terça-feira, 14 de maio de 2013

Gênesis 36



O vitupério de Cristo está sempre ligado ao Seu Nome (Atos 9).

Vemos quão gentilmente Esaú agiu, e podemos pensar que tudo deve estar bem com um caráter assim. Comparado com a falta de amabilidade de Jacó, Esaú chega a brilhar - para nossos olhos naturais. Mas o que dizer de seu coração? Vemos Esaú fazendo um nome para si e para sua família. Ele estava ligado à terra, não tinha um coração para Betel ("casa de Deus") e seu altar. Leia o que Deus fala de Esaú em Hb 12:16. A palavra "profano" é usada para descrever uma área fora do tabernáculo que era separada de qualquer propósito sagrado. Para Esaú, não havia lugar sagrado. Tudo estava ligado à carne e nada a Deus. Uma pessoa pode ter uma boa educação, viver uma vida muito respeitável, ser considerado um bom Cristão em sua comunidade, ser um grande sucesso nos negócios, e ainda assim não ter um pensamento sequer acerca de Cristo.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Você Duvida da Bíblia?

Você se diz cristão, mas duvida da Bíblia, ou de partes dela?

O que o Senhor disse sobre as Escrituras (Antigo Testamento)?

 

"E aconteceu que, indo eles falando entre si, e fazendo perguntas um ao outro, o mesmo Jesus se aproximou, e ia com eles. [...] E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras. [...] E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos. Então abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras." (Lucas 24:15,27,44-45)

Logo, se você crê em Jesus como Senhor e Salvador, então deve reconhecer o Antigo Testamento ("lei de Moisés, profetas e Salmos"), que apenas testifica dEle próprio.


Mas e as epístolas de Paulo? Não tem coisas que são só opiniões dele, ou costumes da época?

 

Vamos ver o que o apóstolo Pedro tem a dizer sobre os escritos inspirados do apóstolo Paulo:

"E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição. " (2 Pedro 3:15-16)

Pedro (um judeu que, não fosse a revelação do Espírito Santo, reconheceria somente o AT como Escrituras) chama os escritos de Paulo de Escrituras, colocando-os no mesmo patamar do AT. Ele também chama de "indoutos e inconstantes" aqueles que torcem os escritos de Paulo, o que os leva à sua própria perdição. Portanto, leia a Palavra com o discernimento do Espírito Santo em vez de julgá-la com base no que dizem certos teólogos que tem por aí. Você não quer ser chamado por Deus de "indouto e inconstante", não é mesmo?

Vamos pegar como exemplo a primeira epístola aos coríntios, que é uma das cartas de Paulo mais rejeitadas pela cristandade atualmente. Logo em seu início, o apóstolo deixa claro que as doutrinas subsequentes não são destinadas somente aos crentes de Corinto:

"Paulo (chamado apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus), e o irmão Sóstenes, à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso." (1 Coríntios 1:1-2)

Parece que o Espírito Santo previu que os escritos desta epístola seriam amplamente rejeitados. Repare que que o apóstolo enfatiza "todos os que em todo o lugar", o que descarta a ideia de que esta epístola foi escrita especificamente para os coríntios e no contexto da época. A rejeição por parte da religião não é sem razão. Logo no primeiro capítulo são condenadas as seitas e denominações (vv. 10-13). Mais adiante, a sabedoria humana é chamada de aniquilada e fraca (vv. 18-31), em contraste com as faculdades de teologia e seus títulos honrosos, como "doutor em divindade". No capítulo 2, Paulo diz que "sua pregação não consistiu em palavras persuasivas de sabedoria humana" (v. 4), diferente dos soberbos e "sábios" "pregadores" que vemos hoje em dia. O capítulo 5 ensina que não devemos nos associar com aqueles que se dizem irmãos mas, de alguma maneira (seja por mal moral, doutrinal ou eclesiástico), estão dando um mal testemunho, pois "um pouco de fermento faz levedar toda a massa" (v. 6). O capítulo 8 nos fala sobre escandalizar, algo muito comum dentro da cristandade (ou você acha que a gritaria e o alvoroço de certas "igrejas" não é um escândalo?). O capítulo 10 nos fala que não podemos estar em comunhão à mesa do Senhor e ao mesmo tempo estarmos associados a práticas que estão em desacordo com a Palavra. O capítulo 11 nos fala da cobertura para cabeça, tanto em relação aos homens quanto às mulheres, ao orar e profetizar (falar sobre a Palavra de Deus), e também sobre a ceia do Senhor. Ele também enfatiza sobre contendas sobre o assunto: "Mas, se alguém quiser ser contencioso, nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus."(1 Coríntios 11:16). O capítulo 12 fala dos diferentes dons, que são dados por Deus à igreja, e não alcançados por algum cargo ou faculdade teológica. O capítulo 14 ensina a ordem de Deus para as reuniões da igreja, onde não encontramos nenhum tipo de clero ou preletor especial, enfatizando que "se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor" (1 Coríntios 14:37). Enfim, com tanta coisa que vai contra a religião humana, não é de admirar que esta epístola seja tão rejeitada pela cristandade atualmente.


