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sexta-feira, 27 de março de 2015

Perguntar não Ofende

(Leitura: Lucas 22:8-9)
Vídeo:
Olhe ao redor e você encontrará hoje uma triste caricatura do cristianismo: Homens corruptos atraindo multidões desesperadas por curas ou em busca de riqueza; shows de música, luz e pirotecnia apelidados de “louvor”; templos magníficos mantidos por clérigos que vivem no luxo e ostentação... Que semelhança tem isso com os cristãos do princípio, que congregavam em simplicidade e temor? Nenhuma. Em muitos casos, se você espremer será capaz de obter algumas gotas do evangelho da graça ainda incontaminado, mas na maioria das vezes até este virá poluído por regras, condições, rituais e outras coisas inventadas pelo homem.

Quando começou esse desvio? Logo após o tempo dos apóstolos, e Paulo previu que seria assim depois de sua partida: “Sei que, depois da minha partida, lobos ferozes penetrarão no meio de vocês e não pouparão o rebanho. E dentre vocês mesmos se levantarão homens que torcerão a verdade, a fim de atrair os discípulos... Agora, eu os entrego a Deus e à Palavra da sua graça, que pode edificá-los e dar-lhes herança entre todos os que são santificados. Não cobicei a prata nem o ouro nem as roupas de ninguém. Vocês mesmos sabem que estas minhas mãos supriram minhas necessidades e as de meus companheiros.” (At 20:29-34).

Veja o antídoto que ele receitou contra os lobos, hereges e avarentos: “Deus e a Palavra da sua graça”. Hoje não existem mais apóstolos, mas eles nos legaram a “Palavra da sua graça, que pode edificá-los e dar-lhes herança entre todos os que são santificados”. E nisto reside a importância da passagem que vamos ler em Lucas 22. Embora este episódio tenha ocorrido antes da criação da Igreja, ele estabelece um princípio que vale para todas as épocas, que é o de perguntar ao Senhor antes de agir. Este é nosso seguro contra ataques do inimigo e das heresias ou divisões: “Jesus enviou Pedro e João, dizendo: ‘Vão preparar a refeição da Páscoa’. ‘Onde queres que a preparemos?’, perguntaram eles.” (Lc 22:8-9).

Pedro e João não decidiram de si mesmos, não perguntaram aos outros discípulos e nem buscaram respostas na literatura dos sábios da época. Eles perguntaram ao Senhor. Hoje, você pode perguntar ao mesmo Senhor, em sua Palavra, onde e como você deve congregar, ou ainda verificar se o lugar e as práticas de onde você congrega estão corretas. Como fazer isso? Simples! Basta comparar com aquilo que Deus nos legou na sua Palavra dada por intermédio dos apóstolos. Quer alguns exemplos? Então nos próximos 3 minutos faremos algumas perguntas ao Senhor.

M. Persona. Fonte: http://www.3minutos.net/2015/03/612-perguntar-nao-ofende.html

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Cristianismo Prático

(Comentário Romanos 12)

CHEGAMOS agora à justiça prática, o estado e o andar daqueles que foram feitos recipientes da graça de Deus, daqueles que foram tomados em soberano e livre favor, e justificados de todas as coisas; sem nenhuma condenação em Cristo. É por esta mesma compaixão de Deus que estes preceitos lhes são endereçados. "Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional." (Rm 12.1) Certamente é preciso um pouco de exercício da razão, no que diz respeito ao nosso corpo, para sujeitá-lo a um culto racional ou inteligente. Estamos "esperando a adoção, a saber,a redenção do nosso corpo". (Rm 8.23) Ele está para ser conformado ao Seu corpo glorioso. Estamos para levar a imagem do que é celestial. Mesmo no que diz respeito ao nosso corpo, logo deveremos vê-Lo e ser como Ele é. (Veja Filipenses 3.20,21; 1 Coríntios 15.48; 1 João 3.2.)

