Além disso, tal atitude geralmente leva a um descontentamento ou inquietação e não à felicidade. A ordem de Deus que nos é dada aqui é, como sempre, a melhor, e podemos estar gratos por tal instrução para nosso caminho.

Com este assunto bem estabelecido em sua mente, o servo iniciou a longa jornada para a Mesopotâmia. Pode nos parecer estranho que toda a jornada transcorre em apenas um versículo. É ainda mencionado que o servo levou dez camelos e o número dez, nas Escrituras, representa responsabilidade do homem para com Deus. Além disso, aqui nos é trazido mais uma vez à memória que todos os bens de Abraão estavam nas mãos do servo. Você não ficará correndo de um lado para o outro a fim de ver todas as jovens que estão disponíveis e tampouco terá pressa ou pensará que o tempo de espera está sendo muito longo, se levar em conta duas coisas: Primeiramente, você é responsável para atuar corretamente diante de Deus; em segundo lugar, que o seu coração, bem como o de todos, encontra-se nas mãos d’Ele, e que Ele sozinho pode fazer com que você chegue à companheira certa. Dessa maneira, todo o tempo gasto para encontrar a companheira certa transcorre em apenas um versículo. Quantos desapontamentos você irá poupar se ponderar estas coisas em seu coração! Alguns de nós aprendemos isto de um modo duro, mas Deus é fiel e Ele diz: "Os que esperam em Mim não serão envergonhados" (Isaías 49:23).

Quando o servo aproximou-se com seus camelos do poço que estava perto da cidade de Naor, fez com que se ajoelhassem. Então orou ao Senhor pedindo que o guiasse na escolha. Ele já tinha tudo bem definido em sua mente e pediu ao Senhor que o dirigisse à jovem que havia de ser escolhida. Qualquer jovem cristão que lê sua Bíblia atenciosamente aprenderá a notar a cortesia (1 Pedro 3:7,8), amabilidade e diligência (Provérbios 31:10-31) de uma jovem piedosa. Se faltarem tais atributos, ele deveria questionar se aquela seria a companheira certa. O servo pediu ao Senhor que o dirigisse à jovem que tivesse tais características e é importante vermos onde ele procurou por ela. Não foi na rua movimentada de uma cidade, mas ao lado de um poço. Isto no faz pensar no lugar onde a Palavra de Deus é lida e comentada. O Senhor Jesus Cristo disse "Porque a água que Eu lhe der se fará nele, uma fonte d’água que salte para a Vida Eterna" (João 4:14). Você não poderá esperar encontrar a companheira certa no lugar errado. Você a encontrará no caminho da obediência à Palavra, tipificada aqui pela água do poço (veja Efésios 5.26).

Além disso, o servo pediu que pudesse não somente encontrar a pessoa certa, pela sua cortesia, amabilidade e diligência, mas pelo fato de que ela o refrescasse, e também desse de beber aos seus camelos, ajudando-o em sua jornada como convinha a uma verdadeira auxiliadora. Algumas jovens não ajudam espiritualmente os jovens que por elas se interessam, porém os prejudicam, impedindo seu crescimento nas coisas do Senhor. Querido jovem crente, se você encontrar a companheira certa, irá descobrir que ela refrescará sua alma no Senhor e, se ela não o fizer desde o princípio, então tenha cuidado. Enquanto o servo estava orando e pedindo a direção do Senhor, Rebeca chegou-se até o poço. Ele então cortesmente aproximou-se e pediu-lhe de beber do seu cântaro. Ela respeitosamente deu-lhe de beber e se ofereceu para tirar água para seus dez camelos. Que árdua tarefa foi esta, retirar água para dez camelos! Mas ela a executou rapidamente e de boa vontade. O servo pôde somente admirar em paz enquanto ela realizava esta tarefa. Sua oração havia sido mais do que respondida. Ele não havia pedido por boa aparência, porque a beleza é somente superficial, mas havia buscado a beleza que é interior, e que permanece; como nos dizem as Escrituras: "Vã é a graça e enganosa a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor essa será louvada" (Provérbios 31:30). Mas agora o servo havia encontrado a beleza que permanece em uma donzela que era "formosa à vista". Como o Senhor se regozija em exceder em Suas promessas, e nos dar mais do que aquilo que pedimos ou pensamos!

