sábado, 30 de maio de 2020

Os Sacrifícios pelo Pecado

(Comentário Levítico 4 - 5:13: OS SACRIFÍCIOS QUE NÃO SÃO DE CHEIRO SUAVE)
 
Tendo considerado as ofertas de "cheiro suave", chegamos agora aos "sacrifícios pelo pecado". Estes eram divididos em duas classes, a saber, sacrifícios pelo pecado e expiação do pecado. Na primeira havia três categorias; primeiro, o sacrifício pelo "sacerdote ungido" e por "toda a congregação". Estes dois tinham os mesmos ritos e cerimônias (compare-se os versículos 3 a 12 com os versículos 13 a 23). Era o mesmo, quer tivesse sido o representante da assembleia ou a própria assembleia que tivesse pecado. Em qualquer dos casos, três coisas estavam envolvidas: a habitação de Deus na assembleia, a adoração da assembleia e a consciência individual. Ora, visto que as três coisas dependiam do sangue, verificamos que, na primeira categoria do sacrifício pelo pecado, três coisas eram feitas com o sangue. Era aspergido "sete vezes perante o Senhor, diante do véu do santuário". Isto assegurava as relações de Jeová com o povo e a Sua habitação no meio deles. Depois lemos: "Também porá o sacerdote daquele sangue sobre as pontas do altar do incenso aromático, perante o Senhor, altar que está na tenda da congregação". Isto assegurava a adoração da assembleia. Pondo o sangue sobre "o altar de ouro", a verdadeira base de adoração era mantida, de forma que a chama do incenso e a sua fragrância podiam subir continuamente. Finalmente, "todo o resto do sangue do novilho derramará à base do altar do holocausto, que está à porta da tenda da congregação". Aqui temos o que satisfaz plenamente as exigência da consciência de cada indivíduo; pois o altar de cobre era o lugar de acesso individual. Era onde Deus encontrava o pecador.

Nas outras duas categorias, para "um príncipe" ou "qualquer outra pessoa do povo da terra", era apenas uma questão de consciência individual; e portanto uma única coisa era feita com o sangue. Era todo derramado "à base do altar do holocausto" (compare-se verso 7 com os versos 25, 30). Existe em tudo isto uma precisão divina que requer toda a atenção do leitor, se deseja compreender os pormenores maravilhosos desta figura*.

{* Entre a oferta por "um príncipe" e a oferta por "qualquer outra pessoa" há esta diferença: na primeira era um "macho sem mancha"; na última "uma fêmea sem mancha". O pecado de um príncipe exercia necessariamente maior influência do que o de uma pessoa comum; e, portanto, era necessária uma aplicação mais poderosa do valor do sangue. Em Lv 5:13 encontramos casos que requerem uma aplicação ainda mais inferior à da oferta de expiação pelo pecado — casos de juramento e de contato com formas de impureza, em que "a décima parte de um efa de flor de farinha" era admitido como oferta de expiação pelo pecado (Veja-se Lv 5:11-13). Que contraste entre o aspecto de expiação apresentado por um bode de um príncipe e a mão-cheia de flor de farinha de um pobre homem! E, todavia, no último, tão certo como no primeiro, lemos, "e ser-lhe-á perdoado".

O leitor há de notar que o capítulo 5:1-13 forma uma parte do capítulo 4. Ambos estão compreendidos sob o mesmo título, e apresentam a doutrina da oferta de expiação do pecado, em todas as suas aplicações, desde um bode a uma mão-cheia de flor de farinha. Cada classe de oferta é anunciada pelas palavras. "Falou mais o Senhor a Moisés". Assim, por exemplo, com as ofertas de "cheiro suave" (capítulos 1-3) são introduzidas pelas palavras: "E chamou o Senhor a Moisés". Estas palavras não são repetidas até ao capítulo 4:1, onde introduzem o sacrifício de expiação do pecado. Ocorrem outra vez no capítulo 5:14, onde é introduzida a oferta de transgressão por pecados cometidos "nas coisas sagradas do Senhor"; e outra vez no capítulo 6:1, onde introduzem a oferta de transgressão por pecados cometidos contra o Senhor no tocante ao seu próximo.