Mas o que Jesus disse não é mais importante do que as epístolas?

 

Vamos deixar o próprio Senhor responder:

"Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito." (João 14:26)
 

A quem são dirigidas as epístolas afinal?

 

As cartas dos apóstolos são destinadas diretamente à igreja, o corpo de Cristo, composto por todos os que são salvos pela graça somente, pelo Seu sangue derramado na cruz. Tais escritos são chamados de doutrina (ensino) dos apóstolos, destinados especialmente ao ensino daqueles que são membros do corpo de Cristo.

"E [os crentes, no princípio] perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações." (Atos 2:42)

A doutrina dos apóstolos é também o fundamento sobre qual a igreja é edificada, tendo Cristo como pedra de esquina:

"Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina" (Efésios 2:19-20)
"Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu [Paulo], como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo." (1 Coríntios 3:10-11)

Logo, se você rejeita a doutrina dos apóstolos (fundamento dos apóstolos), está rejeitando também a Cristo, pois Ele próprio é o fundamento.

Aos apóstolos (especialmente Paulo) foi revelada a dispensação da graça de Deus, ou da igreja, que era até então um mistério não revelado no AT. Com isso a Palavra de Deus foi completada, não havendo nada mais para ser revelado além do que temos na Bíblia hoje em dia:

"Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja; Da qual eu estou feito ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, para cumprir [OU COMPLETAR, verifique outras traduções] a palavra de Deus; O mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos [crentes]; " (Colossenses 1:24-26)

Portanto, esqueça a história de pessoas recebendo revelações de Deus exclusivas nos dias atuais, os supostos "profetas". O Espírito Santo não revela nada que vá além do que está na Bíblia, e muito menos do que vai contra ela.


Para finalizar, o que o Senhor Jesus disse de quem não confia em Sua Palavra?

 

"Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada. Quem não me ama não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou. " (João 14:23-24)

Será que você ama o Senhor Jesus? Se você O ama, então confia na Palavra, certo? Ou prefere confiar na sua própria opinião ou na opinião do "pastor" ali da esquina? A quem você realmente ama?

Leia mais:

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Gênesis 35



As glórias de Cristo iluminam cada página dos Evangelhos, do mesmo modo como iluminaram cada caminho que Ele trilhou aqui.

Às vezes a diferença entre a vida de um crente meio comprometido e totalmente comprometido é tão grande quanto o contraste entre a vida de um incrédulo e um crente. Não nos esqueçamos disto. Isto porque muitos crentes pensam que não importa como você vive, contanto que esteja salvo.

Gn 35:1 Deus fala graciosamente uma vez mais. Jacó devia ter sido humilhado para ter que ser lembrado por Deus do dia em que fugiu de seu irmão Esaú.

Gn 35:2 O que Deus estava fazendo a Jacó começava a afetá-lo. Sua consciência está começando a funcionar. "Tirai", Ele diz. Nunca crescemos em nossas almas até que também "tiremos" as coisas com que talvez tenhamos vivido que não são agradáveis ao Senhor. Quando somos descuidados, nem mesmo percebemos que elas estão ali!

Gn 35:3 Boas palavras - "Subamos a Betel" (Lembre-se de que significa "casa de Deus").

Gn 35:5-15 Imediatamente há uma diferença na influência que Jacó tem em seus vizinhos. Mais uma vez ele precisa ser lembrado de seu nome que foi mudado.

Gn 35:16-29 Agora Jacó é capaz de seguir adiante, e enfrentar um terrível acontecimento - a morte de sua amada esposa, Raquel.

Gn 35:27-29 Outra morte. Jacó está aprendendo que a morte para o "eu" é a porta de entrada às bênçãos de Deus.