É notório aqui que todas as iniciativas foram tomadas pelo jovem e não pela jovem. Jovens piedosos não se sentirão atraídos pela audácia das jovens que tomam as iniciativas nestas coisas. É o espírito de nossa época, nós admitimos, mas não é de Deus, e aqueles que são apanhados nesta armadilha raramente encontram a felicidade conjugal. Na ordem de Deus, o amor começa no coração do homem (Efésios 5:25), como acontece no capítulo que estamos estudando. Feliz é a jovem que se casa com o homem que a ama, com verdadeira e profunda afeição. Num lar bem ordenado, o amor de Deus é conhecido e desfrutado, e o marido, como o cabeça de tal lar, ama sua esposa e satisfaz as afeições de seu amoroso coração. Somente o Senhor pode trazer o companheiro certo para suas vidas, queridas irmãs em Cristo, e, se for Sua vontade para você, Ele o trará a seu próprio tempo e maneira. Se não for a vontade de Deus, você estará bem melhor sozinha. Olhe para Ele, conte com Ele, e você "provará qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus" (Romanos 12:2).

O coração do servo foi tocado e convencido e ela reconheceu que tudo estava sendo dirigido pelo Senhor. Ele então perguntou a Rebeca: "De quem és filha?" Isto para mim é certificar-se de uma coisa importante. Ela pertencia à família da fé? Sua resposta foi clara e definida e, aquela pessoa que realmente é salva, estará contente em fazer uma clara confissão do Senhor Jesus. Quando ouvimos uma meia confissão de Cristo, somos levados a indagar a respeito da realidade da conversão dessa pessoa. Não é apenas um terrível engano e fonte de infelicidade, mas é uma desobediência direta à Palavra de Deus, casar-se com um incrédulo (II Coríntios 6:14).

O servo deu a Rebeca muitas jóias e ela as aceitou em sinal de tudo que havia se realizado entre eles, o que foi também reconhecido pela família (vers.30). Dar presentes caros deve ser considerado com seriedade e não superficialmente, principalmente quando se trata do anel de compromisso. Uma promessa desfeita significa um coração partido, e isto é uma coisa muito séria diante de Deus e dos homens. Os jovens do mundo brincam com suas afeições e muito do que vemos em nosso meio é uma imitação de uma forma mundana de proceder. Os rapazes e moças crentes precisam ser cuidadosos e não darem uma impressão errada, nem fazerem promessas apressadas, sem que antes haja muita oração diante do Senhor. Devemos buscar graça diante do Senhor e não falarmos nada até que sintamos o que devemos falar, falando então o que realmente sentimos.

O servo que havia esperado por completas instruções de seu senhor, orando antes de tomar qualquer iniciativa, agora reconheceu a bondade de Deus e deu graças a Ele. Vamos cultivar o hábito de oração e de ações de graças em nossas vidas. Somos tão propensos a nos esquecermos disto! Rebeca então correu e contou à sua mãe tudo o que havia acontecido. Isto é muito recomendável, pois não há nada que possa inspirar maior confiança no coração de seus pais do que dizer-lhes aonde você vai e o que faz. Se eles forem cristãos verdadeiros, estarão interessados e orando por você. É sempre um mal começo sair sem dizer aos pais onde você está indo.