É uma classificação bela e simples, e pode auxiliar o leitor a compreender as diversas classes de ofertas. Quanto às diversas categorias em cada classe, "um bode", "um carneiro", "uma fêmea", "uma pomba", "uma mão-cheia de flor de farinha", parece serem outras tantas aplicações diversas da mesma grande verdade.}

O efeito do pecado individual não podia prolongar-se para além dos limites da consciência do indivíduo. O pecado de "um príncipe" ou de "qualquer outra pessoa do povo", não podia, em sua influência, atingir "o altar do incenso" — o lugar da adoração sacerdotal. Não podia tão-pouco chegar ao "véu do santuário" — o limite sagrado da habitação de Deus no meio do Seu povo. É bom ponderar isto. Nunca devemos levantar uma questão de pecado pessoal ou falta no lugar de culto sacerdotal ou na assembleia. Deve ser tratada no lugar de aproximação pessoal. Muitos erram sobre este ponto. Vêm à assembleia ou lugar público de culto com a sua consciência manchada, e desta forma arrastam toda a assembleia e contaminam o seu culto. Este mal deveria ser rigorosamente examinado e deveria haver cuidadosa vigilância contra ele. Precisamos andar com maior vigilância para que a nossa consciência possa estar sempre na luz. E quando falhamos, como, infelizmente, acontece em tantas coisas, devemos tratar com Deus sobre a nossa falta em oculto*, para que a nossa verdadeira adoração e a posição da assembleia possam ser mantidas sempre plenamente com clareza diante da alma.

{* N. do T.: há pecados, especialmente aqueles que mancham o testemunho, que devem sim ser confessados aos irmãos que tomam posição de liderança na assembleia (não a toda a assembleia), de modo que os irmãos possam colocar diante do Senhor e tomar decisões de disciplina e restauração que podem ser necessárias. Vide, por exemplo, 1 Coríntios 5 e Tiago 5:16. Mais sobre disciplina na assembleia:
} 

C. H. Mackintosh

quarta-feira, 27 de maio de 2020

O Culto

(Comentário Levítico 3: O SACRIFÍCIO PACÍFICO: A COMUNHÃO)

Esse último ponto (a ligação entre a doutrina do sacrifício pacífico e a adoração cristã) está relacionado e baseado em outra verdade fundamental da "lei do sacrifício pacífico". "Mas a carne do sacrifício de louvores da sua oferta pacífica se comerá no dia do seu oferecimento; nada se deixará dela até amanhã." Quer dizer, a comunhão do adorador nunca deve separar-se do sacrifício sobre o qual a comunhão está baseada. Na medida em que se tenha energia espiritual para manter essa conexão, o culto (adoração) e a comunhão subsistirão em frescura e aceitação. Devemos estar perto do sacrifício, no espírito do nosso entendimento, nas afeições do nosso coração e na experiência das nossas almas. É isto que dará poder e duração ao nosso culto. Pode acontecer de começarmos qualquer ato ou expressão de culto com os nossos corações ocupados imediatamente com Cristo; e, antes de chegarmos ao fim, estarmos ocupados com o que estamos fazendo ou dizendo ou com as pessoas que nos escutam; e, desta forma, caímos naquilo que pode se chamar de "iniquidade nas nossas coisas santas". Isto é profundamente solene e deveria tornar-nos vigilantes. Começamos o culto no Espírito e acabamos na carne. Devemos ter sempre o cuidado de não nos apressarmos a proceder, nem por um momento, para além da energia do Espírito, porque o Espírito manter-nos-á sempre ocupados com Cristo. Se o Espírito Santo nos inspira "cinco palavras" de adoração ou de ações de graças, pronunciemos as cinco e calemo-nos. Se continuarmos a falar, estamos comendo a carne do nosso sacrifício além do tempo fixado; e isso, longe de ser "aceitável", é, na realidade, "uma abominação". Lembremo-nos disto e vigiemos. Não há necessidade para alarme. Deus quer que sejamos guiados pelo Espírito e assim cheios de Cristo em todo o nosso culto. Ele só pode aceitar aquilo que é divino; e, portanto, não quer que seja apresentado nada senão o que é divino.

"E, se o sacrifício da sua oferta for voto ou oferta voluntária, no dia em que oferecer o seu sacrifício se comerá; e o que dele ficar também se comerá no dia seguinte" (Levítico 7:16). Quando a alma se eleva a Deus em um ato voluntário de adoração, tal adoração provêm de uma maior medida de energia espiritual do que quando procede simplesmente de alguma graça particular do próprio momento. Se se há recebido uma favor especial da mão do Senhor, a alma eleva-se imediatamente em ação de graças. Neste caso, o culto é suscitado por e ligado com esse favor ou misericórdia, qualquer que possa ser, e acaba aí. Porém quando o coração é levado pelo Espírito Santo a qualquer expressão voluntária ou deliberada de louvor, o culto terá um caráter mais duradouro. De qualquer forma, o culto espiritual ligar-se-á sempre com o precioso sacrifício de Cristo.