Portanto, estando cientes de tudo isso, podemos sujeitar nosso corpo desde já, para que pertença a Ele, para ser usado em santa separação, por Ele e para Ele. Que privilégio! Mas isto não será possível se estivermos conformados com este mundo -- um mundo em inimizade contra Ele. E, assim como fomos renovados em espírito, "transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." (Rm 12.2)

Se Deus nos salvou, em pura misericórdia e compaixão, busquemos, então, de modo inteligente, procurar conhecer Sua vontade, experimentando qual é essa vontade. Isto irá exigir inteligência espiritual quanto ao tempo ou dispensação em que nos encontramos. A boa, agradável, e perfeita vontade de Deus quanto a isso só pode ser conhecida e experimentada em humildade de espírito e em completa dependência.

"Porque pela graça, que me é dada." (Rm 12.3) Que necessidade constante há de uma consciência do livre favor que nos foi individualmente demonstrado, e concedido a cada um de nós! É isto o que nos capacita a termos um conceito humilde acerca de nós mesmos, e a pensarmos com temperança, ou pensarmos com sabedoria, conforme a medida de fé que Deus repartiu a cada um.

Assim como houve, na dispensação passada, uma nação na carne, e uma aliança de mandamentos adequada àquela dispensação, "assim nós, que somos muitos, somos um só corpo EM CRISTO, mas individualmente somos membros uns dos outros". (Rm 12.4,5) Que contraste é isto com Israel; e devemos ter entendimento disto, ou não poderemos provar a agradável vontade de Deus para conosco neste momento. No passado, ninguém poderia estar em Cristo. Jesus devia morrer, e ressuscitar de entre os mortos, ou então permanecer só; mas somos agora um corpo em Cristo. E esta verdade deve reger toda a nossa obediência a Cristo. Devemos agir em união, como acontece com os vários membros do corpo humano, pois somos um só corpo em Cristo. Aqui não se trata tanto da doutrina do um só corpo, mas da prática de todos os membros desse corpo.

Devemos estar sempre lembrando que, "tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada". (Rm 12.6) Com certeza, qualquer que seja o serviço exercido no um só corpo em Cristo, é tudo pura graça, tudo livre favor. Tendo esta bendita consciência do livre favor de Deus, sejamos diligentes no serviço, qualquer que seja ele -- seja profecia, ministério, ensino, exortação ou o presidir. Que tudo seja feito com alegria. Estes preceitos são tão claros que não há necessidade de explicação, além de vermos que tudo deve ser feito em referência ao um só corpo em Cristo. Todavia, cada um destes preceitos é da maior importância, e só pode ser guardado andando-se no Espírito, pois, na verdade, estes são frutos do Espírito. Poderia a carne, que continua em nós, cumprir o "apegai-vos ao bem", ou o "preferindo-vos em honra uns aos outros", ou ainda o "abençoai aos que vos perseguem"? (Rm 12.10-14) De modo nenhum; ela irá sempre oprimir aquilo que é nascido do Espírito. "Sede unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes." (Rm 12.16) Isto é exatamente o oposto das maneiras deste mundo.

Quão prontos somos a esquecer este bendito ensino dos versículos 17 ao 19. Quão pronta está a carne para pagar mal com mal. E quão triste é quando a indolência toma o lugar da busca pelas coisas honestas perante todos os homens. Sim, se não tiver cuidado, o cristão pode cair em quase todas as formas de desonestidade universalmente praticadas no mundo. E acaso uma transação enganosa e desonesta não tem o mesmo caráter de um assalto? Estas são palavras que deveriam estar penduradas na parede de cada escritório, oficina e estabelecimento: "PROCURAI AS COISAS HONESTAS PERANTE TODOS OS HOMENS". Oh, que tenhamos mais fé e uma obediência resoluta nas coisas comuns do dia-a-dia. Estamos convencidos de que a falta de cuidado nestas coisas, quando não se trata de algo pior ainda do que o descuido, é a causa de muita de nossa fraqueza. E quão pronta está a carne de cada um de nós para se vingar! Mas estas são as palavras do Espírito: "Não vos vingueis a vós mesmos, amados". (Rm 12.19)