Quando o jantar foi preparado, o servo disse que gostaria de comunicar sua mensagem antes de comer. Ele não queria dar nenhuma má impressão. Nos dias de hoje, quando jovens caminham juntos, deixam, muitas vezes e irrefletidamente, impressões erradas que resultam em corações partidos. Devemos tomar cuidado para não deixarmos tais impressões e sim expormos claramente o que está em nossos corações, como o servo fez aqui. É algo muito sério brincar com as afeições de alguém, especialmente de uma jovem. Por outro lado, é bom que se aprenda a ser cuidadoso para não levar a sério coisas que nunca foram claramente declaradas ou pretendidas. Muitas vezes um ato de bondade cristã é erroneamente interpretado como intenção para se iniciar um relacionamento. Quando tomamos o cuidado de não nos anteciparmos, praticando sempre com modéstia o controle próprio, iremos aprender a aceitar atos de bondade de outros, seja ele um jovem ou uma jovem, sem tecermos idéias enganosas. Queremos advertir aqui que "sair" com alguém apenas por prazer é um engano, e aqueles que tratam suas afeições desse modo, raramente reconhecem a companheira certa quando a encontram.

Antes de finalizar, quero lembrar-lhes daquele versículo: "Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes de vida" (Provérbios 4:23). Vamos tomar cuidado com as nossas afeições, e sempre mantê-las dentro dos canais da preciosa Palavra de Deus. Se existe alguém pretendendo casar-se com um incrédulo, quero alertá-lo novamente que isso é uma direta desobediência à Palavra de Deus, a qual diz: "Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos" (II Coríntios 6:14). É evidente que antes de se iniciar qualquer relacionamento afetivo que possa culminar no matrimônio, você deve estar certo de que a outra pessoa é realmente salva. É freqüente encontrarmos "conversões de noivado" que não passam na primeira prova. Infelizmente muitos descobrem tarde demais que seu companheiro ou companheira não é um verdadeiro filho de Deus, e somente aqueles que estão unidos assim para toda a vida sabem dizer o quanto é triste.

É surpreendente notar quão frequentemente o Novo Testamento faz referência ao casamento e às relações conjugais. Elas são apresentadas em 1 Coríntios onde temos a ordem da assembléia (igreja local). Novamente em Efésios, onde o casamento nos é dado tipificando Cristo e Sua Igreja — Sua noiva. Encontramos este assunto novamente em Colossenses, onde o crente é visto como morto e ressurreto com Cristo, e onde Ele é a nossa vida. Também em Timóteo e em Tito onde somos instruídos a respeito daqueles que têm cargo na assembléia local. Finalmente nos é mostrado na primeira epístola de Pedro, onde temos a graça e o governo de Deus.

Não podemos separar nossa vida do lar, de nossa vida na assembléia (igreja local), e nem podemos escapar do governo de Deus conectado com ela. Um casamento errado irá afetar toda a sua vida, e um feliz casamento irá ajudá-lo em cada ponto da sua vida. Mesmo assim Deus é o Deus de toda graça, maior do que todas as nossas falhas e defeitos, apesar dos quais, Ele tem prometido nunca deixar-nos ou desamparar-nos; não podemos escapar de Seu governo em nossa vida. Que o Senhor Se compraz em usar estas poucas notas para Sua glória de benção das queridas ovelhas do rebanho de Deus, nesta grande e solene decisão: "Com quem me casarei?". Aqueles que seguem a sabedoria da preciosa Palavra de Deus, em comunhão e dependência d’Ele, não procederão erradamente, mas aqueles que escolhem seguir sua própria sabedoria e seus próprios caminhos, podem somente esperar dores. É o desejo do Senhor abençoá-lo, e Ele deseja que você desfrute de verdadeira felicidade, porque "A benção do Senhor é que enriquece, e não acrescenta dores" (Provérbios 10:22).

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O Testemunho do Espírito Santo e Seus Resultados

(Comentário Gênesis 24 - Parte 3)

É especialmente instrutivo encontrar neste capítulo 24 de Gênesis uma tão notável e encantadora figura da missão e do testemunho especial do Espírito Santo. O servo de Abraão, buscando uma noiva para Isaque, mostra toda a dignidade e riqueza com que o pai o havia dotado; o amor de que ele era alvo; e, em suma, tudo que era calculado para enternecer o coração e afastá-lo das coisas temporais. Ele mostrou a Rebeca um objetivo à distância, e pôs diante dela a bem-aventurança de ser tornada em um com aquele ente amado e altamente favorecido. Tudo que pertencia a Isaque viria a pertencer também a Rebeca, quando ela se tornasse parte dele. Este foi o seu testemunho. Este é, também, o testemunho do Espírito Santo. Ele fala de Cristo, da glória de Cristo, da beleza de Cristo, da plenitude de Cristo, da graça de Cristo, das "riquezas incompreensíveis de Cristo", da dignidade da Sua Pessoa e da perfeição da Sua obra.

