quinta-feira, 23 de junho de 2016

A Conversão de Saulo de Tarso

Nenhum evento no progresso da história da igreja a afeta tão profundamente, ou tão felizmente, quanto a conversão de Saulo de Tarso. De principal dos pecadores ele se tornou o principal dos santos - do mais violento opositor de Cristo ele se tornou o mais zeloso defensor da fé - como inimigo e perseguidor do nome de Jesus na Terra, ele era o "principal"; todos os outros, em comparação a ele, eram subordinados (Atos 9; 1 Timóteo 1).

É bastante evidente, a partir do que ele fala sobre si mesmo, que ele acreditava que o judaísmo era não só divino, mas a perpétua e imutável religião de Deus para o homem. Seria difícil explicar a força de seus preconceitos judaicos sobre qualquer outro princípio. Portanto, todas as tentativas de pôr de lado a religião dos judeus, e de introduzir outra, ele considerava como sendo algo do inimigo, devendo ser arduamente combatidas. Ele tinha ouvido o nobre discurso de Estêvão - ele tinha testemunhado sua morte triunfante - mas sua subsequente perseguição aos cristãos mostrou que a glória moral daquela cena não o havia impressionado de maneira séria em sua mente. Ele foi cegado pelo zelo; mas o zelo pelo judaísmo agora era um zelo contra o Senhor. Neste exato momento ele estava "respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor" (Atos 9:1).

Ouvindo que alguns dos santos perseguidos haviam encontrado um abrigo em Damasco, uma antiga cidade da Síria, ele se convenceu a ir até lá e trazê-los de volta a Jerusalém como criminosos. Para este fim, ele recebeu cartas do sumo sacerdote e do conselho de anciãos, de que ele poderia trazê-los presos a Jerusalém para serem punidos (Atos 22, 26). Ele, então, se torna o próprio apóstolo da malícia judaica contra os discípulos de Jesus - ignorantemente, sem dúvida, mas ele se fez o missionário voluntário deles.

Com sua mente forjada até o tom mais violento do zelo perseguidor, ele segue em sua memorável jornada. Inabalável em seu apego fervoroso pela religião de Moisés, e determinado a punir os convertidos ao cristianismo como apóstatas da fé de seus ancestrais, ele se aproxima de Damasco. Mas lá, na plena energia de sua louca carreira, o Senhor Jesus o detém. Uma luz dos céus, mais forte que a luz do sol, brilha em torno dele, e o subjuga com seu brilho ofuscante. Ele cai por terra - com a vontade quebrada, a mente subjugada, o espírito humilhado, e completamente mudado. Seu coração é agora sujeito à voz que fala com ele. Raciocínio, extenuação e auto-justificação não têm lugar na presença do Senhor.

Uma voz da magnífica glória disse-lhe: "Saulo, Saulo, por que me persegues? E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues." (Atos 9:4-5). Então o Senhor Jesus, mesmo estando no Céu, declara que Ele próprio é ainda identificado com Seus discípulos na Terra. A unidade da igreja com Cristo, sua Cabeça nos céus, a semente da bendita verdade do "um só corpo", é resumida nessas poucas palavras: "Saulo, Saulo, por que me persegues? ... Eu sou Jesus, a quem tu persegues." Estar em guerra contra os santos é o mesmo que estar em guerra contra o próprio Senhor. Que bendita verdade para o crente, mas quão solene para o perseguidor!

A visão que Saulo tinha visto e a terrível descoberta que ele tinha feito o absorveram completamente. Ele fica cego por três dias, e não pode comer nem beber. Então ele entra em Damasco, cego, quebrantado e humilhado pelo solene juízo do Senhor! Quão diferente daquilo que ele pretendia! Ele agora se une à companhia daqueles que ele tinha resolvido exterminar. No entanto, ele entra pela porta, e humildemente toma seu lugar entre os discípulos do Senhor. Ananias, um discípulo fiel, é enviado para confortá-lo. Ele recebe sua vista de volta, é cheio do Espírito Santo, é batizado, e então é alimentado e fortalecido.

