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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A Descida do Espírito Santo

(Comentário Atos 2)

O tempo determinado chegara. A redenção tinha sido cumprida, Deus tinha sido glorificado - Cristo estava à destra do Pai no céu, e o Espírito Santo descera à terra. Deus inaugura a igreja e o faz de maneira condizente com Sua sabedoria, poder e glória. Um poderoso milagre foi realizado, um sinal exterior foi dado. O grande evento é registrado como segue abaixo.

Atos 2. “E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; e de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.” É bom fazermos uma pausa aqui para percebermos algumas coisas relacionadas à descida do Espírito Santo e à demonstração de Seu poder nesse importante dia.

Em primeiro lugar houve a consumação da promessa do Pai; o próprio Espírito Santo foi enviado dos céus. Essa era a grande verdade de Pentecostes. Ele veio do alto para habitar na igreja - o lugar preparado para Ele pela aspersão do sangue do Jesus Cristo. Houve também o cumprimento da palavra do Senhor aos apóstolos: “Vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (Atos 1:5). Os discípulos não tinham a menor ideia do significado dessa palavra, mas o fato estava consumado. A revelação total da doutrina de “um só corpo” aguardava os ensinamentos de Paulo. “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito” (1 Coríntios 12:13).

Porém, além dos vários dons concedidos para o serviço do Senhor, temos algo mais bendito da perspectiva pessoal e inteiramente novo sobre a terra. O próprio Espírito Santo veio para habitar, não apenas na igreja, mas também em cada indivíduo que crê no Senhor Jesus. E, louvado seja o Senhor, que isso é tão verdadeiro hoje como foi no primeiro dia. Ele habita agora em cada crente que descansa na obra consumada de Cristo. Tendo em mente esse dia, o Senhor disse: “Vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós” (João 14:17). Esses dois grandes aspectos da presença do Espírito foram cumpridos na íntegra no dia de Pentecostes. Ele veio habitar em cada cristão e na igreja, e agora - gloriosa verdade — sabemos que Deus não apenas é por nós, mas em nós e conosco.

Quando “Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude” (Atos 10:38), Este apareceu em forma de pomba - belo emblema da pureza imaculada, da bondade e da humildade de Jesus. Ele não fazia ouvir Sua voz nas ruas, ou esmagava a cana quebrada, nem apagava o pavio que fumega (Isaías 42:3). Mas no caso dos discípulos que esperavam em Jerusalém, o que aconteceu foi totalmente diferente. O Espírito desceu como línguas de fogo e pousou sobre cada um. Isso foi característico. Foi uma demonstração do poder de Deus, não apenas para Israel, mas um prenúncio para todas as nações da terra. A Palavra de Deus também julgou tudo o que ocorreu antes disso - as línguas eram de fogo. O julgamento de Deus em relação ao homem por causa do pecado foi judicialmente expresso na cruz, e agora esse solene fato se tornará conhecido por toda a parte, devido ao poder do Espírito Santo. No entanto, a graça reina - reina através da justiça, da vida eterna por Cristo Jesus. O perdão é proclamado para o culpado, a salvação para o perdido, a paz para o atribulado, o descanso para o cansado. Todos os que creem são, e sempre serão abençoados no e com o ressurreto e glorificado Cristo.

A surpresa e a consternação do Sinédrio e do povo judeu, sem dúvida foram enormes com o reaparecimento, em tal poder, dos seguidores do Jesus crucificado. Eles haviam concluído que, agora que o Mestre estava morto, os discípulos não iriam fazer mais nada. A maioria daqueles homens eram pessoas simples, sem educação. Mas como o povo deve ter ficado espantado ao ouvir esses homens modestos pregando ousadamente nas ruas de Jerusalém, e convertendo milhares a um relacionamento vivo com Jesus! Mesmo sob o ponto de vista histórico, essa cena é cheia do mais emocionante interesse, e não encontra nenhum paralelo nos anais do tempo.

Jesus fora crucificado e, segundo a opinião popular, Suas declarações de que Ele era o Messias tinham sido sepultadas junto com Seu corpo. Os soldados que guardavam Seu sepulcro foram subornados para espalhar um falso testemunho acerca de Sua ressurreição; a excitação das pessoas já tinha passado; a cidade e a adoração no templo haviam retornado ao ritmo normal, como se nada tivesse acontecido. Porém, da parte de Deus, as coisas não seriam silenciosamente ignoradas. Ele esperava o tempo determinado para defender Seu Filho, e fazer isso no mesmo lugar de Sua humilhação. Isso ocorreu de manhã cedo no dia de Pentecostes. Repentina e inesperadamente, Seus dispersos discípulos reapareceram com um miraculoso poder. Ousadamente acusaram os líderes e o povo pela prisão, julgamento e crucificação de Jesus e afirmaram com todas as letras que estes haviam assassinado o Messias prometido, mas que Deus O levantou para ser Príncipe e Salvador, assentando-O à Sua destra no céu. “Onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Romanos 5:20).

Podemos dizer que a sentença sobre Babel foi o reverso desse maravilhoso dia. Através de diferentes línguas, as quais os homens receberam como condenação pela justa ira de Deus, a salvação foi proclamada. Essa poderosa e miraculosa obra divina atraiu a multidão. Todos estão assombrados, especulando o que seria aquela estranha cena. Cada um, na língua própria de seu país de origem, ouvia dos lábios de galileus iletrados as maravilhosas obras de Deus. Os judeus que moravam em Jerusalém, não entendendo as línguas estrangeiras, zombavam deles. Então Pedro se levantou e explicou em sua própria língua, provando com as Escrituras o verdadeiro caráter do que acontecia.