"E o que ainda ficar da carne do sacrifício ao terceiro dia será queimado no fogo. Porque, se da carne do seu sacrifício pacífico se comer ao terceiro dia, aquele que a ofereceu não será aceito, nem lhe será imputado; coisa abominável será, e a pessoa que comer dela levará a sua iniquidade". Nada tem qualquer valor, segundo o juízo de Deus, senão aquilo que está intimamente ligado com Cristo. Pode existir muita aparência de culto, e ser, afinal, a mera excitação e expressão de sentimentos naturais. Pode haver uma grande aparente devoção, que é, simplesmente, devoção carnal. A natureza pode excitar-se, no campo religioso, de diversas maneiras, tais como pompa, cerimônias, procissões, atitudes, ricas vestimentas, uma liturgia eloquente e todos os atrativos de um esplêndido ritualismo; e, contudo, pode haver uma absoluta ausência de culto espiritual. Sim, acontece frequentemente que os mesmos gostos e inclinações que são excitados e satisfeitos por formas pomposas de um culto chamado religioso, encontrariam um alimento mais apropriado na ópera ou nos concertos.

Aqueles que sabem e que desejam lembrar-se que "Deus é espírito e aqueles que o adoram devem adorá-Lo em espírito e em verdade" (João 4:24) devem pôr-se em guarda contra tudo isso. A religião, assim chamada, reveste-se, em nossos dias, dos mais poderosos atrativos. Deixando para trás a grosseria da idade média, ela chama em seu auxílio todos os recursos de gosto requintado de um século iluminado e culto. A escultura, a música, e a pintura* vazam os seus ricos tesouros no seu seio, a fim de que ela possa, com isso, preparar um poderoso narcótico para embalar as multidões irrefletidas numa sonolência que só será interrompida pelos indescritíveis horrores da morte, do juízo e do lago de fogo. Ela pode também dizer: "Sacrifícios pacíficos tenho comigo; hoje paguei os meus votos... Já cobri a minha cama com cobertas de tapeçaria, com obras lavradas com linho fino do Egito; já perfumei o meu leito com mirra, aloés e canela" (Provérbios 7:14-17). Assim a religião corrompida seduz, por sua poderosa influência, aqueles que não querem escutar a voz celestial da sabedoria.

{*N. do T.: Este texto foi escrito no século XIX. Hoje em dia, vemos outros entretenimentos mundanos que foram introduzidas no culto religioso na cristandade, tais como teatro, dança e cinema.}
 
Guarde-se o leitor de tudo isso. Certifique-se de que o seu culto está inseparavelmente ligado com a obra da cruz. Veja se Cristo é o fundamento, Cristo o elemento e o Espírito Santo o poder do seu culto. Guarde-se de que o ato exterior do seu culto não se alongue para além deste poder íntimo. É necessária muita vigilância para se evitar esse mal. Os seus manejos secretos são dos mais difíceis de detectar e impedir. Podemos começar um hino no verdadeiro espírito de culto, e, por falta de poder espiritual, podemos, antes de chegar ao fim, cair no mal que corresponde ao ato cerimonial de comer a carne do sacrifício pacífico ao terceiro dia. A nossa única salvaguarda consiste em estarmos perto de Jesus. Se elevarmos os nossos corações em "ações de graças" por qualquer mercê especial, façamo-lo no poder do nome e do sacrifício de Cristo. Se as nossas almas se elevam em adoração "voluntária", que seja na energia do Espírito Santo. Deste modo o nosso culto terá aquele frescor, aquela fragrância e profundidade de tom, aquela elevação moral, que devem resultar do fato de se ter o Pai por objeto, o Filho por fundamento e o Espírito Santo como o poder de nosso culto.

Que assim seja, ó Senhor, com todos os que te adoram, até nos encontrarmos em corpo, alma e espírito na segurança da tua presença eterna, fora do alcance de toda a influência perniciosa do falso culto e da religião corrompida, e também fora do alcance dos diferentes impedimentos que provêm destes corpos de pecado e morte que trazemos em nós!

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NOTA: É interessante observar que, embora o sacrifício pacífico seja o terceiro na ordem dos sacrifícios, contudo "a Lei" dele é dada depois de todos. Esta circunstância não deixa de ter a sua importância. Em nenhum dos sacrifícios a comunhão do adorador é tão claramente revelada como no sacrifício pacífico. No holocausto vemos Cristo oferecendo-se a Si mesmo a Deus. Na oferta de manjares, temos a perfeita humanidade de Cristo. Depois, passando à expiação do pecado, aprendemos que o pecado em sua raiz é inteiramente expiado. Na expiação da culpa, há plena provisão para os pecados na vida presente. Mas em nenhum é revelada a comunhão do adorador. A comunhão pertence ao "sacrifício pacífico"; e, daí, creio, a posição que ocupa a ''lei deste sacrifício". Aparece no fim de todas, ensinando-nos com isso que, quando se trata de uma questão de a alma se alimentar de Cristo, tem de ser um Cristo completo, considerado sob todas as fases possíveis da Sua vida — o Seu caráter, a Sua Pessoa, Sua Obra, e Seus ofícios. E, além disso, que, quando tivermos acabado para sempre com o pecado e os pecados, deleitar-nos-emos em Cristo e nos alimentaremos d'Ele por todos os séculos eternos. Seria, creio, uma falta grave no nosso estudo dos sacrifícios se deixássemos de considerar uma circunstância tão digna de ser notada como a que acabamos de frisar. Se a "lei do sacrifício pacífico" fosse dada pela ordem em que ocorre, o próprio sacrifício viria imediatamente depois da lei da oferta de manjares; porém em vez disso, são dadas "a lei da expiação do pecado" e "a lei da expiação da culpa" e, então, em conclusão, segue-se a "lei do sacrifício pacífico".