O ensino mais espiritual será sempre caracterizado por completa e constante apresentação de Cristo: Ele será sempre o motivo de tal ensino. O Espírito não pode fixar a atenção em coisa alguma senão Jesus. Deleita-Se em falar d'Ele. Compraz-Se em mostrar os Seus atrativos e as Suas perfeições. Por isso, quando alguém fala do poder do Espírito de Deus haverá sempre mais de Cristo do que qualquer outra coisa no seu ministério. Numa tal pregação haverá pouco lugar para a lógica e a razão. Estas coisas podem ser muito boas quando alguém deseja mostrar-se, porém o único objetivo do Espírito  —  notem bem todos os que exercem o ministério — será sempre o de revelar Cristo.

Pensemos, agora, por último, nos resultados de tudo isto. Uma coisa é falar das glórias da Igreja, e outra inteiramente diferente ser-se praticamente influenciado por essas glórias. No caso de Rebeca o efeito foi notável e decisivo. O testemunho do servo de Abraão ecoou aos seus ouvidos e penetrou fundo no seu coração e desligou inteiramente as afeições de seu coração das coisas que a rodeavam. Estava pronta a deixar tudo a fim de conhecer tudo que  lhe havia sido contado. Era normalmente impossível que ela pudesse ser o alvo de um tão elevado destino e continuasse todavia no meio das circunstâncias da natureza. Se aquilo que lhe era dito quanto ao futuro era verdadeiro, prender-se com o presente seria a pior de todas as loucuras. Se a esperança de ser a esposa de Isaque, co-herdeira com ele de toda a sua dignidade e glória, era uma realidade, continuar a apascentar as ovelhas de Labão equivaleria a desprezar tudo quanto Deus, em graça, havia posto diante de si.

Mas não, as perspectivas eram brilhantes demais para serem desprezadas. Verdade é que ela não havia ainda visto Isaque, nem a herança, mas acreditou no testemunho dado a seu respeito, e recebeu, com efeito, o penhor desse testemunho; e estas duas coisas eram suficientes para o seu coração; e por isso ela levantou-se sem hesitação e mostrou o seu desembaraço em partir na sua decisão memorável: “Eu irei”. Ela estava inteiramente pronta a fazer uma jornada desconhecida na companhia de um que lhe havia falado de um objetivo distante e de glória ligada com ele, à qual ela estava prestes a ser elevada. Exemplificação bela e tocante esta da Igreja sob a condução do Espírito Santo de viagem para ir ao encontro do Noivo celestial. Isto é o que a Igreja deveria ser; mas, infelizmente, existe nisto fracasso triste.

E é isto precisamente que nós necessitamos, este ministério do Espírito de Deus, mostrando Cristo às nossas almas, produzindo em nós desejo ardente de O ver como Ele é, e sermos semelhantes a Ele para sempre. Nada senão isto jamais desligará os nossos corações da terra e da natureza. O quê, a não ser a esperança de se ligar a Isaque, poderia ter levado Rebeca a dizer "irei", quando o seu irmão e sua mãe disseram "fique a donzela conosco alguns dias, ou pelo menos dez dias?" Assim é conosco: nada, senão a esperança de vermos Jesus como Ele é, e de sermos semelhante a Ele, nos poderá habilitar ou levar a purificarmo-nos a nós próprios, assim como Ele é puro (1 Jo 3:3).