A. Miller. Fonte: http://tinyurl.com/o4nmum7

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O Corpo de Cristo (Parte 1)

Existe outra questão, que agora exige sua atenção, relacionada ao corpo de Cristo. No dia de Pentecostes ocorreu algo completamente novo no desenrolar dos desígnios de Deus - a vinda do Espírito Santo. Até aquele período o Espírito Santo agia neste mundo, pois em todas as dispensações passadas houve almas vivificadas e "homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo" (2 Pedro 1.21). Mas até o Senhor Jesus ter sido glorificado à direita de Deus, o Espírito Santo, como uma Pessoa divina, não estava neste mundo. Isto não se trata de uma nova teoria, mas é um assunto claramente estabelecido nas Escrituras.

Assim, quando no grande dia da Festa dos Tabernáculos, "Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a Mim, e beba. Quem crê em Mim, como diz a Escritura, rios d'água viva correrão do seu ventre", é explicado que falava "do Espírito que haviam de receber os que nEle cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado" (João 7.37-39). O próprio Senhor acrescentou no mesmo sentido: "Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que Eu vá; porque, se Eu não for, o Consolador não virá a vós" (João 16.7; compare com João 14.16,17, 26 e 15.26). 

A Descida do Espírito Santo

Passando mais adiante, em Atos 2, encontramos o registro histórico da descida do Espírito de Deus: "E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; e de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem" (Atos 2.1-4). Assim se cumpriram as palavras que o Senhor falou aos Seus discípulos após a Sua ressurreição: "vós sereis batizados com o Espírito Santo; não muito depois destes dias... Mas recebereis a virtude [ou poder] do Espírito Santo, que há de vir sobre vós" (Atos 1.5,8).

Foi pela descida do Espírito Santo que a Igreja foi formada - a Igreja de Deus conforme é encontrada no Novo Testamento - e desde então ela existe em dois aspectos: como a casa de Deus (1 Timóteo 3.15) e como o corpo de Cristo (Efésios 1.22,23). É o segundo aspecto da Igreja que desejo trazer diante de você nesta carta, e há dois versículos que nos capacitarão a compreender isto. Em Colossenses 1.18 lemos que "Ele é a cabeça do corpo da Igreja"; e em 1 Coríntios 12.13, "Pois todos nós fomos batizados em um Espírito formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres". Isto parece indicar que no dia de Pentecostes, pela vinda do Espírito Santo, os crentes foram batizados em um corpo, e que assim foi formado o corpo de Cristo. 

Quem Faz Parte do Corpo?

Mas, permita-me perguntar, de que, ou de quem, é composto o corpo de Cristo? "Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também" (1 Coríntios 12.12). O termo "Cristo", conforme é usado aqui, inclui o próprio Cristo e todos os membros do corpo, vistos como um todo. Portanto o corpo de Cristo inclui a Ele próprio, como a Cabeça, e a todos os crentes sobre a face da Terra, nos quais o Espírito Santo veio habitar. Como consequência, cada filho de Deus que pode clamar "Aba, Pai" é um membro do corpo de Cristo e, por esta razão, o apóstolo diz que "somos membros do Seu corpo" (Efésios 5.30).

Este é um ponto para o qual desejo chamar sua atenção, pois um grande número dos amados filhos de Deus ignoram que ocupam esta maravilhosa e privilegiada posição. Por ocasião de uma visita que fiz há algum tempo a um crente prestes a morrer, perguntei-lhe: "Sabe que você é um membro do corpo de Cristo?". Sua resposta foi: "Não, jamais ouvi coisa semelhante". Tão cedo não vou me esquecer do gozo que expressavam as feições daquele moribundo à medida que eu ia expondo as Escrituras que falam deste assunto. 

Permita-me, então, pedir-lhe que considere o que significa ser um membro do corpo de Cristo. Primeiro, e o mais importante, nos ensina que estamos unidos a Cristo - a Cristo como Homem glorificado à direita de Deus. E uma vez que Ele é a cabeça do corpo, cada membro está de uma forma vital, e podemos até mesmo dizer organicamente, ligado a Ele. "O que se ajunta com o Senhor é um mesmo espírito" (1 Coríntios 6.17). Veja, portanto, até onde vai a graça de nosso Deus! Se não bastasse o fato de nossos pecados terem sido perdoados; de estarmos justificados pela fé; de termos sido introduzidos no claro e perfeito favor de Deus; de estarmos ressuscitados com Cristo; de estarmos assentados nEle nos lugares celestiais; mesmo possuindo tanto, a despeito de estarmos cercados de fraqueza e enfermidade neste mundo, nos é dado saber que estamos unidos a Cristo na glória! Podemos elevar nossos olhos a Ele na glória, onde Ele está, e dizer com toda a segurança: "Somos membros do Seu corpo, da Sua carne, e dos Seus ossos!" (Efésios 5:3 - Versão Almeida Corrigida Fiel).

Se os crentes conhecessem esta verdade em poder, como poderia haver discussões quanto à certeza da nossa salvação aqui e agora? E, quando tivéssemos que enfrentar novas provas ou perigos, cada vez maiores, que força nos daria se tivéssemos sempre em mente esta verdade: Estamos unidos a Cristo! E, oh! que revelação isto nos dá da proximidade e intimidade que possuímos com Ele! Pois nos foi dado conhecer que somos um com Ele próprio; que tudo o que nos atinge, atinge a Ele também (leia Atos 9.4). Estamos, portanto, inseparavelmente, indissoluvelmente ligados a Ele para todo o sempre.

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