Alguns pensam que o Senhor dá, na conversão de Paulo, não somente uma amostra de Sua longanimidade, como em todo o pecador que é salvo, mas também um sinal da futura restauração de Israel. Paulo nos conta, ele próprio, ter obtido misericórdia porque ele fez tudo aquilo em ignorante incredulidade - e tal será a mesma situação de Israel nos últimos dias quando receber misericórdia. Como nosso próprio Senhor orou por eles: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lucas 23:34). Pedro também diz: "E agora, irmãos, eu sei que o fizestes por ignorância, como também os vossos príncipes" (Atos 3:17)

Mas, como o apostolado de Paulo difere, em muitos aspectos, do apostolado dos doze, será necessário observá-lo mais um pouco. A menos que essa diferença seja compreendida, o verdadeiro caráter da presente dispensação poderá não ser apreendida de maneira tão consistente.

A. Miller. Fonte: http://a-historia-da-igreja.blogspot.com.br/2014/08/a-conversao-de-saulo-de-tarso.html

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Você Duvida da Bíblia?

Você se diz cristão, mas duvida da Bíblia, ou de partes dela?

O que o Senhor disse sobre as Escrituras (Antigo Testamento)?

 

"E aconteceu que, indo eles falando entre si, e fazendo perguntas um ao outro, o mesmo Jesus se aproximou, e ia com eles. [...] E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras. [...] E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos. Então abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras." (Lucas 24:15,27,44-45)

Logo, se você crê em Jesus como Senhor e Salvador, então deve reconhecer o Antigo Testamento ("lei de Moisés, profetas e Salmos"), que apenas testifica dEle próprio.


Mas e as epístolas de Paulo? Não tem coisas que são só opiniões dele, ou costumes da época?

 

Vamos ver o que o apóstolo Pedro tem a dizer sobre os escritos inspirados do apóstolo Paulo:

"E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição. " (2 Pedro 3:15-16)

Pedro (um judeu que, não fosse a revelação do Espírito Santo, reconheceria somente o Antigo Testamento como Escrituras) chama os escritos de Paulo de Escrituras, colocando-os no mesmo patamar do Antigo Testamento. Ele também chama de "indoutos e inconstantes" aqueles que torcem os escritos de Paulo, o que os leva à sua própria perdição. Portanto, leia a Palavra com o discernimento do Espírito Santo em vez de julgá-la com base na sua própria opinião ou na opinião de certos teólogos que tem por aí. Você não quer ser chamado por Deus de "indouto e inconstante", não é mesmo?

Vamos pegar como exemplo a primeira epístola aos coríntios, que é uma das cartas de Paulo mais rejeitadas pela cristandade em geral. Logo em seu início, o apóstolo deixa claro que as doutrinas (ensino) contidos na epístola não são destinadas somente aos crentes de Corinto:

"Paulo (chamado apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus), e o irmão Sóstenes, à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso." (1 Coríntios 1:1-2)

Parece que o Espírito Santo previu que os ensinos desta epístola seriam amplamente rejeitados. Repare que que o apóstolo enfatiza "todos os que em todo o lugar", o que descarta a ideia de que esta epístola foi escrita especificamente para os coríntios e no contexto da época. A rejeição por parte da religião não é sem razão. Logo no primeiro capítulo são condenadas as seitas (divisões) e denominações ("está Cristo dividido?") (vv. 10-13). Mais adiante, a sabedoria humana é chamada de aniquilada e fraca (vv. 18-31), em contraste com as soberbas faculdades de teologia e seus títulos honrosos, como "doutor em divindade". No capítulo 2, Paulo diz que "sua pregação não consistiu em palavras persuasivas de sabedoria humana" (v. 4), diferente dos soberbos e "sábios" pregadores e "filósofos cristãos" que vemos hoje em dia. O capítulo 5 ensina que não devemos nos associar com aqueles que se dizem irmãos mas, de alguma maneira, estão dando um mal testemunho, pois "um pouco de fermento faz levedar toda a massa" (v. 6). O capítulo 8 nos fala sobre escandalizar, algo muito comum dentro da cristandade (ou você acha que a gritaria e o alvoroço de certas "igrejas" não é um escândalo?).

