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sexta-feira, 25 de março de 2016

A Paz: Fora do Mundo

É por causa de não haverem apropriado estas verdades fundamentais, com simplicidade de fé, que muitos filhos de Deus lamentam não possuir uma paz segura e passam por contínuos altos e baixos na sua vida espiritual. Cada dúvida no coração de um crente é uma desonra para a palavra de Deus e o sacrifício de Cristo. É porque não permanece, desde já, naquela luz que brilhará no tribunal de Cristo, que anda sempre aflito com dúvidas e temores. Contudo, estas dúvidas e incertezas, que muitos têm de deplorar, são apenas consequências insignificantes comparativamente, tanto mais que apenas afetam a sua experiência. Os efeitos que produzem sobre o seu culto, o seu serviço e o seu testemunho são muito mais graves, visto que a glória do Senhor é afetada. Mas, ah! nesta pouco se pensa, geralmente falando, simplesmente porque o objetivo principal, o fim e o alvo, com a maioria dos cristãos, é a salvação pessoal. Todos somos inclinados a considerar como essencial tudo que se relaciona conosco; enquanto que aquilo que diz respeito à glória de Cristo em nós e por nosso intermédio é considerado como não essencial.

Contudo, é bom compreendermos claramente que a mesma verdade que dá paz segura à alma, põe-na também em estado de poder oferecer um culto inteligente, um serviço aceitável, e um testemunho eficaz.

No capítulo quinze da primeira epístola aos Coríntios, o apóstolo apresenta a morte e a ressurreição de Cristo como o grande fundamento de todas as coisas. "Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado, o qual também recebestes e no qual também permaneceis; pelo qual também sois salvos, se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado, se não é que crestes em vão. Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras" (versículos 1 a 4). Eis o evangelho, numa declaração rápida e compreensível. O fundamento da salvação é um Cristo morto e ressuscitado. "O qual por nossos pecados foi entregue e ressuscitou para nossa justificação" (Rm 4:25). Ver Jesus, com os olhos da fé, pregado na cruz e assentado no trono, é uma visão que deve dar paz sólida à consciência e perfeita liberdade ao coração. Nós podemos olhar para o sepulcro e vê-lo vazio; podemos olhar par cima e ver o trono ocupado, e, assim, continuar o nosso caminho cheios de gozo. O Senhor Jesus liquidou todas as coisas na cruz a favor do Seu povo; e a prova desta liquidação é que está à destra de Deus. Um Cristo ressuscitado é a prova eterna de uma redenção efetuada; e se a redenção é um fato consumado, então a paz do crente é uma realidade estabelecida. Nós não fizemos a paz, nem nunca a poderíamos ter feito. De fato, todos os nossos esforços nesse sentido só serviriam para manifestar com maior evidência que éramos transgressores da paz. Porém, Cristo, havendo feito a paz pelo sangue da Sua cruz, tomou o Seu lugar nas alturas, triunfando sobre todos os Seus inimigos. Por Ele Deus anuncia a paz. A palavra do evangelho transmite esta paz: e a alma que crê o evangelho tem a paz estabelecida diante de Deus, porque Cristo é a sua paz (veja-se At 10:36; Rm 5:1, Ef 2:14; Cl l:20). Desta maneira Deus satisfez não só as Suas exigências, como abriu um caminho divinamente justo mediante o qual o Seu amor infinito pode descer até ao mais culpado da geração culpada de Adão.

Quanto ao resultado prático, a cruz de Cristo não só tirou os pecados do crente como quebrou para sempre os laços que o prendiam ao mundo, e, com base neste fato, ele tem o privilégio de considerar o mundo como uma coisa crucificada, e de ser considerado pelo mundo como um que foi crucificado. Tal é a posição do crente e do mundo — o mundo está crucificado para o crente e o crente para o mundo. Esta é a verdadeira e elevada posição do crente. O juízo que este mundo fez de Cristo foi expresso pela posição em que o mundo deliberadamente o colocou. O mundo foi convidado a fazer a sua escolha entre Cristo e um assassino. Pôs o assassino em liberdade, e pregou Cristo na cruz entre dois malfeitores. Portanto, se o crente segue as pisadas de Cristo e se compenetra com o Seu espírito, e o manifesta, ocupará o mesmíssimo lugar que Cristo tem na estima do mundo; e desta forma não somente conhecerá que, quanto à sua posição diante de Deus, está crucificado com Cristo, mas será levado também a realizar este fato na sua vida e na sua experiência diária.

Contudo, posto que a cruz tem assim quebrado eficazmente a ligação entre o crente e o mundo, a ressurreição introduziu-o debaixo do poder de novos laços e novas relações. Se vemos na cruz o juízo do mundo, quanto a Cristo, na ressurreição vemos o juízo de Deus.

O mundo crucificou-O; porém, "Deus exaltou-o soberanamente" (Fp 2:9). O homem deu-Lhe o lugar mais baixo, mas Deus deu-Lhe o lugar mais elevado; e embora o crente seja chamado a gozar plena comunhão com Deus, em seus pensamentos a respeito de Cristo, ele pode, por sua parte, considerar o mundo como uma coisa crucificada. Assim, pois, se o crente está sobre uma cruz e o mundo noutra, a distância moral entre os dois é na verdade considerável. E se a distância é considerável em princípio, também deveria sê-lo na prática. O mundo e o cristão não deveriam ter nada absolutamente em comum; e nada terão em comum, exceto quando o cristão nega o seu Senhor e Mestre. O crente mostra-se infiel a Cristo na mesma proporção em que tem comunhão com o mundo.