C. H. Mackintosh. Fonte: http://www.scribd.com/doc/105168410/Notas-Sobre-o-Pentateuco-Genesis-C-H-Mackintosh

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Experiência Vitoriosa (Parte 2)

(Comentário Romanos 8)


"E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado." (Rm 8.10) Se a doutrina da perfeição na carne fosse verdadeira, o corpo não poderia estar morto, e nem morrer, pois pelo pecado veio a morte. Vemos o efeito do pecado no corpo, e isto inclui a morte. "Mas o Espírito vive (ou "o Espírito é vida") por causa da justiça." Existe morte em razão do pecado; existe vida em razão da justiça -- não nossa, mas da justiça de Deus, cumprida pela morte de Seu Filho por nós.

Deve o corpo, portanto, permanecer morto por causa do pecado? Não. "E, se o Espírito dAquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, Aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo Seu Espírito que em vós habita." (Rm 8.11) Quão completa a vitória de Cristo! A redenção de nossos corpos fica assim assegurada. O Espírito de Deus habita em nós? Então a vivificação de nossos corpos mortais é certa.

Não estamos, portanto, na carne, embora ela esteja em nós; mas não somos devedores a ela, para vivermos após ela. O fim do pecado, ou da carne, é morte. Descobrimos, para nossa tristeza, que a morte está sempre pronta para agir no corpo. "Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis." (Rm 8.13) Se nossa velha natureza não tivesse sido deixada para agir em nós, não teríamos necessidade de mortificar as obras do corpo. Não se trata de mortificar o corpo, mas as obras do corpo. O importante é vermos que isto é pelo Espírito. Este é um assunto apresentado na sua totalidade em Gálatas 5.16-25.

"Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus esses são filhos de Deus." (Rm 8.14) Jesus disse: "O servo não fica para sempre em casa; o Filho fica para sempre". (Jo 8.35) Não estamos na escravidão, mas na maravilhosa liberdade e privilégios do Filho. E também, "se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei". (Gl 5.18). Como temos visto até aqui, colocar um crente sob a lei, ou colocá-lo sob a direção da lei, é colocá-lo sob o ministério da morte e da maldição. O Espírito sempre nos levará a refletir a glória do Senhor, e a sermos transformados na mesma glória.

O Espírito concede liberdade, não escravidão. Qual é a sua porção -- a liberdade dos filhos de Deus, ou a escravidão do servo, do escravo? Os filhos não deixam de ser filhos para voltarem a ser escravos. "Porque não recebestes o Espírito de escravidão para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus." (Rm 8.16,17) Poderia um filho deixar de ser filho? Poderia Cristo, o Filho, deixar de ser o Filho? Porventura não ouvimos de Seus lábios que Deus é nosso Pai, tanto quanto é Pai dEle também? Este parentesco não pode nunca mudar, não pode nunca deixar de existir. Oh, as riquezas da Sua graça! Que maravilha é que nós, que estamos cônscios de que tão somente merecíamos Sua eterna ira, tenhamos sido introduzidos em um parentesco tão imutável -- filhos de Deus. Um só espírito com o Filho. Agora, sem nenhuma escravidão a ser outra vez temida, mas possuindo o Espírito de adoção, será que por meio dEle clamaríamos, como pecadores distantes de Deus, "Tem misericórdia de nós"? Não! Clamamos, isto sim, Abba, Pai! E, note bem, é este o testemunho do próprio Espírito.

"O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com Ele padecemos para que também com Ele sejamos glorificados." (Rm 8.16,17) Sim, os dois grandes fatos pelos quais o Espírito dá testemunho, são os desta passagem: nossa permanente filiação e nossa posição de herdeiros. E, em Hebreus 10, Ele testemunha que somos aperfeiçoados para sempre, continuamente, pelo sacrifício único de Cristo, de maneira que Deus não Se lembrará mais de nossos pecados. Não há nada que seja negado, ou duvidado com maior frequência, do que estes dois benditos fatos.

