sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

O Perfume bem Temperado, Puro e Santo

(Comentário Êxodo 30 - O CULTO, A COMUNHÃO E A ADORAÇÃO)
 
No último parágrafo deste capítulo, tão rico em ensinos, temos o "perfume temperado, santo e puro". Este perfume precioso apresenta-nos as perfeições incomensuráveis e ilimitadas de Cristo. Não é prescrita a quantidade de cada ingrediente, porque as virtudes de Cristo, as belezas e perfeições que se acham concentradas na Sua adorável Pessoa, são ilimitadas. Só a mente infinita de Deus pode medir as perfeições infindas dAquele em quem habita a plenitude da Divindade; e durante o curso de toda a eternidade essas gloriosas perfeições continuarão a desenrolar-se à vista dos santos e anjos prostrados em adoração. De vez em quando, à medida que novos raios de luz emanam desse Sol de glória divina, os átrios do céu, nas alturas, e os vastos campos da criação abaixo dos céus, ressoarão com vibrantes Aleluias Àquele que era, e que é e que sempre será o objeto de louvor de todas as classes de entes criados com inteligência.

Porém não só não era prescrita a quantidade dos ingredientes que entravam na composição do incenso, como é dito que de cada um será igual o peso. Cada aspecto de beleza moral achou em Jesus o seu lugar e a sua justa proporção. Nenhuma quantidade se interpunha ou se chocava com a outra; tudo era "temperado, puro e santo" e exalava um odor tão fragrante que ninguém senão Deus podia apreciá-lo.

"E dele, moendo, o pisarás, e dele porás diante do Testemunho, na tenda da congregação, onde eu virei a ti; coisa santíssima vos será". Existe um significado profundo e extraordinário na expressão "o pisarás". Ensina-nos que cada simples movimento na vida de Cristo, cada uma das mais pequenas circunstâncias, cada ação, cada palavra, cada olhar, cada gesto, cada rasgo, cada feição do Seu rosto, esparge um odor produzido por proporção igual — o peso de todas as virtudes que compunham o Seu caráter era igual. Quanto mais pisado era o perfume, tanto mais se manifestava a sua rara e delicada composição.

"... O incenso que farás conforme a composição deste, não o fareis para vós mesmos; santo será para o Senhor. O homem que fizer tal como este para cheirar será extirpado do seu povo". Este perfume fragrante estava destinado exclusivamente para o Senhor. O seu lugar era "diante do testemunho". Existe em Jesus algo que só Deus pode apreciar. De certo, todo o coração crente pode aproximar-se da Sua incomparável Pessoa e encontrar a inteira satisfação de seus anseios mais profundos e intensos; contudo, depois de todos os remidos terem esgotado a medida da sua compreensão, depois de os anjos terem contemplado em êxtase as glórias imaculadas do homem Cristo Jesus, tão ardentemente quanto a sua visão lhes permite, existe nEle algo que só Deus pode sondar e apreciar. Nenhuma visão humana ou angélica poderia jamais discernir devidamente cada partícula desse perfume primorosamente "pisado". A terra tampouco podia oferecer uma esfera própria à manifestação do seu divino e celestial poder.

C. H. Mackintosh

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

A Santa Unção

(Comentário Êxodo 30 - O CULTO, A COMUNHÃO E A ADORAÇÃO)

Os versículos 22 e 23 tratam "do azeite da santa unção", com a qual eram ungidos os sacerdotes com todos os utensílios do santuário. Nesta unção discernimos uma figura das várias graças do Espírito Santo, as quais se acharam em Cristo em toda a sua plenitude divina. "Todos os teus vestidos cheiram a mira, a aloés e a cássia, desde os palácios de marfim de onde te alegram" (Sl 45:8). "Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude" (Atos 10:38). Todas as graças do Espírito Santo, em sua perfeita fragrância, se concentraram em Cristo; e é somente dEle que podem emanar. Quanto à Sua humanidade, foi concebido do Espírito Santo; e, antes de entrar no Seu ministério público, foi ungido com o Espírito Santo; e, finalmente, havendo tomado o Seu lugar nas alturas, derramou sobre o Seu corpo, a Igreja, os dons preciosos do Espírito, em testemunho da redenção efetuada (veja-se Mateus 1:20; 3:16-17; Lucas 4:18-19; Atos 2:33; 10:45-46; Efésios 4:8-13).