N. Berry. Fonte: http://www.stories.org.br/gn_p.html ou http://chaday.blogspot.com.br/

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Cristianismo Prático

(Comentário Romanos 12)

CHEGAMOS agora à justiça prática, o estado e o andar daqueles que foram feitos recipientes da graça de Deus, daqueles que foram tomados em soberano e livre favor, e justificados de todas as coisas; sem nenhuma condenação em Cristo. É por esta mesma compaixão de Deus que estes preceitos lhes são endereçados. "Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional." (Rm 12.1) Certamente é preciso um pouco de exercício da razão, no que diz respeito ao nosso corpo, para sujeitá-lo a um culto racional ou inteligente. Estamos "esperando a adoção, a saber,a redenção do nosso corpo". (Rm 8.23) Ele está para ser conformado ao Seu corpo glorioso. Estamos para levar a imagem do que é celestial. Mesmo no que diz respeito ao nosso corpo, logo deveremos vê-Lo e ser como Ele é. (Veja Filipenses 3.20,21; 1 Coríntios 15.48; 1 João 3.2.)

Portanto, estando cientes de tudo isso, podemos sujeitar nosso corpo desde já, para que pertença a Ele, para ser usado em santa separação, por Ele e para Ele. Que privilégio! Mas isto não será possível se estivermos conformados com este mundo -- um mundo em inimizade contra Ele. E, assim como fomos renovados em espírito, "transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." (Rm 12.2)

Se Deus nos salvou, em pura misericórdia e compaixão, busquemos, então, de modo inteligente, procurar conhecer Sua vontade, experimentando qual é essa vontade. Isto irá exigir inteligência espiritual quanto ao tempo ou dispensação em que nos encontramos. A boa, agradável, e perfeita vontade de Deus quanto a isso só pode ser conhecida e experimentada em humildade de espírito e em completa dependência.

"Porque pela graça, que me é dada." (Rm 12.3) Que necessidade constante há de uma consciência do livre favor que nos foi individualmente demonstrado, e concedido a cada um de nós! É isto o que nos capacita a termos um conceito humilde acerca de nós mesmos, e a pensarmos com temperança, ou pensarmos com sabedoria, conforme a medida de fé que Deus repartiu a cada um.

Assim como houve, na dispensação passada, uma nação na carne, e uma aliança de mandamentos adequada àquela dispensação, "assim nós, que somos muitos, somos um só corpo EM CRISTO, mas individualmente somos membros uns dos outros". (Rm 12.4,5) Que contraste é isto com Israel; e devemos ter entendimento disto, ou não poderemos provar a agradável vontade de Deus para conosco neste momento. No passado, ninguém poderia estar em Cristo. Jesus devia morrer, e ressuscitar de entre os mortos, ou então permanecer só; mas somos agora um corpo em Cristo. E esta verdade deve reger toda a nossa obediência a Cristo. Devemos agir em união, como acontece com os vários membros do corpo humano, pois somos um só corpo em Cristo. Aqui não se trata tanto da doutrina do um só corpo, mas da prática de todos os membros desse corpo.

Devemos estar sempre lembrando que, "tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada". (Rm 12.6) Com certeza, qualquer que seja o serviço exercido no um só corpo em Cristo, é tudo pura graça, tudo livre favor. Tendo esta bendita consciência do livre favor de Deus, sejamos diligentes no serviço, qualquer que seja ele -- seja profecia, ministério, ensino, exortação ou o presidir. Que tudo seja feito com alegria. Estes preceitos são tão claros que não há necessidade de explicação, além de vermos que tudo deve ser feito em referência ao um só corpo em Cristo. Todavia, cada um destes preceitos é da maior importância, e só pode ser guardado andando-se no Espírito, pois, na verdade, estes são frutos do Espírito. Poderia a carne, que continua em nós, cumprir o "apegai-vos ao bem", ou o "preferindo-vos em honra uns aos outros", ou ainda o "abençoai aos que vos perseguem"? (Rm 12.10-14) De modo nenhum; ela irá sempre oprimir aquilo que é nascido do Espírito. "Sede unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes." (Rm 12.16) Isto é exatamente o oposto das maneiras deste mundo.