Sim, um é o fato de nós, se crentes, sermos perfeitos para sempre. O outro é que somos co-herdeiros juntamente com Cristo. O Espírito dá testemunho disso. E, note bem, se somos co-herdeiros de toda a glória vindoura de Jesus -- o Filho do homem -- não deixe passar por alto estas poucas palavras: "se é certo que com Ele padecemos, para que também com Ele sejamos glorificados". (Rm 8.17) Para constatar que isso foi assim, basta ver toda a história do livro de Atos. O mundo, e especialmente a sua parte religiosa, odiava os discípulos de Cristo tanto quanto odiava o Senhor. E os discípulos sofriam com Ele. E por que não acontece o mesmo hoje? É porque o mundo religioso agora finge ser cristão; e, oh! nós também acabamos descendo a esse mesmo nível. Mas, à medida que formos guiados pelo Espírito, acabaremos certamente sofrendo o ódio do mundo.

Será que você, amado leitor, sabe o que é ser guiado pelo Espírito? Ou será que você está sendo guiado pelas organizações e pelos projetos do mundo religioso? Se assim for, não é de admirar que não saiba o que é desfrutar do parentesco de um filho de Deus, ou o que é sofrer com Cristo. Acaso você pode afirmar estar sendo guiado pelo Espírito de Deus em sua vida diária -- em suas compras, em seus negócios -- ou será que você é simplesmente guiado pelas máximas deste mundo? Se assim for, você está entristecendo o Espírito, e não pode desfrutar do bendito parentesco dos filhos de Deus -- co-herdeiros com Cristo. Trata-se de algo maravilhoso ter o Consolador, o Espírito Santo, sempre habitando conosco, bem capaz de cuidar de nós e de todos os nossos interesses aqui, como filhos que somos de Deus. Oh, que maravilha é ser guiado por Ele em todas as circunstâncias!

Basta recusar-se a ser guiado pelo Espírito, e você poderá receber as honras e o aplauso do mundo religioso. Se for guiado pelo Espírito, certamente você será rejeitado, assim como Cristo foi rejeitado, e passará a ser seu feliz privilégio sofrer com Ele. Mas, oh!, o que é isto em comparação com a glória a ser revelada em nós? Que contraste há entre ser guiado pelo Espírito, e ser guiado pelas modas deste mundo! Oh, quantos são os que sacrificarão a eternidade em troca das modas deste pobre e enganado mundo, enquanto, ao mesmo tempo, fingirão, sim, até mesmo pensarão, ser cristãos! Engano fatal! Se for este o estado de qualquer leitor destas linhas, que Deus possa usar estas palavras para despertá-lo de seu sono enganador. Certamente todos nós precisamos destas perscrutadoras palavras: "se é certo que com Ele padecemos".

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Gênesis 24

Ressurreição... o glorioso intérprete dos caminhos e propósitos de Deus, e o pleno e eterno testemunho do Seu amor e poder.

Leia em http://www.bibliaonline.com.br/acf/gn/24

Não lemos muito do caráter de Isaque. Abraão era ativo e agressivo, Isaque parece quieto e retraído. Existe um lampejo de seu caráter nos versículos 62 e 63. Neste servo que busca por uma noiva para o filho de seu senhor, temos uma linda figura da obra do Espírito Santo no mundo hoje. Ele está buscando uma noiva para Cristo, o Isaque celestial. A família pergunta à moça Rebeca se ela tem o desejo de ir com o homem (vers. 58). Repare na resposta clara que ela dá. Você está desejoso de seguir o Espírito Santo? Ele só pode guiar você a um centro na terra enquanto você viaja para encontrar seu "Isaque". Este Centro é Cristo. O Espírito de Deus não pode separar os crentes, isto é a obra de Satanás. Estamos nós desejosos de sermos guiados pelo Espírito de Deus, ou será que achamos que temos o direito de escolher? Estar reunido somente para o nome do Senhor Jesus Cristo é a obra do Espírito de Deus hoje. Segui-Lo sem hesitar é ser levado a um lugar de paz e gozo só conhecido quando agimos fazendo assim. 