É como aqueles que estão associados com esse bendito e eternamente glorificado Senhor que os crentes são feitos participantes dos dons e graças do Espírito Santo; e, além disso, é na medida em que andam em intimidade com Ele que gozam ou emitem a Sua fragrância. O homem não regenerado não conhece essas coisas. "Não se ungirá com ele a carne do homem" (versículo 32). As graças do Espírito nunca poderão ser ligadas com a carne, porque o Espírito Santo não pode reconhecer a natureza. Nem um só dos frutos do Espírito foi jamais produzido no solo estéril da natureza. "É necessário nascer de novo" (João 3:7). É só como unidos com o novo homem, como sendo parte da nova criação, que podemos conhecer alguma coisa dos frutos do Espírito Santo.

É inútil procurar imitar esses frutos e virtudes. Os mais belos frutos que jamais cresceram no campo da natureza, no seu mais alto grau de cultivo — os traços mais amáveis que a natureza pode apresentar — devem ser inteiramente rejeitados no santuário de Deus. "Não se ungirá com ele a carne do homem, nem fareis outro semelhante conforme a sua composição: santo é, e será santo para vós. O homem que compuser tal perfume como este, ou que dele puser sobre um estranho, será extirpado dos seus povos". Não deve haver imitação da obra do Espírito; tudo tem que ser do Espírito — inteiramente e realmente do Espírito. Além disso, aquilo que é do Espírito não deve ser atribuído ao homem: "... o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente" (1 Coríntios 2:14).

Em um dos "cânticos dos degraus" há uma alusão magnífica a este "azeite da unção". "Oh! quão bom e quão suave é", diz o salmista, "que os irmãos vivam em união! É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla das suas vestes" (Salmos 133:1-2). Os próprios vestidos do chefe da casa sacerdotal, depois de ele haver sido ungido com o azeite da santa unção, devem mostrar os seus preciosos efeitos. Que o leitor possa experimentar o poder desta unção, e conhecer o que é ter "a unção do Santo" e ser selado com o Espírito Santo da promessa! (1 João 2:20; Ef 1:13). Nada tem valor, segundo a apreciação de Deus, salvo aquilo que está ligado com Cristo, e tudo aquilo que estiver assim ligado com Ele pode receber a santa unção.

C. H. Mackintosh

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Um Grande Sumo Sacerdote

(Comentário Êxodo 30 - O CULTO, A COMUNHÃO E A ADORAÇÃO)

A eficácia do ministério sacerdotal de Cristo está intimamente ligada com a ação penetrante e purificadora da Palavra de Deus. "Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar." E o apóstolo inspirado acrescenta imediatamente: "Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Cheguemos, pois, com confiança, ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno" (Hebreus 4:12-16).

Quanto mais vivamente sentirmos o gume da palavra de Deus, tanto mais apreciaremos o ministério misericordioso e gracioso do nosso Sumo Sacerdote. Estas duas coisas andam juntas. São os companheiros inseparáveis da senda do cristão. O Sumo Sacerdote possui empatia para com as fraquezas que a Palavra de Deus descobre e expõe: Ele é um Sumo Sacerdote "fiel" e "misericordioso". Por isso, só nos podemos aproximar do altar na medida em que fazemos uso da pia de cobre. O culto deve ser sempre oferecido no poder da santidade. É necessário perdermos de vista a natureza, tal qual é refletida num espelho, e estarmos ocupados inteiramente com Cristo, conforme no-Lo apresenta a Palavra de Deus. É só desta forma que "as mãos e os pés", as obras e os nossos caminhos são purificados, segundo a purificação do santuário.