O capítulo 10 nos fala que não podemos estar em comunhão à mesa do Senhor e ao mesmo tempo estarmos associados a práticas que estão em desacordo com a Palavra. O capítulo 11 nos fala da cobertura para cabeça, tanto em relação aos homens quanto às mulheres, ao orar e profetizar (falar sobre a Palavra de Deus), e também sobre a ceia do Senhor. Ele também enfatiza sobre contendas sobre o assunto: "Mas, se alguém quiser ser contencioso, nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus." (1 Coríntios 11:16). O capítulo 12 fala dos diferentes dons, que são dados por Deus à igreja, e não alcançados por algum cargo ou faculdade teológica. O capítulo 14 ensina a ordem de Deus para as reuniões da igreja, onde não encontramos nenhum tipo de clero ou preletor especial, mas sim "falem dois ou três profetas, e os outros julguem", enfatizando que "se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor" (1 Coríntios 14:37).

Enfim, com tanta coisa que vai contra a religião humana, não é de admirar que esta epístola seja tão rejeitada pela cristandade atualmente.


Mas o que Jesus disse não é mais importante do que as epístolas?

 

Vamos deixar o próprio Senhor responder:

"Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito." (João 14:26)

Você crê que as epístolas foram inspiradas pelo Espírito Santo?


A quem são dirigidas as epístolas afinal?

 

As cartas dos apóstolos são destinadas diretamente à igreja, o corpo de Cristo, composto por todos os que são salvos pela graça somente, pelo Seu sangue derramado na cruz (perceba que a maioria começa com "aos santos...", "aos irmãos..."). Tais escritos são chamados de doutrina (ensino) dos apóstolos, destinados especialmente ao ensino daqueles que são membros do corpo de Cristo.

"E [os crentes, no princípio] perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações." (Atos 2:42)

A doutrina dos apóstolos é também o fundamento sobre qual a igreja é edificada, tendo Cristo como pedra de esquina:

"Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina" (Efésios 2:19-20)
"Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu [Paulo], como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo." (1 Coríntios 3:10-11)

Logo, se você rejeita a doutrina dos apóstolos (o fundamento dos apóstolos), está rejeitando também a Cristo, pois Ele próprio é o fundamento.

Aos apóstolos (especialmente Paulo) foi revelada a dispensação da graça de Deus, ou da igreja, que era até então um mistério não revelado no Antigo Testamento. Com isso a Palavra de Deus foi completada, não havendo nada mais para ser revelado além do que temos na Bíblia hoje em dia:

"Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja; Da qual eu estou feito ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, para cumprir [OU COMPLETAR, verifique outras traduções] a palavra de Deus; O mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos [crentes]; " (Colossenses 1:24-26)

Portanto, esqueça a história de pessoas recebendo revelações de Deus exclusivas nos dias atuais, os supostos "profetas". O Espírito Santo não revela nada que vá além do que está na Bíblia, e muito menos do que vai contra ela.


Para finalizar, o que o Senhor Jesus disse de quem não confia em Sua Palavra?

 

"Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada. Quem não me ama não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou. " (João 14:23-24)

Será que você ama o Senhor Jesus? Se você O ama, então confia na Palavra, certo? Ou prefere confiar na sua própria opinião ou na opinião do "pastor" ali da esquina? A quem você realmente ama?

Leia mais:

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Atos 9

Estar reunido para o nome do Senhor não se trata da sabedoria de um grupo de indivíduos, mas trata-se do desfrutar daquilo que é prometido em Mt 18:20.

ATOS 9

At 9:1-22 A conversão de Saulo (Paulo). O Senhor Jesus no céu disse a Saulo que as pessoas que ele estava perseguindo eram parte dEle próprio! O Senhor Jesus nunca tinha sido visto por Saulo na Terra. Mas agora Ele é revelado a Saulo da glória do céu. Repare nos versículos 20 e 22 o assunto de sua pregação.

At 9:23-25 Teria a conversão de Paulo um bom efeito sobre os outros Judeus, por ser ele um membro ativo daquela seita? Eles tentam matá-lo! As circunstâncias não convencem pessoas não salvas... somente Cristo, pelo Espírito Santo.