Quão prontos somos a esquecer este bendito ensino dos versículos 17 ao 19. Quão pronta está a carne para pagar mal com mal. E quão triste é quando a indolência toma o lugar da busca pelas coisas honestas perante todos os homens. Sim, se não tiver cuidado, o cristão pode cair em quase todas as formas de desonestidade universalmente praticadas no mundo. E acaso uma transação enganosa e desonesta não tem o mesmo caráter de um assalto? Estas são palavras que deveriam estar penduradas na parede de cada escritório, oficina e estabelecimento: "PROCURAI AS COISAS HONESTAS PERANTE TODOS OS HOMENS". Oh, que tenhamos mais fé e uma obediência resoluta nas coisas comuns do dia-a-dia. Estamos convencidos de que a falta de cuidado nestas coisas, quando não se trata de algo pior ainda do que o descuido, é a causa de muita de nossa fraqueza. E quão pronta está a carne de cada um de nós para se vingar! Mas estas são as palavras do Espírito: "Não vos vingueis a vós mesmos, amados". (Rm 12.19)

Será que Ele, cujo nome tão precioso levamos, vingou-Se a Si próprio? O dia da vingança e do juízo que cairá sobre um mundo ímpio ainda virá, mas não é certo que somos seguidores dAquele que curou a orelha de Seu inimigo? Oh, que possamos ser mais semelhantes a Ele! Que ternas palavras são estas: "se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer: se tiver sede, dá-lhe de beber". (Rm 12.20) Onde, além das Sagradas Escrituras da verdade, poderíamos encontrar palavras assim? Deixe o homem entregue a si mesmo; irá ele agir assim? Não, não; estes são os preciosos frutos do Espírito. Possam eles abundar em nós cada vez mais.

Romanos 12

Seremos tão semelhantes ao segundo Homem como temos sido semelhantes ao primeiro.

Os últimos cinco capítulos carregam diferentes instruções para os crentes. Este capítulo diz ao crente como ele deve viver, trabalhar e amar. Para cada instrução na Bíblia em como viver, existe sempre uma doutrina clara quanto ao fundamento disto. O evangelho tem dois lados, o lado do crer e o lado do proceder. Todavia, ambos andam juntos, pois nosso proceder mostra o que cremos.

Rm 12:1 Uma vida devotada a Deus é a vida natural para cada crente.

Rm 12:2 Não devemos seguir o modo de falar, os hábitos ou os costumes do mundo, mas sermos transformados em um viver para Cristo, para então provarmos a boa, aceitável e perfeita vontade de Deus. Não devemos viver para agradar a nós mesmos, mas ao Senhor.

Rm 12:3-8 Nós crentes precisamos estar juntos em uma comunhão pois somos um "corpo". Você está vivendo isto?

Rm 12:9-21 O amor é, para o crente, um amor genuíno. É um amor que aprende do amor de Deus em Cristo e dele obtém sua força. "O amor seja não fingido" o que significa sem engano ou dissimulação. Quão verdadeiro estão sendo estes versículos a nosso respeito? 

terça-feira, 23 de abril de 2013

Jacó e Siquém

(Comentário Gênesis 34)

Não é que Jacó não fosse, em geral, um homem de fé; era, certamente, e como tal, tem um lugar entre "uma tão grande nuvem de testemunhas" de Hebreus 11. Porém mostrou um triste fracasso em não andar no exercício habitual desse princípio divino. Poderia a fé levá-lo a dizer, "ficarei destruído, eu e minha casa?" Não, evidentemente. A promessa de Deus no capítulo 28:14-15 devia ter banido qualquer temor do seu espírito. "...te guardarei... não te deixarei." Isto devia ter tranquilizado o seu coração. Porém, o fato é que a sua mente estava mais ocupada com o perigo que corria entre os homens de Siquém do que com a sua segurança nas mãos de Deus. Devia ter sabido que nem um só cabelo da sua cabeça poderia ser tocado, e, portanto, em vez de se preocupar com Simeão e Levi, ou as consequências do seu ato precipitado, devia julgar-se a si próprio naquela posição. Se não se tivesse fixado em Siquém, Diná não teria sido desonrada, e a violência de seus filhos não teria sido manifestada. Vemos constantemente crentes passando por profunda dor e dificuldades por causa da sua própria infidelidade; e então, em vez de se julgarem a si próprios, começam a ponderar as circunstâncias e lançam sobre elas a culpa.