C. H. Mackintosh

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

A Pia de Cobre

(Comentário Êxodo 30 - O CULTO, A COMUNHÃO E A ADORAÇÃO)

Nos versículos 17 a 21 temos a "pia de cobre com a sua base" — o vaso da purificação e a sua base. Estas duas coisas são sempre mencionadas conjuntamente (veja-se capítulos 30:28; 38:8; 40:11). Era nessa pia que os sacerdotes lavavam as mãos e os pés, e desta forma mantinham aquela pureza que era essencial ao cumprimento de suas funções sacerdotais. Não significava, de modo nenhum, uma nova questão de apresentação do sangue, mas simplesmente um ato mediante o qual se mantinham aptos para o serviço sacerdotal e o culto. "E Arão e seus filhos nela lavarão as suas mãos e os seus pés. Quando entrarem na tenda da congregação, lavar-se-ão com água, para que não morram, ou quando se chegarem ao altar para ministrar, para acender a oferta queimada ao Senhor" (versículo 20). 

Não pode haver verdadeira comunhão com Deus se a santidade pessoal não for diligentemente mantida. "Se dissermos que temos comunhão com ele e andarmos em trevas, mentimos e não praticamos a verdade" (1 João 1:6). Esta santidade pessoal só pode proceder da ação da Palavra de Deus nas nossas obras e nos nossos caminhos: "... pela palavra dos teus lábios me guardei das veredas do destruidor" (Salmos 17:4). As nossas constantes falhas no ministério sacerdotal podem ser devidas ao fato de negligenciarmos o uso conveniente da pia de cobre. Se os nossos caminhos não forem submetidos à ação purificadora da Palavra de Deus — se continuarmos em busca ou na prática de alguma coisa que, segundo o testemunho da nossa própria consciência, é claramente condenada pela Palavra de Deus, o nosso caráter sacerdotal certamente carecerá de energia. A perseverança deliberada no mal e o verdadeiro culto sacerdotal são coisas completamente incompatíveis. "Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade" (João 17:17). Se houver em nós impureza, não podemos desfrutar da presença de Deus. O efeito de Sua presença será então de convencer-nos do mal pela sua santa luz. Porém, quando, mediante a graça, podemos purificar os nossos caminhos, acautelando-nos segundo a Palavra de Deus, então estamos moralmente capacitados a desfrutar de Sua presença.

O leitor perceberá imediatamente que se abre aqui um vasto campo de verdade prática e como a doutrina da pia de cobre é largamente apresentada no Novo Testamento. Oh! que todos aqueles que têm o privilégio de pôr os pés nos átrios do santuário com vestidos sacerdotais e de se aproximarem do altar de Deus, para exercer o sacerdócio, mantenham as mãos e os pés limpos pelo uso da verdadeira pia de cobre! 

Talvez seja interessante notar que a pia de cobre com a Sua base era feita "dos espelhos das mulheres que se ajuntaram, ajuntando-se à porta da tenda da congregação" (capítulo 38:8). Este fato é cheio de significado. Somos sempre propensos a ser como o homem que "contempla ao espelho o seu rosto natural; porque se contempla a si mesmo, e foi-se, e logo se esqueceu de como era" (Tiago 1:23). O espelho da natureza nunca poderá nos dar uma vista clara e permanente da nossa verdadeira condição. "Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito" (Tiago 1:25). Aquele que recorre continuamente à Palavra de Deus e a deixa falar ao seu coração e a sua consciência será mantido na atividade santa da vida divina.

C. H. Mackintosh

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

O Meio Siclo de Resgate

(Comentário Êxodo 30 - O CULTO, A COMUNHÃO E A ADORAÇÃO)

Os versículos 11 a 16 tratam do dinheiro das expiações para a congregação. Todos tinham de pagar da mesma maneira. "O rico não aumentará, e o pobre não diminuirá da metade do siclo, quando derem a oferta ao Senhor, para fazer expiação por vossas almas". No que diz respeito ao resgate, todos são postos no mesmo nível. Pode haver uma grande diferença de conhecimento, de experiência, de aptidão, de progresso, de zelo e de dedicação, porém o fundamento da expiação é igual para todos. O grande apóstolo dos gentios e o mais débil cordeiro do rebanho de Cristo estão no mesmo nível no que se refere à expiação. É uma verdade muito simples e feliz ao mesmo tempo. Nem todos podem ser igualmente fervorosos e abundar em frutos; porém o fundamento sólido e eterno do descanso do crente é "o precioso sangue de Cristo" (1 Pedro 1:19), e não a dedicação ou abundância de frutos. Quanto mais compenetrados estivermos da verdade e poder destas coisas, tanto mais frutos daremos.