At 9:26-31 Alguns anos haviam se passado quando isto ocorre (Gl 1:15-19). Os crentes andavam no temor do Senhor. Que contraste com uma pessoa não salva (Rm 3:18). Eles não conhecem "o Senhor".

At 9:32-43 Continua a pregação de Pedro. Ele cura Enéias por meio do uso de um nome, não de seu próprio nome. Mesmo que não tenha usado aquele nome ao ressuscitar Tabita (Dorcas) de entre os mortos, repare a quem as pessoas se voltaram (vers. 42).

N. Berry. Fonte: http://www.stories.org.br/at_p.html

domingo, 22 de maio de 2016

Certeza

"As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e NUNCA hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai." (João 10:27-29)
... Você acha que pode perder a salvação? Será que o Senhor Jesus mentiu ao dizer "nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão"?

"Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora." (João 6:37)
... Você já foi a Jesus? Se foi, como você pode achar que Ele vai te lançar fora?

"Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida." (João 5:24)
... Você CRÊ em Jesus como seu Salvador? Então TEM a vida eterna e NÃO ENTRARÁ em condenação (juízo).

"Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (Romanos 8:1)
... Você está em Cristo Jesus? Então não há condenação para você, não passará pelo juízo, pois Jesus já passou pelo juízo de Deus em seu lugar!! Sim, Ele já foi totalmente condenado em seu lugar, para que você possa ser livre.

"Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele." (Romanos 8:9)
"E, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa; o qual é o penhor [ou GARANTIA] da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória." (Efésios 1:13-14)
"E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre" (João 14:16) 
... Você crê em Cristo como seu Salvador? Então foi selado com o Espírito Santo, já tem o Espírito habitando em você, e tem a garantia da salvação!! Isto mesmo, se você CRÊ já está salvo, e o Espírito já está habitando em você para sempre, não sendo necessário invocá-Lo. O que nos garante isto é a Palavra de Deus, e não algum sinal ou manifestação exterior.

"Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo" (Efésios 1:3)
"E nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus" (Efésios 2:6)
... "abençoou" e "nos fez assentar" são verbos no passado. E você, já tomou posse dessas coisas? Se você já crê e é salvo pela fé, percebe as bênçãos que já possui em Cristo? Percebe que você já foi abençoado com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo? Como você ainda é capaz de buscar por bênçãos terrenas sabendo disto?

quinta-feira, 19 de maio de 2016

A Segunda Objeção do Faraó

(Comentário Êxodo 8)

A segunda objeção do Faraó participava muitíssimo do caráter e tendência da primeira. "Então, disse Faraó: Deixar-vos-ei ir, para que sacrifiqueis ao SENHOR vosso Deus no deserto; somente que, indo, não vades longe" (capítulo 8:28). Não podendo retê-los no Egito, procurava ao menos retê-los perto das fronteiras, para poder agir contra eles por meio das diversas influências do país. Desta forma o povo podia ser reconduzido e o testemunho mais facilmente aniquilado que se eles nunca tivessem saído do Egito. Aqueles que tornam para o mundo, depois de aparentemente o terem deixado, causam muito mais dano à causa de Cristo do que se nunca se houvessem afastado dele; porque virtualmente confessam que, tendo provado as coisas divinas, descobriram que as coisas terrenas são melhores e satisfazem mais.

E isto ainda não é tudo. O efeito moral da verdade sobre as consciências dos incrédulos é tristemente embaraçado pelo exemplo dos professos que regressam às coisas que aparentemente haviam deixado. Não é que tais casos concedam autorização a ninguém para rejeitar a verdade de Deus, tanto mais que cada um é responsável por si mesmo e terá de prestar contas dos seus atos a Deus. Contudo, o efeito produzido é, como em tudo mais, mau. "Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado" (2 Pe 2:20-21).

Por esse motivo, se as pessoas não estão dispostas a ir longe, é melhor não partirem. O inimigo sabia isto bem; daí a sua segunda objeção. Uma posição de proximidade satisfaz admiravelmente os seus propósitos. Aqueles que ocupam esta posição não são nem uma coisa nem outra; com efeito, qualquer que seja a sua influência, conduz, infalivelmente, para o lado mau.