Será que Ele, cujo nome tão precioso levamos, vingou-Se a Si próprio? O dia da vingança e do juízo que cairá sobre um mundo ímpio ainda virá, mas não é certo que somos seguidores dAquele que curou a orelha de Seu inimigo? Oh, que possamos ser mais semelhantes a Ele! Que ternas palavras são estas: "se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer: se tiver sede, dá-lhe de beber". (Rm 12.20) Onde, além das Sagradas Escrituras da verdade, poderíamos encontrar palavras assim? Deixe o homem entregue a si mesmo; irá ele agir assim? Não, não; estes são os preciosos frutos do Espírito. Possam eles abundar em nós cada vez mais.

terça-feira, 26 de março de 2013

A Fidelidade de Deus (Parte 1)

(Comentário Romanos 11)

"DIGO POIS: Porventura rejeitou Deus o Seu povo? De modo nenhum." (Rm 11.1) O próprio Paulo era uma prova disto, pois ele era um israelita. "Deus não rejeitou o Seu povo, que antes conheceu." (Rm 11.2) Não foi Deus que rejeitou Seu antigo povo: "Todo o dia estendi as Minhas mãos a um povo rebelde e contradizente." (Rm 10.21) É importante que se veja este lado da verdade -- a perfeita prontidão de Deus para que Israel -- sim, até mesmo para que todos os homens -- fosse salvo. O homem é o que é rebelde, o transgressor da lei, e, agora, o que rejeita a misericórdia de Deus.

Vem, então, o outro lado da questão. Israel se rebelou de tal maneira contra Deus, ao ponto de Elias haver dito que só ele havia ficado. Ele disse: "Senhor, mataram os Teus profetas, e derribaram os Teus altares; e só eu fiquei, e buscam a minha alma". (Rm 11.3) Temos aqui a profunda e universal rejeição e ódio do homem contra Deus. Trata-se do homem no pleno exercício de sua vontade própria. Mas, acaso Deus abandonou todos os homens à sua própria livre escolha e ao seu ímpio caminho?

"Mas que lhe diz a resposta divina? Reservei para mim sete mil varões, que não dobraram os joelhos diante de Baal." (Rm 11.4) Deus não diz que eles tenham merecido, ou que tenham se resguardado; não, o que Ele diz é: "(Eu) reservei". O mesmo que já vimos no capítulo 9, e se Deus não tivesse feito assim, todos eles teriam se tornado como Sodoma e Gomorra.

"Assim pois também agora neste tempo ficou um resto, segundo a eleição da graça." (Rm 11.5) Sim, nessa mesma ocasião ninguém poderia negar que a nação, como tal, estava enlouquecida em sua ira contra Cristo. O próprio Saulo era uma prova do excessivo ódio dos israelitas contra Cristo. Mas, como aconteceu nos dias de Elias, houve então uma eleição de graça, de livre e imerecido favor de Deus. Querido jovem crente, você será imensamente tentado a rejeitar este abundante e gratuito favor de Deus que elege. Nos dias de hoje há poucos que creem nisto de coração. Gostaríamos que você abraçasse isto de toda a sua alma. Será que não ficou evidente que tanto Israel como os gentios são tão maus, tão grandes rejeitadores da graça de Deus, que se não fosse por Sua eleição, em livre graça e favor, ninguém teria sido salvo? Todos, todos eles teriam sido como Sodoma. Sim, a completa ruína do homem, e a eleição de Deus, são coisas que, ou permanecem juntas, ou caem juntas. Você não pode verdadeiramente tomar posse de uma e rejeitar a outra. Repare que estas passagens demonstram que não há má vontade da parte de Deus, mas o homem não quer receber a graça de Deus. Quando isto é enxergado, quão precioso é, para o crente, a bendita verdade da eleição da graça! "Mas se é por graça, já não é pelas obras: de outra maneira, a graça já não é graça." (Rm 11.6) Isto é evidente. A salvação por obras, de qualquer tipo que seja, necessariamente coloca de lado o livre favor de Deus. Porventura você permanece no livre, pleno e eterno favor de Deus; ou está procurando alcançá-la por meio das obras?