Em Levítico 27, encontramos outro tipo de avaliação. Quando alguém fazia "um voto particular" (v. 2), Moisés o avaliava de acordo com sua idade. Em outras palavras, quando alguém se aventurava a assumir o terreno da capacidade de cumprir o voto, Moisés, como representante das reivindicações de Deus, o avaliava "segundo o siclo do santuário" (v. 3). Se ele fosse "mais pobre" do que a avaliação de Moisés, então a pessoa deveria "apresentar-se diante do sacerdote" (v. 8), o representante da graça de Deus, que deveria então avaliá-lo "de acordo com sua capacidade com que jurou" (v. 8, KJV).

Bendito seja Deus, sabemos que todos as Suas reivindicações foram satisfeitas e os nossos votos cumpridos por Aquele que era ao mesmo tempo o Representante das Suas reivindicações e o Expoente da Sua graça, o mesmo que consumou a obra de expiação sobre a cruz e está agora à destra de Deus. Nisto existe doce descanso para o coração e a consciência. A expiação é a primeira coisa que alcançamos, e nunca mais a perdemos de vista. Por muito extenso que seja o curso da nossa inteligência, por muito rica que seja a nossa experiência, por muito elevado que seja o dom da nossa piedade, teremos sempre de nos retirar para a doutrina simples, divina, inalterável e fortalecedora doutrina DO SANGUE. Assim tem sido sempre na história do povo de Deus, e assim é e assim sempre será. Os mais dotados e instruídos servos de Cristo têm regressado sempre com regozijo a "esta única fonte de delícias", na qual os seus espíritos sedentos beberam quando conheceram o Senhor; e o cântico eterno da Igreja em glória será: "Àquele que nos ama e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados" (Ap 1:5). As cortes do céu ressoarão para sempre com a doutrina gloriosa do sangue.

C. H. Mackintosh

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

A Disciplina na Assembleia

HÁ um "dentro" em relação à assembleia. Lemos: "Não julgais vós os que estão dentro? Mas Deus julga os que estão de fora" (1 Coríntios 5:12,13). "Fora" é a esfera do mundo. O cristão deve deixar o julgamento do mundo para Deus. Não é a esfera do cristão interferir naquilo que está "fora". "Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor" (Romanos 12:19). "Dentro" é a esfera da assembleia. A assembleia deveria ser marcada pela santidade. Os santos são chamados "templo santo no Senhor" (Efésios 2:21), um lugar onde Deus habita e a santidade se torna Sua casa.

A disciplina deve ser mantida na casa de Deus. Precisamos observar cuidadosamente, nas Escrituras, que forma ela toma, e quem deve ser submetido a sua ação. Podemos ser frouxos e permitir aquilo que enfraqueceria grandemente o testemunho de Deus, ou podemos ser duros e exigentes demais, além do que as Escrituras justificam. Há sempre uma tentação da carne religiosa de se colocar num trono de juízo, o que não vem de Deus. Temos instruções quanto à disciplina em 1 Coríntios 5. Naquela assembleia, havia um homem culpado de horrível incesto. Os santos de Corinto, educados em um ambiente de licenciosidade, que era típico da adoração pagã, não ficaram entristecidos nem preocupados sobre o mal em seu meio. Eles precisavam das instruções de Deus, e, tendo as recebido, a igreja como um todo deveria tirar proveito delas também no tempo presente. 