 C. H. Mackintosh

domingo, 4 de janeiro de 2015

O Fundamento da Justificação

Tal é a doutrina das Sagradas Escrituras quanto à questão importante da condição da natureza. Porém, como é que o crente é feito participante da natureza divina? - Essa mudança admirável depende inteiramente da grande verdade que "JESUS MORREU E RESSUSCITOU" (1 Ts 4:14). Este bendito Senhor deixou o seio do amor eterno, o trono da glória, as mansões de luz imarcescível, veio a este mundo de dores e pecado, tomou sobre Si a forma da carne do pecado, e, depois de haver manifestado e glorificado perfeitamente Deus em todos os atos da Sua vida bendita no mundo, morreu na cruz sob peso de todas as transgressões do Seu povo. E deste modo satisfez tudo que  era ou podia ser contra nós. Ele engrandeceu e honrou a lei (Is 42:21); e, fazendo-o, tornou-Se maldição sendo pendurado no madeiro. Todos os direitos divinos foram satisfeitos, todos os inimigos reduzidos ao silêncio e os obstáculos foram todos derrubados. "A misericórdia e a verdade se  encontraram, a justiça e a paz se beijaram" (Sl 85:10). A justiça divina foi satisfeita, e o amor infinito pode derramar-se, com todas as virtudes  mitigantes e refrigerantes, no coração quebrantado do pecador; enquanto que, ao mesmo tempo, o caudal purificador e expiador, que brotou do lado ferido do Cristo crucificado, satisfaz perfeitamente todos os desejos ardentes da consciência culpada e convencida de pecado.

O Senhor Jesus tomou o nosso lugar na cruz: foi o nosso substituto. Ele morreu, "o justo pelos injustos" (I Pe 3:18); foi feito "pecado por nós" (2 Co 5:21); morreu em lugar do pecador; foi sepultado e ressuscitou, havendo cumprido tudo. Por isso nada há absolutamente contra o crente: ele está unido a Cristo e encontra-se na mesma condição de justiça "porque, qual ele é, somos nós também neste mundo" (1 Jo 4:17).

Eis aqui o que dá paz inabalável à consciência. Se já não estamos numa condição de culpa, mas de justificação; se Deus nos vê em Cristo e como a Cristo, então a nossa parte é uma paz perfeita. "Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo" (Rm 5:l).

O sangue do Cordeiro cancelou toda a culpa do crente, riscou o seu grande débito e deu-lhe uma folha perfeitamente em branco, na presença daquela santidade que não pode ver o mal (He 1:13).

Porém, o crente não só achou paz com Deus, como foi feito filho de Deus; e como tal pode gozar a doçura da comunhão com o Pai e o Filho, no poder do Espírito Santo.

O Crente é Filho de Deus 

 

A cruz deve ser encarada debaixo de dois modos diferentes: em primeiro lugar, satisfaz os direitos de Deus; e em segundo lugar é a expressão do amor de Deus. Se considerarmos os nossos pecados em ligação com os direitos de Deus como Juiz, acharemos na cruz a plena liquidação desses direitos. Deus, como Juiz, ficou satisfeito e glorificado na cruz. Porém há mais do que isto. Deus tem afetos bem como direitos; e na cruz do Senhor Jesus Cristo todos esses afetos são, de um modo tocante e agradável, anunciados aos ouvidos do pecador; enquanto que ao mesmo tempo, ele é feito participante de uma nova natureza, a qual é capaz de gozar esses afetos e de ter comunhão com o coração donde eles emanam. "Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus" (1 Pe 3:18). Desta forma não somente somos introduzidos numa nova condição, como trazidos a uma Pessoa, o Próprio Deus, e somos dotados de uma natureza que pode achar as suas delícias n'Ele. "E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação" (Rm 5:11).

domingo, 9 de setembro de 2012

A "Sabedoria" do Homem

Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, Eu venci o mundo. 
João 16:33

Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.
Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, E aniquilarei a inteligência dos inteligentes.
Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?
Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a  Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.
Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria;
Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos.
Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus. 
1 Coríntios 1:18-24 


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"E era toda a terra de uma mesma língua, e de uma mesma fala. E aconteceu que, partindo eles do oriente, acharam um vale na terra de Sinar; e habitaram ali... E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra." Gênesis 11: 1-4

O coração humano procura sempre um nome, uma parte, e um centro na terra. Nada sabe dos desejos quanto ao céu, do Deus do céu ou da glória do céu. Deixado entregue a si, encontrará sempre os seus fins neste mundo; edificará sempre "abaixo dos céus". São precisos a chamada de Deus, a revelação de Deus e o poder de Deus, para elevar o coração do homem acima deste mundo, pois o homem é uma criatura rasteira — alienado do céu, e ligado à terra. No quadro que agora temos perante nós não há reconhecimento de Deus, nem um olhar para cima nem esperança n'Ele; nem tão-pouco se tratou de pensamento do coração humano para fazer um lugar no qual Deus pudesse habitar — juntar materiais para a construção de um lugar para Ele. O Seu nome nunca é mencionado. Fazer um nome para si próprio, foi o objetivo do homem na planície de Sinar; e tal tem sido o seu objetivo desde então.

Quer contemplemos o homem na planície de Sinar ou nos bancos do Tigre, vemos que ele é sempre na mesma criatura, independente, orgulhoso, e sem Deus. Existe uma consistência melancólica em todos os seus propósitos, nos seus princípios e caminhos; procura sempre pôr Deus de parte e exaltar-se a si próprio.

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