É muito importante ver claramente que o fim de Satanás em todas estas objeções era pôr obstáculos ao testemunho que só podia ser rendido ao nome do Deus de Israel por meio de uma peregrinação de três dias através do deserto. Isto era, em boa verdade, ir muito longe — ir muito mais longe do que Faraó podia imaginar, ou até onde lhe era possível seguir Israel. Que grande bênção seria se todos os que fazem profissão de sair do Egito se separassem dele pelo espírito do seu entendimento e pela elevação do seu caráter; se conhecessem a cruz e a sepultura de Cristo como os limites estabelecidos entre eles e o mundo! Ninguém pode colocar-se nesse terreno na energia da sua natureza. O Salmista pôde dizer: "E não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista não se achará justo nenhum vivente" (Sl 143:2). O mesmo acontece a respeito da separação verdadeira e efetiva do mundo. "Nenhum vivente" pode realizá-la. É somente como "morto com Cristo", e ressuscitado também nele, pela fé, no poder de Deus (Cl 2:12), que o homem pode ser justificado diante de Deus e separado do mundo. Eis o que podemos chamar "ir muito longe". Permita Deus que todos os que fazem profissão de cristãos e se chamam por este nome possam assim afastar-se! Então a sua lâmpada dará uma luz constante, a sua trombeta dará um sonido inteligível e a sua conduta será elevada; a sua  experiência será rica e profunda; a sua paz correrá como um rio; os seus afetos serão celestiais e as suas vestes imaculadas. E, acima de tudo, o nome do SENHOR Jesus será glorificado neles pelo poder do Espírito Santo, segundo a vontade de Deus Pai.

C. H. Mackintosh

domingo, 8 de maio de 2016

Êxodo 9

Deus não usa nenhuma escritura para provar Seu amor por nós que não aponte para a cruz.


ÊXODO 9

Êx 9:1-7 O quinto castigo (ou praga). O Senhor separa até os animais; mas Faraó ainda não acredita e não irá dar ouvidos.

Êx 9:8-12 O sexto castigo. Começando agora a chegar mais perto ao tocar os corpos dos Egípcios inclusive de seus "fazedores de milagres". Ainda assim nenhuma mudança ocorre em Faraó!

Êx 9:13-26 O sétimo castigo. Com um aviso especial dado mais pessoalmente a Faraó. Ele tinha seu lugar de autoridade dada por Deus (veja Rm 13:1), mas estava pensando muito de si mesmo e não estava obedecendo a Palavra de Deus. Ele devia sua própria vida a Deus (vers. 16-17) mas não queria admitir isso. Alguns de seus servos mostraram crer em Deus pelas suas atitudes (vers. 20). Se os líderes se voltam contra Deus, não podemos seguir seu exemplo, mas agir por fé por nós mesmos.

Êx 9:27-35 A primeira confissão de pecado vinda de Faraó, mas será que sentia isso? Moisés podia ver que Faraó não estava do lado de Deus, mas Moisés agindo com misericórdia roga outra vez por aqueles que não podiam rogar por eles mesmos. O Senhor é honrado e Faraó se torna mais responsável do que nunca por suas tolas ações.
 

quarta-feira, 4 de maio de 2016

O Eunuco Etíope Recebe o Evangelho

(Comentário Atos 8)

Filipe é agora chamado a deixar sua feliz e interessante obra em Samaria e descer até Gaza - um deserto - e lá pregar o evangelho a uma única pessoa. Certamente há, nesse fato, uma lição da mais profunda importância para o evangelista, e uma que não podemos deixar passar sem alguma breve observação.

O pregador, em tal cenário de despertar e conversão como houve em Samaria, necessariamente torna-se muito interessado na obra. Deus está colocando seu selo sobre o ministério da Palavra, e sancionando as reuniões em Sua presença. O obra do Senhor prospera. O evangelista é cercado de respeito e afeição, e seus filhos na fé naturalmente procuram por ele para obter mais luz e instrução para seus caminhos. "Como poderia ele deixar tal campo de trabalho?", muitos perguntariam, "Seria correto partir?". Apenas, respondemos, se o Senhor chamasse Seu servo a fazer isso, como Ele fez no caso de Filipe. Mas como alguém pode saber hoje em dia, visto que anjos e o Espírito não nos falam como falavam com Filipe? Embora um cristão, hoje em dia, não seja chamado dessa forma, ele deve procurar e esperar pela orientação divina. A fé deve ser seu guia. As circunstâncias não são seguras como guias; elas podem até nos repreender e nos corrigir em nosso andar, mas é o olho de Deus que deve ser nosso guia. "Guiar-te-ei com os meus olhos", essa é a promessa, "instruir-te-ei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir" (Salmos 32:8).