O apóstolo Paulo trouxe diante deles a profunda seriedade da questão. Ele os instruiu a tirar de comunhão esse homem culpado de tal iniquidade. Ele os exorta: "Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento" (1 Coríntios 5:7). Posicionalmente, à vista de Deus, eles eram sem fermento, e, sendo assim, deveriam também estar sem fermento na prática. A condição deles deveria corresponder ao que eles eram à vista de Deus no terreno do sacrifício de Cristo por eles na cruz. O objetivo desse sumário julgamento era: "Seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus" (1 Coríntios 5:5). A excomunhão era uma coisa terrível naqueles dias. "Dentro" era a esfera onde Deus era conhecido, e de onde a luz de Sua verdade irradiava. "Fora" indicava o mundo do paganismo e do judaísmo, a esfera de Satanás. Alguém pode ter pensado que a excomunhão desse santo pecador seria para sua destruição. Mas não: era para a destruição da carne. Seria assim para que seu espírito fosse salvo no dia do Senhor Jesus. A disciplina da casa de Deus é para a bênção e recuperação daquele disciplinado. A excomunhão é um assunto solene em qualquer época, mas, nos dias apostólicos, estar fora da assembleia de Deus sobre a terra implicava estar fora de tudo o que tinha a ver com o Cristianismo, e ser lançado na esfera de Satanás. As Escrituras ensinam claramente que a disciplina do Senhor, que pode vir em conexão com a disciplina da assembleia, é tida com o objetivo de bênção no final. Lemos: "Quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo" (1 Coríntios 11:32). 

Somos felizes em seguir o efeito saudável que a disciplina teve nesse homem incestuoso. O apóstolo Paulo escreveu uma segunda epístola à assembleia em Corinto e se referiu longamente a esse caso. A primeira epístola teve seu devido efeito de trazer os santos de Corinto a um profundo senso do pecado em seu meio. O apóstolo pôde escrever: "Porque quanto cuidado não produziu isso mesmo em vós que, segundo Deus, fostes contristados! Que apologia, que indignação, que temor, que saudades, que zelo, que vingança! Em tudo mostrastes estar puros neste negócio" (2 Coríntios 7:11). Parece que os santos de Corinto quase foram longe demais em seu zelo, assim como antes tinham sido frouxos demais. O homem tinha se arrependido de seu pecado e foi restaurado pelo Senhor. Os santos de Corinto tiveram que ser exortados a perdoá-lo, a consolá-lo e a confirmar seu amor para com ele (2 Coríntios 2:7-8). A carne gosta de ser dura às vezes. É necessário o Espírito Santo de Deus, o espírito de amor e graça, e também fidelidade ao Senhor, para nos guiar na restauração de alguém que erra, que pecou e se arrependeu. É mais fácil cortar do que restaurar, mais fácil derrubar do que construir.

É muito útil que a página inspirada tenha colocado diante de nós quais são os desvios de santidade que exigem a excomunhão. Lemos: "Mas, agora, escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais" (1 Coríntios 5:11). Esta é uma séria lista que nos é dada, e forma um guia para nós sobre esse assunto solene. A disciplina poderia ser realizada com demasiada severidade se não tivéssemos essa lista. Nem todo erro exige excomunhão. Timóteo é instruído pelo apóstolo Paulo: "Aos que pecarem, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor" (1 Timóteo 5:20). Evidentemente, o pecado nesse caso não era de natureza tão grave a ponto de exigir a excomunhão: uma repreensão pública bastava, e ajudaria aqueles que, ouvindo-a, evitassem um pecado similar. 

Novamente, lemos o apóstolo dando instruções de que, se um homem fosse surpreendido em alguma falta, os espirituais entre eles deveriam restaurá-lo, lembrando-se que eles também poderiam ser tentados (Gálatas 6:1). Assim também o escritor Tiago deu a exortação de que devemos confessar nossos erros uns aos outros, e orar uns pelos outros, para que possamos receber a cura (Tiago 5:16). Novamente, lemos: "Irmãos, se algum de entre vós se tem desviado da verdade, e alguém o converter, saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador salvará da morte uma alma e cobrirá uma multidão de pecados" (Tiago 5:19,20). Essas passagens mostram que deve haver paciência e graça em alguns casos, e em outros, não a excomunhão, mas uma repreensão pública é o suficiente.