C. H. Mackintosh

domingo, 24 de maio de 2020

A Ceia do Senhor

(Comentário Levítico 3: O SACRIFÍCIO PACÍFICO: A COMUNHÃO)

Antes de deixarmos esta parte do assunto, quero fazer uma observação sobre a ceia do Senhor, que, sendo um ato proeminente da comunhão da Igreja, pode, com estrita propriedade, ser considerada em ligação com a doutrina do sacrifício pacífico. A celebração inteligente da ceia do Senhor deve depender sempre do reconhecimento do Seu caráter puramente de ação de graças. É especialmente uma festa de ação de graças — ação de graças por uma redenção cumprida. "Porventura, o cálice de bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é, porventura, a comunhão do corpo de Cristo?" (1 Coríntios 10:16). Por isso, uma alma curvada sob o peso do fardo do pecado não pode comer a ceia do Senhor com inteligência espiritual, visto que essa festa é expressiva da completa remoção do pecado pela morte de Cristo: "... anunciais a morte do Senhor, até que venha" (1 Coríntios 11:26). Na morte de Cristo, a fé vê o fim de tudo que pertencia ao nosso lugar na velha criação; e, visto que a ceia do Senhor anuncia essa morte, deve ser considerada como a recordação do fato glorioso que o fardo do pecado do crente foi levado por Aquele que o tirou para sempre. Declara que a cadeia dos nossos pecados, com que estávamos presos e amarrados, foi partida para sempre pela morte de Cristo e não pode jamais prender-nos ou amarrar-nos de novo. Nós reunimo-nos ao redor da mesa do Senhor com toda a alegria de vencedores. Volvemos os olhos para a cruz onde se travou e ganhou a batalha; e antevemos a glória em que entraremos nos resultados plenos e eternos da vitória.

Decerto, temos "fermento" em nós; mas não temos nenhuma "imundície" sobre nós. Não temos que fixar os olhos nos nossos pecados; mas, sim, n'Aquele que os levou sobre a cruz e os tirou para sempre. Não temos de nos enganar a nós mesmos com a ideia presunçosa de que "não temos pecado" em nós; nem vamos negar a verdade da Palavra de Deus e a eficácia do sangue de Cristo recusando alegrarmo-nos com a verdade preciosa que não temos pecado sobre nós, porque "o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado". É verdadeiramente deplorável ver a nuvem carregada que se forma sobre a ceia do Senhor, com o parecer de tantos cristãos professos. Este fato contribui, tanto como tudo o mais, para revelar a enorme falta de compreensão a que se pode chegar com respeito às verdades mais elementares do evangelho. De fato, sabemos que, quando a ceia do Senhor é tomada por uma razão qualquer que não seja o conhecimento da salvação — o gozo do perdão, a consciência da libertação —, a alma é envolvida em nuvens mais escuras e espessas do que nunca. Aquilo que deveria ser apenas um memorial de Cristo é usado para tirá-Lo de Seu lugar de direito. Aquilo que deveria celebrar uma redenção efetuada é empregado como um degrau para alcançá-la. É assim que se abusa das ordenações, as almas são submergidas nas trevas e cai-se na confusão e no erro.

Quão diferente é a bela ordenação do sacrifício pacífico! Neste, considerado sob a sua importância simbólica, vemos que, logo que o sangue era derramado, Deus e o adorador podiam alimentar-se em feliz e pacífica comunhão. Nada mais era necessário. A paz estava estabelecida pelo sangue; e, sobre essa base, prosseguia a comunhão. Uma simples dúvida quanto ao estabelecimento da paz é fatalmente o golpe mortal na comunhão. Se estamos ocupados com esforços inúteis para conseguir a paz com Deus, então desconhecemos totalmente o que é a comunhão e o culto. Se o sangue do sacrifício pacífico não foi derramado, é impossível alimentarmo-nos com "o peito" ou a "espádua". Mas, por outro lado, se o sangue foi derramado, então a paz já está feita. Deus mesmo fez a paz e isto é bastante para a fé; e, portanto, pela fé temos comunhão com Deus, no conhecimento e gozo da redenção efetuada. Provamos a frescura do próprio gozo de Deus naquilo que Ele fez. Alimentamo-nos de Cristo em toda a plenitude e bem-aventurança da presença de Deus.