Somente o Senhor sabe o que é melhor para Seus servos e para Sua obra. O evangelista, em tal cenário, correria o risco de sentir sua própria importância pessoal. Daí o valor, se não a necessidade, da mudança do lugar de serviço. 

"Levanta-te", falou o anjo do Senhor a Filipe, "e vai para o lado do sul, ao caminho que desce de Jerusalém para Gaza, que está deserta. E levantou-se, e foi; e eis que um homem etíope, eunuco, mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todos os seus tesouros, e tinha ido a Jerusalém para adoração, regressava e, assentado no seu carro, lia o profeta Isaías. E disse o Espírito a Filipe: Chega-te, e ajunta-te a esse carro." (Atos 8:27-29)

É bela a obediência imediata e incondicional de Filipe nesse momento. Ele não faz nenhum questionamento sobre a diferença entre Samaria e Gaza - entre sair de um amplo campo de trabalho e partir para um lugar deserto para falar com uma única pessoa sobre a salvação. Mas o Espírito de Deus estava com Filipe. E o único desejo do evangelista deveria ser de sempre seguir a direção do Espírito. A partir da falta de discernimento espiritual, um pregador poderia permanecer no mesmo lugar após o Espírito ter terminado seu trabalho ali, e assim o serviço é vão.

Deus, em Sua providência, cuida de Seu servo. Ele envia um anjo para direcioná-lo quanto à estrada que ele havia de tomar. Mas quando se trata do evangelho e do lidar com almas, o Espírito toma a direção. "E disse o Espírito a Filipe: Chega-te, e ajunta-te a esse carro." Não sabemos de nada, em toda a história da igreja, mais interessante que essa cena no caminho para Gaza. O anjo e o Espírito de Deus acompanham o evangelista: o primeiro representando a providência de Deus em indicar exatamente a estrada a tomar, e o último representando o poder espiritual direcionando o lidar com as almas. Assim como era, assim é agora, embora tendemos a adotar mais o hábito de pensar na orientação do Espírito do que na direção de providência. Que possamos confiar em Deus para tudo! Ele nunca muda!

O evangelho agora encontra seu caminho, na pessoa do tesoureiro da rainha, para o centro da Abissínia. O eunuco crê, é batizado, e segue seu caminho cheio de alegria. O que ele procurava, em vão, em Jerusalém, tendo seguido uma longa jornada até lá, ele encontra no deserto. Um belo exemplo da graça do evangelho! A ovelha perdida é encontrada no deserto, e águas vivas brotam de lá. O eunuco é também um belo exemplo de uma alma ansiosa. Quando sozinho e ocioso, ele lê o profeta Isaías.  Ele reflete sobre a profecia do sofrimento sem resistência do Cordeiro de Deus. Mas o momento de luz e libertação era chegado. Filipe explica o profeta: o eunuco é ensinado por Deus - ele crê: imediatamente deseja o batismo e retorna para casa, cheio das novas alegrias da salvação. Será que ele ficaria calado sobre o que encontrou quando lá chegasse? Certamente não, um homem de tal caráter e influência teria muitas oportunidades de disseminar a verdade. Mas, como tanto as Escrituras quanto a história são omissas quanto aos resultados de sua missão, não nos aventuremos além.

O Espírito é ainda visto em companhia de Filipe e o leva para longe. Ele se encontra, então, em Azoto, e evangeliza todas as cidades até Cesareia.

Mas uma nova era na história da igreja começa a despontar. Um novo obreiro entra em cena: o mais notável, em muitos aspectos, que já serviu ao Senhor e à Sua igreja. 

A. Miller. Fonte: http://a-historia-da-igreja.blogspot.com.br/2014/08/o-eunuco-etiope-recebe-o-evangelho.html

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