Temos instruções úteis espalhadas por toda a Palavra de Deus sobre esse assunto. Lemos: "Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que andar desordenadamente e não segundo a tradição que de nós recebeu" (2 Tessalonicenses 3:6). "Agora peço-vos, irmãos, que marqueis aqueles que causam divisões e ofensas, contrárias à doutrina que aprendemos: e evitai-os. Pois os que são assim não servem ao nosso Senhor Jesus Cristo, mas a seus próprios ventres; e por boas palavras e justos discursos enganam os corações dos simples" (Romanos 16:17,18, KJV). Essas instruções são claras o bastante.

Há uma última passagem, no entanto, que gostaríamos de chamar a atenção. Refere-se ao ensino herético quanto à Pessoa de nosso adorável Senhor. O apóstolo João, já idoso, escrevendo a uma senhora e seus filhos, fala-lhes de quão seriamente o Espírito Santo de Deus via tais ensinamentos. Bem sabe-se que esses ensinos heréticos eram muito comuns nos primeiros séculos da história da igreja, e continuam sendo até hoje. Lemos: "Todo aquele que prevarica e não persevera na doutrina de Cristo não tem a Deus; quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto o Pai como o Filho. Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras" (2 João 9-11). Não basta que o cristão esteja limpo pessoalmente desse ensino maligno, pois subverte o Cristianismo, mas o cristão deve também ser limpo das pessoas que ensinam essas coisas. Qualquer que estiver pessoalmente limpo do ensino maligno, e ainda assim permanecer em comunhão com um mestre dessa má doutrina, é participante de suas más obras, e portanto deve ser recusado do mesmo modo que o próprio autor do ensino herético.

Que o Senhor nos dê zelo espiritual para a santidade da casa de Deus, corações que anseiam e entranhas de compaixão que sintam pelos errantes, desordenados e pelos que estão em pecado, e nos dê graça para receber de volta um santo arrependido e para confirmar nosso amor para com ele.

A. J. Pollock

Fonte: https://bibletruthpublishers.com/the-discipline-of-the-assembly/algernon-james-pollock/the-church-of-god/a-j-pollock/la59660

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

O Altar de Cobre e o Altar de Ouro

(Comentário Êxodo 30 - O CULTO, A COMUNHÃO E A ADORAÇÃO)

Tendo sido instituído o sacerdócio, como mostrado nos dois capítulos anteriores, somos aqui introduzidos à posição de verdadeira adoração e comunhão sacerdotal. A ordem é marcante e instrutiva; e, além disso, corresponde precisamente à ordem da experiência do crente. No altar de bronze, ele vê as cinzas de seus pecados; ele então vê a si mesmo ligado Àquele que, embora fosse pessoalmente puro e imaculado, de forma que podia ser ungido sem sangue, mesmo assim nos associou com Ele próprio em vida, justiça e favor; e, finalmente, ele vê, no altar de ouro, a preciosidade de Cristo, como a substância da qual se alimentam as afeições divinas.

Assim é sempre; deve haver um altar de bronze e um sacerdote antes de haver um altar de ouro e incenso. Muitos dos filhos de Deus nunca passaram do altar de bronze. Nunca entraram, em espírito, no poder e realidade da verdadeira adoração sacerdotal. Não se regozijam em um senso pleno, claro e divino do perdão e da justiça; nunca chegaram ao altar de ouro. Eles esperam alcançá-lo quando morrerem; mas na verdade é um privilégio que podem ter agora mesmo. A obra de cristo removeu do caminho tudo o que poderia se pôr como barreira à adoração livre e inteligente. A posição atual de todo verdadeiro crente é diante do altar de ouro do incenso.