C. H. Mackintosh

sexta-feira, 22 de maio de 2020

O "Pecado" e os "Pecados"

(Comentário Levítico 3: O SACRIFÍCIO PACÍFICO: A COMUNHÃO)

Esta série de pensamentos está intimamente relacionada e plenamente confirmada por dois princípios estabelecidos na "lei do sacrifício pacífico".

No versículo 13 do capítulo 7 de Levítico lemos: "Com os bolos oferecerá pão levedado". E ainda no versículo 20 lemos: "Porém, se alguma pessoa comer a carne do sacrifício pacífico, que é do Senhor, tendo ela sobre si a sua imundícia, aquela pessoa será extirpada dos seus povos". Aqui temos as duas coisas claramente postas diante de nós, a saber; o pecado em nós e o pecado sobre nós. O "fermento" era permitido porque havia pecado na natureza do adorador. A "imundícia" não era permitida porque não devia haver pecado na consciência do adorador. Onde há pecado não pode haver comunhão. Deus proveu expiação para o pecado, que Ele sabe estar em nós, pelo sangue da expiação. Por isso, lemos acerca do pão levedado no sacrifício pacífico: "E de toda oferta oferecerá um deles por oferta alçada ao Senhor, que será do sacerdote que espargir o sangue da oferta pacífica" (versículo 14). Em outras palavras, o "fermento"* na natureza do adorador estava perfeitamente expiado pelo "sangue" do sacrifício. O sacerdote que recebe o pão levedado é quem deve espargir o sangue. Deus afastou da Sua vista o nosso pecado para sempre. Apesar do pecado estar em nós, não é objeto para fixar os Seus olhos. Ele vê só o sangue; e portanto pode andar conosco e consentir ininterrupta comunhão consigo. Porém, se permitirmos que "o pecado" que está em nós se desenvolva na forma de "pecados", então tem de haver confissão, perdão e purificação, antes de podermos comer outra vez da carne da oferta pacífica. A exclusão do adorador, por causa de impureza mencionada no cerimonial, corresponde à suspensão de um crente da comunhão, por causa de pecado por confessar. Intentar ter comunhão com Deus em nossos pecados implicaria na blasfema insinuação de que Ele poderia andar em companhia do pecado. "Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos e não praticamos a verdade" (1 João 1:6).
 
{* O leitor não deve esquecer que o fermento é sempre um símbolo do mal (N. do T.).}

A luz dessa linha de verdade, podemos finalmente ver o quanto erramos quando supomos ser um sinal de espiritualidade estarmos ocupados com os nossos pecados. Poderia o pecado ou os pecados jamais serem o fundamento ou alimentar a nossa comunhão com Deus? Não, certamente. Já vimos que, enquanto o pecado é o objetivo que temos perante nós, a comunhão tem de ser interrompida. A comunhão só pode ser "na luz"; é indubitável que não há pecado na luz. Na luz só se pode ver o sangue que tirou os nossos pecados e nos trouxe para perto, e o Advogado que nos mantém perto de Si. O pecado foi esquecido para sempre naquele lugar onde Deus e o adorador se encontram em santa comunhão. O que é que constituiu o elemento de comunhão entre o Pai e o pródigo? Foram os trapos deste? Foram as bolotas da "terra longínqua"? De modo nenhum. Não foi nada que o pródigo trouxe consigo. Foi a rica provisão do amor do Pai — "o bezerro cevado". Assim é com Deus e o verdadeiro adorador. Alimentam-se em conjunto e elevada comunhão d'Aquele cujo precioso sangue os associou para sempre nessa luz da qual nenhum pecado pode jamais acercar-se.

Nem por um instante precisamos supor que a verdadeira humildade se mostre ou se promova recordando os nossos pecados ou lamentando-nos sobre eles. Uma tristeza impura e dolorosa pode assim ser aumentada; mas a verdadeira humildade salta sempre de uma origem totalmente diferente. Quando é que o pródigo mais se humilhou? Quando "caiu em si", na terra longínqua, ou quando chegou a casa do Pai e se reclinou no seu seio? Não é evidente que a graça que nos eleva às mais elevadas alturas de comunhão com Deus, é a única que nos conduz às maiores profundidades de uma genuína humildade? Sem dúvida. A humildade que tem a sua origem na remoção dos nossos pecados deve ser sempre mais profunda do que aquela que resulta de os descobrirmos. A primeira liga-nos com Deus; a última relaciona-nos com o ego. O meio de se ser verdadeiramente humilde é andar com Deus no conhecimento e poder do parentesco em que Ele nos colocou. Ele fez-nos Seus filhos; e se andarmos como tais seremos humildes.