Gn 24:62-67 Quando estávamos lendo no final do capítulo 22, mencionamos o nascimento de Rebeca. Agora a vemos aqui quase a encontrar seu futuro marido. Ligue as duas partes. Nós somos a noiva. Estamos a ponto de encontrar nosso amado Senhor Jesus! Aqui lemos de "amor" pela segunda vez. Amor de Cristo por Sua noiva. Você se lembra da menção anterior? O homem que está acompanhando Rebeca é uma figura do Espírito Santo. Pare um minuto para ler como a Bíblia termina. Ap 22:17. Percebe a ligação?

domingo, 16 de dezembro de 2012

Experiência Vitoriosa (Parte 1)

(Comentário Romanos 8)

"Portanto agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus." (Rm 8.1) Que declaração maravilhosa! Não se trata meramente do que será a justificação do crente quando for manifestado diante do trono de Cristo, mas "agora" não há nada para condenar naqueles que estão em Cristo Jesus. Se olho para o que sou na carne, só encontro o "miserável homem que sou!" Se olho para o que sou em Cristo Jesus, vejo que agora não há condenação. Estou morto para tudo aquilo que sou como um filho de Adão -- morto para o pecado, morto para a lei, mas vivo para Deus em Cristo Jesus. Então, sendo agora de outro, e estando em outro, em Cristo Jesus ressuscitado de entre os mortos, não me encontro apenas na posição de um que produz fruto para Deus, mas de um para quem "agora nenhuma condenação há". Você está assegurado disto? Será que pode existir alguma condenação para aquele Cristo ressuscitado que está agora na glória de Deus? Portanto, se você estiver nEle, como poderá haver condenação para você?

Nenhuma alma poderá conhecer a verdadeira libertação do poder do pecado se não conhecer primeiro o absoluto favor de Deus em Cristo. Quão maravilhoso é, após um capítulo de amargas experiências (capítulo 7 de Romanos), após haver esgotado completamente toda esperança de encontrar algo de bom em si mesmo, na velha natureza, poder descobrir que, como mortos com Cristo, e vivos de entre os mortos em Cristo, encontramo-nos no absoluto favor de Deus, sem nenhuma condenação! Que perfeita paz! Nada para nos inquietar; nada para nos condenar. E é o próprio Deus Quem diz: "nenhuma condenação".

"Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte." (Rm 8.2). Então, como já vimos, possuímos uma vida justificada. Agora temos o poder -- a lei do Espírito de vida. Em outro lugar aprendemos que a vida que agora temos é eterna, e o Espírito é eterno. Portanto o poder que tenho é eterno. Vimos que a carne, ou o pecado, continua em nós -- aquilo que é nascido da carne; mas aqui encontramos a libertação do seu poder: libertos da lei do pecado e da morte; libertos pelo infinito, pelo eterno poder, a lei do Espírito de vida. Não diz que "me livrará", mas que "me livrou". Nossa velha natureza pecaminosa é tão depravada que, apesar de eu ser nascido de Deus, de eu ter prazer na lei de Deus e desejar guardá-la; ainda assim a lei que há em meus membros me colocou no cativeiro. E acaso não foi assim que aconteceu? Mas somos agora libertos de seu poder, por um poder maior -- a lei do Espírito de vida em Cristo Jesus. Oh, quão bom seria se pudéssemos ter uma fé mais simples na Palavra de Deus; sim, e também no Espírito Santo que habita em nós! Este versículo resume todo o contexto do capítulo 6. Trata-se do princípio de nos reconhecermos mortos para o pecado e vivos para Deus em Jesus Cristo, princípio este aplicado pelo poder do Espírito.

"Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o Seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito." (Rm 8.3,4) Já que não havia nenhum poder na santa lei de Deus para libertar, sua única prerrogativa era a de amaldiçoar o culpado. Em Romanos 8.2, portanto, encontro o poder que me libertou da lei do pecado e da morte. No versículo 3 vemos a incapacidade da lei em libertar por intermédio da fraqueza da carne, e a seguir, o modo como Deus libertou, e a base na qual a libertação foi operada. Esta parte resolve também a seguinte questão: Como é que não há condenação para mim, uma vez que a carne é tão completamente vil? "Deus, enviando o Seu Filho." Exatamente quando tudo mais falhou em libertá-los do Egito, o cordeiro precisou ser levantado e morto; o israelita, embora ainda não libertado, estava totalmente protegido pelo sangue.