Esse altar tipifica uma posição de maravilhosa bênção. Ali desfrutamos da realidade e eficácia da intercessão de Cristo. Tendo definitivamente acabado com o ego e tudo o que lhe diz respeito, ainda que dele esperássemos algum bem, devemos estar ocupados com quem Ele (Cristo) é diante de Deus. Não encontraremos nada no ego, a não ser contaminação. Toda a exibição do ego é contaminada; ele foi condenado e deixado de lado no juízo de Deus, e nenhum fragmento ou partícula dele será achado no incenso puro e no fogo puro, no altar de ouro puro: isso seria impossível. Fomos introduzidos, "pelo sangue de Jesus", no santuário -- um santuário de serviço e adoração sacerdotal no qual não há sequer um traço de pecado. Vemos a mesa pura, o candelabro puro, e o altar puro; mas não há nada ali para nos fazer lembrar do ego (de nós mesmos) e de sua miséria. Se fosse permitido ao ego encher nossa vista diante desse altar, apenas provaria ser uma adoração morta, estragaria nosso alimento sacerdotal, e turvaria nossa luz. A natureza não pode ter lugar no santuário de Deus. Ela, juntamente com tudo o que lhe pertence, foi consumida pelo fogo até as cinzas; e devemos agora ter diante de nossas almas o perfume fragrante de Cristo, subindo em agradecido incenso a Deus: é nisso que Deus se deleita. Tudo o que apresenta Cristo em Sua própria excelência é doce e aceitável para Deus. Até a mais débil expressão ou exibição dEle, na vida ou na adoração de um santo, é um cheiro de doce perfume no qual Deus acha o Seu prazer.

Com demasiada frequência, infelizmente, temos que estar ocupados com nossos fracassos e fraquezas. Se permitirmos que as obras do pecado que habita em nós sejam levadas à superfície, teremos de lidar com nosso Deus sobre elas, pois Ele não pode tolerar o pecado. Ele pode perdoá-lo e limpar-nos dele; Ele pode restaurar nossas almas pelo ministério gracioso de nosso grande Sumo Sacerdote; mas Ele não pode tolerar a companhia de nem mesmo um único pensamento pecaminoso. Seja um leve ou tolo pensamento ou um impuro e cobiçoso, é o suficiente para estragar uma comunhão cristã e interromper sua adoração. Se tal tipo de pensamento surgir, deve ser julgado e confessado antes que as alegrias elevadas do santuário possam ser conhecidas novamente. Um coração em que a concupiscência está operando não está desfrutando das ocupações adequadas ao santuário. Quando estamos em uma condição sacerdotal adequada, é como se a natureza não existisse; e então podemos nos alimentar de Cristo. Podemos provar do conforto divino de estarmos totalmente à vontade com Ele, e totalmente absorvidos com Cristo.

Tudo isso só pode ser produzido pelo poder do Espírito. Não há necessidade de produzir sentimentos naturais de devoção por meio dos vários aparelhos usados na religião sistemática. Deve haver fogo puro, assim como incenso puro (Compare Lev. 10:1 com Lev. 16:12). Qualquer esforço de adoração a Deus vindo dos poderes ímpios da natureza está incluído na categoria de "fogo estranho". Deus é o objeto de adoração; Cristo, o terreno e substância da adoração; e o Espírito Santo o poder da adoração.

Propriamente falando, então, assim como temos, no altar de bronze, Cristo no valor de Seu sacrifício, assim também temos, no altar de ouro, Cristo no valor de Sua intercessão. Isso fornecerá ao meu leitor uma noção ainda mais clara do motivo pelo qual o ofício sacerdotal é introduzido entre os dois altares. Há, como seria de se esperar, uma conexão íntima entre os dois, pois a intercessão de Cristo tem como fundamento Seu sacrifício. "E uma vez no ano Arão fará expiação sobre as pontas do altar com o sangue do sacrifício das expiações; uma vez no ano fará expiação sobre ele pelas vossas gerações; santíssimo é ao Senhor" (v. 10). Tudo repousa sobre o fundamento imutável do SANGUE DERRAMADO. "E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão. De sorte que era bem necessário que as figuras das coisas que estão no céu assim se purificassem; mas as próprias coisas celestiais, com sacrifícios melhores do que estes. Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer, por nós, perante a face de Deus" (Hebreus 9:22-24).

C. H. Mackintosh

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