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Tremendas Consequências

(Comentário Gênesis 27)

Podemos estar certos de só acumular dores e aflições sempre que tiramos as nossas circunstâncias, o nosso destino e a nós próprios das mãos de Deus. Aconteceu assim com Jacó. Alguém disse que "quem considerar a vida de Jacó, depois de ele fraudulentamente ter obtido a bênção de seu pai, verá que ele gozou de muito pouca felicidade neste mundo."

Esta descrição é verdadeira; todavia mostra-nos apenas um lado da vida de Jacó, e esse é o lado sombrio. Bendito seja Deus, há um lado claro, do mesmo modo, para Deus tratar com Jacó; e em todos os acontecimentos da sua vida, quando Jacó foi obrigado a colher os frutos da sua maquinação e perversidade, o Deus de Jacó tirou bem do mal e fez com que a Sua graça abundasse sobre todo o pecado e loucura do Seu pobre servo. Veremos isto à medida que vamos procedendo com a sua história.

Quero fazer aqui uma observação acerca de Isaque, Rebeca e Esaú. É interessante notar, não obstante a demonstração da fraqueza excessiva de Isaque, no princípio deste capítulo, como ele mantém, pela fé, a dignidade que Deus lhe conferiu. Abençoa com todo o sentimento de ter sido dotado com o poder de abençoar. Ele diz,"... abençoei-o: também será bendito... Eis que o tenho posto por senhor sobre ti, e todos os teus irmãos lhe tenho dado por servos; e de trigo e de mosto o tenho fortalecido; que te farei, pois, agora a ti, meu filho?" (Cap. 27:33 -37)

Isaque fala como quem, pela fé, tem à sua disposição todas as riquezas da terra. Não se nota falsa humildade, nem desce da posição elevada que ocupa por causa da manifestação da natureza. E verdade que estava a ponto de cometer um grave erro —  a fazer o que era contrário ao desígnio de Deus; no entanto, ele conhecia Deus, e tomou o seu lugar de acordo com esse conhecimento dando  bênçãos com toda a
dignidade e poder da fé: "... abençoei-o: também será bendito... De trigo e de mosto o tenho fortalecido."

É atribuição da fé elevar-se acima de todas as nossas falhas e suas consequências para o lugar onde Deus nos tem colocado.

Quanto a Rebeca, ela teve de sentir todos os tristes resultados da sua astúcia. Sem dúvida, ela pensava que dirigia as coisas habilmente; mas, oh! nunca mais viu Jacó, por causa da sua manobra! Quão diferente teria sido se ela tivesse deixado o caso inteiramente nas mãos de Deus. Esta é a maneira da fé agir e é sempre vencedora. "E qual de vós, sendo solícito, pode acrescentar um côvado à sua estatura?" (Lc 12:25). Nada ganhamos com a nossa ansiedade e os nossos projetos: apenas excluímos Deus, e isso não é ganho. É um justo castigo da mão de Deus sermos obrigados a colher os frutos dos nossos planos; e não há nada mais triste do que ver um filho de Deus esquecer-se da sua condição e privilégios para tomar a direção dos seus interesses em suas próprias mãos. As  aves dos céus, e os lírios do campo, podem muito bem ser nossos mestres quando esquecemos assim a nossa posição de dependência em Deus.

Finalmente, quanto a Esaú, o apóstolo trata-o por "profano, que por um manjar vendeu o seu direito de primogenitura": e  "querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que, com lágrimas, o buscou" (Hb 12:16-17). Ficamos sabendo assim que um profano é alguém que gostaria de possuir o céu e a terra e desfrutar o presente sem perder o seu direito ao futuro. Isto não é, de modo nenhum, um caso invulgar. Mostra-nos todo o mundano que professa ser cristão, mas cuja consciência nunca experimentou os efeitos da verdade divina, e cujo coração nunca sentiu a influência da graça de Deus.

C. H. Mackintosh. Fonte: http://www.scribd.com/doc/105168410/Notas-Sobre-o-Pentateuco-Genesis-C-H-Mackintosh

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