C. H. Mackintosh

quarta-feira, 20 de maio de 2020

O Juízo Próprio

(Comentário Levítico 3: O SACRIFÍCIO PACÍFICO: A COMUNHÃO)

Finalmente, a diferença entre a oração e a confissão, no que diz respeito ao estado do coração perante Deus e ao seu sentimento moral de aversão ao pecado, não pode ser, de modo algum, superestimada. É muito mais fácil pedir, de uma maneira geral, o perdão dos nossos pecados, do que confessar esses pecados. A confissão envolve o juízo próprio (ou autojulgamento); pedir o perdão pode não envolver isso e, em si mesmo, não envolve esse juízo. Isto, só por si, seria o suficiente para salientar a diferença. O juízo próprio é um dos mais valiosos e saudáveis exercícios da vida cristã. Portanto, tudo que tende a produzi-lo deve ser altamente apreciado por todo o cristão sincero.

A diferença entre pedir perdão e confessar o pecado é continuamente exemplificada no nosso tratamento com as crianças. Se uma criança tem feito alguma maldade, acha menos dificuldade em pedir ao pai que a perdoe do que em confessar abertamente e sem reservas a maldade. Ao pedir perdão, a criança pode ter em seu pensamento um determinado número de coisas que tendem a diminuir o sentimento do mal; pode pensar que, afinal, não havia muita razão para a censurarem, embora seja conveniente pedir perdão ao pai; enquanto que, ao confessar a maldade, faz o seu próprio julgamento. Além disso, ao pedir perdão, a criança pode ser influenciada principalmente pelo desejo de escapar às consequências da sua maldade; enquanto que um pai sensato procurará despertar no filho exatamente a convicção do mal, e essa convicção só pode conseguir-se em relação com uma franca confissão da falta relacionada com o julgamento de si próprio.

Assim é também na maneira de Deus proceder para com os Seus filhos, quando eles procedem mal. Tudo tem de ser exposto completamente e julgado pela pessoa. Ele quer fazer-nos recear não só as consequências do pecado — que são indizíveis — mas detestar também o próprio mal, por causa da sua hediondez aos Seus olhos. Se fosse possível, quando cometemos pecado, sermos perdoados simplesmente porque pedimos perdão, a nossa compreensão do pecado e atitude perante ele não seriam tão intensas; e, como consequência, a nossa apreciação da comunhão com que somos abençoados não seria tão elevada. O efeito moral de tudo isto sobre o caráter da nossa constituição espiritual e a natureza da vida prática deve ser claro para todo o crente experimentado*.

{* O caso de Simão, o mago, em Atos 8, pode apresentar uma dificuldade para o leitor. Mas basta dizer dele que uma pessoa que está "em fel de amargura e laço de iniquidade" nunca poderia ser apresentada como modelo para os filhos de Deus. O seu caso não interfere, de modo algum, com a doutrina de 1 João 1:9. Ele não tinha o parentesco de filho e, consequentemente, não podia se beneficiar da advocacia do nosso Advogado junto do Pai. Devo acrescentar ainda que o assunto da oração do Senhor não está de modo algum envolvido neste caso. Desejo limitar-me à passagem que se segue. Devemos evitar sempre a adoção de regras rígidas. Uma alma pode clamar a Deus em quaisquer circunstâncias e pedir o que carece. Ele está sempre pronto a ouvir e a responder.}

C. H. Mackintosh

domingo, 17 de maio de 2020

A Confissão dos Pecados

(Comentário Levítico 3: O SACRIFÍCIO PACÍFICO: A COMUNHÃO)

Mas, "se alguém pecar", que deve fazer? O apóstolo inspirado dá uma resposta clara e bendita: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (1 João 1:9). Confissão é a maneira de manter a consciência livre. O apóstolo não diz, "se orarmos por perdão, ele é benigno e misericordioso para nos perdoar" .Sem dúvida, é sempre um alívio para qualquer filho fazer chegar aos ouvidos do pai as suas necessidades — contar-lhe as suas fraquezas, confessar-lhe a sua tolice, defeitos e faltas. Tudo isto é muito verdade; e além disso é igualmente verdade que o nosso Pai é terno e misericordioso para atender os Seus filhos em todas as suas fraquezas e ignorância; porém, apesar de tudo isto ser verdade, o Espírito Santo declara, por intermédio do apóstolo, que, "se confessarmos os nossos pecados", Deus é "fiel e justo para nos perdoar". Portanto, a confissão é o método divino. Um cristão que tenha errado em pensamento, palavras ou ação, pode orar, pedindo perdão, durante dias e meses e não ter a certeza, segundo 1 Jo 1:9, de ter sido perdoado; ao passo que no momento em que verdadeiramente confessar o seu pecado, diante de Deus, é simplesmente uma questão de fé saber que está perdoado e perfeitamente purificado.