Assim como a libertação do Egito significava a saída de um lugar, ou de uma condição de escravidão para outra de liberdade, também o crente é, pelo Espírito de vida, levado para fora de um lugar, ou de uma condição, chamada "na carne", para outro lugar, ou condição, chamado "em Cristo", havendo o pecado sido perfeitamente julgado, por ter o Santo Filho de Deus sido feito pecado por nós. E isto não para que pudéssemos continuar em escravidão, mas para que fôssemos libertos, a fim de que as justas demandas da lei pudessem ser cumpridas em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.

A carne é deixada de lado por aqueles que não andam "segundo a carne". Uma outra posição é ocupada agora por aqueles que andam "segundo o Espírito". Há, por assim dizer, duas classes. "Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o espírito para as coisas do espírito." (Rm 8.5) Uma é morte, a outra é vida. E mais ainda: "a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser." (Rm 8.7) Segue-se disso que aqueles que estão neste terreno, aqueles que estão na carne, não podem agradar a Deus.

E aqui surge uma questão de profundo interesse: Quando podemos concluir que não estamos na carne, mas no Espírito? "Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós." (Rm 8.9) Portanto, fica claro que se o Espírito de Deus habita em você, você poderá concluir com segurança que não está na carne. Cornélio era, evidentemente, uma alma vivificada, assim como toda a sua casa (Atos 10.2), mas não libertada, e é por esta razão que ele permaneceu na carne, até que a Palavra chegou a ele com o poder do Espírito Santo, e, por conseguinte, o próprio Espírito Santo (Atos 10.44). Surge, portanto, a pergunta: Você já recebeu o Espírito Santo? Se ainda não, mesmo tendo sido vivificado, você continua na carne, procurando a sua melhoria -- ainda que seja pelas obras da lei. Cornélio não poderia ser considerado um cristão até haver recebido o Espírito Santo; e nem você pode considerar-se, no sentido pleno da palavra, até que tenha recebido o Espírito. "Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dEle." (Rm 8.9)

(Continua...)

sábado, 15 de dezembro de 2012

Romanos 8 (Parte 1)

O Sacerdote, Cristo, vai a Deus por nós... e nós vamos ao Sacerdote.

Leia em http://www.bibliaonline.com.br/acf/rm/8

O capítulo 7 foi todo de fraqueza e derrota e todo acerca do "Eu, mim, ou meu" (mencionado 47 vezes na versão inglesa), enquanto Cristo foi mencionado duas vezes. O Espírito Santo nem chega a ser mencionado. Este capítulo está saturado do Espírito. O Espírito Santo é mencionado 18 vezes, Cristo 13 vezes e "eu, me ou meu" três vezes! (referências ao original em inglês). A lei não poderia libertar o homem do poder do pecado. Mas Deus fez isto enviando Seu Filho ao mundo para morrer na cruz. Pela morte de Jesus, Satanás, o pecado e a morte foram vencidos. 

Rm 8:1-4 A base da obra do Espírito está na cruz de Cristo. E este deve ser nosso tema de louvor na eternidade. O Espírito de Deus quer que pensemos em Cristo cada vez mais. 

Rm 8:5-13 O Espírito aparece em contraste com a carne. Aqueles que são do Senhor devem viver de modo diferente daqueles que não conhecem o Senhor. A carne luta contra nossa nova vida o tempo todo, mas a vida em Cristo nos leva a novos interesses e temos um objetivo na vida... agradar ao Senhor. A nova vida só quer fazer isto. A carne nunca compreende isto porque não compreende Deus. 

Rm 8:14-17 O Espírito nos torna seguros de que somos filhos de Deus.

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