Quantas vezes vemos pais crentes, por exemplo, em aflição de alma quanto à travessura, rebeldia e mundanidade dos seus filhos; e, ao mesmo tempo, eles são os próprios culpados por não andarem em fidelidade perante Deus quanto às suas famílias. Foi assim com Jacó. Estava em terreno moral baixo, em Siquém; e, visto que lhe faltava aquela sensibilidade refinada que o teria levado a detectar o baixo terreno, Deus, em verdadeira fidelidade, usou as suas circunstâncias para o castigar. "Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gl. 6:7). E um princípio do governo moral de Deus—um princípio de cuja aplicação ninguém pode escapar; e é uma misericórdia para os filhos de Deus serem obrigados a ceifar os frutos dos seus erros. É uma misericórdia ser-se ensinado, de qualquer modo, da amargura de deixar ou não de contar com o Deus vivo. Temos de aprender que este não é o nosso repouso; porque, bendito seja Deus, Ele não nos daria um repouso manchado. Ele quer que descansemos em e com Ele Próprio. Tal é a Sua graça; e quando os nossos corações duvidam, ou fracassam, a Sua palavra é "Se voltares..., diz o Senhor, para mim voltarás" (Jr. 4:1).

A humildade falsa, a qual é apenas o fruto da incredulidade, leva o extraviado ou apóstata a tomar uma posição inferior, desconhecendo o princípio ou medida da restauração de Deus. O filho pródigo procurava ser tomado como um servo, desconhecendo que, tanto quanto lhe dizia respeito, ele não tinha mais direito ao título de servo que ao de filho; e, além disso, seria inteiramente indigno do caráter do pai colocá-lo numa tal posição. Devemos vir a Deus no princípio e segundo a maneira digna d'Ele Mesmo, ou então não vir.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

O Encontro de Jacó com Esaú

(Comentário Gênesis 33)

Podemos ver nestes dois capítulos (33 e 34) como os temores de Jacó eram infundados, e quão inúteis eram os seus planos. Não obstante a luta, o toque da juntura da sua coxa, e o coxear, vemos Jacó ainda ocupado com planos. "E levantou Jacó os seus olhos e olhou, e eis que vinha Esaú, e quatrocentos homens com ele. Então, repartiu os filhos entre Léia e Raquel, e as duas servas. E pôs as servas e seus filhos na frente e a Léia e a seus filhos, atrás; porém a Raquel e José, os derradeiros". Estes preparativos são prova da continuação dos seus temores. Previa ainda a vingança de Esaú, e expôs aqueles que menos lhe interessavam ao primeiro golpe dessa vingança.
 
Como as profundezas do coração humano são assombrosas! Como é tardo em confiar em Deus! Se Jacó tivesse confiado realmente em Deus nunca teria receado a destruição de sua família; mas, enfim, o coração sabe alguma coisa da dificuldade de descansar simplesmente em confiança calma num Deus infinitamente gracioso, Todo-Poderoso e Onipresente.
 
Mas, note-se, agora, como a ansiedade do coração era desnecessária. "Então, Esaú correu-lhe ao encontro e abraçou-o; e lançou-se sobre o seu pescoço e beijou-o; e choraram". O presente era inteiramente desnecessário; o plano inútil. Deus "aplacou" Esaú, como já havia acalmado Labão. É assim que Ele Se deleita em repreender os nossos pobres corações, covardes e incrédulos, e afugentar todos os nossos temores. Em vez da temida espada de Esaú, Jacó encontra o abraço e beijos de seu irmão; em vez de luta, eles misturam as suas lágrimas. Tais são os caminhos de Deus

Quem não confiará n'Ele? Quem não O honrará com a plena confiança do coração? Porque é que, não obstante toda a evidência agradável da Sua fidelidade para com aqueles que põem a sua confiança n'Ele, estamos tão prontos, em todas as ocasiões, a duvidar e hesitar. A resposta é simples: não estamos suficientemente unidos a Deus. "Une-te pois a Ele, e tem paz, e assim te sobrevirá o bem" (Jó 22:21). Isto é verdadeiro, quer seja acerca do pecador inconvertido, ou de um filho de Deus. Conhecer verdadeiramente a Deus (verdadeira intimidade com Ele) é vida e paz. "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (João 17:3). Quanto mais perfeito for o nosso conhecimento de Deus, tanto mais sólida será a nossa paz, e mais elevadas serão as nossas almas acima de toda a dependência da criatura. "Deus é uma rocha", e nós precisamos apenas de alijar todo o nosso peso sobre Ele, para sabermos quão poderoso é para nos suster.

Postagens populares