Existe uma grande diferença moral entre orar pedindo perdão e confessar os nossos pecados, quer encaremos o problema em relação ao caráter de Deus, quer em relação ao sacrifício de Cristo ou ainda à condição da alma. É muito possível que a oração de uma pessoa envolva a confissão do pecado, qualquer que seja a sua natureza, e assim chegar ao mesmo resultado. Porém, é sempre bom não nos afastarmos da Escritura no que pensamos, dizemos e fazemos. É evidente que quando o Espírito Santo fala de confissão, não quer dizer oração. E é também evidente que Ele sabe que existem elementos morais na confissão e que dela resultam efeitos práticos que não pertencem à oração. De fato, descobrimos amiúde que o hábito de importunar Deus com o pedido do perdão dos pecados revela ignorância a respeito da forma como Deus se revelou na Pessoa e obra de Cristo; acerca da relação em que o sacrifício de Cristo colocou o crente e quanto ao modo divino de aliviar a consciência do fardo do pecado e de purificá-la da mancha do pecado.

Deus ficou perfeitamente satisfeito, quanto aos pecados do crente, na cruz de Cristo. Na cruz foi feita completa expiação por todo o pecado na natureza do crente e na sua consciência. Por isso, Deus não necessita de nenhuma propiciação a mais. Não precisa de qualquer coisa mais para despertar o Seu coração pelo crente. Não precisamos Lhe suplicar que seja "fiel e justo", sabendo que a Sua fidelidade e justiça foram tão gloriosamente demonstradas, justificadas e satisfeitas na morte de Cristo. Os nossos pecados nunca poderão vir à presença de Deus, visto que Cristo, que os levou todos e os tirou, está ali. Contudo, se pecamos, a consciência sente — deve senti-lo; sim, o Espírito Santo far-nos-á senti-lo. Não pode deixar passar um simples pensamento vão sem ser julgado. E então? Será que isso significa que o nosso pecado abriu caminho para a presença de Deus? Terá encontrado lugar na luz pura do santuário? Deus nos livre de tal pensamento! O "Advogado" está ali — "Jesus Cristo o Justo", para manter, em integridade inquebrantável, o parentesco em que nos encontramos com Ele. Todavia, embora o pecado não possa afetar os pensamentos de Deus a nosso respeito, pode afetar e afeta os nossos pensamentos em relação a Ele*. Embora o pecado não tenha acesso à presença d'Ele, pode chegar à nossa, da maneira mais dolorosa e humilhante. Embora não possa ocultar o Advogado dos olhos de Deus, pode encobri-Lo dos nossos. Amontoa-se, como uma nuvem sombria e espessa, sobre o nosso horizonte espiritual, de sorte que as nossas almas não podem desfrutar a claridade bendita da face do Pai. Não pode afetar o nosso parentesco com Deus, mas pode afetar seriamente o desfrute que temos dele. Que devemos, pois, fazer? A Palavra de Deus responde: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça". Por meio da confissão desembaraçamos a nossa consciência; o sentimento agradável da nossa posição de filhos é restaurado; a nuvem sombria dissipa-se; a influência desanimadora desaparece; os nossos pensamentos em relação a Deus são endireitados. Tal é o método divino; e podemos dizer que, na realidade, o coração que sabe o que é ter estado no lugar da confissão sentirá o poder divino das palavras do apóstolo: "Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo PARA QUE NÃO PEQUEIS" (1 Jo 2:1).

{* O leitor deve lembrar-se que o assunto tratado no texto deixa inteiramente por considerar uma verdade muito importante e prática ensinada em João 14:21-28, a saber, o amor particular do Pai para com o filho obediente e a comunhão especial de tal filho com o Pai e o Filho. Que esta verdade seja gravada em nossos corações pela pena do Deus Espírito Santo.}

Em contrapartida, há um estilo de oração pedindo perdão em que se perde de vista o fundamento perfeito do perdão, o qual foi lançado no sacrifício da cruz. Se Deus perdoa pecados, tem de ser "fiel e justo" ao perdoar. Mas é evidente que as nossas orações, por mais sinceras e fervorosas que sejam, nunca poderiam constituir a base da fidelidade e justiça de Deus para perdoar os nossos pecados. Nada, salvo a obra da cruz, podia conseguir isto. Ali a fidelidade e a justiça de Deus foram plenamente estabelecidas, e isso também com relação imediata aos nossos pecados atuais e à sua raiz na nossa natureza. Deus já julgou os nossos pecados na Pessoa do nosso substituto "no madeiro"; e, no ato da confissão, nós julgamo-nos a nós mesmos. Isto é essencial para se alcançar o perdão divino e restauração. O menor pecado por confessar e por julgar, na consciência, manchará inteiramente a nossa comunhão com Deus. Simplesmente termos o pecado em nós (a raiz, que não pode ser tirada), não terá esse efeito; porém, se permitirmos que o pecado permaneça sobre nós, não podemos ter comunhão com Deus. Ele tirou os nossos pecados de tal maneira, que pode ter-nos na Sua presença; e enquanto estivermos na Sua presença o pecado não poderá perturbar-nos. Porém se saímos da Sua presença e cometemos pecado, ainda que seja só em pensamento, a nossa comunhão deve, por necessidade, ser suspensa, até que, pela confissão, nos libertemos do pecado. Tudo isto está fundado exclusivamente sobre o sacrifício perfeito e a justa advocacia do Senhor Jesus Cristo.

C. H. Mackintosh

sexta-feira, 15 de maio de 2020

A Distinção entre "Pecado na Carne" e "Pecado na Consciência"

(Comentário Levítico 3: O SACRIFÍCIO PACÍFICO: A COMUNHÃO)
 
É da máxima importância fazer distinção entre pecado na carne e pecado na consciência. Se confundirmos os dois, as nossas almas serão necessariamente transtornadas e o nosso culto será manchado. Um exame atento de 1 João 1:8-10 lançará muita luz sobre este assunto, cuja compreensão é tão essencial para a devida apreciação de toda a doutrina do sacrifício pacífico e principalmente do ponto nele a que chegamos agora. Ninguém terá uma noção tão exata do pecado no íntimo como o homem que anda na luz. "Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós". No versículo precedente lemos que "... o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado". Aqui a distinção entre o pecado em nós e o pecado sobre nós está claramente estabelecida. Dizer que o crente tem pecado sobre si, na presença de Deus, é pôr em dúvida a eficácia purificadora do sangue de Jesus e negar a verdade divina a esse respeito. Se o sangue de Jesus pode purificar perfeitamente, então a consciência do crente está perfeitamente purificada. É assim que a Palavra de Deus põe a questão; e nós devemos sempre recordar que é do próprio Deus que temos de aprender qual é, aos seus olhos, a verdadeira condição do crente. Estamos mais dispostos a dizer a Deus o que somos em nós mesmos do que permitir que Deus nos diga o que somos em Cristo. Por outras palavras, estamos mais ocupados com nossa faculdade de autoconsciência, isto é, de percebermos a nossa própria condição, do que com a revelação que Deus nos dá de Si mesmo. Deus fala-nos baseado no que Ele é em Si mesmo e no que cumpriu em Cristo. Tal é a natureza e o caráter da Sua revelação, da qual a fé toma posse e assim enche a alma de perfeita paz. A revelação de Deus é uma coisa; a minha percepção natural é outra muito diferente.

Porém, a mesma palavra que nos diz que não temos pecado sobre nós diz-nos, com igual clareza e poder, que temos pecado em nós. "Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós". Todo aquele que tem a "verdade" em si também saberá que tem pecado "em si"; pois a verdade revela todas as coisas como são. Que devemos, então, fazer? É nosso privilégio andar de tal maneira no poder da nova natureza, que o "pecado", que habita em nós, não possa manifestar-se na forma de "pecados". A posição do cristão é de vitória e liberdade. Ele é libertado não só da condenação do pecado, mas também do pecado como princípio dominante na sua vida. "Sabendo isto: que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, afim de que não sirvamos mais ao pecado. Porque aquele que está morto, está justificado do pecado... não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências... porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça" (Romanos 6:6-14). O pecado está ali em todo o seu aviltamento; porém o crente está "morto para ele". Como? Morreu em Cristo. Por natureza estava morto em pecado. Pela graça está morto para o pecado. Que direito pode alguém ter sobre um morto? Nenhum. Cristo "morreu de uma vez para o pecado", e o crente morreu n'Ele. "Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos; sabendo que havendo Cristo ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não mais terá domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado, mas, quanto a viver, vive para Deus". Qual é o resultado disto, em relação aos crentes? "Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Romanos 6:8-11). Tal é a posição inalterável do crente diante de Deus! Por isso é seu alto privilégio gozar da liberdade do domínio do pecado sobre si, embora o pecado habite em si.

C. H. Mackintosh

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